Kitabı oku: «A bela cativa»

Editado por Harlequin Ibérica.
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28001 Madrid
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© 2021 Harlequin Ibérica, uma divisão de HarperCollins Ibérica, S.A.
A bela cativa, n.º 1846 - janeiro 2021
Título original: Bound to Her Desert Captor
Publicado originalmente por Harlequin Enterprises, Ltd
Reservados todos os direitos de acordo com a legislação em vigor, incluindo os de reprodução, total ou parcial.
Esta edição foi publicada com a autorização de Harlequin Books S.A.
Esta é uma obra de ficção. Nomes, carateres, lugares e situações são produto da imaginação do autor ou são utilizados ficticiamente, e qualquer semelhança com pessoas, vivas ou mortas, estabelecimentos de negócios (comerciais), feitos ou situações são pura coincidência.
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Imagem de portada utilizada com a permissão de Harlequin Enterprises Limited.
Todos os direitos estão reservados.
I.S.B.N.: 978-84-1375-246-4
Conversão ebook: MT Color & Diseño, S.L.
Sumário
Créditos
Capítulo 1
Capítulo 2
Capítulo 3
Capítulo 4
Capítulo 5
Capítulo 6
Capítulo 7
Capítulo 8
Capítulo 9
Capítulo 10
Capítulo 11
Capítulo 12
Epílogo
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Capítulo 1
– Lamento muito, majestade, mas não há mais informação sobre o paradeiro da sua irmã.
Jaeger al-Hadrid, rei de Santara, assentiu e virou as costas ao assistente, um homem idoso com o cabelo grisalho. Aproximou-se da janela do escritório do palácio e observou a cidade de Aran que se encontrava mais abaixo. Era cedo, amanhecia sobre o Golfo de Ma’an e o sol banhava a capital de Santara com um brilho dourado. O palácio cor-de-rosa pálido era no topo de uma colina com vista para o porto que, apesar de ter sido um porto industrial, fora convertido num centro de turismo: Hotéis, restaurantes, lojas de roupas… Tudo isso desenhado com gosto para combinar o antigo com o novo. Era mais uma das medidas bem-sucedidas de Jaeger para reativar a economia local e mostrar a mudança do seu reinado.
Naquele momento, não era capaz de pensar nisso, visto que a preocupação com o facto de a irmã ter desaparecido ocupava a sua mente.
Onde estaria? E o mais importante, estaria bem?
Há uma semana, quando regressara de Londres depois de uma viagem de negócios, encontrara um bilhete na secretária.
«Querido Jag,
Sei que não vais gostar disto, mas vou ausentar-me durante algumas semanas. Não vou dizer-te onde vou estar porque isto é importante para mim. Por isso, não vou levar o meu telemóvel.
Sei que, se o levasse, descobririas o meu paradeiro mesmo antes de chegar! Não te preocupes, vou ficar bem.
Adoro-te,
Milena xxx»
«Não te preocupes? Não te preocupes?» Depois do que acontecera há três anos, como podia não se preocupar?
Pegou no bilhete que tinham posto num saco de provas e teve de se esforçar para não o amarrotar. Até àquele momento, a única coisa que a equipa de segurança conseguira descobrir fora que a irmã apanhara um voo para Atenas e que desaparecera com um homem. Um homem que tinham identificado como Chad James. Nada mais nada menos do que um empregado com quem Jaeger permitira que a irmã trabalhasse durante os últimos seis meses.
Jag cerrou os dentes e respirou fundo. Chad James era um licenciado brilhante que, no ano anterior, fora selecionado para trabalhar na GeoTech Industries, a sua empresa preferida. A empresa só contratava homens e mulheres inteligentes que conseguiam criar tecnologias de ponta capazes de competir com qualquer coisa que saísse de Silicon Valley. Há uma semana, o jovem licenciado pedira um mês de férias sem salário.
Teria pressionado Milena para que se fosse embora com ele e tivessem uma aventura amorosa? Ou pior ainda, tê-la-ia raptado e deixado um bilhete, tencionando pedir um resgate mais adiante?
Jag blasfemou em silêncio. Desde que, há uma década, se tornara rei, fizera o possível para manter a segurança dos irmãos. Como pudera fracassar? Como pudera enganar-se tanto? Era culpa dele! Sem saber, pusera a irmã em perigo e era o responsável.
E não podia tê-lo feito em pior momento.
Durante a última década, trabalhara sem parar para tirar Santara da confusão política e económica que o pai criara sem querer e, exatamente quando Santara estava prestes a ser reconhecida a nível mundial como um centro nevrálgico de poder, a irmã desaparecera.
A preocupação estava a devorá-lo por dentro.
– Como é possível que, hoje em dia, ninguém consiga descobrir onde está? – perguntou, olhando para Tarik.
O homem idoso, que Jag conhecia desde que era uma criança, abanou a cabeça.
– Não há forma de a seguir, visto que não levou o telemóvel ou o computador – explicou Tarik. – Já vimos as gravações das câmaras de segurança dos portos de Piraeus, Rafina e Lavrio e também das estações de comboio locais, mas até ao momento, não encontrámos nada.
Bateram à porta quando Jag ia começar a falar. Era o assistente pessoal. Aproximou-se de Tarik para lhe murmurar alguma coisa, antes de olhar para Jag com empatia.
O coração de Jaeger acelerou. Oxalá não tivesse acontecido nada à sua irmã.
Tarik abanou a cabeça ao ver o seu ar de preocupação.
Jag respirou fundo. Só o seu círculo mais próximo sabia que Milena desaparecera, portanto, tinham mobilizado um grupo de soldados de elite para que encontrassem Chad James e a princesa, exigindo-lhe que mantivesse a máxima discrição. Jag nem sequer avisara o irmão do desaparecimento de Milena e não tencionava fazê-lo até poder contar-lhe dados concretos. Também não avisara o príncipe de Toran, com quem Milena devia casar-se dentro de um mês.
A última coisa de que precisava era de um escândalo dessa magnitude a uma semana de celebrar um dos acontecimentos internacionais mais importantes da história de Santara. Durante quatro dias, líderes de todo o mundo reunir-se-iam em Santara para tratar de diversos assuntos relacionados com o meio ambiente, com a saúde mundial e com o défice bancário e comercial. Seria o acontecimento mais importante desde o renascimento de Santara e a sua equipa trabalhara sem parar para se certificar de que se celebrava sem nenhum problema.
– Conta-me! – ordenou Jag, ao ver que o assistente empalidecera e se mostrava hesitante.
– Acabaram de me informar que a irmã mais velha do Chad James aterrou em Santara há uma hora.
Jag franziu o sobrolho.
– A irmã a quem enviou uma mensagem de correio eletrónico no dia anterior a ter desaparecido?
– Acho que sim. Enviaram-lhe um relatório sobre ela para o correio eletrónico.
Jag sentou-se à frente do computador e tocou no rato para ativar o ecrã. Rapidamente, encontrou a mensagem e abriu o arquivo anexo.
«Nome: Regan James
Idade: Vinte e cinco anos»
A altura, o peso, o número da segurança social… Estava tudo ali.
Tinha os olhos e o cabelo castanhos e trabalhava como professora numa escola de renome. Segundo o relatório, vivia sozinha em Brooklyn e era voluntária numa instituição para crianças órfãs. Não tinha animais de estimação nem antecedentes penais. Os pais tinham falecido.
Um dado que Jag já sabia pelo relatório que tinham feito sobre o irmão. Ela também tinha uma página de Internet de fotografia. Jaeger leu a página seguinte. Nela, aparecia a fotografia de Regan James. Era uma fotografia de meio corpo e fora tirada numa praia. Tinha o cabelo apanhado num rabo de cavalo e tinha a mão levantada para ajeitar as madeixas que ficavam à frente do seu rosto ovalado, por causa da brisa. Mostrava um sorriso amplo e tinha uma máquina fotográfica pendurada ao pescoço. Era a fotografia de uma mulher bela que parecia incapaz de matar uma mosca. E o seu cabelo não era castanho. Pelo menos, não na fotografia. Era avermelhado. Os seus olhos também não eram castanhos, eram… Eram… Jag franziu o sobrolho e decidiu não pensar nisso. Eram castanhos, tal como o relatório dizia.
– Onde está agora?
– Reservou um quarto no Santara International. É tudo o que sabemos.
Jag olhou para a fotografia do ecrã. O irmão daquela mulher levara a irmã dele para algum lugar e ele tencionava mexer Céu e Terra para encontrá-los e fazer com que Milena regressasse a casa.
Só esperava que Chad James tivesse um bom exército para se defender quando lhe pusesse as mãos em cima.
– Continuem! – ordenou Jag. – Quero saber onde vai, com quem fala, o que come e quando vai à casa de banho. Se comprar um pacote de pastilha elásticas, quero sabê-lo. Está claro?
– Como a água, majestade.
Assim que entrou no shisha bar, Regan soube que devia virar-se e ir-se embora. Passara todo o dia a percorrer a cidade de Aran à procura de informação sobre Chad, mas a única coisa que descobrira fora que o calor existia, o calor do deserto.
Apesar disso, sabia que se teria apaixonado pela cidade antiga e murada se tivesse ido lá por outro motivo senão para descobrir o que acontecera ao irmão. Infelizmente, quanto mais o procurava na cidade, mais aumentava a sua preocupação com ele. E era por isso que não podia seguir o seu instinto e sair do bar pequeno que Chad costumava frequentar.
O local estava decorado com mesas e cadeiras de madeira que, normalmente, se enchiam com homens a jogar às cartas ou a fumar. E, às vezes, ambas as coisas. Ouvia-se música árabe e o ambiente estava perfumado com um certo cheiro a fruta. Ajeitou o lenço que pusera para cobrir a cabeça e os ombros, em deferência aos clientes locais, e dirigiu-se para o balcão de madeira junto do qual se encontravam vários bancos vermelhos.
A verdade era que aquele lugar era quase o seu último recurso. Durante todo o dia, encontrara diversos obstáculos: Ou a sua própria sensação de incapacidade ao tentar percorrer as ruas arrevesadas de Aran ou a atitude fria e distante das pessoas locais que não tinha nada a ver com a aparência próxima e amigável que se mostrava na publicidade do país. Sobretudo, a julgar pela atitude do senhorio de Chad, que olhara para ela com desdém antes de a informar que não tencionava abrir o apartamento de Chad sem a sua permissão. Regan acabara de sair da GeoTech Industries, onde ninguém conseguira responder às suas perguntas, e não estava de humor para receber outra negativa. Sem hesitar, ameaçou denunciar aquele homem e, quando lhe disse que ia chamar a polícia, indicou-lhe que não se incomodasse e que ela própria iria à esquadra.
Infelizmente, o agente disse-lhe que Chad não estava desaparecido há tempo suficiente para abrir uma investigação e que devia regressar no dia seguinte. Em Santara, tudo funcionava muito mais devagar do que ela estava habituada. Recordava que essa era uma das coisas de que Chad gostava mais no país, mas era difícil apreciá-la quando estava desesperada.
Cansada por causa do jet lag e da preocupação, Regan quase começou a chorar à frente do agente. Então, recordou que Chad mencionara o shisha bar, portanto, tomou um duche rápido e dirigiu-se para lá depois de perguntar a um empregado do hotel como chegar. Normalmente, quando saía em Nova Iorque, ia com Penny. E, naquele momento, desejava que ela a tivesse acompanhado, pois não se sentia muito confortável a entrar sozinha num bar desconhecido. Sentia-se como se todos estivessem a olhar para ela, como passara todo o dia a sentir.
O mais certo era que estivesse a exagerar a causa do receio que sentia por pensar que podia ter acontecido algo terrível ao irmão. Há uma semana, recebera uma mensagem de correio eletrónico a avisá-la de que não devia tentar contactá-lo durante alguns dias porque não estaria localizável.
Para um homem que tinha sempre o telemóvel com ele e que, com frequência, brincava com o facto de ser o seu melhor amigo, aquele dado era suficiente para que ela ficasse alerta. Sem dúvida, uma reação à consequência de quando tivera de se encarregar dele quando tinha apenas catorze anos. Mesmo assim, teria conseguido não se preocupar se Penny, a amiga e colega de trabalho, não lhe tivesse contado histórias terríveis a respeito de viajantes e trabalhadores estrangeiros que desapareciam para sempre em países longínquos.
Durante dois dias, Regan tentara contactar Chad, mas, como não o localizara, Penny convencera-a a ir procurá-lo.
– Vai lá e certifica-te de que está tudo bem – insistira Penny. – Só quando o fizeres é que conseguirás cuidar bem das crianças aqui. Além disso, desde que te conheço, nunca tiveste umas férias decentes. Se correr tudo bem, terás uma boa aventura, se correr tudo mal… – Deixou a frase por acabar. – Tem cuidado – acrescentou depois, deixando Regan um pouco inquieta.
Enquanto olhava em redor do bar como se soubesse muito bem o que estava a fazer, a figura de um homem que estava sentado no canto oposto chamou a sua atenção. Vestia-se de preto com um kufiyya na cabeça. As costas largas pareciam relaxadas e tinha as pernas esticadas por baixo da mesa. Não sabia porque reparara nele, mas também não conseguia evitar a sensação de que era perigoso.
Tremeu e tentou não ser paranoica. Mesmo assim, procurou o frasco de gás pimenta dentro da mala, tocou nele e, com um sorriso amplo, dirigiu-se para o balcão. Atrás do balcão, havia um homem grande a limpar um copo.
– O que vai beber? – perguntou.
– Não quero nada – respondeu Regan, com educação. – Estou à procura de um homem.
O empregado arqueou as sobrancelhas e disse:
– Há muitos homens por aqui.
– Oh, não! – Ao perceber o que aquilo parecia, Regan rebuscou no seu bolso e tirou uma fotografia de Chad. – Estou à procura deste homem.
O empregado olhou para a fotografia.
– Nunca o vi.
– Tem a certeza? – Ela franziu o sobrolho. – Sei que vem cá. Ele disse-me.
– Tenho a certeza – confirmou ele. Era evidente que não gostava que o questionassem. Agarrou noutro copo e começou a limpá-lo com um pano que parecia bastante sujo. – Quer um narguilé? Tenho de morango, de amora e de pêssego. – Isso explicava o cheiro a fruta que sentira ao entrar.
– Não, não quero um narguilé – replicou ela. O que precisava era de um pouco de orientação. Alguém que pudesse ajudá-la a percorrer as ruas e a ampliar a busca de Chad.
Tencionara alugar um carro enquanto estava lá, mas, em Santara, conduzia-se do lado contrário ao que estava habituada e, além disso, Regan não tinha muito bom sentido de orientação. Chad costumava dizer-lhe que podia dar uma volta em círculo e que não saberia reconhecer onde era o norte. Pensar nisso fez com que sentisse um nó na garganta. A ideia de não voltar a ver o irmão era insuportável. Fora toda a sua vida desde que os pais tinham morrido.
– Como queira… – disse o empregado, antes de se afastar para atender um cliente vestido com a roupa local. A maior parte dos clientes usava roupa árabe. Todos, exceto o homem do canto. Olhou para ele de esguelha e descobriu que continuava a observá-la. Não se mexera.
Decidida a ignorá-lo, endireitou as costas e tentou não pensar no cansaço. Fora lá para encontrar Chad e não ia desistir por causa de um empregado ou de um homem vestido de preto. Sentindo-se melhor, agarrou na fotografia de Chad com força e começou a ir de mesa em mesa, perguntando se alguém o conhecia ou se o vira recentemente. É claro, ninguém sabia de nada. O que esperava?
Estava cada vez mais desanimada e só quando parou junto de uma mesa grande cheia de homens, que jogavam bacará, é que se apercebeu de que se calaram ao vê-la chegar.
Sorriu com nervosismo e perguntou se algum deles conhecia Chad. Um deles sorriu e olhou para ela de cima a baixo. Regan sentiu vontade de se tapar, mas sabia que a roupa que usava era adequada. Umas calças de algodão, uma blusa branca e um lenço a cobrir o cabelo castanho.
Um dos homens recostou-se na cadeira e fez um comentário na língua de Santara. Os outros homens riram-se e Regan soube que, fosse o que fosse, não era agradável. Talvez estivesse noutra parte do mundo, mas certas coisas eram universais.
– Muito bem, obrigada pela vossa ajuda – agradeceu ela e olhou fixamente para eles, antes de ir para outra mesa.
Infelizmente, era a mesa dele.
Regan olhou para a mesa e para o narguilé que havia por cima dela. Depois, reparou no homem que tinha os braços cruzados por cima da barriga e no seu pescoço bronzeado e no queixo proeminente. Regan humedeceu os lábios com a ponta da língua e reparou no seu nariz aquilino e no olhar penetrante dos seus olhos azuis. E ficou paralisada como se estivesse no ponto de mira de um predador. De repente, apercebeu-se de que nunca encontrara um homem de aspeto tão perigoso. O coração acelerava com força, como se estivesse prestes a afundar-se em areias movediças.
«Foge!», pensou, mas o seu corpo não obedeceu. Não era apenas um homem de aspeto perigoso, como perigosamente atraente. Assim que pensou nisso, uma onda de calor invadiu-a por dentro.
Regan pestanejou e, antes de conseguir reagir, ele levantou-se e bloqueou-lhe a possível escapatória.
– Sente-se. – Forçou um sorriso. – Se é que sabe o que é bom para si.
O seu tom de voz era grave e poderoso e fez com que ela obedecesse, embora soubesse que era uma estupidez.
De tão perto, percebeu que ele era mais imponente do que parecia. E masculino. Parecia suficientemente forte para a agarrar com uma mão e levá-la para onde quisesse. Assustada, Regan percebeu que talvez a ideia não a aterrorizasse. De repente, tremeu.
Aquilo era uma loucura.
Pensar assim era uma loucura. Não costumava reagir daquela forma com os homens. E muito menos com aqueles que pareciam ter infringido a lei sem consequências. Em qualquer caso, o que podia acontecer num bar cheio de clientes? Clientes que continuavam a olhar para ela com curiosidade.
Impulsionada pelo desejo de se esconder daqueles olhares curiosos, obedeceu e sentou-se, agarrando a mala no colo a modo de escudo. Ele olhou para a mala como se tivesse compreendido a sua função e esboçou um pequeno sorriso.
Ao sentir-se exposta ao seu olhar, conteve-se para não se levantar e ir-se embora. Ainda que também não tivesse muitas alternativas. Não sabia para onde ir quando saísse daquele bar, exceto para o quarto de hotel e talvez de volta a Brooklyn. Derrotada. E nunca o faria.
– Gosta do que vê?
A sua voz grave era como a carícia do veludo na pele e ela apercebeu-se de que estivera a olhar fixamente para a boca dele. Assustada, apercebeu-se de que a sensação estranha que a invadia era algum tipo de atração sexual que não recordava ter sentido antes.
Corada por causa dos seus pensamentos, olhou para ele e disse:
– Fala inglês.
– Evidentemente.
O seu tom fê-la sentir-se mais estúpida do que já se sentia, portanto, fez uma careta.
– Queria dizer que fala bem.
Ele arqueou uma sobrancelha com condescendência. Regan tinha a sensação de que não gostava dela, mas como era possível se nunca o conhecera antes?
– O que está a fazer aqui, mulher americana? – perguntou, com desdém.
Não, não gostava dela. Nada mesmo.
– Como sabe que sou americana? Também é?
Esboçou um sorriso.
– Pareço-lhe americano?
Não, parecia um homem capaz de fazer com que uma freira sentisse a tentação de quebrar os seus votos. E ele sabia.
– Não. Lamento muito.
– O que está a fazer aqui?
Ela respirou fundo. Não sabia se devia mostrar-lhe a fotografia de Chad ou não.
– Estou… Estou à procura de alguém.
– De alguém?
– Do meu irmão. – Mostrou-lhe a fotografia e certificou-se de que os seus dedos não se tocavam quando ele a agarrou.
Olhou para ela nos olhos durante mais um segundo do que o necessário, como se soubesse o que ela estava a pensar.
– Alguma vez o viu?
– Talvez. Porque está à procura?
Regan olhou para ele, espantada. De repente, sentiu a esperança de ter encontrado alguém que talvez pudesse ajudá-la.
– Viu-o? Onde? Quando?
– Repito, porque está à procura?
– Porque não sei onde está. Sabe?
– Quando foi a última vez que soube alguma coisa dele?
O seu tom era cortante. Autoritário. E, de repente, sentiu-se como se fosse ele que procurava Chad em vez dela.
– Porque não responde às minhas perguntas? – perguntou ela.
– Porque não responde às minhas?
– Eu respondi. – Mexeu-se na cadeira, inquieta. – De onde conhece o meu irmão?
– Não disse que o conheço.
– Disse… Disse… – Ela abanou a cabeça. O que dissera exatamente? Tocou na cabeça, que lhe começara a doer. – Olhe, se não o conhece, diga-me. Tive um dia muito longo e estou muito cansada. Sei que não se importa, mas se souber onde está, agradeceria que me dissesse.
– Não sei onde está.
Havia algo no seu tom de voz de que não gostava, mas não conseguia saber o que era.
– Está bem…
– Quando foi a última vez que soube alguma coisa dele? – perguntou, pela segunda vez.
Regan fez uma pausa antes de responder. Não conhecia aquele homem. E ele também não a conhecia. Então, porque estava a fazer tantas perguntas?
– Porque quer saber isso? Já disse que não sabe onde está.
Ele encolheu os ombros.
– Eu não. Isso não significa que não vá ajudá-la.
Os seus olhares encontraram-se e Regan sentiu-se encurralada.
– Ajudar?
– É claro. Parece uma mulher que está prestes a ficar sem opções.
Como sabia? Aparentava estar tão desesperada como se sentia?
Ele sorriu, mas não havia carinho no seu sorriso.
– Vai negá-lo?
Regan franziu o sobrolho. Desejava negá-lo, mas não podia fazê-lo. E precisava realmente da ajuda de uma pessoa dali que conhecesse a zona. Alguém que talvez até conhecesse Chad. Embora esse homem já tivesse admitido que não o conhecia e, realmente, a fizesse sentir-se incomodada. Assim que o vira, parecera-lhe perigoso e o facto de lhe parecer muito atraente não servira para mudar a sua opinião. Embora ele nem sequer tivesse feito um gesto ameaçador.
– Obrigada na mesma, mas estou bem.
– Bem? – Ele deixou escapar uma gargalhada. – É uma mulher estrangeira num bar. Está sozinha, à noite, e numa cidade que não conhece. Como diz que está bem?
Ela fez uma careta. Não pensara noutra coisa senão em encontrar Chad, mas realmente não podia ser assim tão vulnerável, pois não? Tinha o seu frasco de gás pimenta.
– Sou de Nova Iorque. Sei o que faço.
– A sério? E qual é o seu plano? Vai de bar em bar mostrar a fotografia a qualquer pessoa com quem se cruzar? Isso é bom se, para além de procurar o seu irmão, quiser procurar um problema.
– Não estou à procura de problemas – contradisse ela.
Ele semicerrou os olhos e o preto das suas pestanas fez com que os seus olhos parecessem de um azul mais intenso. Era injusto que ela tivesse os olhos e o cabelo castanhos quando aquele homem era uma das criaturas mais belas que alguma vez vira.
– Olhe para fora. Esteve no meu país durante menos de vinte e quatro horas e não sabe nada a respeito dele. Devia alegrar-se por estar a oferecer-lhe ajuda.
Regan semicerrou os olhos com desconfiança.
– Como sabe há quanto tempo estou em Santara?
– Se a tivesse deixado sozinha um pouco mais, teria aprendido a não entrar num bar desta parte da cidade sem um acompanhante que consiga enfrentar cinquenta homens.
Regan olhou à volta e viu que o local estava mais cheio do que antes.
– Gostaria que me devolvesse a fotografia, por favor – pediu e levantou-se para se ir embora.
– Onde vai?
– Já lhe roubei tempo suficiente – disse ela. – E está a fazer-se tarde.
– Portanto, vai-se embora sem mais nem menos?
– Sim – afirmou ela, tentando mostrar valentia. – Tem algum problema com isso?
– Não sei, consegue enfrentar cinquenta homens?
Regan tremeu ao ouvir o seu tom de voz. Os seus olhares encontraram-se e a tensão sexual interpôs-se entre ambos. Mais uma vez, ele não se mexeu, mas ela tinha a sensação de que era mais ameaçador do que os cinquenta homens de que falava.
– Teremos de descobrir, não é?
Mais uma vez, os clientes do bar olharam para ela com curiosidade e Regan pôs a mão na mala para tocar no frasco de gás, antes de se virar e de se dirigir para a porta do bar como se a sua vida dependesse disso.
Ao ver que saíra de lá sem incidentes, suspirou e mexeu a mão para chamar um táxi. Surpreendentemente, o veículo parou junto da calçada.
– Olá? Está livre? – perguntou ao motorista.
– Sim, menina.
– Ainda bem. – Sentou-se no banco traseiro e disse o nome do hotel ao motorista. Quando o carro arrancou, ela percebeu que o homem vestido de preto não lhe devolvera a fotografia de Chad.
Regan olhou pela janela traseira, esperando que ele estivesse na calçada a observá-la a afastar-se, mas, é claro, não estava. Era uma tolice. A fotografia não importava. No dia seguinte, voltaria a imprimi-la.
Capítulo 2
Jag ficou à porta do quarto do hotel onde Regan James se alojava e questionou a validez dos seus atos, tal como estivera a fazer durante todo o caminho.
Depois da conversa no bar, era evidente que ela não sabia nada do seu paradeiro, nem de que a irmã dele estava com ele. No entanto, mostrara-se cautelosa quando lhe perguntara quando fora a última vez que o irmão contactara com ela e ele não sabia se era porque tinha alguma coisa para esconder ou se era devido ao seu instinto de autoproteção.
Em qualquer caso, ela era a sua única ligação com Chad James e teria muita informação relevante sobre o irmão que poderia ajudá-lo a encontrar a irmã dele.
Quando ia bater à porta, um instinto predador apoderou-se dele. Regan James fora uma revelação no bar. Não se enganara quando vira a sua fotografia pela primeira vez. Os seus olhos não eram castanhos, mas cor de canela, e o seu cabelo era de uma cor avermelhada e dourada que o fazia pensar na areia do deserto durante o pôr do sol. A sua voz também fora uma revelação: Uma mistura de ternura e sexo puro.
Era evidente que os outros homens do bar tinham pensado o mesmo, porque Jag reparara nos olhares sensuais que pousavam nela quando se mexia pelo local. Os seus movimentos elegantes chamavam a atenção e o seu sorriso era deslumbrante. Até ele ofegara assim que a vira e, quando parara junto da sua mesa e o observara, ele sentira vontade de a agarrar e de a sentar no seu colo.
Há muito tempo que não reagia com tanto desejo com uma mulher e o único motivo por que estava ali era porque não conseguira interrogá-la no bar.
De facto, algumas pessoas tinham começado a reconhecê-lo, apesar de ter cortado a barba e o bigode. Jag acariciou o queixo e reconheceu que gostava da sensação da pele sem pelos. A ideia de acariciar o decote de Regan James com a face apareceu na sua mente e fez com que ofegasse.
Jag franziu o sobrolho. Há muito tempo que as emoções não o afetavam tanto. Milena sempre o acusara de ter gelo nas veias, de ser desumano. Não era. Era tão humano como qualquer homem e a reação física que tivera ao ver Regan James demonstrava-o.
A verdade era que Jag aprendera a controlar as emoções ainda jovem e não via nada de mal nisso. Como líder, era fundamental que mantivesse a cabeça fria quando todos os outros a perdiam. Nunca permitira que um rosto bonito ou um corpo sensual interferisse nas suas decisões e nunca o permitiria.
Zangado por estar a pensar a respeito das emoções e do sexo, levantou o punho para bater à porta.
Ouviu que, de repente, o barulho da água cessava e que uma voz feminina dizia:
– Um momento.
Jag respirou fundo. Ótimo. Ela acabara de sair do duche.
Abriu-se a porta e deu por si a olhar diretamente para os olhos de Regan James. Ao fim de uns segundos, deslizou o olhar pelo seu corpo.
– O senhor!
– Eu – troçou Jaeger, tentando disfarçar o facto de o seu corpo ter reagido ao vê-la com o robe e uma toalha a cobrir-lhe a cabeça. Entrou no quarto antes de ela ter a oportunidade de reagir e de fechar a porta com força.
– Espere. Não pode entrar aqui.
Jag não se incomodou em responder. Olhou à volta e procurou pistas a respeito de onde podia estar o seu irmão.
– Ouviu-me? – Agarrou-o pelo braço para o virar e ele fê-lo, franzindo o sobrolho e muito surpreendido.
Ninguém tocava nele sem permissão. Nunca.
Olhou fixamente para ela enquanto fechava o robe com força. Esse gesto confirmou-lhe que estava nua por baixo do tecido. Desejou agarrar na roupa e retirar-lha do corpo antes de a penetrar várias vezes, até esquecer o peso do dever. Até não conseguir recordar o que era sentir-se sozinho. No entanto, ninguém podia fugir do destino e passar uma noite entre os braços daquela mulher não mudaria nada. O dever e a solidão vinham juntos. Aprendera-o ao observar o seu pai.
– Ouvi-a.
– Então, o que está a fazer aqui?
Antes de a pousar na mesa, Jag olhou para a fotografia do irmão de Regan.
– Deixou isto no bar.
Regan olhou para a fotografia.
– Bom… Obrigada por ma devolver, mas podia tê-la deixado na receção.
Ignorando-a, Jag levantou a tampa da mala de Regan e olhou para o seu conteúdo.
– Esta é toda a bagagem que tem?
Olhou para ele, atravessou o quarto e fechou a mala de repente.
– Isso não lhe diz respeito.
Jag decidiu que já passara bastante tempo a aguentar aquela mulher, portanto, lançou-lhe um olhar fulminante.
– Fiz-lhe uma pergunta.
– E eu pedi-lhe para se ir embora – indicou ela.
Jag olhou para ela por um instante.
– Não me vou embora – avisou. – Não antes de me dizer tudo o que sabe sobre o seu irmão.
– Conhece o meu irmão, não é? – Recuou. – Também sabe onde está? Mentiu-me?
– Sou eu que faço as perguntas. A menina responde – comentou, com frieza.
Ela abanou a cabeça.
– Quem é o senhor?
– Isso não tem importância.
– Tem o meu irmão? – perguntou, num tom de preocupação. – Tem, não tem?
– Se eu tivesse o seu irmão, porque haveria de estar aqui?
– Não sei. Não sei o que quer, nem porque está aqui.
Ela engoliu em seco e Jag sentiu uma certa tensão no peito ao ver que ela estava temerosa. A necessidade de a tranquilizar apanhou-o de surpresa.
Consciente de que tudo aquilo seria mais fácil se ela estivesse relaxada, tentou usar um tom conciliador.
– Não tenha medo, menina James. Só quero fazer algumas perguntas.
Ao ouvi-lo a pronunciar o seu nome, uma sensação estranha percorreu o seu corpo. Ele reparou que ela olhava de esguelha, procurando uma via de escape. Antes de conseguir pensar em como tranquilizá-la, ela correu para o telefone do hotel.
Se ele quisesse chamar a equipa de segurança, tê-lo-ia feito. Não tinha outro remédio senão pará-la, portanto, rodeou-a pelas costas e levantou-a do chão.
Ela resistiu, cravando-lhe as unhas no braço.
– Fique quieta – queixou-se Jag, quando lhe deu um pontapé na tíbia. – Bolas, não sou… – Jag deixou escapar um palavrão quando sentiu que lhe dava uma cotovelada muito perto do sexo.
Decidido a pôr fim àquela situação, virou-a e segurou-lhe as mãos atrás das costas, fazendo com que os seus corpos entrassem em contacto por completo. Durante a resistência, o robe de Regan abrira-se e a nova posição fez com que os seus seios ficassem apertados contra o peito de Jag. Ao senti-lo, Jag reagiu como um menino de quinze anos em vez de como um homem de trinta que, além disso, era rei.
Ela respirava de forma ofegante e o seu cabelo húmido rodeava o seu rosto corado. Jag ficou com falta de ar. Assim, com as faces coradas, os lábios entreabertos e a respiração entrecortada, Regan estava magnífica.
– Vou deixá-la no chão – indicou ele. – Se fugir outra vez ou for buscar a arma que tem na mala, terei de a deter. Se ficar quieta, será tudo muito mais fácil.
Para ele, pelo menos.
O seu olhar fulminante indicou-lhe que não acreditava, mas, pelo menos, parou de resistir.
Ele abanou a cabeça e soltou-a. Se voltasse a fugir, pará-la-ia novamente. Embora preferisse não ter de o fazer.
– Onde está o seu telemóvel?
Queria verificar se recebera chamadas durante o dia e continuar a investigar a partir daí. Ao ver que não respondia, olhou para ela. E, pela sua expressão, soube que não ia responder-lhe.
– Menina James, não me faça zangar fazendo com que isto seja ainda mais difícil.
– Zangá-lo! Que graça! Segue-me até ao hotel, irrompe no meu quarto e ataca-me. E é o senhor que está zangado?
– Não a ataquei – defendeu-se Jag. – Retive-a e voltarei a fazê-lo se fugir outra vez. Aviso-a.
Ela cruzou os braços e tremeu.
– O que quer?
– Não a quero – respondeu ele –, portanto, pode ficar tranquila.
Olhou para ele como se não acreditasse. Depois de como a tratara, compreendia que fosse assim. Ainda assim, era verdade. Ele preferia as mulheres sofisticadas, complacentes e dispostas. Ela não era nada dessas coisas. Então, porque o afetava dessa forma?
– Sente-se para que possamos falar do que quero. Preciso de informação sobre o seu irmão.
Ao ver que ela ficava de pé, Jag suspirou e sentou-se.
– Há uma semana, o seu irmão mandou-lhe uma mensagem. Falou com ele depois disso?
– Como sabe que me mandou uma mensagem?
– Eu faço as perguntas, menina James – recordou-lhe, com muita paciência. – A menina responde.
– Não vou dizer-lhe nada.
– Tenho de a avisar de que será melhor pensar nisso – comentou ele, com frieza. Talvez ela não soubesse, mas ele estava disposto a fazer tudo para encontrar a irmã e o facto de o irmão daquela mulher estar com ela irritava-o. Observou-o como se desejasse dar-lhe uma dentada e ele sentiu que o desejo o invadia por dentro.
– Não, não voltei a saber dele.
– O que a fez vir a Santara?
– Ele vive aqui. E, ao ver que não atendia o telefone, preocupei-me.
– Ele vivia aqui. – Não viveria lá durante muito mais tempo.
– Se se tivesse mudado, ter-me-ia avisado.
Ela abanou a cabeça.
– Vejo que estão bastante unidos.
– Muito unidos.
A convicção com que falava fez com que ele sentisse uma pressão no peito. Houvera uma época em que ele também estivera muito unido aos seus irmãos. Depois, o pai falecera num acidente de avioneta e isso tornara-o rei. A partir daí, tinham deixado de estar unidos. Não havia espaço para isso.
– O que sabe a respeito do que o seu irmão esteve a fazer ultimamente?
– Nada.
– A sério?
– Não sei nada – insistiu ela, mudando o peso de um lado para o outro e tentando conter-se para não o enfrentar.
Jag ter-se-ia surpreendido se não achasse a sua ousadia muito atraente. E excitante.
– Quero dizer, sei que desfrutava do seu trabalho, que gostava de ir ao campo aos fins de semana, que tinha acabado de comprar um forno que adorava e que tinha uma secretária nova.
– Uma secretária nova?
– Sim. Olhe, não vou responder a mais perguntas até responder às minhas. – Ao pôr as mãos nas ancas, o decote do robe abriu-se. – Porque está tão interessado no meu irmão?
Tentando não olhar para o decote, Jag tentou também controlar a sua libido.
– Ele tem uma coisa minha. – Cerrou os dentes e questionou-se como Milena estaria. Se estava bem ou se precisava dele.
– Roubou-o?
A surpresa que o seu tom de voz transmitia fez com que ele fizesse uma careta.
– Poderia dizer-se que sim.
Regan percebeu que ele ficava tenso ao responder. Mais uma vez, fê-la pensar num leão disposto a atacar. Era evidente que o que o irmão levara era importante para ele. E isso explicava o seu interesse por Chad. No entanto, embora Chad tivesse passado uma má época depois da morte dos pais, não era uma má pessoa. Era inteligente, muito mais do que ela, e fora por isso que sempre tentara certificar-se de que ele acabava os estudos em Inteligência Artificial, na universidade, com boas notas. Um sucesso que o levara até àquele país belo e indómito.
Um lugar muito parecido com o estranho que ela tinha à sua frente e que a deixava com falta de ar cada vez que pousava o olhar dos seus olhos azuis nela. Era possível que fosse o que mais odiava, a forma como o seu corpo reagia a apenas um dos seus olhares.
Estava a observá-la e ela teve de se esforçar para ignorar as sensações que experimentava. Se ele não lhe tivesse tocado, se não a tivesse agarrado e apertado contra o seu corpo, teria sido mais simples.
Regan sentiu que os mamilos endureciam ao recordar como lhe tocara com o braço. Era como uma rocha e ela estava sozinha com ele num quarto de hotel.
– Não foi o Chad – comentou ela, com fúria.
– Foi ele, sim.
– O meu irmão não é um ladrão – contradisse, com convicção. – Está enganado.
– No meu trabalho, não posso dar-me ao luxo de cometer erros. Na verdade, tenho de voltar. Onde está o seu telemóvel?
– Para que quer o meu telemóvel?
Ele semicerrou os olhos de tal forma que as pestanas escuras esconderam quase por completo a sua cor azul.
– Já me entretive o suficiente, menina James. Onde está?
Levantou-se do sofá e ela recuou.
– Primeiro, diga-me quem é. Deve-me uma resposta, pelo menos, por me ter assustado.
– Não lhe devo nada. – Olhou para ela de cima a baixo. – Sou o rei de Santara, o xeque Jaeger Salim al-Hadrid.
– O rei? – Regan cobriu a boca com a mão e conteve um risinho. A julgar pela roupa que usava, parecia mais um mercenário do que um rei. Tinham-no contratado para matar Chad? Pensava que o levaria até ao seu irmão? – Duvido. Quem é realmente?
Imediatamente, apercebeu-se de que se enganara ao rir-se daquele homem. Fulminou-a com o olhar, deu um passo para ela e disse, com frieza:
– Sou o rei.
– Está bem, está bem… – Regan esticou a mão para o deter. – Acredito. – Estava a mentir, mas ele não tinha de saber. Precisava que se fosse embora o quanto antes.
Tentou não pensar na simetria perfeita do seu rosto e em concentrar-se em sobreviver. Era evidente que era um louco ou um assassino e ela estava sozinha com ele no quarto.
O medo apoderou-se dela. Tentou recordar que todos consideravam que ela tinha um dom para a comunicação, mas ele não era uma criança de sete anos que tinha um telemóvel escondido por baixo da secretária.
– Acha que estou a mentir? – perguntou ele.
– Não, não. – Regan tentou tranquilizá-lo, mas ele deu uma gargalhada.
– Incrível…
Ele abanou a cabeça e Regan avaliou rapidamente a distância que havia até à porta.
– Demasiado longe – murmurou ele, como se lhe tivesse lido a mente. Provavelmente, não fora muito difícil, visto que ela estava a olhar para a porta como se desejasse que se abrisse sozinha.
– Olhe…
Ele aproximou-se dela tão depressa que Regan não conseguiu continuar a frase.
– Não há mais perguntas. Não há mais jogos. Dê-me o seu telemóvel ou terei de procurar por todo o lado até o encontrar.
– Está na casa de banho.
Ele semicerrou os olhos.
– Ia tomar banho quando apareceu – explicou ela. – Eu gosto de pôr música enquanto tomo banho.
– Vá buscá-lo.
Regan quase lhe disse para pedir por favor, mas decidiu que o melhor que podia fazer era estar calada. Quanto mais depressa encontrasse o que procurava, mais depressa se iria embora.
Dirigiu-se para a casa banho e parou ao ver que ele a seguia. Olhou para ele através do espelho e os seus olhares encontraram-se por uns instantes. Não pôde evitar que uma onda de excitação a invadisse por dentro. Envergonhada, baixou o olhar e agarrou no telemóvel. Deu-lho e cruzou os braços a modo de proteção.
– Palavra-passe?
Ela sentiu o calor do seu corpo e desejou que ele se retirasse para trás.
– Trudyjack – disse ela.
– Os nomes dos seus pais? – Olhou para ela, surpreendido. – Podia ter usado ABC.
Regan olhou para ele, espantada. Como sabia que eram os nomes dos seus pais? Como sabia tanto a respeito dela?
– Quem é? – sussurrou ela, assustada.
– Já lhe disse. Sou o rei de Santara. Descobri tudo a seu respeito pouco depois de aterrar no meu país.
Regan engoliu em seco e apoiou-se no lavatório. Seria mesmo quem dizia que era? Não parecia possível, no entanto, tinha uma aura de poder e autoridade inconfundível. Embora ela pensasse que os assassinos também.
Observou-o enquanto ele olhava para a lista de contactos e de mensagens de correio eletrónico.
– O telemóvel do Chad está desligado – informou ela, incapaz de manter o voto de silêncio que fizera há instantes. Não conseguia evitá-lo. Nunca soubera estar em silêncio. – Sei porque tento falar com ele todos os dias.
– Não tem o telemóvel com ele.
– Então, o que procura no meu telemóvel?
– Um número pré-pago. Um endereço de correio eletrónico de um remetente desconhecido.
– Como sabe que não tem o telemóvel com ele?
Ignorando a pergunta, ele continuou:
– Tem outro telemóvel?
Regan franziu o sobrolho. Porque é que Chad não levara o telemóvel? Era como parte da sua pessoa.
– Não, mas se tivesse, não lhe diria.
Olhou fixamente para ela e ela sentiu um calor forte na barriga.
– Gosta de me provocar, não é verdade, menina James?
Regan sentiu que o coração acelerava. Não, não gostava de o provocar. Nada.
Olhou para ela e guardou o telemóvel no bolso. Desejava dizer-lhe que não podia ficar com ele, mas, àquelas alturas, a única coisa que queria era que se fosse embora.
– Satisfeito? – perguntou Regan.
– Nem por isso. – Olhou par ela de cima a baixo e ela recordou que estava nua por baixo do robe.
O quarto parecia muito mais pequeno e o ambiente tornou-se muito mais tenso, fazendo com que fosse impossível respirar. Aquele homem afetava diretamente o seu sistema. Não havia dúvida.
– Porque decidiu entrar num avião e vir até aqui depois da mensagem?
– Eu… – Regan engoliu em seco. – Estava preocupada. Não é normal que o Chad não esteja localizável.
– Portanto, veio até aqui pensando que podia ter algum problema? Dá sempre prioridade ao seu irmão ou gosta de se sentir indispensável?
As suas palavras feriram o orgulho de Regan, porque havia um pouco de verdade nelas. Transformar-se na tutora de Chad e perder-se no papel ajudara-a a preencher um vazio na sua vida e a superar a dor da perda dos seus pais.
– Não me conhece – disse, corada.
– Nem quero. Vista-se! – ordenou, antes de sair da casa de banho.
Regan respirou fundo para tentar acalmar-se. Aproximou-se da porta e viu que ele estava a examinar as fotografias da sua máquina fotográfica. Imediatamente, sentiu pânico.
– Eh, não toque nisso. É velha e não poderei comprar outra.
Aproximou-se para recuperar a máquina fotográfica, mas ele segurou-a ao alto.
– Não vou estragá-la – redarguiu. – Não a menos que me continue a tentar tirar-ma.
Regan pôs as mãos nas ancas.
– Não importa quem é, não tem o direito de examinar as minhas coisas.
Olhou para ela com desprezo, indicando que tinha todo o direito do mundo e que, se não, pouco importava, porque não havia nada que ela pudesse fazer.
– Vou fazer o possível para recuperar a minha irmã, menina James. Será melhor começar a habituar-se.
A irmã?
Regan franziu o sobrolho.
– O que é que a sua irmã tem a ver com tudo isto?
Observou-a. O azul dos seus olhos era tão claro e frio que parecia que ela estava a observar um glaciar.
– O seu irmão tem a minha irmã. E, agora, eu tenho a dele.
– Isso é uma loucura.
– Por uma vez, estamos de acordo.
– Não, quero dizer, o senhor está louco. O meu irmão não está com a sua irmã. Sei que me teria dito.
– A sério?
– Têm uma relação ou algo assim? – Sempre tinham partilhado tudo no passado e, se lho escondera…
– Será melhor que não. Agora, mexa-se. A minha paciência está a esgotar-se. Preciso de regressar ao palácio.
Um momento? Era mesmo o rei de Santara?
– Eu… Eu não vou a lado nenhum consigo.
– Se insistir em ir como está, não vou detê-la, mas garanto-lhe que receberá mais olhares do que antes, quando estava com as calças de ganga justas e uma blusa.
– A minha roupa era perfeitamente adequada, obrigada.
– Tem cinco minutos.
– Não vou consigo.
– É uma escolha sua, é claro, mas a alternativa é ficar neste quarto até o seu irmão regressar.
Regan franziu o sobrolho.
– Aqui fechada?
– Não posso permitir que o desaparecimento da minha irmã se torne público. Se andar por aí sozinha e a fazer perguntas, só conseguirá chamar a atenção e meter-se em confusões.
– Não vou dizer nada, prometo!
Regan sabia que parecia desesperada e estava. A ideia de estar fechada num quarto de hotel durante um tempo incerto não era aceitável. Se o que aquele homem dizia era verdade, ela queria ter liberdade para poder encontrar Chad e descobrir o que estava a acontecer. Preferivelmente, antes de aquele homem o encontrar.
Ele abanou a cabeça.
– Tome uma decisão. Não tenho toda a noite.
– Não tenciono ficar aqui!
– Então, vista-se.
Regan sentia que a cabeça dava voltas. Para além da falta de sono, a situação avançava demasiado depressa.
– Preciso de mais tempo para pensar nisto.
– Dei-lhe cinco minutos. Restam quatro.
– Acho que nunca tinha conhecido um homem tão arrogante como o senhor. De facto, sei que não.
Ele cruzou os braços e observou-a.
– Vão desligar o seu telefone e haverá guardas à porta do seu quarto. Aconselho-a que não tente sair.
– E como sei que é quem diz que é? – quis saber ela. – Podia ser um impostor. Um assassino. Estaria louca se fosse consigo.
– Não sou um assassino.
– Não sei!
– Vista-se e poderei demonstrar-lhe.
– Como?
Ele suspirou.
– Pode perguntar a qualquer empregado do hotel. Eles saberão quem sou.
Pela primeira vez desde que ele entrara no quarto, Regan viu uma possível saída. Se a levasse para o andar de baixo, poderia alertar alguém do que estava a acontecer.
– Está bem, só… – Agarrou numas calças limpas e numa camisola de manga comprida. – Dê-me um minuto.
Dirigiu-se para a casa de banho e, quando saiu, encontrou-o a olhar para o relógio.
– Um minuto mais cedo. Estou impressionado.
«Cretino arrogante», pensou ela.
Regan agarrou na mala e saiu à frente dele. Esperou que ele chamasse o elevador.
– Se realmente é um rei, onde estão os seus guardas?
– Não costumo levá-los comigo para tratar de assuntos extraoficiais. Posso tratar de mim próprio.
– E como é que ninguém no shisha bar conhecia a sua identidade? Se realmente é o rei, imagino que lhe tivessem feito reverências.
Ele sorriu.
– Percebi que as pessoas não se apercebem do que não esperam.
Regan arqueou uma sobrancelha. Não podia discutir. Parecera-lhe um homem perigoso, mas não imaginara que apareceria à sua porta a acusar o seu irmão. Também não esperava que ele lhe dissesse que era o rei. Embora ainda não tivesse confirmado se era verdade ou não.
– Como está a dor de cabeça? – perguntou ele. – Não se incomode em negá-lo. Está tão pálida que parece que vai desmaiar.
– A minha cabeça está bem. – Não tencionava admitir que tinha razão. Não sabia o que ele podia fazer com essa informação.
Quando chegaram ao andar de baixo, Regan ficou mais nervosa e olhou à sua volta. Ao ver que o vestíbulo estava quase vazio, dececionou-se. Antes de conseguir avançar, agarrou-a pelo braço e levou-a até à receção.
O sorriso do jovem que os atendeu mostrava nervosismo.
– Ah, Alteza, é uma honra para nós. – O homem fez uma reverência para a secretária.
Depois, disse alguma coisa na língua de Santara e a colega respondeu. O homem ficou com os olhos bem abertos.
– Mas… – comentou, com um ar de pânico. – Menina James, este senhor é sua Alteza, o rei de Santara.
– E como é que eu sei que isto não estava preparado? – quis saber ela, com desdém. – A opinião de um homem não diz muito. – Regan virou-se para o homem e disse: – De facto, queria informar que…
Não pôde dizer mais nada porque o estranho que estava ao seu lado resmungou alguma coisa e levou-a até uma sala onde uma pianista tocava um tema melancólico. Através de uma janela, Regan viu uma sala cheia de gente.
Pararam à entrada e ficaram de pé até a sala ficar em silêncio e as pessoas se virarem para olhar para eles. Ao vê-los, metade dos presentes levantou-se e fez uma reverência ao homem que ainda a agarrava pelo braço.
Regan abanou a cabeça, como se resistisse a acreditar que era realmente o rei de Santara. Se efetivamente o era, então, era possível que o irmão estivesse com a irmã dele, a princesa Mena, a nova investigadora-adjunta.
Claramente preocupado com a hipótese de ela fazer alguma tolice, o rei rodeou-a pela cintura e apertou-a contra o seu corpo. Regan pôs a mão no seu peito para evitar que os seus corpos se tocassem demasiado. Conseguia sentir o batimento do coração de Jag e só conseguia concentrar-se no azul dos seus olhos à luz ténue. O tempo pareceu parar enquanto ele a observava com tanto ardor que fez com que Regan mal conseguisse pensar. Não importava quem eram. A única coisa que importava era que ele a beijasse para acalmar a dor que estava a forjar-se no seu interior.
Pigarreou e pousou o olhar nos lábios de Regan. Durante um instante, pensou que ia beijá-la.
Então, observou-a fixamente e segurou-a com mais força.
– Satisfeita? – murmurou ele.
Regan abanou a cabeça e sentiu que cambaleava, apesar de ele a agarrar. Ouviu a palavra ao longe, como se avançasse por um túnel escuro, e fez algo que nunca fizera. Desmaiou.
Ücretsiz ön izlemeyi tamamladınız.