Kitabı oku: «A Mina De Oxana»

Yazı tipi:

A mina de Oxana.

por

Charley Brindley

charleybrindley@yahoo.com

www.charleybrindley.com

Capa por

Charley Brindley

Editado por

Karen Boston

Site https://bit.ly/2rJDq3f

Traduzido por

Leonardo Oliveira Pestana de Aguiar

Copyright © 2019 Charley Brindley todos os direitos reservados

Capa e contracapa Copyright © 2019 por Charley Brindley todos os direitos reservados

Impresso nos Estados Unidos.

Primeira edição fevereiro de 2019

Este livro é dedicado a

April Jane Tatta LeCroy

Com agradecimentos a Marilyn Grandi, minha amiga

em Rosario, Argentina

Outros livros de Charley Brindley

1. The Last Mission of the Seventh Cavalry

2. Raji Book One: Octavia Pompeii

3. Raji Book Two: The Academy

4. Raji Book Three: Dire Kawa

5. Raji Book Four: The House of the West Wind

6. Hannibal's Elephant Girl, Book One

7. Hannibal's Elephant Girl, Book Two

8. Cian

9. Ariion XXIII

10. The Last Seat on the Hindenburg

11. Dragonfly vs Monarch: Book One

12. A Libélula e o Monarca: Livro Dois

13. O Mar de Tranquilidade 2.0 Livro Um: Exploração

14. The Sea of Tranquility 2.0 Book Two: Invasion

15. The Sea of Tranquility 2.0 Book Three:

16. The Sea of Tranquility 2.0 Book Four:

17. The Rod of God, Book 1: On the Edge of Disaster

18. Sea of Sorrows, Book 2: The Rod of God

19. Do not Resuscitate

20. Qubit's Incubator

Em Breve

21. Dragonfly vs Monarch Book Three

22. The Journey to Valdacia

23. Still Waters Run Deep

24. Ms. Machiavelli

25. Ariion XXIX

26. The Last Mission of the Seventh Cavalry 2

27. Hannibal's Elephant Girl, Book Three

Veja detalhes sobre os outros livros no final deste livro.

Índice

Capítulo Um

Capítulo Dois

Capítulo Três

Capítulo Quatro

Capítulo Cinco

Capítulo Seis

Capítulo Sete

Capítulo Oito

Capítulo Nove

Capítulo dez

Capítulo Onze

Capítulo doze

Capítulo Treze

Capítulo Quatorze

Capítulo quinze

Capítulo Dezesseis

Capítulo Dezessete

Capítulo Dezoito

Capítulo Dezenove

Capítulo Vinte

Capítulo Vinte e Um

Capítulo Vinte e Dois

Capítulo Vinte e Três

Capítulo Vinte e Quatro

Capítulo Vinte e Cinco

Capítulo Vinte e Seis

Capítulo Vinte e Sete

Capítulo Vinte e Oito

Capítulo Vinte e Nove

Capítulo Trinta

Capítulo Um

Dias atuais, no meio da Amazônia,

Oxana já havia se acostumado com os sons de picaretas, pás e agonia humana ecoando de baixo.

Em sua mesa perto da varanda, ela soprou um Marlboro e olhou através da mina em direção à borda da floresta tropical. A escavação tinha 6 metros de profundidade e era mais larga que um campo de futebol.

A mina crescia a cada dia sob os olhos de seis guardas armados com AR-10s e armas de bolso. Árvores altas, com seus véus de trepadeiras, inclinavam-se sobre a borda do buraco sufocante enquanto a terra caía de suas raízes. O cheiro pesado de terra recém cavada e vegetação podre enchia o ar.

Sua casa era pouco mais do que um barraco de espingardas à beira do precipício.

"Rajindar!" Oxana gritou em direção à porta.

A porta de tela se abriu rangendo, e Rajindar caminhou para fora. Ele lançou-lhe um olhar de desdém enquanto limpava as mãos em um pano sujo. Ele era de baixa estatura, com uma pele mais escura do que o bronzeado caucasiano de Oxana. Sua cabeça era desproporcionalmente pequena, e suas feições delicadas, como as de uma menina. Ele se reclinou contra a parede, ao lado de Alginon, o servo de Oxana.

"Traga os escorpiões, mon petit provocateur." Ela jogou o cigarro meio fumado por sobre a grade. "E o novo espécime também."

Rajindar deixou a porta bater atrás dele.

Oxana suprimiu uma onda de raiva e pegou seu maço de cigarro, mas estava vazio. Ela amassou-o e jogou-no sobre a mesa. Sua mão moveu-se como uma cobra, enfiando um cacho úmido de cabelo rútilo atrás de sua orelha. Ela forçou um sorriso para seu visitante, Raymond Chase.

Ela estudou seu convidado por um momento como se avalia um incômodo.

Um siciliano de segunda geração, o nome italiano de Chase era Giovanni Cherubini. Mas seus amigos nas ruas de Chicago lhe deram o apelido de "Chase" por causa de sua habilidade em perseguir crianças da Sardenha para roubar seus almoços. Mais tarde, ele adicionou 'Raymond' para dar a si mesmo um nome inglês respeitável, mesmo que ele continuasse um pivete de rua.

Sentado em frente a Oxana na mesa de madeira, ele sorriu como se esperasse que ela fizesse algo por ele.

Aos 41 anos, ela se considerava magra, quase atlética. Ela sabia o que os homens fariam por ela, se quisesse.

Oxana fixou um olhar gelado sobre Raymond. "O que você acha desta gloriosa tarde amazônica?"

"Um saco" Ele bebeu gim com tônico de um copo marrom, tirou o chapéu Panamá, e se abanou. O ar pesado parecia resistir a seus esforços fracos. Gotas de suor manchavam o colarinho de sua Guayabera azul bebê. Enquanto ele colocava seu copo sobre a mesa, gotas pesadas de condensação rolaram pelos lados formando uma poça no mogno intemperado. "Mas pelo menos eu não estou na mina com esses pobres diabos." Ele apontou o queixo para a grade.

Oxana riu. Ela estendeu a mão até sua bebida, carrancuda com o Bourbon diluído. "Alginon". Ela segurou o copo para que seu servo obediente o enchesse. Ela olhou para seu visitante. "Você está seguro, Sr. Chase, aqui comigo."

O sorriso de malandro desapareceu de seu rosto.

Quanto tempo ele duraria na mina?

Sua boca era pequena e fraca, seus olhos escuros escondidos atrás de pálpebras cortadas. Ela sabia que Raymond Chase era procurador do Museu de História Natural de Paris, do Museu Theodore Roosevelt em Wovenbridge, na Virgínia, e do Novosibirsk em São Petersburgo.

Ele recebe o pagamento pela porta dos fundos dessas instituições elitistas. Dinheiro sujo das mãos de esnobes de nariz em pé, que nem sequer reconheceriam sua presença em uma de suas festas pomposas.

As compras de Raymond eram mantidas fora dos registros e ocorriam em mercados negros em qualquer lugar do mundo onde fósseis e artefatos contrabandeados podiam ser comprados e vendidos sem interferência governamental.

Ele chama a si mesmo de colecionador, mas ele é um idiota; um idiota, estúpido, ignorante e alcoolizado.

Rajindar trouxe uma bandeja coberta, colocou-a diante de Oxana, e recuou.

Ela reverentemente afastou a toalha branca de morim.

Chase jogou o chapéu no chão e inclinou os cotovelos sobre a mesa.

Havia dois objetos na bandeja. O primeiro era do tamanho do maço de cigarros novo que Alginon colocara silenciosamente perto da mão de Oxana. A segunda peça era muito maior.

Oxana pegou o menor, admirando o brilho amarelo. Ela sorriu e entregou a Chase.

Ele examinou a pedra, que parecia um favo de mel endurecido. A princípio, ele não pareceu impressionado, mas quando ela veio à luz, seus olhos se arregalaram. Lá, presos no âmbar, havia dois escorpiões, congelados para sempre no ato da cópula.

"Puta merda", ele sussurrou.

"Exatamente." Oxana pegou o copo de bourbon e água da mão peluda de Alginon. Os olhos negros do homenzinho de pernas curtas se moveram de seu rosto para a bebida e depois de volta. "Âmbar dourado fossilizado," disse ela a Chase. "Agora transformado em uma jóia aprisionando um casal apaixonado de escorpiões."

Rajindar havia cortado a pedra em um perfeito prisma retangular e depois polido as superfícies com um fino acabamento de cetim.

"Fascinante", Chase sussurrou.

"Você sabe o valor dessa peça?"

Chase deu de ombros e estudou os escorpiões pelo outro lado.

"Deixe-me contar uma pequena história," disse ela, “para que você entenda o preço". Cem milhões de anos atrás, quando o período Mesozóico terminou e o Cretáceo começou ...

"Jurássico." Rajindar a interrompeu. "Não é mesozóico."

Oxana olhou para seu especialista em geologia de pedras semipreciosas.

Ele devolveu o olhar, encostou-se na parede e cruzou os braços sobre o peito. “Cambriano, Ordoviciano, Siluriano, Devoniano, Carbonífero, Permiano, Triássico, Jurássico, Cretáceo. Qual a dificuldade em lembrar a ordem?

"Não é difícil para um Brâmane Hindu exilado, com nada na mente, além de eras geológicas e garotinhas nuas."

O pescoço de Rajindar se enrijeçeu. "Períodos," ele murmurou. "Períodos geológicos. Não eras."

"Quando o período Jurássico ..." Oxana fez uma pausa, encarando Rajindar por um momento. "Quando o período Jurássico terminou," disse ela a Chase, "e o Cretáceo começou, esses dois escorpiões se encontraram e se apaixonaram. No primeiro ato de paixão, eles perderam suas inibições e seu equilíbrio. Eles rolaram na resina fresca na base de um dos gigantescos Jatobás que cobriam esta região naquela época. Embora os dois tenham ficado presos na seiva pegajosa, eles continuaram com seus rapports sexuels. Eu gosto de pensar que eles estavam no clímax quando uma bolha fresca de resina rolou e os encapsulou para sempre nos últimos momentos de seu ato sexual."

Chase levantou uma sobrancelha.

"Esse exibicionismo fossilizado vale pelo menos trinta mil reais brasileiros," disse Oxana.

Chase assobiou pelo espaço entre os dois dentes da frente. "Mais de quinze mil dólares ?!"

"Grama por grama, mais valiosa que ouro. Mais perto de diamantes, para ser mais precisa.

Ele colocou o âmbar na bandeja.

Oxana pegou o segundo item. Era do tamanho do punho de um lutador. A textura externa era áspera, com um lado reto. Rajindar havia cortado e polido a superfície plana, deixando o restante em estado natural. Ela admirou o lado suave por um momento, antes de entregar a Chase.

Ele respirou fundo. Envolta na pedra sólida de âmbar e preservada em um estado de animação suspensa, havia uma salamandra de pintas vermelhas, olhos abertos e língua para fora. O olhar petrificado da criatura deslumbrante prendeu os olhos de Chase, como se os 110 milhões de anos de sua prisão tivessem sido comprimidos em um único segundo.

Oxana puxou um cigarro do maço e Alginon pegou a caixa de fósforos. "Se a porra dos escorpiões me renderem trinta mil, então o adorável lagarto custará cinquenta mil, talvez mais." Ela inclinou a cabeça e deu uma tragada no cigarro. "Nada mal para dois dias de trabalho no tédio da Amazônia , você não concorda, Sr. Chase?"

Ela pegou o fósforo aceso de Alginon que parecia hipnotizado e soprou a chama.

Capítulo Dois

Dias atuais, cidade de Nova York.

Tosh

Oito mil quilômetros ao norte da mina de Oxana, em meio a ar fresco e arquitetura Art Déco, Kennitosh Scarborough estava no corredor do lado de fora de seu escritório, admirando o novo nome da empresa na porta - Editora Andalusia.

Era um conjunto de escritórios no Empire State Building, setenta e um andares acima da Quinta Avenida, na cidade de Nova York. Não era um lugar ruim para começar, e tudo isso foi possível graças à fortuna deixada por seu pai; caso contrário, ele estaria em um escritório gasto, de um cômodo só, no Brooklyn.

Tosh pensou em seu pai por um momento e se perguntou quanto tempo mais sua herança duraria. Essa era sua segunda nova corporação, e seria necessário muito do capital acumulado ao longo do século para manter ambas operantes. Aos 28 anos, ele era o último de uma longa linhagem de empresários e financiadores. Ele se preocupava com o que deixaria para a próxima geração - se houvesse uma.

Ele tocou a grossa placa de metal na porta e notou um reflexo embaçado no latão polido. Ele se virou e deu um passo para trás - três jovens idênticas estavam diante dele, lado a lado.

Tosh olhou para os elevadores enquanto tateava a procura da maçaneta atrás das costas, torcendo para que não a tivesse trancado.

O que há de errado comigo? Não há motivo para temer três mulheres... há?

"Com licença, senhoritas." Ele se afastou, tentando dar a volta nas trigêmeas.

"Estamos aqui por causa das vagas de gerência," disse a mulher do meio, impedindo sua fuga.

Ela subiu o olhar pelo terno Armani dele, depois fixou o olhar no boné azul.

Seu boné estava bordado com as palavras 'Echo Forests', o nome de sua outra empresa. Ele tirou o boné e alisou os cabelos. Mulheres bonitas sempre o faziam sentir-se inferior, e aqui ele tinha três de uma vez.

Tosh olhava de uma para outra, tentando encontrar feições em seus rostos para diferenciá-las. Elas provavelmente tinham vinte e poucos anos e todas as três tinham exatamente a mesma altura com seus saltos altos - um pouco mais baixas que os um metro e oitenta de Tosh.

Elas tinham cabelos castanhos e usavam saias bege idênticas com jaquetas de cor creme - baratas, mas bem feitas. Cada uma delas tinha leves reflexos nos cabelos e cachos saltitantes escorrendo sobre os ombros.

"As vagas ainda estão abertas?" A da direita perguntou.

Ela soou tão impetuosa quanto a do meio, mas seu tom era menos imperativo. Talvez ela quisesse equilibrar a franqueza da irmã com um toque de prudência. Antes que ela abaixasse os olhos, Tosh notou que a cor castanho-claro deles contrastava bem com sua pele clara.

A terceira não falou, mas as três assumiram expressões de expectativa.

"Sim. As vagas estão abertas, mas a Sra. Applesauce - quero dizer, a Sra. Applegate - ele trocou o nome da funcionária de propósito, tentando quebrar o gelo. Ele deu uma risada, mas quando não viu nem um sorriso da parte delas, seu rosto ficou vermelho e ele puxou a gola, que parecia muito apertada. “Hum, a Sra. Applegate já foi embora. Ela é quem conduz as entrevistas. Talvez se vocês voltassem pela manhã? Ele deu um passo em direção aos elevadores. "Eu realmente preciso ir."

“Não,” disse a mulher do meio. “Isso não é possível.”

"Amanhã às 9 da manhã, nós temos que estar empregadas,” a da direita falou em um tom mais gentil.

Tosh se virou sem prestar atenção à terceira; ela não tinha dito qualquer coisa ainda. "Porque?" Ele perguntou à do meio.

Ela com certeza responderia de forma rude, mas parecia ser quem estava no comando..

Ele olhou de relance para os saltos pretos da moça, então deixou seus olhos seguirem por seu corpo acima, pausando por um momento aqui e lá.

A saia era muito longa, mas as pernas eram bonitas. Uma pena elas pertencerem a uma valentona.

"Porque," disse a terceira, falando pela primeira vez. Sua mão foi até os botões de marfim de sua blusa cor de café e depois puxou a jaqueta, fechando-a. "Se não estivermos empregadas às cinco da tarde de amanhã, seremos despejadas." Ela olhou para a irmã do meio.

Ah, uma fenda em sua armadura de inescrutabilidade. O que tenho aqui? Três jovens que são claramente ambiciosas e ardentes em sua determinação, mas apenas uma tentando ser amável. E ela não é rude ou excessivamente direta. Delicada seria uma descrição melhor. Sim, senhorita Delicada. Seus olhos reflexivos incentivam a comunicação, em comparação com os da irmã do meio, que apenas absorvem detalhes visuais mecanicamente e calculam seus movimentos como um oficial militar.

"Você é o gerente?" Os olhos da senhorita Rude encontraram os dele e não vacilavam.

"Digamos que sim. Meu nome é Kennitosh Scarborough." Ele nunca tinha certeza se devia apertar as mãos das mulheres, embora quisesse. Quando ele estendeu a mão, nenhum das três respondeu ao gesto, então ele abaixou a mão e a colocou no bolso da calça.

Por que elas não dizem seus nomes?

Ele decidiu perguntar, mas não teve chance.

"A senhora Applegate se reporta a você?" A Senhorita Prudente perguntou da direita.

Como elas fazem isso - continuam os pensamentos uma do outra? É uma mente em três corpos diferentes?

"Sim"

"Então você pode nos entrevistar." Era uma demanda, não um pedido, vindo da irmã do meio.

"Isso não é possível." Senhorita Rude é muito insistente.

Normalmente Tosh tolerava pessoas rudes, pelo menos até que ele pudesse educadamente se afastar delas. Mas tinha sido um dia longo, e ele era esperado para jantar às 6:30. Depois disso, ele tinha que voltar a trabalhar na situação na Amazônia.

Por que não cuidei disso antes de começar o trabalho na Editora Andalusia? Não poderia ter esperado mais um mês até a Amazônia—

"Não vai demorar muito," disse Senhorita Delicada.

Tosh colocou a maleta no chão e verificou a hora; quase 6:00. Ele acidentalmente apertou um botão na lateral do relógio. O tocador de MP3 ligou e o som de "Bruxas, vacas e noivas" de Carma Merit começou a tocar.

Senhorita Rude olhou para o relógio e deu de ombros. Senhorita Prudente inclinou a cabeça, franzindo a testa, mas Senhorita Delicada sorriu. O sorriso dela abriu uma janela para sua personalidade.

Para Senhorita Rude, provavelmente seria doloroso tentar sorrir.

Ele clicou no botão para silenciar Carma, mas ela continuava cantando. "No começo, ela era uma bruxa, depois virou uma..." Ele pressionou com mais força, e a sra. Merit disse: "vaca", então perdeu a voz.

O rosto dele ficou vermelho. "Botão sensível."

Os olhos da senhorita Delicada seguiam cada movimento seu, observando com aparente interesse cada gesto e movimento, como se tentassem captar um pouquinho de inteligência em cada coisa que Tosh fazia.

Que trio; tão idênticas, e ainda assim tão diferentes.

"Suponham que, apenas por exemplo, eu já tenha em mente dois candidatos totalmente qualificados para os cargos de gerência e que eu só precise de mais uma pessoa. Qual de vocês se candidataria à única vaga restante?" Ele não tinha mais nenhum candidato, mas achou que já sabia a resposta para sua pergunta.

"Não é possível," disse senhorita Rude.

"Lemos todos os anúncios de emprego no jornal." Os olhos da senhorita Prudente se desviaram assim que ele olhou em sua direção.

"E," disse senhorita Delicada, enquanto ajustava a alça da bolsa em cima do ombro, "ligamos para todas as agências, perguntando sobre empresas com vagas para três gerentes. Queremos conseguir emprego na mesma empresa, para podermos ficar juntas."

Tosh notou a costura na manga da jaqueta dela.

Isso foi costurado à mão? Pergunto-me se as roupas delas são feitas à mão.

Senhorita Delicada apontou para a placa recém colocada na porta. "A Editora Andalusia e duas outras empresas são as únicas em toda a cidade que estavam procurando três gerentes capazes de trabalhar juntos."

"Quais eram as outras duas empresas?"

Ele olhou para as mãos delas; nenhuma usava aliança de casamento. Não importava se elas eram casadas ou não, ele estava apenas curioso para saber se elas conduziam suas vidas da mesma forma. A senhorita Rude usava um anel simples no dedo indicador direito. Estava cravejado de uma pedra irregular de cor de mel, pequena, mas profunda o suficiente para captar a luz.

Por que ela se permite essa única expressão de individualidade quando aparenta se esforçar para transmitir uma aura de inabalável unidade?

As outras duas irmãs não usavam anéis. Todas tinham as orelhas furadas, mas sem brincos.

Tatuagens?

Tosh apostou consigo que a senhorita Rude tinha uma aranha viúva negra tatuada na bunda.

Essa é uma aposta que nunca será resolvida.

A senhorita Rude afunilou os olhos no sorriso de Tosh, então interceptou sua pergunta. "Decidimos que você seria o primeiro a ter o direito de nos ter."

Tosh parou de sorrir. Não era possível que ela quisesse dizer o que pareceu.

Ou era?

Olhando de uma para o outra, ele considerou sua situação. Ele estava precisando desesperadamente de gerentes. Depois de duas semanas de entrevistas, a sra. Applegate ainda não havia encontrado candidatos a seu gosto. Ele queria ter gerentes trabalhando antes de contratar os outros funcionários. Em seguida, os supervisores do departamento poderiam ajudar a preencher as vagas restantes: artistas de layout, editores, operadores de computador e todos os outros funcionários. Talvez ele devesse considerar as trigêmeas para os cargos de gerência. Elas eram muito atraentes; isso era um bonûs na opinião dele. Certamente, a senhorita Rude poderia ser domada. Sua intuição nem sempre estava certa, mas desta vez ... sim, ele se decidiu.

"Vocês têm planos para a noite?" Ele perguntou à Senhorita Prudente "Eu ficaria feliz em tê-las para o jantar - Q-quero dizer, ter vocês como minhas convidadas."

Senhorita Rude estreitou os olhos e abriu a boca para o que provavelmente teria sido uma resposta brusca, mas senhorita Prudente a interrompeu. "Sem planos e estamos morrendo de fome." Senhorita Delicada sorriu concordando.

Ha! Vencida, Senhorita Rude, duas contra uma.

"Espere um segundo."

Quando Tosh pegou o telefone do bolso interno da jaqueta, ele notou a senhorita Delicada olhar das mãos dele para o telefone e depois para seus olhos. Ele selecionou um número de uma lista e colocou o aparelho no ouvido. Depois de um momento, alguém respondeu.

"Oi, Miriam." Ele sorriu para a senhorita Delicada. "Os Hendersons e Melenkovs já chegaram?" Ele ouviu. "Quando eles chegarem, prepare-lhes um martini e deixe-os confortáveis. Chegarei o mais rápido possível. Tive um imprevisto. E dê as desculpas de sempre por mim." Depois de ouvir Miriam dizer que ela não conseguia pensar em mais desculpas, ele disse: "Sim, eu sei que eles ouviram todas os meus motivos para me atrasar. Você é um doce. Mas você já sabe disso." Todas as três mulheres o observavam atentamente. "Vai ficar tudo bem. Te vejo mais tarde."

Ele desligou o telefone, guardou-o e pegou a maleta.

"Por aqui, senhoras."

Quando chegaram ao estacionamento, Tosh apertou um botão em seu chaveiro. As luzes se acenderam em seu conversível longo, elegante e azul-escuro. Ele apertou o botão novamente, e o carro apitou duas vezes enquanto as duas portas se abriam. Não havia risco de bater em outro carro; ele era dono de três vagas contíguas.

Ele foi para o lado do passageiro e puxou o banco para a frente para que duas delas entrassem no banco de trás. Depois que elas se sentaram, ele percebeu que havia perdido a noção de quem era quem. A terceira entrou na frente quando ele empurrou o encosto do banco para trás. Ele não tinha ideia de como elas decidiram quem iria na frente, mas não houve qualquer discussão ou confusão sobre o arranjo.

Tosh colocou a maleta no porta-malas e se sentou no banco do motorista, largando o boné no painel entre os bancos da frente. Ele apertou um botão no painel e o motor de oito cilindros fez um rugido, depois se suavizou em um ronronar poderoso.

Ele sincronizou o telefone com o Bluetooth do carro e colocou-o no painel central.

Quando ele adentrou o tráfego pesado e virou para oeste em direção ao sol, alguém na parte de trás perguntou: "Você pode abrir o teto?"

"Se vocês aguentarem o vento." Ele ajustou o retrovisor para ver quem tinha perguntado.

"Nós aguentamos," as duas no banco traseiro responderam em uníssono. A irmã no banco do passageiro permaneceu em silêncio.

"Ok." Ele colocou o boné azul de beisebol. "Vocês que pediram." Ele apertou um botão enquanto eles chegavam a uma parada no próximo sinal vermelho.

Quando a parte de cima do conversível se levantou e se dobrou para dentro do porta-malas, a mulher sentada ao lado dele perguntou: "Que tipo de carro é esse?"

Ela olhava feio para o aparamento de madeira de bordo no painel e para o couro de Córdova macio dos bancos, apoios de braço e painéis de porta.

O sinal ficou verde quando o teto do conversível se estabeleceu no lugar, e Tosh pisou no acelerador.

"Jaguar", ele disse. Olá, senhorita Rude..

O telefone tocou, e o número que estava ligando piscou na tela do carro. Era um dos diretores do conselho da Echo Forests. Ele transferiu para o telefone de casa, onde Miriam iria atender.

Senhorita Rude deu-lhe um olhar, em seguida, virou-se para observar o tráfego.

Alguns minutos depois, ele parou na frente do La Fontaine, na entrada do Distrito Financeiro de Nova York. Depois que eles pisaram no meio-fio, Tosh jogou seu boné no banco do passageiro, e o manobrista levou o carro para um estacionamento.

Decorado no estilo Chateau francês, o restaurante atendia homens e mulheres ricos que discutiam seus negócios com excelente comida, vinho caro e porcelana fina. Tons delicados de âmbar e jade brilhavam através de abajures Tiffany. As notas suaves da "Sonata ao Luar" de Beethoven misturavam-se com a iluminação tênue e conversas silenciosas.

O maître viu Tosh na porta e conduziu ele e suas convidadas através da longa fila de clientes esperando para se sentar.

Tosh seguiu as três mulheres e percebeu as pessoas na fila olharem as trigêmeas passarem. Elas pareciam irritadas com as quatro pessoas passando na frente delas, mas não conseguiam tirar os olhos das três mulheres idênticas.

O maître levou-os ao torno de uma fonte de travertino no centro do salão principal. A água fluia sobre superfícies patinadas e espirrava na piscina. Um cardume de carpas tricoloridas nadava em círculos preguiçosos sobre uma camada cintilante de moedas de cobre e prata.

As trigêmeas não se importaram com os clientes parando suas refeições para observá-las.

O maître levou-os para uma cabine espaçosa, com bancos de couro macios e apoios de braço ajustáveis. Ele então colocou os menus sobre a mesa e acenou com a cabeça para um garçom próximo, que imediatamente veio para a mesa. Depois de desejar-lhes bon appétit, o maître correu de volta para a entrada do restaurante.

"Boa noite, Sr. Scarborough." O garçom sorriu para cada um deles enquanto acendia a vela no centro da mesa. "Seu grupo vai beber algo hoje à noite?" Ele colocou uma cesta de croissants quentinhos e um prato com cubos de manteiga sobre a mesa. Os cubos estavam dispostos em espirais perfeitas como pétalas de rosas, sobre uma cama de agrião crocante.

"Senhoras?" Tosh perguntou, olhando de uma a outra. Ele estava sentado de um lado da mesa oval, com as três do lado oposto.

"Zinfandel," disse a da esquerda.

Tosh e o garçom olharam para a próxima.

"Zinfandel," disse a do meio.

O homem esperou pela terceira, um sorriso confiante em seu rosto.

"Você tem Budweiser?" ela perguntou.

Tosh escondeu seu sorriso atrás de um cardápio.

"Uh... Sim, claro," disse o garçom.

"Então eu vou querer um."

"Chá gelado para você, Sr. Scarborough?"

"Sim, Herman. Muito obrigado."

As mulheres olharam uma para a outra. Uma ajeitava as sobrancelhas, enquanto outra pegou seu guardanapo, derrubando um garfo em seu colo.

O garçom ficou alí por um momento, observando as três mulheres. Finalmente, ele disse, "Muito bem, senhor," antes de curvar-se ligeiramente para as trigêmeas e se retirar.

"Agora, me digam," Tosh deixou cair seu menu sobre a mesa, "por que eu deveria contratar vocês três?"

"Temos um diploma em gestão empresarial," disse a da esquerda.

Ele pensou em perguntar se as três tinham conseguido um único diploma, mas achou melhor não. A senhorita Rude não acharia graça.

Elas estavam posicionadas na mesma ordem que quando estavam no corredor fora do escritório dele? Ele olhou para aquela que tinha pedido o Budweiser. Ela sorriu.

Não, ela deve ser a senhorita Delicada.

Olhando de uma a outra, Tosh ainda não conseguia encontrar nada para distingui-las. Suas roupas e penteados eram idênticos, e seus rostos eram agradáveis e idênticos, com precisão matemática. Com exceção da senhorita Delicada, que parecia ser a única capaz de sorrir, os lábios das três apresentavam curvas correspondentes. Ele então se lembrou do anel que tinha visto no dedo da senhorita Rude e olhou de uma mão para a outra; não estava mais lá! Estava na mão direita dela antes, ele tinha certeza disso e tinha as três mãos direitas em vista.

Que estranho. Senhorita Rude estaria pregando peças em mim?

"Experiência profissional?" Ele perguntou à do meio.

"Nos formamos na semana passada," respondeu a da esquerda. "Na Universidade de Nova York."

Tosh pigarreou e se ajeitou na cadeira. "Ah." Ele passou os dedos pela lateral da cabeça. Seus cabelos castanhos estavam recém-aparados e ele estava barbeado, mas a essa hora da noite havia um bigode em seu lábio superior.

Uma delas continuou antes que ele pudesse expressar sua preocupação. "Para quem os três novos gerentes se reportariam?"

Só podia ser a senhorita Rude à esquerda. Ele suspirou antes de dizer: "A mim".

Mas não posso contratar três pessoas inexperientes para a gerência. Mesmo que fossem muito bem qualificadas. Uma recém graduada poderia preencher uma das três vagas. Os outros gerentes e eu podíamos treiná-la, mas três pessoas sem experiência de trabalho? Não, isso está fora de questão.

Capítulo Três

Tosh sentiu uma pontada de decepção. Em algum lugar em sua mente, ele já havia imaginado o primeiro dia de trabalho e como seria difícil diferenciar a senhorita Rude da senhorita Delicada e da senhorita Prudente. Ele imaginou, por exemplo, caso encontrasse uma delas na cozinha do escritório, esperaria para ver se ela sorria, olhava furiosa para ele ou voltava os olhos para a xícara de café antes de dizer: - Bom dia, senhorita fulana?" Ah, bem ... algumas fantasias devem permanecer no mundo do faz de conta.

Ele não podia anunciar de repente que a noite acabara e levá-las para casa. Como ainda não haviam pedido o jantar, os quatro ficariam juntos por pelo menos uma hora, talvez mais. Não era uma perspectiva desagradável; uma hora com três mulheres bonitas. Foi uma expectativa mais fácil de adquirir do que de abandonar. Ele decidiu aproveitar o tempo com sabedoria e contar a elas sobre sua nova empresa; isso poderia ajudá-lo a se planejar e a se organizar para o primeiro dia de negócios. Isso o deixava com apenas dez dias para resolver tudo.

Pensar nas perspectivas do novo empreendimento elevou seu ânimo e seu otimismo natural retornou. Quando Tosh tinha apenas nove anos, ele ouviu Quinn - amigo de longa data de seu pai - contar a um conhecido: "Esse Tosh, ele é o tipo de garoto que vai atrás de Moby Dick com uma vara de pescar e já leva o molho tártaro." Sim, ele estava confiante sobre o futuro. Talvez uma vez organizada a empresa, ele pudesse pensar em começar uma família. Vinte e oito anos, e nem tinha namorada. Ele não teve nenhum relacionamento sério desde a faculdade.

Um movimento chamou sua atenção. A irmã à direita, senhorita Delicada, coçou o lóbulo da orelha. Quando ele olhou para ela, ela sorriu.

Por que a senhorita Rude não pode ser um pouco mais agradável?

"Haverá três departamentos na empresa," começou Tosh, enquanto pegava a cesta de pão e a oferecia à senhorita Delicada.

Ela descobriu os croissants quentes, pegou um e entregou a cesta à irmã no meio, senhorita Rude, que rasgou um croissant e pegou sua faca de manteiga. Ela observou Tosh enquanto passava manteiga no pão.

"Cada departamento terá seis pessoas, incluindo gerente, artista de layout, editores e pessoal de informática. Um total de vinte vagas."

As bebidas chegaram e o garçom colocou o Budweiser na frente da senhorita Rude depois de colocar os copos de vinho diante das outras irmãs. Nenhuma delas disse nada. Elas esperaram até ele se afastar, e a senhorita Rude entregou a cerveja à senhorita Delicada, que lhe passou o vinho tinto.

"Seis vezes três dá dezoito." Senhorita Rude bebericou o vinho. "Quais são as outras duas vagas?" Ela deu uma mordida no pão.

"Bem, eu gostaria de ter uma secretária." Tosh misturou meio pacote de adoçante em seu chá. "Ela também servirá como recepcionista."

"Então a senhora Applegate é a vigésima funcionária?" Era a senhorita Prudente desta vez.

"Não. A Sra. Applegate é uma consultora de negócios que só trabalha temporariamente para mim até que tenhamos uma equipe completa. Ela vai embora depois de trinta dias.

Senhorita Delicada sorriu. "Qual é a vigésima vaga?"

"Espere aí." Senhorita Rude se inclinou para frente.

Tosh olhou para ela, e suas irmãs fizeram o mesmo.

Qual seria o problema dela?

"Sua empresa é uma Startup?" Suas palavras ásperas fizeram balançar a chama da vela, quase apagando-a.

Tosh acenou positivamente. "Achei que vocês soubessem."

Quando ele colocou o anúncio online, ele não mencionou que sua empresa era nova, porque candidatos qualificados poderiam não se inscrever. Obviamente, ela não poderia saber que era uma Startup, mas agora ele só queria tirá-la do equilíbrio.

"Não, nós não sabíamos." Ela olhou para o copo de vinho em sua mão por um momento. "Acho que cometemos um erro."

As outras duas pareciam concordar; elas não falavam ou gesticulavam, apenas observavam Tosh e esperavam que ele ou a irmã desse o próximo passo.

"Um erro?" Tosh se inclinou para frente, tentando ver se alguma coisa nos olhos dela podia ser interpretada como gentil.

"Não queremos trabalhar para uma empresa nova que pode não durar muito tempo."

"Sessenta e sete por cento de todas as novas empresas vão à falência no primeiro ano," citou senhorita Prudente, aparentemente tentando ser útil.

"Na verdade, queríamos trabalhar para uma empresa maior, que vá durar por um tempo." Senhorita Rude novamente.

O pulso de Tosh acelerou, mas ele tentou conter sua raiva. Ele tentava passar a imagem de um empresário contido e eficiente, mas às vezes não parecia com nada além de um amador atrapalhado.

Por que ela é tão irritante?

"Bem, eu odeio desapontá-la, senhorita Rude..." A palavra saiu antes que ele pudesse contê-la.

"Bravant," disse ela. "Mas boa tentativa."

"Bravant, é claro." Depois de descobrir o nome dela por acaso, ele tentou esfriar o rosto corado com um longo gole de chá gelado.

Discrição. Calma.

Ele colocou o copo na mesa. "Planejo que a Editora Andalusia ainda esteja no mercado quando vocês três estiverem curtindo o retiro dos idosos." Sua paciência estava quase se esgotando, mas ele continuou assim mesmo. "Além disso, eu não preciso que três graduadas sem experiência me expliquem sobre os riscos de iniciar uma nova empresa." Lá se ia o decoro e a discrição.

Um silêncio fúnebre pairou no ar por alguns segundos.

"Qual é a vigésima vaga?"

Tosh olhou para a senhorita Delicada à direita. Ela sorriu e tomou um gole de Budweiser.

Ele respirou fundo e expirou lentamente. "Essa vaga é a de vice-presidente. Ele—" Tosh fez uma pausa, mas não se deu ao trabalho de adicionar as palavras 'ou ela' -''terá que liderar a operação no dia a dia. Não pretendo estar no escritório todos os dias. E, para sua informação," ele se voltou à senhorita Rude Bravant, "pretendo preencher essa vaga fazendo os três gerentes competirem por ela. Então, quando eu promover um deles para a vice-presidência, ele contratará um substituto para o antigo departamento. Tenho certeza de que ensinaram na aula de administração que o atrito interdepartamental é bom para a saúde geral da equipe de gerenciamento. Quero que o melhor suba ao topo. Quem não aguentar a pressão pode desistir e será substituído por quem puder. Com todo o respeito," ele olhou de uma para a outra, "Não acho que vocês três poderiam competir entre si por nenhum dos empregos."

Felizmente, Herman, o garçom, escolheu aquele momento específico para tomar os pedidos do jantar. Ele olhou de um rosto rígido para outro, mantendo uma expressão de expectativa. Quando ninguém reconheceu sua presença, ele disse: "Acho melhor voltar mais tarde."

"Não, Herman." Senhorita Rude Bravant lançou um olhar penetrante para Tosh. "Estamos prontas para fazer os pedidos." Ela pegou o cardápio e abriu. Após uma rápida verificação dos itens, ela disse: "Vou querer o filé mignon de vitela, com cogumelos morel com recheio de caranguejo." Ela largou o cardápio na mesa, cruzou os braços e fixou Tosh com seu olhar gélido. "Ao ponto para mal passado," disse ela antes que Herman pudesse perguntar.

Por que não pediu cérebros de porco em conserva com olhos fervidos? Tosh pensou enquanto a encarava. Ou insetos mortos com vermes frios, como preferido por todas as viúvas negras normais?

Senhorita Prudente pediu o pato assado, com chutney de laranja e figo, depois largou o cardápio na mesa e cruzou os braços.

Tosh examinou a lista de entradas e notou que estavam pedindo os pratos mais caros; setenta e nove dólares para o filé e sessenta e oito para o pato assado. Depois de um momento, ele percebeu que a senhorita Delicada ainda não havia pedido. Ele viu as outras duas irmãs a observando, esperando a escolha dela.

Deixe-me adivinhar, caranguejo real do Alasca ou termidor de lagosta?

"Como é o frango frito?" Senhorita Delicada perguntou a Herman.

"Delicioso. Frito a um ponto crocante, e vem com dois legumes de sua escolha. ”

Tosh olhou para ela, depois para a senhorita Rude.

"Ok, eu vou querer esse," disse a senhorita Delicada "com batata assada e ervilhas." Ela fechou o cardápio. "E uma Coca-cola."

"Muito bem. E você, Sr. Scarborough? O de sempre?"

"Não." Tosh soltou o cardápio e encarou a senhorita Rude. "Vou querer o mesmo que ela, Herman."

Ele esperou que Herman anotasse "filé mignon de vitela" em seu bloquinho e que a senhorita Rude piscasse. Ela não piscou.

"Mal passado," disse Tosh a Herman, enquanto encarava a senhorita Rude.

Ela tomou um gole de vinho arrogantemente e perguntou: "Você tem um plano de negócios?"

"Perdão?" disse Herman.

Senhorita Rude o ignorou; seus olhos estavam em Tosh.

"Claro," disse Tosh.

Herman pegou os menus e se retirou.

Eles conversaram sobre o plano de negócios por alguns minutos; receita projetada, despesas estimadas, custo de móveis e equipamentos de escritório. Senhorita Delicada perguntou sobre a folha de pagamento, impostos e seguros.

Depois que Tosh cobriu todos esses detalhes, a senhorita Rude disse: "Qual é sua capitalização?"

Boa pergunta.

Mas era da conta dela quanto dinheiro ele tinha reservado para operações da companhia? Era da conta de alguém?

Ele percebeu o olhar dela sobre si. Estudava obviamente o corte de seu terno e a qualidade do tecido cinza claro, e pareceu inspecionar suas mãos; procurando anéis, talvez uma aliança?

Tosh levantou seu copo com a mão esquerda, segurando-o de tal modo que ela tinha que inclinar a cabeça para ver seus dedos. Colocou então o copo sobre a mesa, decidindo-se finalmente a responder sua pergunta.

"Cinco milhões e meio."

Afinal, não vou contratá-las. Importa o que elas saibam sobre mim ou sobre a empresa?

Além disso, ele tinha algo a provar para ela. Talvez não sobre si ou sobre o dinheiro, mas sobre sua experiência nos negócios.

Vamos ver o quanto ela realmente sabe.

As três mulheres trocaram olhares. "Em dinheiro ou patrimônio líquido em outros ativos?" Senhorita Rude perguntou.

Outra boa pergunta. Como ela conhece toda essa porcaria financeira?

Tosh lembrava da escola de administração como um monte de teoria de negócios; nada de valor prático. A compreensão dos procedimentos financeiros teve que vir das sangrentas batalhas das operações diárias - a dura realidade do fluxo de caixa. Mas aqui estava ela, uma formada inexperiente de administração de empresas, fazendo as perguntas certas.

"Dinheiro," ele disse.

Isso pareceu satisfazer a senhorita Rude, por hora.

"Qual é o produto da sua empresa?" Senhorita Prudente perguntou.

A comida chegou e os quatro abriram espaço para Herman servir as refeições. Quando ele terminou, as três mulheres trocaram os pratos.

A reparação automática da confusão de Herman causada por sua aparência idêntica divertiu Tosh, e elas mostraram sua consideração silenciosamente combinada, esperando até que ele saísse antes de corrigirem o erro. Um senso inflado de auto-importância poderia facilmente levar as três mulheres a envergonharem ou menosprezarem alguém. Mas as irmãs não mostravam o menor indício de presunção... bem, talvez um pouco a senhorita Rude.

Quando Herman voltou para encher os copos de água, a senhorita Rude entregou-lhe o copo de vinho pela metade e pediu chá gelado. Senhorita Prudente fez o mesmo, mas seu copo de vinho estava vazio.

"É uma nova revista," disse Tosh em resposta à pergunta da senhorita Prudente.

Um longo período de silêncio se seguiu, quebrado apenas pelo som de talheres na porcelana, enquanto cortavam a comida e comiam. As três mulheres aparentemente não ficaram impressionadas com outra revista chegando em um mercado já saturado.

"Como é chamada?" Perguntou a sehorita Delicada.

"Órfão."

Tosh mastigou um pedaço de vitela e um momento se passou antes que ele percebesse que algo havia acontecido. Quando olhou para frente, viu que as três mulheres haviam parado; comida a meio caminho de suas bocas, talheres prontos. Elas o encaravam.

Ele cortou um pedaço de vitela. "É uma revista chamada Órfão." Ele mergulhou a carne no molho de bife no prato.

As três mulheres voltaram à comida, comendo devagar, sem falar. Elas pareciam absorvidas nas últimas palavras dele.

Senhorita Rude falou hesitante. "Porque a revista tem esse nome?"

"Por acaso," disse senhorita Prudente, "é uma revista sobre órfãos?"

"Exatamente," disse Tosh. "É uma revista para e sobre órfãos."

Após um segundo de silêncio, as três falaram ao mesmo tempo.

"Você fez pesquisa de mercado?"

"Vai publicar online?"

"Que tipo de anunciante você aceita?"

"Quem vai escrever os editoriais?"

"E quanto às fotos e à arte?"

"Você publicará cartas de leitores?"

"Qual vai ser o preço de capa?"

"Você já entrou em contato com distribuidores e livrarias?"

"Você vai dar cópias gratuitas para orfanatos?"

"O que você sabe sobre órfãos?"

Tosh colocou a faca e o garfo na mesa, pegou o guardanapo e recostou-se, sobrecarregado pelas perguntas e pelo entusiasmo de suas convidadas. E algo mais aconteceu - uma leveza distinta na atmosfera ao redor da mesa. O ar estava mais leve, mais fácil de respirar. Uma pressão invisível tinha se comprimido e afrouxado em seu corpo a noite toda. Como uma jibóia gorda, brincando com sua presa, sem fome, mas sem vontade de deixar uma vítima deliciosa e, às vezes, divertida. Mas agora, tudo era paz e luz.

Ele respondeu a última pergunta primeiro. "A única coisa que posso dizer sobre órfãos é que sou um."

O sorriso da senhorita Rude era quase doce. "Nós também."

Capítulo Quatro

Na manhã seguinte, Tosh entrou no escritório às nove e encontrou a Sra. Applegate entrevistando um candidato. Um homem grande que aparentava 40 anos e era careca como um ovo, exceto por uma faixa de cabelos castanhos sobre cada orelha. Ele se contorcia na borda da cadeira, ajeitando o terno cinza brilhoso no joelho.

"Com licença." Tosh se pôs na ponta da mesa da Sra. Applegate.

Os olhos semicerrados dela olhavam para ele sobre o par de óculos espessos empoleirado na ponta de seu nariz.

Tosh suprimiu a vontade de ir lá e empurrá-los firmemente contra os olhos dela. Em vez disso, ele acenou com a cabeça para o homem. O cara engoliu em seco, limpou a testa na manga, e disse um olá.

Tosh falou com a Sra. Applegate. "Três mulheres estão vindo esta manhã para..."

Ela parou-o levantando a mão e apontou sua caneta-tinteiro para a sala de conferência. As irmãs Bravant estavam lá, curvadas sobre suas aplicações.

"Bem, muito bem. Avise-me quando elas terminarem."

Ele foi ao escritório, se instalou na cadeira, e virou-se para o computador, mas não teve a chance de ligá-lo.

A porta se fechou, e a Sra. Applegate marchou até sua mesa, empurrando seus óculos contra o rosto. As lentes antiquadas ampliavam enormemente seus olhos cinzentos, dando-lhe a semelhança de uma coruja pronta para mergulhar contra um ratinho.

"Sr. Scarborough." Ela cruzou os braços sob os seios imensos. "Será que estou trabalhando com a impressão equivocada de que devo fazer a entrevista para as vagas nesta empresa?" Ela ajustou os braços, como se embalasse um par de bebês gordos.

Tosh viu seus óculos escorregarem pelo nariz. "Não."

Ela inclinou a cabeça para o lado e estreitou os olhos sobre ele, em seguida, ajeitou os óculos. "Então por que essas três... meninas entraram desfilando aqui às oito horas e me disseram que estavam prontas para serem entrevistadas para os cargos de gerência?"

" Bem, eu..."

"E," ela interrompeu com um movimento de corte com a mão direita, "insinuaram que uma entrevista de emprego não é nada mais do que mera formalidade?"

"Elas disseram isso?"

"Não com todas as letras." Ela apoiou ambos os punhos na borda da mesa. "Mas elas certamente insinuaram o suficiente."

Sra. Applegate era uma mulher robusta de 56 anos que, Tosh imaginou, teria sido uma diretora perfeita em uma escola reformatória para meninas rebeldes.

Ele brincou com o B-17 em sua mesa, girando o avião de plástico para estudar seu perfil. Ele se lembrou do cheiro ácido da cola e de todas aquelas pecinhas complicadas. E daquele fim de semana, quinze anos atrás, em que ele montou o bombardeiro. Que lembrança deliciosa. Seu modelo mais recente tinha sido um Cessna 421 bimotor. Era uma miniatura exata do avião em seu hangar no aeroporto, mas o bombardeiro era como um velho amigo daquele verão, quando ele tinha treze anos — o mesmo ano em que conheceu Jade Wendy McAlister.

Que fedelha, uma pequena e doce pestinha. Mas ela gostava de brincar com meu bombardeiro.

Meia dúzia de pulseiras chacoalhavam impacientemente na ponta de sua mesa.

Provavelmente casada agora, com uma minivan e seus próprios pirralhos.

Ele rodou o B-17 até que o artilheiro apontou suas metralhadoras de calibre 50 diretamente para o peito esquerdo da Sra. Applegate.

"Olha, Sra. Apple..."

"Se você vai fazer a contratação pensando em suas atividades pós-expediente—"

Tosh se pôs de pé em um salto. Ele se inclinou sobre a mesa, tão perto do rosto dela, que ele sabia que ela podia sentir sua raiva.

"Senhora Applegate-" Ele parou, respirou e endireitou-se. Ele nunca foi bom em confrontar mulheres e geralmente se via sendo intimidado ou coagido. "Você pode, por favor, pegar as aplicações delas e fazer as entrevistas preliminares? Se encontrar algo em seus currículos ou em suas respostas às suas perguntas que desqualifique qualquer uma delas," ele caiu em sua cadeira e apertou o botão de ligar no computador, "então dispense as três". Ele viu o logo do Windows aparecer na tela do computador. "Fui claro, Sra. Applegate?" O computador apitou duas vezes.

"Perfeitamente." A palavra foi lançada como uma mão vencedora de pôquer.

Quando a porta bateu atrás dela, Tosh soltou um longo suspiro enquanto rodava na cadeira para apoiar os cotovelos sobre a mesa. "Bem, senhoras," ele sussurrou para o escritório vazio enquanto pensava nas trigêmeas, "isso deve ser interessante. A Sra. Applecore está absolutamente correta em sua avaliação. Vocês não têm experiência de trabalho, e eu provavelmente vou me arrepender da minha decisão de contratar vocês três."

Ele posicionou seu bombardeiro de volta no lugar, virou-se para o computador, e abriu a Internet. O site da Echo Forests apareceu no monitor, mas seus olhos voltaram para o B-17. Puxando o velho bombardeiro para si, ele girou um dos adereços e voltou anos atrás para um dia em que ele era um menino de treze anos.

O telefone tocou. Tosh tentou se agarrar à doce memória. O telefone tocou de novo, puxando-o de volta à realidade.

"Scarborough," ele respondeu. "Oh, bom dia, Quinn." Ele escutou por alguns segundos. "Quando? Você está nas docas? Chegarei em quinze minutos."

* * * * *

Mais tarde, quando Tosh voltou ao escritório, a Sra. Applegate sentava-se em sua mesa, entrevistando outro candidato.

"Como está indo?" ele perguntou.

"Muito bem," disse ela, radiante.

"Algum candidato promissor?"

"Sim. Três muito promissores."

"Três?" Tosh sorriu e olhou para a sala de conferência vazia. "Quando eles estarão aqui para falar comigo?"

"Bem, você pode começar com a primeira agora." Sra. Applegate levantou-se pesadamente e estendeu a mão em direção à mulher sentada na frente de sua mesa. "Senhorita Wishington, conheça o Sr. Kennitosh Scarborough."

A senhora idosa olhava fixamente para o espaço onde o rosto da Sra. Applegate estava antes dela se levantar.

"Senhorita Wishington?" A Sra. Applegate repetiu, mais alto desta vez.

"Ah, sim." Ela olhou para cima. "Eu sou Abigail Wishington. Eu vim para me candidatar para o trabalho de artista de layout."

"Sim, eu sei disso," disse a Sra. Applegate. "Este é o Sr. Scarborough."

"Como vai, Sr. Scarface?" A idosa olhou para ele através dos óculos quadrados sem aro.

A mulher parecia ter cerca de setenta anos de idade, com o rosto mais doce e angelical que Tosh já tinha visto.

Ele sorriu quando lhe estendeu a mão. "Olá, senhorita Wishington. Muito prazer em conhecê-la." Ele virou-se para a Sra. Applegate. "O que aconteceu com as irmãs Bravant?" A Senhorita Wishington continuou a segurar-lhe a mão, colocando a outra mão por cima da dele.

"Oh, eu dispensei elas, como você disse." O sorriso da Sra. Applegate cresceu ainda mais, e seus dentes falsos brilharam com um brilho plástico. "Elas não tinham experiência de trabalho. Eu acho que elas não mencionaram essa informação para você na noite passada."

"Onde estão suas aplicações?"

Ela estendeu a mão e deixou o pulso cair apontando para baixo. Sua coleção de pulseiras prateadas e douradas balançaram escorregando pelo dorso de sua mão.

Tosh seguiu seu dedo que apontava para a lixeira, onde viu as três aplicações amassadas sob um saquinho de chá encharcado.

Capítulo Cinco

Oxana estendeu sua hospitalidade a Raymond Chase, permitindo que ele passasse a noite em seu complexo remoto na selva. Ele dormiu na enfermaria dela, que por acaso continha uma cama recém-desocupada.

No dia seguinte, após o almoço preparado pelo cozinheiro e Alginon, servido na varanda de Oxana, o Sr. Chase examinou vinte e cinco pedras de âmbar. Aparentemente não impressionado com essas, ele pediu para ver a salamandra e os escorpiões novamente.

Enquanto Oxana o observava estudando o bloco de âmbar que continha a salamandra malhada, ela notou um leve tremor na mão direita dele.

O que o deixa tão nervoso? Espero que ele não faça algo estúpido.

"Oxana!" alguém gritou da mina.

Ela afastou a cadeira da mesa de madeira e mancou em direção à grade, onde se inclinou para ver quem havia chamado seu nome.

Devereux. Olha ele, parado no fundo do fosso, flexionando aqueles bíceps enormes para mim. A camisa dele está desabotoada novamente, e eu não imagino como ele cabe naqueles shorts. Eles são tão apertados, e seu... Ela olhou por cima do ombro para Chase. Assim que eu me livrar dele, vou dar um trato nesse jovem garanhão.

Um dos índios estava ajoelhado aos pés de Devereux, contorcido, com os braços pressionados contra o estômago. Parecia ser um adolescente.

"Qual é o problema, Devereux? Por que esses homens não estão trabalhando?"

Mais uma dúzia de nativos, todos índios Yanomami, estavam em um semicírculo atrás de Devereux, olhando para alguma coisa. Três guardas apontavam seus rifles para os homens emaciados.

"Esse garoto aqui, ele está mal," gritou Devereux. "Aquele ali já era, com certeza." Ele apontou com a cabeça para os outros índios enquanto eles se apoiavam em suas pás e entoavam um hino triste para o membro caído de sua tribo.

"Leve ambos para a enfermaria, seu tolo! Não vê que estamos ficando sem trabalhadores? Será que eu tenho que tomar todas as decisões?" Antes que Devereux pudesse responder, ela gritou para um dos guardas: "Hamo, se você não consegue fazer esses preguiçosos trabalharem, eu vou encontrar alguém que consiga. Eles têm que tirar férias toda vez que alguém cai?"

Devereux ordenou que quatro deles carregassem os dois feridos até a entrada da mina e os levassem para a enfermaria.

Hamo balançou a ponta do rifle, acertando o ombro ossudo de um homem, então gritou para os homens começarem a cavar.

Oxana voltou para a mesa, caiu em sua cadeira, e esmagou um mosquito gordo em seu antebraço. "Aquele idiota imprestável do Devereux é um pé no saco," ela murmurou. "Se ele não fosse tão gostoso..."

"Perdão, o que disse?" Chase perguntou.

"Eu disse que odeio essa merda de lugar. Vamos fazer negócios ou não?"

"Você aceitaria dólares americanos?" Chase sorriu enquanto colocava o bloco de âmbar de volta sobre a mesa e cuidadosamente alinhou-o ao lado daquele que continha os escorpiões.

"Por qual peça?"

"Ambas. Os escorpiões e o lagarto."

"Quero oitenta mil reais brasileiros pelos dois."

"Sim." Ele lambeu os lábios e engoliu seco. "Isso é cerca de quarenta mil dólares."

"Deixe-me ver seu dinheiro."

A porta da tela se abriu, e Alginon entrou com duas bebidas geladas em uma bandeja. Rajindar seguia atrás dele.

Alginon colocou as bebidas na mesa enquanto Chase colocou a mão em um bolso interno de sua jaqueta e puxou um belo pacote de dinheiro. Ele contava o dinheiro em uma pilha, com os dedos lutando para separar as notas grudentas.

Rajindar encostou na parede, braços cruzados. Alginon abaixou a bandeja e ficou ao lado de Oxana, com a mão atrás da cadeira dela.

Oxana e os dois homens viram Chase contar o dinheiro enquanto ela bebia.

Finalmente, Chase deslizou uma grande pilha de notas sobre a mesa. Ele empilhou o resto do dinheiro ao lado de sua bebida.

"Todas de cem?" Oxana pegou a nota de cima da pilha e segurou-a contra a luz.

Chase puxou um lenço branco amarrotado de um bolso da cintura para limpar sua testa.

Oxana olhou para Rajindar e acenou com a cabeça em direção à porta. Ele entrou e voltou um momento depois com uma caneta de ponta de feltro. Ela tirou a tampa, e então passou a caneta pela nota de 100 dólares.

Os olhos de Rajindar se arregalaram com o que ele viu. Ele pigarreou para chamar a atenção do Alginon. O homem ligeiro olhou para Rajindar enquanto o colega mais alto virou os olhos para a parede, para longe de Oxana. Alginon enrugou sua testa enquanto observava Rajindar, então deixou Oxana para se juntar a Rajindar perto da parede.

Chase disparou um olhar entre eles e Oxana.

Ela sorriu e correu a caneta pela segunda nota.

Chase abaixou para pegar algo, e quando se inclinou, Oxana colocou a mão direita debaixo da mesa.

Ele apanhou seu chapéu e começou a se abanar .

Ela usou a mão esquerda para colocar as duas primeiras notas sobre a mesa, de ponta a ponta. "Você notou," disse ela, com um tom quase indiferente em sua voz, "que todas essas notas de cem dólares têm o mesmo número de série?" Ela levantou os olhos para Chase.

"S-Sério?" Seu lenço pingava de suor, mas ele o usou mesmo assim, para limpar o pescoço. "Acho que o governo imprime dessa forma. Eu não sei muito sobre esse tipo de coisa."

"S-Sério?" Ela imitou a fala nervosa dele.

O estrondo de sua pistola fez tremer a mesa quando a bala .357 Magnum estilhaçou a mesa por debaixo e atingiu o peito de Chase. O impacto o derrubou da cadeira. Ele rolou em direção à beira da varanda, deixando uma trilha de sangue. Ele estava morto antes de atingir o chão.

Oxana colocou seu revólver sobre a mesa e estendeu a mão para apanhar o resto do dinheiro de Chase do lado de sua bebida derramada. Ela limpou o uísque e o sangue. Em seguida, examinou algumas das notas.

"Hmm... Isso é estranho, Rajindar. Os números de série dessas notas de 100 dólares são todos diferentes. O que acha disso?"

* * * * *

Tosh olhou para as aplicações amassadas das trigêmeas na lixeira. A mancha feia de chá marrom escoava em direção à borda do papel enquanto a raiva corroía seus nervos. Se ao menos o contrato da Sra. Applegate pudesse ser descartado tão facilmente.

A Sra. Applegate trouxe Tosh de volta à realidade. "Eu disse-lhes para irem à Agência Temporária Paddington Ramaport. E dei às meninas alguns bons conselhos." Ela olhou para a Senhorita Wishington com um sorriso confiante.

A senhorita Wishington sorriu.

"E quais seriam?" Tosh gentilmente mexeu os dedos para separar sua mão da senhorita Wishington.

"Eu sugeri que elas encontrassem vagas temporárias e aprendessem sobre operações de negócios de baixo, como eu fiz. Dentro de alguns anos, elas podem ser consideradas para cargos de gestão. Educação universitária não é tudo, você sabe. Eu nunca terminei a faculdade, e olha onde eu estou."

"Bom conselho, Sra. Applegate."

Ele foi para o escritório, e uma vez lá, fechou a porta e ligou o computador. Usando o Google, ele buscou freneticamente por números de telefone residenciais de Nova York. Levou cinco minutos para encontrar o que queria. Quando ele pegou o telefone, a porta se abriu e a Sra. Applegate encaminhou a Senhorita Wishington para a entrevista.

Tosh colocou o telefone de volta no gancho e olhou a senhora idosa sorridente caminhar em sua direção com os passos comedidos de um coveiro aposentado. Ele a admirava por querer trabalhar na idade dela, e por ter tão bom humor, mas esta entrevista não era exatamente a que ele queria fazer.

Ele se levantou, caminhou ao redor da mesa, e ajeitou uma cadeira para ela.

* * * * *

Trinta minutos depois, depois que a senhorita Wishington saiu do escritório, Tosh pegou o telefone.

Ele grunhiu e caiu de volta em sua cadeira. Ele ligou para o número da casa das irmãs Bravant, mas só ouviu uma mensagem gravada dizendo que a linha estava temporariamente fora de serviço. Ou a companhia de luz tinha cortado outra linha com seu escavador de valas ou as trigêmeas tinham sido expulsas de seu apartamento.

Tosh estudou a página inicial da Echo Forests por um momento. Ele então suspirou e estendeu a mão para o mouse, clicando em um ícone para trazer uma série de imagens no monitor. Finalmente, ele se inclinou para trás e estudou uma foto de satélite da bacia do Rio Amazonas. Ele moveu o mouse e deu zoom no centro da imagem. A cidade de Manaus, no encontro do Amazonas com o Rio Negro, apareceu na forma de linhas imperceptíveis no meio de uma imensa paisagem verde. Ele clicou em outro ícone, e uma série de quadrados vermelhos apareceu, um após o outro, sobrepostos em vinte e dois locais diferentes ao redor de Manaus. Quando ele girou a imagem para ter uma visão lateral, ele contou quarenta e sete focos de fumaça subindo da floresta tropical e flutuando para o leste. Nenhuma das colunas enormes vinha dos quadrados vermelhos.

"Até agora, tudo bem," ele sussurrou. "Nenhum incêndio em nossa terra, mas isso é apenas temporário." De repente, ele ficou reto, com os olhos arregalados de surpresa. "Lá está! Temporário." Ele pegou o telefone e ligou para o setor de informações. "Sra. Applejuice," ele sussurrou para si mesmo enquanto esperava o operador responder, "você é um gênio."

Capítulo Seis

Tosh chegou no escritório mais cedo na manhã seguinte e deixou a porta entreaberta para poder ver quando a Sra. Applegate chegasse.

Ela entrou às oito em ponto e seu queixo caiu quando viu pessoas sentadas em mesas que estavam desocupadas no dia anterior. Ela se afastou dos três rostos sorridentes idênticos e marchou em direção ao escritório dele.

Tosh colocou o jornal na mesa e fingiu ler.

A porta do escritório bateu e ele olhou para frente para ver a Sra. Applegate vindo em sua direção.

"O que significa isso?" ela exigiu.

Um encontro com a sra. Applegate poderia ser comparado a ser apresentado a um mecânico enquanto ele arranca pedaços de fiação e equipamento estranhos de baixo do capô do seu carro. A experiência não seria agradável.

Tosh olhou para a mesa, como se estivesse tentando entender o que ela queria dizer. Ele abriu as mãos em um gesto impotente, usando uma mistura de inocência e perplexidade para disfarçar sua apreensão.

"Essa carinha de menino inofensivo não funciona comigo do mesmo jeito que com certas pessoas." Ela largou a bolsa em uma cadeira e ajustou os óculos. "Exijo saber o que essas três...três," ela engasgou, "vigaristas estão fazendo aí fora." Ela girou o braço direito e apontou para fora do escritório enquanto olhava para Tosh.

Ele arregalou os olhos. "Ah, você quer dizer as irmãs Bravant?"

"Você sabe muito bem que é delas que eu estou falando."

"Sra. Applegate, sua experiência comercial e bom juízo nunca deixam de me surpreender. ”

"O quê?"

"Elas seguiram o seu conselho e eu também." Ele sorriu e dobrou o jornal.

O rosto dela perdeu a expressão, e o braço levantado tremeu.

"Você disse para eles irem à Agência Paddington e arrumarem contratos temporários. E foi o que elas fizeram." Tosh juntou as mãos e colocou os indicadores sob o queixo. "Liguei para a agência, pedi três temporários e adivinhe quem eles mandaram?"

Ele abriu as mãos com as palmas para cima, como se isso explicasse como tudo aconteceu. Na verdade, quando ele ligou para a Agência Paddington, as irmãs Bravant já haviam sido convocadas para se apresentar para trabalhar em outra empresa. Ele então vasculhou o lixo da Sra. Applegate do dia anterior para resgatar seus pedidos de emprego e currículos. Lá, ele descobriu que uma das irmãs havia fornecido um número de celular em vez do fixo. Ele ligou e convenceu-as a vir trabalhar para ele.

"Você assinou um contrato comigo" a Sra. Applegate parou para abaixar a voz e o braço "para fazer todas as contratações. Não foi?"

"Sim, claro."

"Então por que você tenta me contornar?"

"Oh, eu não estou tentando—"

"Eu disse a elas para darem no pé, então você vai pelas minhas costas e contrata aquelas três biscates, e..." Aparentemente, ela o percebeu tenso, mas sua única reação foi levantar o queixo e olhar de cima para ele. "Bem, se elas são tão boas, elas que façam as contratações. Mas você, senhor," ela apontou o dedo para a mesa dele, ao lado do bombardeiro B-17 "tem um contrato válido e legal comigo. Não vai se livrar de mim até o final do mês." Ela respirou fundo. "Querendo você ou não."

"Você, como sempre, está correta," Tosh disse, depois puxou o modelo de avião para longe da mão dela. "Você e eu temos um contrato que exige que eu pague uma certa quantia em dinheiro pelos seus serviços até o final do mês." Tosh podia sentir sua pressão arterial subir. "Correto?"

Ela assentiu com a cabeça.

"Bem, então," ele abriu a gaveta da mesa central e pegou um talão de cheques, "quanto seria esse valor?" Ele colocou a caneta sobre um cheque em branco.

"Cinco mil dólares." Suas palavras soaram como o sibilar de uma cobra.

Conforme escrevia, Tosh quase sentia os olhos dela seguindo cada movimento de sua caneta. Finalmente, ele escreveu o último dia do mês no campo de datas, arrancou o cheque do bloco e entregou a ela.

"Adeus, Sra. Applegate."

Ela pegou o cheque e o estudou por um momento. Então, após um olhar gelado, ela apanhou sua bolsa e saiu do escritório.

Cinco segundos depois que a porta de Tosh bateu, ele ouviu a porta da rua bater ainda mais forte, sacudindo sua pintura de Aníbal com um de seus elefantes pendurada na parede. Ele se virou para o computador, aliviado por ter terminado sua provação com a Sra. Applegate. Quando o computador ligou, ele foi ao site da Echo Forests para ver se Quinn havia postado as fotos de satélite matinais da Amazônia.

Ele ouviu uma leve batida em sua porta.

"Oh, Deus," ele sussurrou "ela voltou." Ele levou alguns momentos para reorganizar tudo em sua mesa, esperando que ela entrasse. Quando a batida suave veio mais uma vez, ele gritou: "Entre!"

A porta se abriu e as três irmãs Bravant entraram no escritório. Elas se enfileiraram perto da porta aberta.

Elas usavam saias amarelas iguais, e blusas brancas com babados na frente. As bainhas dos vestidos ficavam logo acima dos joelhos.

Tosh suavizou sua expressão. "Desculpa, pensei que fosse outra pessoa."

Ele se levantou e apontou para o lado da janela de seu grande escritório, onde um sofá novo e três cadeiras almofadadas estavam agrupadas em torno de uma mesa de café de jacarandá polida. Elas não se sentaram no sofá, como ele esperava, ao invés disso ocuparam as cadeiras. Ele se sentou na ponta do sofá, recostou-se e cruzou as pernas.

"Sr. Scarborough, o que aconteceu?" uma delas perguntou.

"A Sra. Applegate não está mais conosco."

"Oh, não. Não queríamos que ela fosse demitida."

"Eu não a demiti. Nós tínhamos um contrato. Eu paguei ela."

"Isto é justo?"

Tosh olhou para a que tinha feito a pergunta. "Paguei a ela pelo mês."

"Mas..." começou outra irmã.

"Você fez o quê?" a terceira interrompeu bruscamente.

"Eu paguei a ela."

"Quanto?"

"Cinco mil."

"Você só pode estar brincando. Você jogou fora cinco mil dólares em dinheiro da empresa apenas para satisfazer sua vaidade?"

"Eu não sou vaidoso, e não era dinheiro da empresa."

"Amber," disse a irmã mais próxima a Tosh, "pare com isso."

Foi a primeira vez que Tosh teve um entendimento claro de um nome próprio de uma das trigêmeas em particular.

Amber olhou para a irmã e depois para Tosh.

"Escutem, senhoritas. Antes de darmos outro passo em qualquer direção que estejamos indo..." Ele olhava para Amber, mas falava com todas elas. "Eu não sou o Sr. Scarborough. Sou Tosh ou Kennitosh, e não posso ficar me referindo a cada uma de vocês como 'Senhorita Bravant' para sempre." Ele se virou para Amber. "Você é Amber?"

Ela deu uma resposta curta. "Sim."

"E seu nome?" Ele perguntou à próxima.

"Madeleine."

"Madeleine," ele repetiu o nome dela.

"Dominique," a terceira se ofereceu antes que ele pudesse perguntar. Ela sorriu.

"Dominique," disse ele, sorrindo de volta. Também conhecida como senhorita Delicada. "Agora, Amber." Ele olhou para ela, ainda sem saber se era a senhorita Prudente ou Rude. "Sim, eu dei à Sra. Applegate cinco mil dólares, mas não era dinheiro da empresa. Foi da minha conta pessoal."

"Qual a diferença?" Amber disse. "Foram cinco mil desperdiçados."

Bom dia, senhorita Rude.

"Mas eu ainda seria obrigado a pagá-la no final do mês, ela ficando ou não."

Senhorita Prudente, agora a adorável e graciosa Madeleine, fazendo jus ao seu antigo nome, ficou de fora da controvérsia.

"Sim," disse Amber, "mas poderíamos ter recebido dela trinta dias de trabalho pelos cinco mil dólares. Você percebe o quão útil esse dinheiro teria sido, se gasto em computadores por exemplo?"

"Amber, por favor," disse Dominique.

Tosh levantou a mão em direção a Dominique. "Continue," disse ele a Amber.

"Esse dinheiro pagaria pelo menos três computadores, talvez quatro. Então, o que você fez ao demitir a Sra. Applegate - com quem, a propósito, poderíamos ter trabalhado por trinta dias - é nos deixar sem computadores. Foi isso que você fez. Ela o deixou esperar por um momento antes de acrescentar: "Sr. Scarborough."

Tosh engoliu em seco quando a ficha caiu. Sim, esse dinheiro poderia ter sido gasto em computadores. E ela estava certa sobre pagar a Sra. Applegate; ele tinha permitido que seu orgulho ditasse uma decisão. Mas Amber não ia vencer - pelo menos ele achava que não.

"Sua lógica é falha." Tosh nunca foi bom em debates. "Os cinco mil dólares estavam comprometidos. Eu devia à Sra. Applegate. Como exatamente, o dinheiro poderia ir para computadores se eu tinha que pagá-la?"

"Minha lógica não é falha." Amber respirou fundo, como se estivesse se preparando para explicar algo para uma criança. "Normalmente, quando você paga alguém para trabalhar para você, essa pessoa está na ativa e produz um benefício. O benefício, presumivelmente, se você planeja administrar uma empresa com fins lucrativos, em algum momento será convertido em um valor em dólar acima do valor pago ao funcionário. Está me acompanhando até agora?"

Tosh assentiu. Ele queria dizer a ela para ir direto ao ponto, mas ele precisava de alguns minutos para elaborar seu próprio argumento.

"A menos que a funcionária em questão passe todo o tempo lixando as unhas e fofocando no telefone, o que eu duvido que fosse o caso da Sra. Applegate, ela seria produtiva, o que, depois de trinta dias, ou talvez algum período após o término de seu contrato, iria gerar lucro. E isso, Sr. Scarborough, é o Básico de Administração 101." Ela respirou rapidamente, cruzou os braços sob os seios pequenos e recostou-se na cadeira. "Isso é atrito interdepartamental suficiente para você?" Ela soprou uma lufada de ar pelo canto da boca, empurrando uma mecha marrom suave da bochecha.

Tosh sorriu sem mostrar os dentes, mas sua resposta nunca se materializou.

Ótimo. como posso sair dessa?

Ele se levantou, caminhou até as janelas e olhou para a cidade. Quando olhou para as ruas movimentadas, percebeu um leve movimento atrás dele. Seus olhos focaram no reflexo no vidro, onde ele viu Madeleine e Dominique sussurrando para Amber. Ela olhou para as irmãs e deu de ombros. Tosh fechou os olhos com força.

Meu Deus, é a Sra. Applegate Junior.

Depois de um momento, ele foi até sua mesa, abriu a gaveta central e pegou seu talão de cheques. Ele então abriu outra gaveta e pegou um segundo talão. Ele voltou ao sofá, sentou-se, e estendeu os dois para Amber.

Ela piscou e olhou para os talões de cheques, mas não se moveu.

"Pegue-os," disse Tosh em sua voz mais autoritária, "Senhorita Gerente de Contabilidade."

Depois de alguns segundos de silêncio, Dominique pigarreou mais alto do que o necessário. Amber olhou de soslaio para a irmã e pegou os talões de cheques. Quando ela abriu o primeiro, Tosh viu uma sobrancelha se levantar.

Cinco milhões e meio.

"Por que você tem tanto dinheiro em uma conta corrente?"

"Eu apenas-"

"Isso vai estar em uma conta rendendo juros até que você precise para operações. Então você transfere o que você precisar para uma conta corrente. Não é muito inteligente lidar com dinheiro dessa maneira."

Ela abriu o segundo talão de cheques. Ele sabia que ela tinha visto um saldo de quarenta mil e mais um trocado. Essa era a conta pessoal dele. Ela levantou os olhos e estendeu a mão.

"O quê?"

"Sua caneta."

Ele entregou sua caneta esferográfica.

Ela clicou na ponta e começou a escrever algo na seção de registro do talão de cheques. "Você não registrou o cheque da Sra. Applegate."

Tosh recostou-se no sofá, com um sorriso. "Me desculpe. Número 666." Ele lembrou-se do número do cheque da Sra. Applegate, porque parecia perfeito para ela.

Amber parou de escrever. "Você tem certeza?" Ela olhou para ele.

"Sim. Positivo."

Amber virou uma página do talão de cheques. "Então falta um cheque. Para quem você fez o cheque número 665?" Ela repousou a caneta sobre o registro, esperando.

Ele se endireitou quando a adrenalina subiu por suas veias.

Droga! ele pensou. Mais problemas.

Aquele era para Quinn, e ele havia deixado o valor do cheque em branco.

Ele hesitou. "Uh ... eu não me lembro." Ele podia ver que Amber não acreditava nele, mas se ele dissesse que fez o cheque para Quinn, ela perguntaria o valor e para quê.

Por que eu coloquei Amber na contabilidade? Por que eu tinha que dar um cheque em branco a Quinn em vez de dar-lhe dinheiro pelos consertos do barco?

Tosh não queria entrar em tudo isso, ainda não, e certamente não em meio às intermináveis perguntas e críticas de Amber.

"Bem," Amber se levantou para sair, "quando recuperar sua memória, me avise. Não gosto quando as contas não fecham." Suas irmãs também se levantaram.

"Espere um minuto," disse Tosh. "Sentem-se, todas vocês."

Madeleine e Dominique sentaram-se imediatamente. Amber levou um momento antes de voltar para a cadeira. Tosh foi até sua mesa e remexeu até encontrar algumas etiquetas para correspondência. Depois de escrever seus nomes nas etiquetas, ele entregou uma para cada uma delas.

"Assim que vocês se levantarem e se misturarem, não terei a menor idéia de quem é quem."

Madeleine e Dominique trocaram seus crachás. Amber olhou para a dela, balançou a cabeça e depois estreitou os olhos em Tosh. "Por que você simplesmente não marca a nossa-"

"Quieta, Amber," disse Dominique.

"Acho que as etiquetas foram uma boa ideia," disse Madeleine.

As duas arrancaram a parte de trás da etiqueta e as colocaram em suas blusas brancas, sobre os seios esquerdos. Amber dobrou seu crachá ao meio, depois ao meio novamente.

"Eu tenho que ir a uma reunião do conselho," disse ele a Amber. "Vocês três podem começar a organizar o escritório enquanto eu estiver fora."

"Organizar?" Perguntou Amber.

"Sim. Preparem este lugar para as operações. Eu quero ele em funcionamento até o dia primeiro."

Capítulo Sete

Eram quase 11 horas da manhã quando Tosh retornou aos escritórios da Editora Andalusia após sua reunião semanal com o conselho de administração da Echo Forests. Eles tinham votado a favor de sua ideia de realizar o jantar para arrecadar fundos em sua casa em Long Island no sábado seguinte.

Logo depois da porta da frente, um homem estranho sentava-se em uma das mesas, resmungando sozinho.

"Estou sem clipes, sem prancheta de escrever." O jovem abriu as gavetas, inclinando-se para olhar dentro. "Sem grampos, sem fita. Não tem nada." Ele fechou a gaveta e abriu outra. "Nem mesmo um lápis para escrever. Que tipo de empresa é essa? Isso é loucura, eu não posso fazer nada." Ele empurrou a gaveta e olhou para Tosh. "Quem é você?"

Tosh olhou para ele, imaginando se ele estava no andar errado. O homem magro parecia ter vinte e poucos anos. Sua camisa de seda verde-limão e calças plissadas pareciam novas, embora um pouco largas para o gosto de Tosh, e seu cabelo curto loiro-platinado fazia parecer que alguém o tinha assustado quando ele acordou. Ele tinha um único brinco vermelho pendurado no lóbulo da orelha esquerda.

"Quem sou eu?"

A porta da sala de conferências se abriu, e as três gerentes do departamento de Tosh saíram.

"Que bom," disse uma das trigêmeas. "Você conheceu George."

"Na verdade não."

Tosh olhou para cada uma delas e ficou feliz em ver que Dominique e Madeleine usavam seus crachás.

"Bem," Madeleine disse, "Sr. Kennitosh Scarborough, conheça George Horspool."

O rosto de George não registrou nenhum sinal de reconhecimento. Ele encolheu os ombros e puxou alguns fiapos da manga.

"Ele é o chefe," disse Dominique em um sussurro alto.

"Ah!" George engasgou. Ele deu uma volta ao redor da mesa para apertar a mão de Tosh. "Sr. Scarborough. Já ouvi tanto sobre você." Ele afastou-se, inclinou a cabeça, e sorriu, mostrando dentes demais.

"Isso é interessante, George." Tosh soltou a mão macia do homem e falou com as três irmãs. "Eu não ouvi nada sobre você."

"George é o seu... uh..." Amber hesitou, respirou fundo, e soltou: "Ele é seu secretário."

"Ele é meu o quê?"

Um sorriso minúsculo, quase maroto, formou-se nos lábios de Amber. "Seu secretário."

"Ah?" Tosh olhou para o rosto radiante de George. "Que bom, mas eu..."

George colocou as mãos nos quadris. "Você queria alguém mais velho."

"Não. Não é isso." Tosh viu o sorriso de George se tornar uma expressão ofendida exagerada.

"Uma mulher. Você queria uma mulher como secretária."

"Bem, eu só pensei..."

A porta do escritório se abriu. "Capitão," disse o idoso que entrou. Ele usava um boné de marinheiro surrado inclinado em um ângulo desleixado. Com uma barba estilo Ernest Hemingway, ele era bronzeado e magro, e parecia que tinha acabado de sair do convés de um veleiro.

"O que é isso, Quinn?" Tosh perguntou.

Quinn fez uma pausa para olhar para George, depois para as trigêmeas. Ele tocou a aba do chapéu para as damas, mas levantou uma sobrancelha quando olhou George mais uma vez. "Desculpe, Capitão Tosh. Eu sei que você não quer que eu venha aqui, mas..."

Tosh pegou seu braço, afastando-o dos outros.

"Acabei de receber novas fotos da Área 64." Quinn cheirava fortemente a água salgada, tinta fresca e fumaça de cigarro.

"Pois bem, vamos lá. Vamos dar uma olhada nelas."

Eles entraram no escritório e Tosh puxou a cadeira dele para o computador.

Quinn ficou atrás dele, observando o monitor.

* * * * *

Quarenta e cinco minutos depois, as trigêmeas e George estavam envolvidos em uma conversa sobre computadores e internet quando os dois homens saíram do escritório.

"Mantenha-me informado." Tosh deu um tapinha no ombro de Quinn para se despedir.

Quando a porta se fechou atrás da Quinn, Amber colocou uma mão no quadril. "Por acaso, eu vi você dar dinheiro ao velho?"

Tosh olhou na direção do escritório, e percebeu que ela tinha visto os dois na janela, discutindo a Área 64. "Sim."

"Porque?"

"Porque ele precisava." A preocupação de Tosh com os problemas que ele tinha visto nas fotos do satélite da Amazônia tinha colocado seus nervos no limite. Ele não estava pronto para dar uma explicação detalhada. Algo teria que ser feito, e logo, mas ele não iria descontar suas frustrações em Amber ou nos outros.

"Você percebe que ele toma comprimidos de nitroglicerina, não é?"

"Como você sabe disso?"

"Quando você estava no computador," disse Amber, "ele caminhou atrás de você e apertou a mão no peito. Então ele tirou uma pílula de um frasco de remédio e colocou-a sob a língua."

"Por que ele iria tomá-la assim?" Dominique perguntou.

"Para que o medicamento seja absorvido na corrente sanguínea imediatamente," disse Amber. "As pessoas tomam nitroglicerina para problemas cardíacos."

"Ah."

"Ele tem ataques ocasionais de angina," disse Tosh "mas é leve, e o médico dele tem tudo sob controle." Ele virou-se para George. "Você estava procurando material de escritório."

"Sim, eu não tenho nada. Se seu telefone tocar, eu não vou poder nem levar uma mensagem para você." Ele enfiou as mãos nos bolsos e olhou em volta para as mesas vazias. "Sou só eu, ou parece estranho que uma empresa com pessoas reais e vivas como nós não tenha nada com que trabalhar? Nem mesmo uma copiadora ou uma cafeteira?"

Amber sorriu, e os outros seguiram seu olhar em direção a Tosh.

"Não acho que seja nem um pouco estranho," disse Tosh. "Estávamos apenas esperando o secretário da empresa se apresentar para o trabalho e organizar as coisas. O que gestores sabem sobre dirigir uma empresa?"

"Nem brinca," George sussurrou e olhou para Amber.

"Agora," disse Tosh, "Sugiro que encontre algo para escrever e faça uma lista de tudo o que precisa."

"Eu preciso de um computador."

"Então põe isso na sua lista. Na verdade, cada mesa deveria ter um computador. Então, seu primeiro trabalho é descobrir o que todos precisam e anotar. Então, no título, escreva 'Ordem de compra,' e entregue à nossa gerente de departamento." Ele sorriu e colocou a mão no ombro de Amber.

Amber estreitou os olhos contra a mão dele, mas não se moveu para removê-la. "É melhor que essa ordem de compra seja assinada por um oficial da empresa." Ela olhou para Tosh.

"Eu sabia que você seria uma grande corregedora."

Amber tirou a mão dele de seu ombro e segurou-a com suas próprias mãos. "Você pode me fazer um grande favor?"

"Claro."

"Se for dar dinheiro para alguém," ela sorriu docemente, "diga-me para preencher um cheque." Ela soltou a mão dele, que caiu do lado de seu corpo. "Dessa forma, eu consigo dar conta de todo o dinheiro que você anda despejando pelo ralo." Ela marchou em direção à própria mesa.

"Certo," disse ele pelas costas dela, voltando-se, então, para George. "Assim que encontrar algo para escrever, faça um memorando."

George abriu a mão e fingiu escrever na própria palma.

"A todos os funcionários," Tosh ditou. "Notifique o departamento de contabilidade antes de cada passo. Tudo deve ser contabilizado na Editora Andalusia."

Todos riram, menos Amber.

"Sim." Ela deu um meio sorriso enquanto se sentava em sua mesa. "E George, certifique-se de mandar uma cópia desse memorando para o chefe. Ele parece estar dando alguns passos bem maiores que a perna." Ela deu um sorriso travesso para Tosh e atendeu seu telefone.

Tosh deu uma risada e começou a andar para seu escritório.

"Sr. Scarborough?"

"Sim..." ele olhou de soslaio para o crachá da mulher, "Madeleine?"

"Posso falar com você?"

"Claro. Entre." Ele se afastou, para que ela entrasse. Uma vez dentro do escritório dele, ela fechou a porta.

"Deve ser sério." Tosh acenou para ela se sentar.

Madeleine sentou-se no sofá, e ele pegou uma cadeira.

"Sr. Scarborough—"

Ele a parou levantando uma mão. "Se você não me chamar de Tosh, eu vou chamá-la de senhorita Bravant."

"OK, me desculpe. Eu quero falar com você sobre Amber."

"Porque?" Ele se inclinou para frente. Agora ele estava preocupado. "Aconteceu alguma coisa?"

"Não, ela está bem. É só que... ela tem boas intenções."

"Ah." Tosh fez um gesto para despreocupá-la e inclinou-se para trás em sua cadeira. "Ela não me incomoda."

"Às vezes ela é tão direta, que a faz parecer dura. Isso deixa as pessoas bravas."

"Eu não ia querer que ela fosse de outro jeito."

"Mas eu sei que ela te dá nos nervos, e eu não quero que você fique com raiva dela e..." Ela fez uma pausa e examinou as unhas, coçando o esmalte coral.

"E o quê?"

"Não queremos ser demitidas." Madeleine segurou um fio solto na barra da saia.

"Só pode estar brincando! Foi ontem mesmo que você e suas irmãs vieram trabalhar para mim. Eu nunca demito ninguém antes de uma semana."

Ela virou-se para encará-lo, com os olhos arregalados, mas quando viu ele sorrir, ela sorriu também.

"Agora, eu quero que você tire Amber de sua cabeça para que possamos falar sobre o seu trabalho."

"Ok." Ela se moveu para a ponta do sofá e ajeitou a saia amarela. "Qual é o meu trabalho?"

"Eu acho que você deveria ser a gerente do nosso departamento de marketing. O que acha disso?"

"Eu adoro marketing. Foi minha especialidade na faculdade."

"Eu sei. Eu li o seu currículo."

"Isso incluirá publicidade também? Quero dizer, os anúncios que vamos colocar na revista?"

"Sim, será sua responsabilidade vender a revista e arranjar anunciantes para nós."

"Legal."

"Eu provavelmente irei adicionar outros deveres mais tarde, mas primeiro eu quero que você organize essas duas operações. Pode ser?"

"Sim, Tosh." Ela sorriu por um momento, depois perguntou abruptamente: "Posso te dar um abraço?"

"Ora, Madeleine, não recebo um abraço decente há catorze anos."

Eles se levantaram e Madeleine deu a volta na mesa de café. Ela o abraçou e então recuou. "Posso pedir mais um favor?"

"Certamente."

"Você pode falar com Dominique? Ela também está um pouco preocupada."

"Claro."

Quando eles saíram do escritório, Madeleine agradeceu e foi para a mesa dela.

"George," disse Tosh, "vamos tentar essa coisa de secretário."

"Estou pronto, Sr. Scarborough."

"Antes de tudo, me chame de 'Tosh'."

"OK. Estou pronto para ser secretário, só não me peça para escrever, grampear, digitar ou xerocar nada." Ele sorriu para seu novo chefe e apontou com a mão em direção a sua mesa vazia.

"Primeiro, quero que Dominique venha ao meu escritório. Então, veja se você pode arrumar um café."

"Certo," disse George, depois gritou: "Ei Dominique, o chefe quer você. Ei, Contabilidade, preciso de dinheiro para o refeitório. Alguém mais quer alguma coisa?" Ele olhou para Tosh. "Que tal?"

"Perfeito." Tosh suspirou e foi para seu escritório. Ele sentou no computador e abriu as últimas fotos de satélite que Quinn havia baixado. Ele examinou todas e depois deu zoom na foto da Área 45. Ele se recostou, franzindo a testa para o que viu.

Dominique bateu na porta aberta. "Você queria me ver, Tosh?"

"Oi, Dominique. Entre."

"Você quer que eu feche a porta?"

"Não, a menos que você queira," disse ele.

"Não, para mim tá bom aberto."

"Acabei de falar com Madeleine..." Tosh começou enquanto ia para a cadeira atrás da mesa.

"Eu sei. Ela ficou com o marketing e a publicidade." Dominique sentou-se na cadeira em frente à mesa.

Tosh fez que sim com a cabeça. "Ela estava um pouco preocupada com o efeito de Amber sobre mim."

"Madeleine me contou tudo. Ela disse que te deu um abraço também."

Ao contrário de Madeleine, cujos olhos se afastavam no momento em que ele a olhava, Dominique o prendia com um olhar firme.

"Madeleine fala rápido," disse ela.

"Bem, isso nos poupa tempo, não é?"

"Sim." Ela sorriu e esperou.

"Você tem alguma preocupação?"

"Não," disse Dominique. "Mas nós gostamos de você."

"Gostam?"

"Sim. Amber também gosta de você."

"Gosta?"

"Sim, mas ela é um pouco mais temperamental do que Madeleine e eu."

"Nem percebi," disse Tosh. "Agora, vamos falar sobre o seu trabalho."

"OK."

"O que você sabe sobre computadores?"

"Tudo."

"Bem, isso passa segurança. Eu gostaria que você se encarregasse dos nossos sistemas de computação. Você precisará de um servidor e..."

"Um roteador," disse ela com um sorriso, "para eu poder configurar nossa rede."

Ele a observou por um momento. "Certo, e nos conectar à Internet. Você também cuidará da produção."

"Produção?"

"Sim, a produção da revista em si. Vamos montá-la aqui usando o QuarkXpress. É o padrão da indústria; melhor usarmos ele. Você pode usar meu computador para acessar o site deles e conferir. A propósito, a senhorita Wishington é um gênio do design gráfico. No começo, fiquei preocupado com as habilidades de comunicação dela, mas quando ela sentou no meu computador e abriu o PhotoShop, fiquei surpreso. Ela baixou três fotos do site dela, colocou em uma página e as editou, fazendo uma bela paisagem em uns cinco minutos. Então ela usou uma bela fonte de caligrafia para escrever 'Revista Órfão' no topo. Contratei ela na hora, e acho que você vai querer ela no seu departamento."

"Certo," disse Dominique. "Quando ela vem trabalhar?"

Tosh pegou uma pasta de arquivos de sua mesa e a entregou a Dominique. "O número de telefone dela está no currículo. Ligue para ela, e vocês duas podem combinar os detalhes. Você pode discutir o salário inicial dela com a Amber. Quando a revista estiver pronta e aprovada por todas as gerentes de departamento, você terá que contatar a empresa de impressão para concluir a digitação e a produção das revistas."

"Eu dou conta," disse Dominique.

"Talvez eu te dê outras funções depois, mas quero que você organize tudo isso primeiro."

Eles se levantaram e ela foi até a porta, mas então se virou. "Obrigada, Tosh," disse ela antes de sair correndo da sala.

"De nada." Tosh sentou-se e virou-se para o computador. Alguns minutos depois, ele ouviu uma batida na porta.

"Sim," ele disse, sem desviar o olhar do computador.

"Espero que você goste de rosquinhas com geléia." George entrou, equilibrando uma pequena bandeja de plástico contendo café e doces.

"Minhas favoritas!" Tosh virou-se. "Como você sabia?"

"Palpite de sorte." Ele colocou a bandeja sobre a mesa. "Suponho que você mesmo pode adicionar o creme e açúcar. Eu trouxe dois de cada."

"Sim, eu faço isso. Coloque adoçante na sua lista, junto com uma cafeteira."

"O que é isso?" George perguntou, acenando com a cabeça para o computador de Tosh.

Uma imagem de satélite da floresta amazônica enchia a tela. Os quadrados vermelhos se destacavam, sobrepostos sobre o dossel da floresta.

"Oh, essa é a minha página da floresta tropical. Veja esses quadrados vermelhos..."

Ele ouviu uma batida e os dois olharam para a porta, vendo Amber parada, segurando uma xícara de café de isopor.

"Entre," disse Tosh.

"Você poderia fazer a gentileza de fechar a porta ao sair, Georginho?" Amber perguntou enquanto caminhava em direção à mesa de Tosh.

George se retirou. Quando ele passou por Amber, eles se entreolharam, então Amber sorriu.

Depois que George fechou a porta, Amber puxou uma cadeira para a mesa de Tosh e sentou-se. "Você se importa de tomar café comigo?"

"Só se você aceitar uma dessas rosquinhas." Tosh empurrou a bandeja na direção dela.

"Obrigada." Ela pegou uma e deu uma mordida.

"Eu conversei com suas irmãs." Tosh tomou um gole de café, observando-a.

"Eu sei." Ela lambeu o açúcar em pó dos lábios. "Madeleine ficou com o marketing e a publicidade. Dominique com sistemas de computador, Internet e produção."

"Não vamos ter muitos segredos por aqui, vamos?"

"Não."

"Madeleine me deu um abraço, e Dominique não."

"Eu sei," disse Amber, "e você também não receberá um de mim."

"Ótimo. Odeio abraços."

Amber sorriu, depois Tosh sorriu também.

"Você ficou com a contabilidade," disse ele.

"Isso não me incomoda."

"Mas não parece muito comparado às responsabilidades de Madeleine e Dominique."

"Eu não disse isso," disse Amber.

"Então o que você disse?"

"Eu disse ..." Ela fez uma pausa e examinou uma costura em sua blusa de mangas compridas.

Tosh tomou um gole de café e esperou. Ela murmurou alguma coisa.

"O que foi?" Ele se inclinou para frente. "Eu não entendi direito."

"Você é legal." Ela falou tão rápido que ele quase não entendeu.

"Bem, que bom. Já que tiramos isso do caminho, vamos ao que interessa."

"E quanto a você?" Ela tomou um gole de café.

"O quê?"

"O que acha delas?"

"Dominique e Madeleine? Elas são uns amores, mas você, Amber ... você me perturba a cada momento. Você é rude às vezes. Você também é hipercrítica e exigente. E você é lógica demais."

"É," ela disse, com um sorriso. "Mas você acha que eu sou boa?"

"Você é adequada."

"Obrigada." Ela estudou a metade de rosquinha na bandeja. Finalmente, ela a pegou e deu outra mordida. "Agora," disse ela, lambendo os dedos, "vamos falar de negócios."

Tosh a observou por um momento. Seu olhar firme era quase cortante quando ela o encarou e esperou.

Finalmente, ele disse: "Pessoal."

"O quê?"

"Você fica com pessoal, editoriais, gravuras, pesquisas e busca de lares."

Ele a viu se esforçar para esconder um sorriso.

"Posso lhe perguntar uma coisa?" Ela perguntou.

"Eu ficaria decepcionado se você não o fizesse."

"Por que você está me dando toda essa porcaria? A contabilidade será um trabalho de período integral."

"Receio que seu departamento seja um pouco maior do que eu havia planejado. Contrate um contador e um gerente assistente de pessoal, e deixe-os dar conta dos detalhes. Você pode supervisionar."

"Tudo bem, mas o que são pesquisas e busca de lares?"

"Acho que parte da revista deve ser dedicada a órfãos adultos que procuram seus pais biológicos e pais que procuram seus filhos adultos. O que você acha?"

"Isso é uma ótima idéia. E busca de lares?"

"Já ouviu falar sobre aquelas crianças que moram nas ruas de Aleppo, na Síria? Pais mortos ou desaparecidos e sem orfanatos suficientes para acolher todas elas?"

Ela assentiu positivamente com a cabeça.

"Assim que formos licenciados pelo Estado de Nova York, vamos ajudar a encontrar lares para algumas dessas crianças."

Amber piscou e engoliu seco. "Você é sorrateiro, não é?"

"Eu gosto de pensar que sim."

"Você age como um grande homem de negócios, jogando seu dinheiro por aí, rodando seu carro chique pela cidade, levando as pessoas para restaurantes caros, e falando no telefone como se fosse um figurão importante. Mas é só para manter as aparências, não é?" Ela se levantou e deu a volta na mesa.

Ele ficou de pé para encará-la.

Surpreendendo-o, ela colocou os braços em volta do pescoço dele e o abraçou, com os lábios perto de sua orelha. "Na realidade, você não passa de uma maria-mole. Mole e doce como uma dessas rosquinhas de geléia."

Ele colocou as mãos na cintura dela, mas ela se afastou.

"Espero que tenha gostado disso," seu sorrisinho desapareceu enquanto ela limpava um pouco de açúcar em pó de seu ombro, "porque esse é o último abraço que você vai receber de mim."

"Tudo bem," disse ele, caindo em sua cadeira enquanto ela voltava para a dela. "Uma vez é suficiente."

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Yaş sınırı:
0+
Litres'teki yayın tarihi:
17 aralık 2020
Hacim:
293 s. 22 illüstrasyon
ISBN:
9788835411918
Telif hakkı:
Tektime S.r.l.s.
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