Kitabı oku: «Trovas do Bandarra natural da Villa de Trancoso»
Gonçalo Anes Bandarra
Trovas do Bandarra natural da Villa de Trancoso
Apuradas e impressas por ordem de um grande senhor de Portugal

Publicado pela Editora Good Press, 2022
EAN 4064066406523
Índice de conteúdo
PROLOGO.
AOS VERDADEIROS PORTUGUEZES DEVOTOS DO ENCUBERTO.
A QUEM LER.
TROVAS DO BANDARRA.
TROVAS NUNCA IMPRESSAS.
TERCEIRO CORPO DE TROVAS DO BANDARRA.
PROLOGO.
Índice de conteúdo
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Na presente Edicção houve unicamente a tenção de satisfazer aos desejos, e cuidadoso empenho dos que buscão haver estas Profecias, e conservar dellas a todo custo um exemplar incorrupto. Isto procurãmos com a maior diligencia, referindo nos escrupulosamente, e com toda a pontualidade á que se publicou em Nantes em o anno de 1644, por Guillelino do Monnier, Impressor d'el Rei; e não se encontrará mudança, nem a menor alteração em accrescentamento, ou falta, porque; tudo vai como nella está, por excepção de alguns poucos, e leves descuidos da impressão, que pareceu acertado emendar. E em quanto ás ineditas, que ajuntamos no fim, por nos serem requeridas de alguns sujeitos, seguimos as melhores, e mais apuradas copias, de quantas buscámos com curiosidade, e pudemos descobrir, preferindo sempre as mais antigas, e que conservadas pela tradição continuada reputámos por mais fide dignas, além de nos serem communicadas por pessoas graves, e de authoridade, que as guardão em varios lîvros de curiosidades antigas. Todas as que aqui vaõ temos por verdadeiras, e taõ suas, e merecedoras de estimaçaõ como as ímpressas; pois no tom, e maneira de enunciar as couzas, que revela, assim como na locuçaõ, e estylo em nada se differenção dellas.
Pelo que toca ao seu Author, bem conhecido he o seu nome, assim como a bem merecida reputação, e credito que tem entre todos por estas suas mesmas Profecias tam decantadas como cheias de mysterio, e verdadeiras; que ninguem ha que delle, e dellas faça menção, sem que seja fazendo lhes conciliar o grande respeito, e veneração, que se lhes deve. De sua vida nenhuma couza aqui ha que dizer, podendo se dizer muitas, porque ninguem de quantos lem estes escriptos a ignora; a anda em muitos livros, que todos podem haver mui facilmente. Foi elle o Nostradamus dos Portuguezes, como antigas memorias nos certificão, no tempo d'el Rei D. João o III. de Portugal, e porventura ainda mais celebre por seus ditos, maravilhosos vaticinios, e prognosticos, do que foi aquelle, e pelos mesmos annos na França; porque se com particular distinção obteve este os comprimentos de Henrique II., e da Rainha Catharina de Medicis, sua mulher, e de seus filhos; as honras, e estimações do Duque de Saboia Manoel Feliberto, e da Duqueza Margarida de França; e os prezentes de Carlos IX. mereceu o nosso os applausos de uma Nação inteira assim de grandes como pequenos, de illustres, e plebêos, sabios, e indiscretos, e continuados por tamanho espaço, quanto vai desde quando viveu até nossos tempos, e sempre o será, em quanto o Mundo durar, que tanto hade viver na memoria dos homens.
Assim o sentiu aquelle raro engenho, e o mais accreditado Pregador o P. Antonio Vieira, consagrando lhe particular affecto, e chegando a affirmar, que era mui grande, e mui alumiado Profeta. Antonio de Souza de Macedo faz delle particular memoria por estas palavras na Lusitania Liberata a pag. 735.—"Regnante in Lusitania Joanne 3º. anno Domini 1550. in nobili oppido Trancoso decessit celeber Gondiçalus Annes Bandarra, qui decantatos á multis annis reliquit versus de Lusitanis eventibus, quorum, ultra nostros, meminit D. Joannes de Horosco, Castelanus in tract, de Vera, et Falsa Prophet. cap. 24." O lugar apontado de D. João de Horosco naõ he do cap. 24., como ali está, mas do cap. 14. do Liv. I., onde a pag. 38. diz assim.—"Y desta manera tuve yo noticia de un çapatero en Portugal, que fue tenido por Profeta." E na glosa marginal accrescenta.—"Este çapatero de Portugal fue en Trancoso dicho Bandarra, y avra este año de 88. quarenta y seis que morio."—Mas he de advertir, que nem um, nem outra acertou no anno da morte de Bandarra, que, conforme escreveu Barbosa Machado na sua Biblioth. Lusitana, foi depois de 1556. Saõ tambem dignos de ver se nos elogios, que lhe tributão D. Nicolaõ Monteiro, Vox Turtur., o P. Vasconcellos no seu admiravel Livro da Restauraç. de Portugal, e outros, que aponta o mesmo Barboza.
Resta antes de concluir mos em agradecimento fazer neste lugar honrada memoria de dous consumados varões, que muito contribuiraõ para gloria do nosso Author. Seja o primeiro D. Vasco Luiz da Gama, V. Conde da Vidigueira, e I. Marquez de Niza, a quem se deve aquella Edicçaõ de Nantes, e nella se diz sómente ser por um grande Senhor de Portugal; e verdadeiramente foi notado de mui nobres, e excellentes qualidades, por onde se faz credor de grandissimos elogios. Occupou mui altos empregos, como o de Almirante do Mar da India, Deputado da Junta dos Tres Estados, e do Despacho das Juntas na Regencia da Rainha D. Luiza, e de seus filhos os Reis D. Affonso VI., e D. Pedro II. sendo Regente, Vedor da Fazenda dos ditos Reis, e Estribeiro Mor da Rainha D. Maria Francisca Isabel de Saboia. Foi Commendador na Ordem de Christo, e do Conselho de Estado, e Guerra, e duas vezes Embaixador a França por El Rei D. João IV., a primeira em 1642, e a segunda em 1646, em que mostrou discripção, prudencia e zelo do bem do Reino, a ultimamente a Roma em obediencia aos Papas Urbano VIII., e Innocencio X. Na Paz, que se celebrou deste Reino com Castela em 1668. teve muita parte, sendo um dos Plenipotenciarios para ella eleito, em que se houve com muita circumspecção.
O outro he D. Alvaro de Abranches da Camera, que antes lhe havia mandado levantar novo sepulchro com seu Epitafio na Igreja de S. Pedro da Villa de Trancozo, trasladando seus ossos de outra baixa, e humilde, em que jazia, e fazendo lhe insculpir por divisa na pedra os instrumentos do officio de çapateiro, que elle havia exercitado. Esta grande honra havia o mesmo Bandarra profetizado nas Quadras 8 e 9 do. III. Corpo das Trovas, Sonho I. por estas mysteriosas palavras:
8.
Vejo, mas não sei se vejo,
O certo he, que me cheira,
Que me vem honrar á Beira
Um Grande do pè do Tejo.
9.
Formas, cabos, e sovelas
Lavradinhas com primor
Mandareis abrir, Senhor,
Muitos folgarão de vê las.
Ali taõ somente lhe chama, e assim o dá a conhecer, "Um Grande do pé do Tejo:" e sem duvida foi elle um dos mais illustres, e accreditados Fidalgos da Corte no seu tempo. Era filho de D. Francisco da Camera Coutinho, Commendador de S. João da Castanheira na Ordem de Christo e D. Guimar de Abranches; e neto pela parte paterna de Rui Gonsalves da Camera, Capitão Donatario da Ilha de S. Miguel, I. Conde de Villa Franca, e de D. Joanna de Blaesvelt, da Casa dos Condes de Redondo, e pela mai de D. Joao de Abranches de Almada, e de sua segunda mulher D. Antonia de Souza. A tamanha nobreza uniu muitos merecimentos, adquiridos por seus serviços. Deve se a seu singular espirito, e valor a liberdade da Patria na gloriosa Acclamação d'el Rei D. João IV., sendo um daquelles illustros Fidalgos, que para ella sobre maneira concorreu, arvorando a Bandeira da Cidade, recobrando o Castello de Lisboa, e soltando alguns, que ali se achavão prezos, com outras muitas acções de lealdade, e heroico desinteresse, que serão de exemplo á posteridade. Foi Commendador de S. João da Castanheira, Senhor dos Morgados de Abranches, e Almadas, Conselheiro de Estado, Mestre de Campo General da Estremadura, e por duas vezes Governador das Armas da Provincia da Beira. E porque digamos tudo para seu completo elogio, foi casado com D. Maria de Lencastre, da Casa dos Barões, hoje Marquezes de Alvito, e della houve a D. Magdalena de Lencastre e Abranches, I. Condessa de Valladares, mulher do Conde D. Miguel Luiz de Menezes, e D. Guimar de Lencastre, que foi mai de Tristão da Cunha de Ataide, I. Conde de Povolide, e de Nuno da Cunha de Ataide, Inquisidor Geral destes Reinos, e Cardial da Santa Igreja de Roma do titulo de S. Anastacia, por quem se transmitiu o Segundo Corpo das Trovas ineditas, que agora damos. Delle se lembra o P. Nicolão da Maia na Relação daquella Acclamação que publicou em 1641. Salgad. de Araujo, Success. Militar. Liv. III., cap. 30, e seg., O Conde da Ericeira, Portug. Restaurad. P. I. nos Liv. 2. 4. 7. 8., Souz. Hist., Genealog. da Casa Real, Liv. VII. cap. I. Castro, Mapp. de Portugal, P. IV. cap. 4. e outros.
A honra de mandar levantar a Bandarra o sepulchro, que acima dizemos, e por que se lhe deve esta sua memoria, refere o mesmo Antonio de Souza de Macedo na sobredita Lusitania Liberat., e lugar apontado a pag. 736., e damos as suas mesmas palavras:—"Anno 1641. D. Alvarus de Abranches, provinciae Beirae Generalis, hujus viri humile sepulchrum in portico Ecclesiae S. Petri dicti oppidi Trancoso, elevavit honorifice nobili epitaphio; et Rex postea, capella boni reditu ejus donavit nepotem; ac merito, nam si Nabuchodonosor, et Cyrus remunerarunt Hieremiam, et Isaiam quod pro eis prophetaverint; et magnus Alexander, in gratiam Danielis prophetisantes victorias ejus, adoravit Jaddum summum Pontificem Hierosolimae; à fortiori Christianissimus Princeps Alexandro maior generosam gratificationem debebat ostendere."
AOS VERDADEIROS PORTUGUEZES DEVOTOS DO ENCUBERTO.
Índice de conteúdo
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Divida he forçosa, Senhores, offerecer vos o amor da Patria esta insigne, e mysteriosa obra: porque se seu Author fôra vivo neste venturoso tempo assim o fizera em satisfação de tão dilatadas esperanças, que por mais de sessenta annos alentarão o animo daquelles, que com tanta razão, e justiça desejavão, que a Real Coroa de Portugal tornasse a illustrar a cabeça de Principe natural, e verdadeiro. Tudo merece uma firme, e longa esperança pois não ha couza que mais custe, e atormente. Assim o affirma Estacio no Livro I.
…."Spes anxia mentem
Extrahit, et longo consummit guaudia voto."
Tambem se vos offerece nestas Trovas do Bandarra uma verdade cumprida para recompensa de vossos desejos continuos, merecedores sempre de desempenhos grandes, quaes são as certas posses de esperanças continuas. Para sua maior estimação he precisamente nescessario o conhecimento, e noticia do sazonado fructo que se possue, procedido da flor do que se esperou: porque não ha amar sem conhecer diz o Principe da Filosofia: Nihil volitum, quin praecognitum. O Libertador do nosso captiveiro, captiveiro, o remedio de nossos males, o descanço, de nossos trabalhos he o Rei Encuberto, de quem trata Bandarra, e a quem tomou por assumpto, e por objecto de seus versos, como nelles se vê, e particularmente na Estancia LXXII. dizendo:
Este Rei tão excellente,
De quem tomei minha teima.
Val o mesmo que dizer: Deste Rei trato somente, delle escrevo, posto que as figuras, e acções sejão muitas, e differentes. O teimoso sempre porfia, e teima: assim Bandarra sempre falla neste Rei, ao qual chama o Encuberto, como consta do Verso LXXV. fallando do Porco, que fará fugir para o deserto:
Demostra que vai ferido
Desse bom Rei Encuberto.
A este Rei Encuberto attribue seis propriedades, e signaes, quaes saõ os seguintes: O Primeiro, O Rei novo he alevantado. Verso LXXXVII., diz, que he Rei novo. O Segundo, que será Rei eleito, e naõ só por successão. Verso C. O Rei novo ho escolhido, e elegido. O Terceiro, que he Infante, como se lê no Verso LXXXVIII. Saia, saia esse Infante, bem andante. O Quarto, que se chamará D. João, Verso LXXXVIII.: O seu nome he D, João, nome, de que tanto gostou o Author, que seis vezes falla nelle, como se vê nos Versos XXV. XXXVIII. XLIV. LV. LXXXVIII. XCIII. O Quinto, que terá um irmão bom Capitão, Verso CII.: Este Rei tem um irmão bom Capitão. Diz ultimamente, que este Rei será acclamado, e alevantado, quando se cerrarem os quarenta annos, como consta do Verso LXXXVII.:
Ja se cerraõ os quarenta
Que se e[m]menta
Por um Doutor ja passado:
O Rei novo he alevantado.
Todos estes signaes evidentemente convem só a El Rei D. João IV., nosso Senhor, o qual he Rei novo, porque antes não reinava, posto que era Rei de juro. Rei elegido foi pela commum inspiração, e geral acclamação de todo o Reino; Infante era tambem, porque os Principes de Bragança são Infantes, como tambem por bisneto do Infante D. Duarte, filho nono do Senhor Rei D. Manoel. Chama se alem disto D. João. Tem um irmão valeroso Capitão qual he o Senhor Infante D. Duarte, que Deos livre. A eleição, ou commum inspiração, e acclamação (que tudo he o mesmo conforme a Direito) foi quando cerravão quarenta annos, pois foi Sabbado (e havia de ser Sabbado) dia setimo, em que Deos descançou da creação do Universo, como em mysterio, e em signal, que nossas afflicções o cançarão, e que descançava com o Rei, que naquelle dia nos deu para nosso descanço liberdade; pois o dia em que primeiro descançou foi, como se sabe Sabbado. Assim nos restituiu o nosso legitimo Rei Sabbado primeiro dia de Dezembro, mez em que cerrou o anno de 1640.
Conclue se logo com toda a certeza, e moral evidencia, que El Rei D. João o IV., nosso Senhor he o esperado, e tão desejado Rei Encuberto, de quem Santo Isidoro fallou na era de 636., escrevendo muitas couzas futuras de Hespanha[1], e Bandarra tantas vezes repitiu. Não ha mais esperar outro Encuberto; porque he couza vã, e aerea; e o mesmo Rei de Castella chamou a El Rei, nosso Senhor Encuberto duas vezes, quando antes de ser Rei o mandou governar ás armas de Portugal á Villa de Almada, em a Carta dizia fosse encuberto; e pois os signaes, que delle se apontão de nenhuma maneira convem a El Rei D. Sebastião, nem he Rei novo mas velho; não foi Rei de eleição senão de successão, e que nasceu Rei, porque não se chamava João, nem teve outro irmão bom Capitão. Conheção logo todos esta clara verdade; e farão toda a devida estimação das Trovas do celebrado Bandarra, qua neste particular ja vemos desempenhadas, e cumpridas.
[1] Estas Profecias de Santo Isidoro, Arcebispo de Sevilha, de que aqui falla, em que vaticinou successos de Castella, podem ler se na Ressurreição de Portugal por Fernão Homem, que tambem foi impressa em Nantes pelo mesmo impressor Guillelmo do Monnier; e ahi se diz forão tiradas de um Livro, que se havia impresso em Valença no anno de 1520., e que andavão nas lições de sua vida no Breviario Dominicano, e em outros. O anno de 636., que tambem aqui se a ponta, foi o mesmo da morte deste Santo Prelado, mui esclarecido pelo zelo da Fe, e inteireza da disciplina Ecclesiastica.
VALETE.
A QUEM LER.
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Foi Gonçaleannes Bandarra (Benevolo Leitor) um official de çapateiro de calçado de corrêa, homem de boa vida, o qual viveu na antiga Villa de Trancoso do Bispado da Guarda. Passou sempre pobremente, e sem mais cabedal, que a limitado de seu officio, que naquelles lugares não costuma ser muito. Concorreu nos tempos do Rei D. João o III. de Portugal. As suas Trovas, que compoz no anno de 1540 pouco mais ou menos, forão sempre tão recebidas, e celebradas, que não necessitão de maiores abonações que as do tempo que tanto as accredita. E se tambem as faz muito estimadas o offerece las seu Author ao Illustrissimo Bispo da Guarda D. João de Portugal, que Deos tem,[2] mais o devem ser hoje assim pelos effeitos mostrarem sua verdade como pelas mandar imprimir um Principe Portuguez grande, e excellente. Acção na verdade descobridora do fino amor de Rei, e do zelo do bem do Reino (que vivem em seu nobre, e fiel peito) cujas principiadas glorias faz estampar, para que sejão notorias, e perpetuas. Estas canta o celebre Bandarra em seus grosseiros, mas mysteriosos Versos, a quem o entendimento applica mais authorisado titulo que o curto, que se permitte á penna. Muito se pode sentir, mas nem tudo se pode dizer particularmente em materias, que pedem approvação do Supremo Tribunal.
[2] Esta Dedicatoria a D. João de Portugal, Bispo da Guarda he o documento mais certo da morte de Bandarra succeder depois do anno de 1556, porque so neste podia ser feita, que foi o primeiro em que aquelle Prelado foi provido na quella Diocese, e confirmado pelo Pontifice Paulo IV., e ainda no anno seguinte he que tomou posse. Foi mui exemplar por suas virtudes, como lhe chama Bandarra, nãe menos do que era mui distinto por sua nobreza como ramo florecente dos primeiros Condes de Vimioso. A heroica paciencia, com que sofreu ser despojado da sua dignidade Episcopal, e recluso em um Mosteiro, depois da infausta jornada do nosso Augustissimo REI o Senhor D. Sebastião nosso Senhor, fará em todo o tempo sempre illustre o seu nome, e mui accreditada a sua memoria.
Grandes injurias tem feito o dilatado tempo de mais de cem annos ás Trovas do Bandarra: uma vez viciando as com a corrupção; outra accrescentando as; outra diminuindo as. Para ficar só o grão, e deitar fóra do taboleiro o joio, e a hervilhaca foi necessario (e não com pouca industria) buscar as mais antigas copias, das quaes a de menor idade he de outenta annos, nas mãos de pessoas intelligentes, e fide-dignas, com as quaes se apurou esta, que sahe á luz, e ficará ás escuras a immensa multidão de treslados destas Trovas, todos viciados, e corruptos: pois não havia pessoa, que não tivesse um Bandarra a seu modo. Vaõ os Versos numerados, e rubricados para maior clareza, e distinção. Deve se porem advertir um grande mysterio, que está no Verso LXXXVIII. aonde diz.—O seu nome he D. João.—Lião muitos.—O seu nome he de D. João;—mas os mais antigos usavão de uma letra I, que parecia ser a letra F. Quiz Deos, por nosso bem, que no ler houvesse diferencas.
Ücretsiz ön izlemeyi tamamladınız.