Kitabı oku: «O segredo da donzela»

Editado por Harlequin Ibérica.
Uma divisão de HarperCollins Ibérica, S.A.
Núñez de Balboa, 56
28001 Madrid
© 2020 Abby Green
© 2022 Harlequin Ibérica, uma divisão de HarperCollins Ibérica, S.A.
O segredo da donzela, n.º 122 - abril 2022
Título original: The Maid’s Best Kept Secret
Publicado originalmente por Harlequin Enterprises, Ltd.
Reservados todos os direitos de acordo com a legislação em vigor, incluindo os de reprodução, total ou parcial.
Esta edição foi publicada com a autorização de Harlequin Books S.A.
Esta é uma obra de ficção. Nomes, carateres, lugares e situações são produto da imaginação do autor ou são utilizados ficticiamente, e qualquer semelhança com pessoas, vivas ou mortas, estabelecimentos de negócios (comerciais), feitos ou situações são pura coincidência.
® Harlequin, Sabrina e logótipo Harlequin são marcas registadas propriedades de Harlequin Enterprises Limited.
® e ™ são marcas registadas por Harlequin Enterprises Limited e suas filiais, utilizadas com licença.
As marcas em que aparece ® estão registadas na Oficina Española de Patentes y Marcas e noutros países.
Imagem de portada utilizada com a permissão de Harlequin Enterprises Limited.
Todos os direitos estão reservados.
I.S.B.N.: 978-84-1105-466-9
Conversão ebook: MT Color & Diseño, S.L.
Sumário
Créditos
Capítulo 1
Capítulo 2
Capítulo 3
Capítulo 4
Capítulo 5
Capítulo 6
Capítulo 7
Capítulo 8
Capítulo 9
Capítulo 10
Capítulo 11
Se gostou deste livro…
Capítulo 1
Margaret Taggart sentia-se inquieta. Acabara de lavar os pratos no lava-loiça e olhou para a cozinha enorme e reluzente, na cave de uma casa ainda maior. Para ser exata, uma casa de campo linda e antiga numa propriedade de quatro hectares a uma hora de carro de Dublin.
Tinha uns jardins impecáveis por trás e uma horta murada ao lado da cozinha. Um lago pequeno e um bosque. Também tinha uns estábulos, mas estavam vazios. Aparentemente, o dono, um magnata multimilionário, comprara a casa como um capricho quando teve um interesse fugaz em investir em cavalos de corridas e essa zona da Irlanda era famosa por eles.
No entanto, não comprara nenhum cavalo e também não visitara a casa, que continuava vazia, intacta e luxuosamente decorada, segundo as suas instruções. Nem sequer contratara a empregada doméstica, isso fora feito por um dos seus assistentes.
Essa empregada doméstica fora a mãe de Maggie, que tivera muito medo de perder o emprego quando ficara doente. Por isso, deixara o seu próprio emprego como ajudante do chefe num restaurante de Dublin e fora para lá para cuidar dela. Deixar o restaurante não fora um sacrifício graças ao chefe, que incomodava todas as empregadas.
Então, de repente, a mãe morrera e, quando informara os escritórios do dono, tinham-lhe perguntado se queria tomar conta da casa até encontrarem alguém fixo.
Sentira-se emocionada… desconsolada… e dera por si a aceitar, contente com a ideia de ter um sítio tranquilo onde pudesse lamber as feridas e aliviar a dor.
Isso fora há três meses, três meses que tinham passado numa neblina de tristeza e, nesse momento, estava a sair dessa fase de angústia.
Começava a ter vontade de fazer alguma coisa que não se limitasse apenas a cuidar da casa.
A impressão que tinha do dono, um homem que lhe interessava tão pouco que não se incomodara em procurá-lo na Internet, era a de alguém tremendamente presunçoso, alguém que comprara uma casa de campo luxuosa e que nem sequer fora vê-la, um desses homens ricos e poderosos com mais dinheiro do que sensatez.
Fora o que a mãe lhe dissera e conhecia muito bem os homens ricos e poderosos porque o pai de Maggie era um deles. Era um empresário escocês rico do setor imobiliário que tivera uma aventura com a mãe de Maggie. Quando ficara grávida, recusara-se a reconhecê-la. Tivera medo de que a mãe de Maggie e a filha ilegítima pusessem as mãos na sua fortuna imensa.
Não lhe oferecera apoio nem compromisso, só a ameaçara e intimidara. A mãe era demasiado orgulhosa, sentira-se demasiado despeitada para pedir ajuda e tinham saído da Escócia. Tinham acabado na Irlanda, onde o trabalho da mãe como empregada doméstica as levara de um lado para o outro e nunca ficaram muito tempo no mesmo sítio.
Dizer que tinha um conceito muito baixo dos homens ricos e da sua forma de agir era dizer muito pouco. Suspirou. No entanto, um homem rico pagava-lhe muito bem para tomar conta de uma casa vazia e não podia queixar-se.
Então, essa tranquilidade que tanto desejara viu-se bruscamente alterada por um barulho. Estavam a bater à porta principal? Era tão estranho ouvir um barulho assim naquela casa que quase não o reconheceu.
Subiu a correr e chegou ao vestíbulo quando a aldraba voltou a cair na porta.
– Calma, um instante…
Acendeu a luz do exterior, abriu a porta… e ficou com falta de ar.
Um homem alto e moreno ocupava a porta com uma mão levantada como se fosse bater outra vez. Tinha o outro braço levantado e apoiado na ombreira. O céu do fim do verão já tinha um tom ligeiramente arroxeado e fazia com que aquele homem, à contraluz, parecesse ainda mais sombrio.
Continuava sem conseguir respirar. Usava um smoking preto e era o homem mais impressionante que alguma vez vira. Tinha o cabelo encaracolado e umas sobrancelhas escuras num rosto cinzelado em pedra com umas maçãs do rosto maravilhosas. Os olhos também eram escuros, mas não castanhos, dourados. Era moreno de pele e uma barba incipiente cobria-lhe as faces. A sua estatura e a largura das suas costas eram imponentes… e despertava um formigueiro por dentro.
Sentiu-o numa milésima de segundo e foi uma reação biológica muito elementar a tanta virilidade.
O laço preto pendia do colarinho da camisa com um botão aberto. Aqueles olhos escuros observaram-na com descaramento e arrogância.
Então, apercebeu-se de que tinha o cabelo apanhado num coque malfeito e usava calções e uma t-shirt sem mangas, o que costumava usar quando limpava a casa.
– É a mansão Kildare? – perguntou ele, com um sotaque estrangeiro leve.
Tinha uma voz grave e rouca e sentiu umas palpitações inoportunas entre as pernas.
– Sim, efetivamente…
O homem endireitou-se e parou de se apoiar na porta. Parecia ligeiramente embriagado, mas os seus olhos observavam-na com demasiada firmeza para que estivesse bêbado. Parecia um descuido profundo.
Virou-se e ela pôde ver o táxi que o esperava ao fundo da escada. O homem dirigiu-se ao motorista.
– É aqui, obrigado.
Maggie ficou pasmada enquanto o motorista se despedia com a mão, entrava outra vez no táxi e se afastava pelo caminho da entrada.
– Desculpe, mas quem é? – perguntou ela.
O homem virou-se e observou-a.
– Sou o dono desta casa, o Nikos Marchetti. Acho que seria melhor perguntar-lhe quem é. Vi uma fotografia da empregada doméstica e não se parece nada consigo.
Nikos Marchetti… Imaginara-o como um homem de meia-idade, com barriga e presunçoso. Aquele homem, no entanto, parecia um guerreiro espartano com um fato moderno.
Os seus olhos estudavam-na outra vez, algo que devia tê-la ofendido.
Nikos Marchetti não se parecia com o que esperara, nem fisicamente nem na sua forma de se comportar.
– Sou a Maggie Taggart, a filha da Edith. A minha mãe morreu há três meses e um empregado seu pediu-me para ficar até contratarem outra empregada doméstica, algo que, evidentemente, desconhecia.
Olhou para ela sem se alterar.
– Certamente, não me informaram. Os meus empregados têm instruções para não me incomodarem, a não ser que seja algo muito urgente, e está claro que decidiram que podia levar o emprego a cabo. No entanto, lamento a sua perda. Agora, acha que poderia entrar em minha casa?
A sua despreocupação ao dar-lhe as condolências pela morte da sua mãe, um dos acontecimentos mais traumáticos da sua vida, fez com que se mantivesse firme.
– Como sei que é quem diz ser?
Nikos Marchetti olhou para ela e percebeu que a surpresa e a confusão se apoderavam dele, para além de algo muito mais potente, a excitação mais instantânea que alguma vez sentira.
Acabara de chegar de um evento de etiqueta no palácio de Dublin. Saíra de uma sala cheia de algumas das mulheres mais bonitas do mundo e nenhuma o atraíra como aquele… duendezinho tão fogoso.
Embora fosse demasiado alta para ser um duendezinho. Também era forte e fibrosa. A t-shirt que usava realçava os seus seios abundantes e tinha umas ancas largas e umas pernas muito brancas e intermináveis. Era como uma rainha viquingue e o cérebro estava a derreter-se só de a ver.
Certamente, era por isso que continuava ali parado. Normalmente, não teria permitido semelhante rabugice.
No entanto, não era apenas o seu corpo. Tinha o cabelo ruivo apanhado num coque, umas maçãs do rosto proeminentes, um queixo firme e um nariz reto. Uns olhos azuis imensos e uma boca ampla com lábios carnudos. Também tinha os braços cruzados e impedia-o de entrar na sua própria casa.
– Nunca veio cá, pois não?
– Não sabia que tinha de a manter a par do que faço – replicou ele –, mas não, não tinha vindo.
– Porque veio esta noite? Não me tinham avisado de que viria.
– Dado que é a minha casa e devia estar em perfeito estado para que possa vir quando quiser, não me pareceu necessário avisá-la.
– É tarde… Podia estar deitada.
Nikos não pôde evitar imaginá-la nua na cama, com o cabelo espalhado à volta dela e desejosa de que explorasse o seu corpo sensual. Sentiu que o sangue se acumulava na ereção incipiente… algo que costumava controlar muito melhor.
– A sério? – perguntou ele, com indignação. – Está a impedir-me de entrar?
– Sim, até me mostrar alguma identificação. Se for quem diz ser, compreenderá e agradecerá que não permita que um desconhecido entre em sua casa.
Nikos quis resmungar. Obedeciam-lhe sempre imediatamente, embora ela tivesse razão. Além disso, também era novidade que não o conhecesse, mas tornava-a mais atraente. Normalmente, perseguiam-no por ser quem era, o herdeiro de uma fortuna mais do que considerável.
No entanto, não queria pensar nisso nesse momento, pois só lhe recordaria a sensação de claustrofobia e tédio que o levara lá, embora quase se tivesse esquecido das suas posses na Irlanda.
Rebuscou no bolso enquanto murmurava que não conseguia acreditar no que fazia. Pegou no passaporte e entregou-o à empregada doméstica.
– Quantos anos tem? – perguntou ele, antes de conseguir morder a língua.
– Vinte e três. – Parou de olhar para o passaporte. – É um passaporte grego. Achava que era italiano.
– Sou meio grego e meio italiano, mas, desta vez, decidi adotar a minha parte grega. – Recuperou o passaporte. – Mais alguma pergunta ou já posso entrar em minha casa?
Maggie não conseguia acreditar que estava a ser tão conflituosa com o dono da casa… porque era o dono da casa. Era Nikos Marchetti.
Tentou recordar a pouca informação sobre ele que a mãe lhe dera. Era o herdeiro de uma fortuna enorme, o Grupo Marchetti. Era o maior grupo de marcas de luxo do mundo. Também tinham imensas propriedades imobiliárias: hotéis, clubes noturnos e quarteirões de prédios em sítios como Nova Iorque.
Recuou e afastou-se para o deixar entrar.
– Entre, senhor Marchetti. É um prazer recebê-lo na mansão Kildare.
Ele soprou com raiva enquanto entrava e deixava uma mala de viagem numa cadeira. Era mais impressionante e ainda maior à luz do vestíbulo. Olhou à volta e foi a uma das salas.
Ela continuava atordoada com o seu cheiro. Não tinha nada de artificial ou era tão caro que não cheirava a sintético, cheirava a almíscar, a madeira, a essência de homem…
Fechou a porta da entrada e foi até à porta da sala. Viu que deixara o casaco nas costas de uma poltrona e que estava a servir-se de um copo de uísque.
– Quer que lhe mostre a casa? – perguntou Maggie, tentando parecer profissional e despreocupada quando sentia exatamente o contrário.
Aquele homem causava-lhe um formigueiro no corpo, de excitação e de algo muito mais volátil.
– Claro – afirmou, virando-se.
Aproximou-se dela com o copo na mão. Pareceu-lhe perigoso e desavergonhado e sentiu um calafrio nas costas.
Sentia-o atrás dela enquanto lhe mostrava as salas, mais ou menos informais, que davam para o vestíbulo e a sala principal. Na parte de trás, com vista para os jardins, havia um escritório com computadores de última geração em que ninguém tocara. Do outro lado do corredor, havia uma sala de estar com um ecrã para projetar filmes e estantes desde o chão até ao teto cheias de livros que, certamente, teriam escolhido por causa das aparências. Obras de Shakespeare… Dickens… Era a sala favorita de Maggie.
– Continua! – ordenou Nikos.
Quase tropeçou enquanto voltava pelo corredor e descia as escadas para a cozinha. Não olhou para ela, pois estava muito mais interessado no ginásio e na piscina coberta que havia no mesmo andar. Também havia salas para massagens e hidromassagens, uma sauna e um banho turco.
Não podia parecer mais despreocupado com a camisa desabotoada, o laço solto e o copo de uísque na mão. Estava a fiscalizar uma casa que nunca vira e, até ao momento, estava a confirmar tudo o que ela pensara sobre os homens ricos e poderosos.
Virou-se para ela e acabou a bebida. Teria sido imaginação dela ou vira um brilho muito fugaz nesses olhos dourados e hipnóticos? Não eram completamente dourados, também tinham reflexos verdes e cor de avelã.
Para sua vergonha e aborrecimento, sentiu que uma onda ardente a dominava por dentro e teve de se virar antes de lhe chegar à cara. Era muito branca e todas as sensações se refletiam na pele.
– Os quartos são no primeiro andar – informou ela, enquanto voltava ao andar principal sem verificar se Nikos Marchetti a seguia.
No entanto, sentia a sua presença.
Nikos mal conseguia prestar atenção à casa quando estavam a subir as escadas e observava o traseiro e as ancas insinuantes da empregada doméstica, já para não falar daquelas pernas compridas e nuas.
Avançava com passo firme à frente dele enquanto abria portas.
– Estes são os quartos dos convidados, o seu é ao fundo.
Abriu a porta e afastou-se. Ele percebeu que usava sandálias e que tinha uns pés bonitos com as unhas pintadas de cor de coral.
Cerrou os dentes e entrou no quarto, mas sentiu o seu cheiro a rosas e a algo mais terrestre, a almíscar. Cerrou mais os dentes.
Quase nem reparou no quarto luxuoso com janelas que davam para os três lados da casa, embora estivesse a escurecer e o jardim estivesse na penumbra. Reconheceu-o graças às fotografias que o decorador lhe enviara.
Fora a primeira casa que comprara. As suas outras posses eram apartamentos nos hotéis da empresa. Nesse momento, sentia-se em evidência, como se aquela desconhecida estivesse a ver os motivos por que a comprara: apenas porque gostara do que vira numa fotografia.
Sentia que aquela mulher com corpo de sereia e uns olhos azuis imensos o observava.
Virou-se. Maggie Taggart tinha os braços cruzados, o que lhe elevava os seios generosos.
Desviou a atenção para ela.
– Porque se veste como se fosse a um churrasco?
– Se me tivessem dito que vinha, podia ter-me vestido adequadamente – defendeu-se, corando. – No entanto, se tivermos em conta que o meu horário acabou há muito tempo, não sei porque haveria de justificar a minha roupa. Dado que a sua presença aqui é… fora do comum, trabalho nas horas que me dão mais jeito. Não acho que possa queixar-se do estado da casa. Trabalho sete dias por semana e sempre esteve pronta para a sua chegada.
Nikos sentiu problemas de consciência, algo muito estranho nele.
– Tem a casa impecável – reconheceu. – Podemos começar de novo?
Aproximou-se dela, que não passara da porta. De repente, não parecia tão segura de si própria. Não era tão exigente como parecia ou se comportava.
– Sou o Nikos Marchetti – esticou a mão –, o dono desta casa. Lamento não a ter avisado de que vinha e agradeço que a mantenha impoluta. Evidentemente, está a fazer um trabalho incrível.
Felicitou-se por não ter usado um tom brincalhão.
A empregada olhou para ele com receio, mas acabou por lhe apertar a mão. Nikos sentiu imediatamente a pele ligeiramente áspera da palma da sua mão e o desejo transformou-se numa excitação transbordante. Uma excitação ardente que lhe percorria as veias. Instintivamente, agarrou-lhe a mão.
Maggie ficou com falta de ar. O que é que acabara de dizer? O cérebro toldara-se. Só sentia a mão enorme na dela. Diminuía-a. Era alta e habituara-se a que lhe chamassem «uma rapariga grande e forte», mas Nikos Marchetti fazia com que se sentisse delicada pela primeira vez na sua vida. Não lhe chegaria ao queixo, nem mesmo com saltos, algo que lhe parecia um pouco embriagador, mesmo que a incomodasse reconhecê-lo. Era muito estranho que tivesse de olhar para um homem assim, embora também não acontecesse muitas vezes. Passara a vida a ir de um lado para o outro com a mãe e não conseguira formar um grupo de amigos íntimos. Das poucas vezes que decidira sair com um homem, tinham acabado com um aperto de mãos, pois o homem era mais baixo do que ela todas as vezes.
Por isso e por uma infinidade de motivos, entre eles, o receio pelos homens que a mãe lhe inculcara, evitara a… intimidade. No entanto, nesse momento… sentia muita intimidade. Soltou a mão.
– Comeu alguma coisa? Há restos de um guisado de frango. Não sei se está na lista das suas comidas preferidas, mas, se quiser, posso aquecer-lhe um pouco.
Estava a falar por falar. Fazia-o quando estava nervosa e odiava. Recuou uns passos para se afastar dele.
Era o patrão dela.
– Claro. – Encolheu os ombros. – Tenho de tomar banho e mudar de roupa, mas já desço.
– O seu closet tem um guarda-roupa completo, para o caso de precisar de alguma coisa.
Desceu a escadas enquanto se amaldiçoava por se sentir tão afetada por ele. Indubitavelmente, era sensual e impressionante, mas, certamente, teria o mesmo efeito em todos, uma demonstração de que não era imune à sua ostentação potente de sexualidade.
Parou no vestíbulo e olhou para a mala de viagem. Já lhe dissera que tinha roupa no closet, mas, certamente, devia levar-lhe a mala. Não era o que se esperava de uma empregada doméstica?
Voltou a subir, mas ficou parada à frente da porta. Estava entreaberta e não sabia bem o que fazer. Não se ouvia nada. Bateu com delicadeza e pigarreou. Parecia-lhe muito estranho depois de ter estado completamente sozinha na casa.
Não responderam e abriu a porta. Viu que a porta que dava para a casa de banho também estava entreaberta. Ouvia-se a água e saía vapor. Estava no duche.
Entrou para deixar a mala na cama e sair imediatamente. No entanto, antes, olhou para a casa de banho e viu uma forma alta e morena. Já não caía água e ficou absorta enquanto o vapor se evaporava e o corpo de Nikos Marchetti ia aparecendo.
Não pôde mexer-se. Zumbia-lhe a cabeça. Estava nu e era… magnífico. Impressionante. Tinha umas extremidades compridas e um peito musculado. Cada centímetro de pele morena resplandecia, os pelos do peito desciam, formando uma linha até aos pelos frisados que tinha entre as pernas e, pensou, vermelha como um tomate, podia verificar como era potente.
Então, ele ficou imóvel.
Ela levantou o olhar e encontrou o brilho dourado e esverdeado dos seus olhos. Nikos Marchetti, sem se alterar, pegou numa toalha e pô-la ao redor das ancas estreitas. Não disse nada.
Então, como se alguém a tivesse esbofeteado, falou.
– Lamento… Achava que… A sua mala…
Depois, virou-se e saiu a correr do quarto com o rosto e o corpo a arder.
Nikos esvaziou o copo de vinho branco com que acompanhara um guisado de frango espantosamente bom.
Nesse momento, recostou-se na cadeira e pensou em como tudo fora surpreendente.
Chegara ali e descobrira que a empregada era, no mínimo, vinte anos mais jovem do que esperara. Além disso, era bonita e sensual.
Maggie reapareceu à porta. Mudara de roupa desde que a surpreendera a observá-lo fixamente, como se nunca tivesse visto um homem nu, com esses olhos enormes esbugalhados e fixos nessa parte da sua anatomia que não se apaziguara.
Tivera de voltar ao duche e ficar um bom bocado debaixo da água fria para não se deixar levar por esse desejo tão intenso. Não estava à mercê do seu corpo e das suas hormonas, por muito tentadora que a empregada doméstica fosse.
Nesse momento, usava uma camisa branca por dentro de umas calças pretas, mocassins também pretos e o cabelo apanhado num coque na nuca. Incompreensivelmente, irritou-o muitíssimo, embora fosse exatamente o que esperara de uma empregada.
Mesmo assim, não podia queixar-se. A casa estava impoluta e ele aparecera sem avisar. Trabalhava ali e não podia esperar que estivesse impecável vinte e quatro horas por dia e sete dias por semana, era impossível.
Aproximou-se sem olhar para ele e retirou o prato.
– Estava muito bom – comentou ele. – Melhor dizendo, estava excelente. Foi a menina que o fez?
Maggie estava a fazer tudo o que podia para não olhar para os olhos de Nikos Marchetti, reuniu forças e observou-o. Ainda tinha o cabelo molhado e os caracóis encaracolavam-se na cabeça. O que lhe recordou… aquele momento.
– Trabalhava como ajudante do chefe num restaurante – explicou ela. – Era o que queria ser… chefe.
– Porque o deixou? – perguntou Nikos.
Maggie teria gostado que o uniforme servisse de barreira contra ele, mas sentia-se como se pudesse atravessá-la e ver o sangue que ainda lhe bulia como a lava.
– Por causa da doença da minha mãe. Além disso, o chefe tinha as mãos demasiado compridas para o meu gosto.
– Quer dizer que lhe tocava? – perguntou ele, com uma tensão surpreendente.
Maggie surpreendeu-se com a sua reação.
– A mim e a qualquer empregada que estivesse a um metro dele. No entanto, a minha mãe adoeceu e não me custou vir ajudá-la. Achava que conseguia sobreviver sem a minha ajuda, mas a doença piorou muito depressa…
Nikos Marchetti levantou-se e pegou no prato que tinha nas mãos, antes de afastar uma cadeira da mesa.
– Sente-se…
Maggie hesitou, mas acabou por se sentar. Ele também se sentou.
– Lamento o que aconteceu antes. Alguém devia ter-lhe ligado para a avisar de que vinha. Também lamento a morte da sua mãe, embora tenha tido a sorte de poder estar sempre com ela. Parece que estavam muito unidas.
Olhou para o patrão. Se continuasse a repetir-se que era o patrão, talvez conseguisse não lhe fazer caso. Essa forma de o sentir… Essa forma de olhar para ela… Era ilicitamente excitante.
– Estávamos muito unidas. Ela era mãe solteira e eu, filha única.
– O seu pai estava… ausente?
– Sim – confirmou, antes de tentar mudar de assunto. – A sua mãe ainda está viva?
– Não. Morreu há muito e não me lembro dela.
– Lamento – replicou Maggie, embora lhe desse a sensação de que não lhe contava toda a verdade. – Perder uma mãe é muito difícil a qualquer idade. – Voltou a pegar no prato e levantou-se. – Se quiser ir para a sala, posso levar-lhe café ou chá.
Nikos Marchetti observou-a e foi como se se tivesse esquecido de que ela estava ali e se apercebesse outra vez. Perdera-se por um instante.
Teve a sensação de que a imagem que projetava, rico e despreocupado, escondia algo muito mais imponente. Estava alerta, apesar desse ar de despreocupação.
– Vou beber um uísque, mas com uma condição.
Maggie viu que Nikos Marchetti se levantava.
– Que condição? – perguntou ela, com o coração acelerado.
– Que me acompanhe e beba um copo. É o mínimo que posso fazer depois de ter aparecido de improviso.
Agarrou no prato com mais força e ficou com falta de ar.
– Não é preciso…
– Por favor. Há muito tempo que não tinha uma conversa tão interessante com ninguém como a que tive consigo durante as duas últimas horas. Conceda-me isso.
Capítulo 2
Nikos foi para à sala para esperar que Maggie voltasse. Normalmente, não tinha de se esforçar muito para conseguir o que queria. Embora também soubesse que isso se devia, em grande medida, aos seus genes e à sua fortuna.
A sua vida tornara-se aborrecida ultimamente.
Abriu a porta envidraçada e ficou ali. O ar era quente e nada se mexia. Ouviu o mugido de uma vaca ao longe. Não recordava a última vez que estivera num sítio tão aprazível e, para sua surpresa, não tinha vontade de procurar alguma distração. Apaziguava-lhe os nervos.
Ninguém sabia que estava ali e essa fora uma das coisas que o tinham atraído naquele lugar. Era tão campestre, tão diferente da vida que costumava ter, que a compra impulsiva fora ainda mais surpreendente. No entanto, não queria analisá-lo nesse momento, como também não queria analisar essa sensação de estar em casa quando nunca se sentira em casa em lado nenhum.
Não tinha uma casa e também não a queria.
A casa, o lar, era um mito.
Foi ver as estantes com livros que havia ao longo da parede. Algo chamou a sua atenção e pegou num livro. Fora um dos seus favoritos quando era pequeno e evocou-lhe um tempo quando era mais jovem e usava os livros como uma válvula de escape.
Ouviu um barulho e virou-se. Maggie estava a entrar com uma bandeja. Segurava dois copos e uma garrafa de uísque.
Ela parou quando viu o livro que tinha na mão.
– Lamento – desculpou-se. – Pus alguns dos meus livros na estante. Espero que não se importe…
– Não faz mal. – Nikos voltou a guardar o livro. – Surpreende-me que ainda tenha livros da infância.
Maggie pousou a bandeja sem olhar para ele nos olhos. Estava habituado às mulheres atrevidas, que se aproveitavam do interesse dele. Ela era diferente e desejava-a.
Serviu uísque nos dois copos, entregou-lhe um e ficou com o outro. Levantou o dele. Ela aproximou-se e brindou com ele. Maggie bebeu um gole e fez uma careta quando o líquido lhe queimou a garganta.
– Não bebe uísque? – perguntou ele.
– Não, mas sempre quis provar.
– Foi por isso que aceitou beber um copo comigo? Para experimentar?
– Uma coisa dessas.
Maggie tentou parecer despreocupada, como se não se impressionasse com ele.
Observou-o pelo canto do olho. Estava a olhar para ela sem dissimulação. Desviou o olhar outra vez, mas viu um certo brilho brincalhão nos seus olhos, como se soubesse muito bem o efeito que tinha nela.
– Como é que os livros duraram tanto?
Sentiu-se ridiculamente nervosa.
– Quando era pequena, a minha mãe e eu íamos de um lado para o outro e os livros eram a minha válvula de escape num mundo que não parava de mudar, eram a única coisa constante. Agora, sou um pouco fetichista com eles. Sei que é absurdo.
– Não é absurdo. Entendo.
– A sério?
Voltou a surpreendê-lo e fez um gesto de aborrecimento.
– Eu também tinha esses livros, mas perdi-os há muito. A verdade é que nunca li muito, não tive tempo.
Maggie sentiu uma pontada leve perto do coração que não devia ter sentido por um desconhecido.
– Eu também não tinha imaginado que era um rato de biblioteca.
– Sou mais do que uma cara bonita – comentou ele.
Maggie não pôde conter o sorriso. Dissera-o num tom brincalhão que era desnecessário porque era verdade. Era impressionante e, efetivamente, suspeitava que era muito mais do que uma cara bonita. Tinha uns olhos penetrantes e céticos.
Ele abrira as portas envidraçadas e estava tudo tranquilo no exterior. Parecia que o resto do mundo estava muito longe. No entanto, apesar da quietude e da tranquilidade, sentia uma descarga elétrica, perigosa e apaixonante, que lhe corria pelas veias.
– Não se aborrece aqui? – perguntou ele. – Parece um trabalho estranho para uma jovem tão bonita.
O coração acelerou. Bonita? Devia dizê-lo a todas as mulheres, mas sentiu-se coibida e à defesa.
– Desde que a minha mãe morreu, agradeci ter… um sítio tranquilo para a chorar. Além disso, em qualquer caso, também não gosto muito de sair à noite.
Ainda que, nesse momento, a ideia de sair à noite lhe parecesse quase atraente, como uma forma de mitigar a intensidade do ambiente que havia entre Nikos Marchetti e ela naquela sala. Embora devesse ser imaginação dela. Um homem como ele vivia em círculos muito diferentes dos das casas de campo na Irlanda.
– Porque comprou esta casa?
– Preciso de um motivo? – perguntou ele.
– Não, claro que não… – respondeu ela, envergonhada. – É que não parece um sítio para um homem como…
– É um investimento. Pensei em comprar cavalos de corridas no futuro e precisava de uma casa com estábulos.
Não acreditou na explicação.
– O que o impulsionou a vir esta noite?
– Nunca lhe disseram que faz muitas perguntas?
Maggie corou e esboçou um sorriso.
– A minha mãe… Estava sempre a dizer-mo, chamava-me Maggie, a Inquisidora.
Mais uma vez, Nikos surpreendeu-se por ser tão sincera e não parecer ter medo dele. Era estimulante e excitante.
A verdade era que quisera fugir daquele evento claustrofóbico. Pensara em voltar diretamente para Londres, mas não havia um voo até à manhã seguinte e recusava-se a usar aviões privados a não ser que fosse estritamente necessário.
Quase reservara um quarto num hotel, até se lembrar daquela casa, a casa que nunca visitara. Fora por isso que decidira ir, inquieto e alterado.
Então, ela abrira a porta e ele tivera um curto-circuito de desejo no cérebro.
Maggie, como se tivesse percebido o que ele pensava, esvaziou a copo e deixou-o na bandeja.
– Obrigada pela bebida, mas, se me disser o que quer comer ao pequeno-almoço, posso tê-lo pronto amanhã de manhã.
Observou-o e ele só pôde ver esses olhos azuis imensos e as duas manchas rosadas nas suas faces. Além disso, os seios subiam e desciam ao ritmo da respiração.
A química entre eles era evidente. Sabia que o desejava tanto como ele, a ela. Se era um perito em alguma coisa, era nas mulheres e no desejo.
– O pequeno-almoço não pode importar-me menos. A sério… vais fingir que não o sentes?
O coração de Maggie parou por um instante. Ouvira bem?
– Lamento muito, mas o que disse?
Ele sorriu com indolência e foi um verdadeiro pecado. Sentia que o peito e as faces começavam a arder.
– Ouviste-me, Maggie.
O seu nome dito por ele… acariciou-lhe a pele e deixou-a com pele de galinha.
– Não sei do que está a falar. – Engoliu em seco. – Se me desculpar, vou para a cama.
Virou-se, com um formigueiro na pele e o coração acelerado, ainda que, por outro lado, desejasse saber até onde poderiam chegar. Nenhum homem tivera esse efeito nela e não sabia o que fazer, como parecer indiferente e inalterável. Um homem como Nikos Marchetti comê-la-ia viva e, depois, cuspi-la-ia. Tinha a certeza disso.
Dirigiu-se para a porta, mas ele voltou a falar.
– Nem sequer… tens curiosidade? Não sabes como é incomum sentir uma química tão potente com outra pessoa?
Não! Nunca sentira uma coisa dessas e tinha um medo atroz. Era virgem e um homem assim incomodava-a.
Virou-se para ele.
– Acho que, esta noite, nesse evento, devia haver imensas mulheres desejosas de saber até onde chegava essa química.
– Não quero nenhuma dessas mulheres – ele fez uma careta de aborrecimento –, mas desejei-te assim que te vi e não me acontecia há muito tempo.
Maggie tremeu dos pés à cabeça antes de conseguir evitá-lo. No entanto, eram apenas palavras para a seduzir. Era apenas uma diversão passageira.
– Receio que tenha mais a ver com estar enfastiado do que comigo.
– Tens razão. Estou enfastiado e cético.
Deixou-a perplexa que lhe desse a razão, não o esperara de um homem como ele.
– Surpreendeste-me, Maggie – continuou ele. – Além disso, recordaste-me que não tenho de ser cético.
Nikos pousou o copo e aproximou-se dela, que estava colada ao chão.
– Não gosto de tolices. Persigo o que quero. Desejo-te como não desejo ninguém há muitíssimo tempo. Intrigas-me e alteras-me, mas, evidentemente, não é uma situação ideal. Aconteça o que acontecer, está para além do teu trabalho. Se quiseres, é algo entre dois adultos, uma decisão tua. Amanhã, vou apanhar o primeiro voo para Londres e não sei quando voltarei.
Maggie não recordava ter conhecido alguém que falasse com tanta franqueza, nem sequer a mãe. No entanto, tentou fazer o que tinha de fazer, apesar de ter o coração acelerado.
– Acho que não seria uma boa ideia…
Nikos Marchetti aproximou-se mais um passo, tanto que ela conseguia ver os reflexos verdes e dourados dos olhos dele, que conseguia sentir o seu perfume, que a atraía… Fez um esforço para dominar a vontade.
– É possível que tenhas razão. Normalmente, não misturaria o prazer com o trabalho, mas, neste caso, estaria disposto a correr o risco, se tu também estiveres.
– Não, não estou.
– Muito bem. Como queiras. Boa-noite, Maggie.
Saiu da sala e ela virou-se para olhar para ele. Mexia-se com agilidade e elegância. Tinha os ombros muito largos, a cintura estreita e as pernas compridas.
Quando desapareceu, Maggie respirou fundo e levou a mão à boca como se a tivesse inchada, como se a tivesse beijado… Não a beijara, mas teria gostado que o tivesse feito.
Resmungou em voz baixa. Nunca, nem nos seus sonhos mais desatinados, imaginara uma situação assim. Não podia viver mais isolada, mas, mesmo assim, um dos homens mais sensuais do mundo praticamente entregara-se a ela.
Desejava-a e ela nunca sentira essa atração física. Sempre achara que era um conto de fadas. Sempre se orgulhara de ser pragmática.
Sentiu outro calafrio, mas, dessa vez, não foi de desejo, foi um presságio. Não previra ficar ali para sempre, mas já tinham passado três meses e não se apercebera. Se não tivesse cuidado, podia acabar como a menina Havisham de Grandes Esperanças, embora ela não pudesse lamentar-se por uma relação frustrada porque não tivera nenhuma relação.
Nikos Marchetti não estava a propor-lhe uma relação, só queria explorar aquela atração mútua. Supunha que seduzir as mulheres que desejava fosse o normal para um homem como ele, sofisticado e experiente. Não parecia um homem que se privasse de nada. Tinha alguma coisa de mal? Também não fingira que havia mais.
Fechou as portas envidraçadas, pegou na bandeja com a garrafa de uísque e os copos vazios e desceu para a cozinha.
Nem sequer lhe tocara, mas sentia-se como se lhe tivessem injetado vitalidade. Sentia-se viva, tinha a pele sensível e ardente e o coração acelerado.
Amaldiçoou-se. Decidira há muito tempo que não seguiria os passos da sua mãe, que ficara deslumbrada por um homem poderoso que, depois, a ignorara como se não a tivesse conhecido. Prometera-se que nunca permitiria que a tratassem assim. Se alguma vez tivesse uma relação com alguém, seria com alguém como ela, alguém que gostava da vida simples, alguém que fosse responsável pelo que fazia.
Se alguma vez tivesse filhos, quereria que fossem criados de forma tranquila e seguros, não a questionar-se o que tinham feito para que o pai os rejeitasse por medo de que pudessem reivindicar a sua fortuna.
Queria que os seus filhos fossem criados com os dois pais. Sabia como era difícil fazê-lo sozinha. Passara um ano a cuidar da mãe e uma das últimas coisas que lhe dissera fora que lamentava não ter conhecido alguém para que tivesse um ambiente mais estável. Percebera como a mãe estivera sozinha.
Por isso, era ridículo pensar em Nikos Marchetti e na sua proposta descabida. Era algo que devia rejeitar sem mais explicações. Ele era a antítese do que ela sempre quisera. Era um homem rico e arrogante que comprava casas por capricho e que, depois, não as visitava.
Não estava à procura de uma relação duradoura, recordou-lhe uma vozinha na cabeça.
Não era preciso ter muita experiência para saber que um homem como Nikos Marchetti só procurava relações fugazes.
Não sabia o que fazer.
Seria assim tão mau deixar-se levar quando nunca fizera nada por egoísmo? Nikos Marchetti só estaria uma noite naquela casa e, a julgar pelos precedentes, não voltaria a vê-lo.
Sentiu um formigueiro por dentro e levou uma mão à barriga para o sufocar.
Talvez, se não o tivesse visto nu… Não! Não podia pensar nisso.
Apagou as luzes e subiu as escadas. O seu quarto era o mais modesto e era longe dos quartos principais, mas parou no patamar.
Podia ir para o seu quarto e fechar a porta. O mais provável era que Nikos Marchetti tivesse desaparecido quando acordasse de manhã. Desaparecida a tentação, os seus mundos não voltariam a encontrar-se. Vivia num círculo muito diferente do dele e, quando voltasse à casa, ela já teria mudado de emprego.
E continuaria a ser virgem.
Enquanto o assimilava, sentiu uma ousadia que nunca sentira. Nikos Marchetti oferecia-lhe algo imoral, mas também lhe oferecia vida e vitalidade e precisava de sentir essa força vital.
Os pés, quase como se tivessem vida própria, percorreram o corredor para o quarto de Nikos Marchetti. Parou ao chegar à porta e sentiu-se um pouco enjoada com a enormidade do que estava a pensar em fazer.
Levantou uma mão e viu que estava a tremer. Voltou a baixá-la. Não podia fazê-lo. Não tinha experiência suficiente para aceitar o que Nikos Marchetti lhe oferecia e sair ilesa. Tentava-a muito, mas comê-la-ia viva.
Virou-se… e encontrou o fogo.
Nikos Marchetti estava no corredor, nu da cintura para cima. Usava umas calças de desporto e uma toalha à volta do pescoço. Tinha o cabelo molhado, a cara corada e a pele brilhava. Vagamente, percebeu que estivera no ginásio.
Se tivera a força para resistir, já desaparecera. Ele aproximou-se e ela pôde sentir toda a sua virilidade.
– Maggie…
Ela desviou o olhar dos peitorais e levantou a cabeça.
– Sim…?
– Suponho que não tenhas vindo para saber se tenho tudo o que preciso…
Abanou lentamente a cabeça.
– Sabes o que estás a fazer?
Assentiu com a cabeça.
– Acho… Acho que sim.
Nikos Marchetti aproximou-se mais, tanto que ela pôde ver o brilho dos seus olhos.
– Tens de ter a certeza, não aceitarei outra coisa.
Sentiu um desejo muito intenso e muito profundo. Não podia voltar atrás.
– Tenho a certeza.
– Nikos… – acrescentou ele.
– Queres que diga o teu nome? – perguntou ela, pestanejando.
Ele assentiu.
– Nikos… – sussurrou Maggie.
Dizer o seu nome era incrivelmente íntimo. Ele já não era o dono dessa casa e ela não era a empregada. Eram iguais.
– Maggie, quando atravessarmos essa porta, fá-lo-emos como dois adultos que sabem o que fazem. Não tens de fazer nada que não queiras, não me deves nada por ser quem sou. Vais fazê-lo porque queres, porque ambos queremos.
Emocionou-a que quisesse certificar-se de que sabia o que fazia.
– Sei o que faço e quero fazê-lo – afirmou Maggie.
– Muito bem.
Nikos aproximou-se e deu-lhe a mão. Levou-a para o quarto, onde uns candeeiros projetavam uma luz dourada.
Soltou-lhe a mão e observou-a.
– Devia tomar banho…
Quase sentiu pânico só de pensar que se afastaria dela, mesmo que fosse por um instante, como se pudesse perder a coragem.
– Não, não é preciso.
Adorava como cheirava. Ele tirou a toalha dos ombros e atirou-a para uma poltrona.
– Anda.
Maggie deu um passo com um formigueiro na pele.
– Solta o cabelo.
Ela, como se estivesse a sonhar, soltou o cabelo, que caiu sobre os ombros. Era um cabelo denso, abundante e rebelde.
Ele segurou numa madeixa.
– Tens um cabelo incrível.
Nikos aproximou-a ainda mais. As pernas de Maggie tremiam. Rodeou-lhe o pescoço, pôs o polegar nas palpitações desenfreadas e levantou-lhe o queixo.
– Toca em mim.
Ela levantou as mãos e levou-as ao seu peito. Sentiu os pelos, o calor da pele e os músculos tensos. De repente, o quarto ficou sem oxigénio.
Nikos pôs-lhe a outra mão no braço, inclinou a cabeça e a sua respiração tocou-lhe nos lábios por um instante. Tudo parou enquanto esperava que a sua boca tocasse na dela. Tinha a ideia de que tudo seria diferente depois daquilo… Então, beijou-a e soube que era verdade.
Começou a arder.
Nada poderia tê-la preparado para o que sentiu. Nikos mexia a boca, seduzia-a, incitava-a a afastar os lábios para a conhecer a fundo.
Quanto mais profundo era o beijo, mais avidez sentia. Era como se tivesse jejuado até àquele momento. Agarrou-a pelo cabelo e inclinou-lhe a cabeça para trás para a beijar melhor. Ela aproximou-se mais. Procurava mais contacto intuitivamente, levada por um desejo primário.
Nikos mal aguentava o desejo. A boca de Maggie fora delicada e hesitante ao princípio, mas começara a ganhar confiança… Avivara-lhe o desejo como nenhuma outra e acabara com o aborrecimento.
Vibrava contra ele. Os seios abundantes estavam colados ao peito dele e desejava acariciar cada centímetro do seu corpo.
Desabotoou-lhe a camisa e abriu-a. Afastou-se um pouco, esbugalhou os olhos e resmungou com delicadeza. Ela continuava com os olhos fechados. Tinha umas pestanas muito compridas e a boca era carnuda e rosada.
Então, abriu os olhos, mas demorou um instante a focá-lo.
O desejo embargava-o. Quando fora a última vez que beijara uma mulher que reagia assim? Quando era um adolescente inexperiente?
Olhou para baixo e ficou com falta de ar. Tinha uns seios abundantes e erguidos. A cintura era estreita, mas alargava-se nas ancas. Representava uma sensualidade feminina que ela não sabia que tinha.
Baixou a cabeça, mas ele voltou a levantar-lha com um dedo no queixo.
– És impressionante.
Ela corou.
– Não sou nada de… especial.
Nikos teve de fazer um esforço para não a despir e penetrá-la.
– Garanto-te, és a mulher mais sensual que vi.
– Não tens de dizer coisas – replicou ela, num tom sério.
– Não o digo por dizer.
Era sincero. Normalmente, ia para a cama com mulheres tão seguras de si próprias que não precisavam de elogios, mas Maggie parecia… tímida.
Então, pensou numa coisa e ficou petrificado. No entanto, descartou-a imediatamente. Parecia inexperiente, mas, certamente, estaria a exagerar. Ninguém da sua idade podia ser assim tão inocente. Simplesmente, não era sofisticada e mundana.
Maggie questionou-se se suspeitaria como era inexperiente. Também soube, que se ia dizer alguma coisa, aquele era o momento. Devia dizer-lhe.
No entanto, conseguia imaginar como olharia para ela, com incredulidade primeiro e aborrecimento depois. Sentiu medo de que a rejeitasse. Talvez não percebesse…
– Nikos… desejo-o… desejo-te…
O olhar dela toldou-se. Tirou-lhe a camisa pelos ombros e pelos braços e deixou-a cair ao chão. Maggie tirou os sapatos com os pés, desabotoou as calças e tirou-as.
Estava em roupa interior e Nikos deleitou-se a observá-la. Nunca se sentira tão ávida e cerrou os punhos.
Nikos acabou de se despir num abrir e fechar de olhos e ficou nu. Observou-o e engoliu em seco. Era… duro e comprido.
– Acaricia-me, Maggie.
Queria acariciá-lo, mas, de repente, sentiu-se coibida. Esticou uma mão e acariciou-o com um dedo. Ouviu um gemido, mas não soube quem o deixara escapar. Não conseguia pensar com clareza, mas queria segurá-lo. Ele, no entanto, agarrou-lhe o pulso.
– Sinto-me em inferioridade de condições.
Maggie observou-o. Pôs-lhe as mãos nos ombros, virou-a e tirou-lhe o sutiã. Depois, tirou-lhe as cuecas.
Custava-lhe tanto respirar que estava enjoada. Ninguém a vira assim. Até tivera vergonha de se despir à frente da mãe.
– Vira-te, Maggie.
Virou-se lentamente e a olhar para o chão. Mordeu o lábio e viu que a mão se aproximava de um seio. Segurou-o e passou-lhe o polegar pelo mamilo, que endureceu imediatamente.
Mordeu o lábio com tanta força que sentiu o sabor a sangue. As sensações que a dominavam eram devastadoras. Era como uma tortura imensamente prazenteira.
Tinha os olhos semicerrados e as faces coradas.
Tentou expressar o que estava a sentir.
– Não consigo… Preciso…
Segurou-lhe o mamilo entre dois dedos. Ela agarrou-se aos braços dele para se segurar.
– Preciso de ti. Mais…
Nikos afastou a mão e ela quase gritou, mas levou-a para a cama ampla, a cama que fazia de lavado todas as semanas.
Não podia pensar nisso nesse momento!
Deitou-se ao seu lado e o clamor de vozes ávidas que ouvia na mente cessou quando a beijou. Acariciou-a exaustivamente. Foi deslizando a boca e deixando um rasto ardente à medida que se aproximava de onde mais o desejava.
Não pôde evitar arquear as costas quando pôs um mamilo no calor da boca. Tinha as mãos entre o seu cabelo e ele acariciava-lhe os mamilos com voracidade.
Quando continuou a deslizar, ela estava ofegante. Parou entre as suas pernas e afastou-as. Nunca estivera tão exposta ou à mercê de alguém e, no entanto, não se sentia vulnerável ou insegura, sentia-se maravilhada.
Observou-a e pareceu-lhe que tinha uma expressão perversa. Então, baixou a cabeça e sentiu-o… ali, no ponto mais íntimo do seu corpo.
Largou o cabelo dele e agarrou-se aos lençóis enquanto ele exibia a sua destreza. A certa altura, a sensação foi tão intensa que quis fechar as pernas, mas ele não deixou. Pôs-lhe uma mão na barriga como se quisesse acalmá-la enquanto a sua língua a explorava tão minuciosamente que estava atordoada.
Sentia-se cada vez mais tensa por dentro, aproximava-se de um ponto a que só chegara sozinha. Então, de repente, tremeu enquanto uma onda imensa de prazer brotava do centro do seu ser. Não esperara essa violência, era como uma força incontrolável que se apropriava do seu corpo.
Perplexa, levantou o olhar quando Nikos se elevou sobre ela. Ouvira que rasgava um papel de alumínio, olhou para baixo e viu que se protegera. Vibraram-lhe os músculos com um desejo renovado. O que estava a acontecer? Era insaciável!
– A tua reação é incrível – comentou Nikos. – Sabes como é excitante?
Maggie não conseguia falar e teve de abanar a cabeça.
Nikos pôs-se entre as suas pernas e afastou-lhe um pouco mais as coxas. Ela mexeu-se instintivamente para o receber melhor. Continuava sensível depois do arrebatamento de prazer, mas já desejava mais.
Observou-a e passou-lhe um braço por trás das costas para a arquear um pouco enquanto a penetrava.
Ficou com falta de ar e agarrou-se aos seus braços com os olhos esbugalhados enquanto tentava assimilar a sensação de estar unida a ele.
Nikos ficou quieto e semicerrou os olhos.
– Maggie… És…?
Ela, por puro instinto e para que ele não o dissesse em voz alta, rodeou-lhe a cintura com as pernas.
– Não pares, por favor…
A pontada de dor ia desaparecendo à medida que sentia Nikos dentro dela e poderia ter gritado de alívio quando começou a entrar e a sair. O seu corpo adaptava-se ao dele e seguiam um ritmo instintivo naquela dança intemporal.
Nikos levantou-lhe um pouco a coxa e mexeu-se mais depressa e com mais força e Maggie só pôde agarrar-se com todas as suas forças enquanto uma espiral de prazer a dominava por dentro e a elevava sem que conseguisse fugir… nem queria.
Arqueou as costas quando a tensão a imobilizou por um instante antes de alcançar o topo que a arrastou entre espasmos.
Nikos sabia que ela nem se apercebera de que ele também ficava tenso antes de explodir dentro dela com o maior clímax que alguma vez sentira.
Arrasara-o de tal maneira que esquecera a realidade que descobrira antes de ela o levar até um ponto irreversível.
Era virgem!
Ücretsiz ön izlemeyi tamamladınız.