Kitabı oku: «Canções De Natal Em Old América»

Yazı tipi:

Patrizia Barrera

UUID: e9f0c580-ecbe-45e2-9ffc-09f9aaace433

This ebook was created with StreetLib Write

https://writeapp.io

Índice

  PREFÁCIO

  AS ORIGENS DO NATAL

  ROCKING AROUND THE CHRISTMAS TREE Um Natal… moderno!

  RUDOLPH, A RENA COM O NARIZ VERMELHO Louvor da Diversidade

  FROSTY THE SNOWMAN Uma fábula para crianças

  WINTER WONDERLAND Um Natal com tanta neve

  WHITE CHRISTMAS Um olhar ao Paraíso

  JINGLE BELLS Uma canção Francesa

  LET IT SNOW! Sexo no Natal

  JINGLE BELL ROCK A verdadeira história

  THE LITTLE DRUMMER BOY Louvor da Irmã Pobreza

  BLUE CHRISTMAS Um Natal Triste

  SLEIGH RIDE Uma canção Recordista!

  I'LL BE HOME FOR CHRISTMAS Guerra e Esperança

  I SAW MOMMY KISSING SANTACLAUS Uma canção escandalosa!

  THE CHRISTMAS SONG Natal no verão

  AMAZING GRACE Tocado pela Graça.

  MERRY CHRISTMAS, DARLING. Uma linda história de Amor

  SANTA BABY Um peluche em baixo da árvore

  I HEARD THE BELLS ON CHRISTMAS DAY Paz aos Homens de boa vontade

  AGRADECIMENTOS

  Bibliografia do autor

PREFÁCIO


Um Especial abrigado a todos Vocês, Caros amigos! Diverti-me muito escrevendo este livro. Sobretudo nas minhas pesquisas esbarrei-me com várias notícias interessantes que me satisfaz passar também para Vocês. Neste pequeno volume encontrarão a magia do Natal da Old América clarificada e difundida através das suas canções, naquele período prolífico e maravilhoso que foi a trintena 1930/1960. É claro que a Tradição Americana é muito mais articulada: os cantos natalícios ou Carols por assim dizer constituíram um movimento importante para a música daquela época e os trechos que têm a ver com as santas festividades são vastíssimas.Todavia não era minha intenção criar uma antologia específica das canções, se bem que acompanhar-vos pela mão à sugestão dos anos mágicos mostrando-vos o que muitas vezes esconde-se atrás das canções de Natal, os protagonistas, os factos e as anedotas agradáveis sobre as quais muitas vezes omitem-se ou que não saltam por acaso às honras da crónica. Será como recuar no tempo e reviver aquelas atmosferas ocultadas da alegria e da pureza da criança que se esconde em cada um de nós. Este é o primeiro volume. Muito provavelmente seguirá um segundo sobre aquelas canções antigas que ampliarão a visão de quem, como eu, está apaixonado pela Velha América. Por enquanto não posso que agradecer antecipadamente a todos os meus Leitores e desejar a todos um… Bom Natal!

Direito Autoral

D ireito Autoral Patrizia Barrera 2021

Todos os direitos reservados

Tradução italiana Português ibérico

de ADERITO FRANCISCO HUO

É uma produção RHA


RHA PRODUCTION

AS ORIGENS DO NATAL


erão dificuldades em acreditar nisto mas na verdade o Natal é… uma festa pagã. Ou seja, para dizer a verdade, uma festa reservada aos bruxos e às bruxas que ousavam dançar em volta de uma árvore ou muito mais provavelmente em volta de círculos de pedra no dia solstício de inverno, quer dizer o 22 de Dezembro. Era uma celebração orgíaca, com danças, erva e sexo, conveniente para ganhar o favor dos Deuses na época de inverno, que nos tempos antigos criava mesmo medo.

A origem? Alguns dizem que surgisse da cultura Druidica e que as suas raízes fossem Célticas. Se alguém de vocês leu por acaso aquelas bandas desenhadas de Asterix e Obelix pode, de forma satisfatória, ter uma ideia embora a tradição exotérica que acompanhava estes povos era de longe mais complexa. O período vai a partir do século IV até ao século III A.C. e a localidade, as Ilhas Britânicas mas com largas expansões mesmo na Itália, na península Ibérica e na Suécia. Nós as conhecemos como BRITANNI e provavelmente o que nos estimula do seu passado é o mistério de Stonehenge, mais que as suas tradições religiosas. Contudo deste povo extinto provém toda a magia e a sugestão do Natal, a mesma que respiramos ainda hoje.

Os Romanos, que derrotaram e colonizaram os Celtas em várias retomadas assimilaram usos e costumes, e foi desta forma que a festa do solstício de inverno tornou-se tradição do Império. Na verdade a celebração do solstício de inverno está presente um pouco em todas as culturas: nos tempos lá idos os ciclos naturais eram bem observados e o facto que o dia mais curto, e portanto o “aparente” abandono do sol, caísse por volta de 21 de Dezembro representava um facto conhecido mas não por isso considerado “automático”. O sol era um Deus distribuidor de vida; e como todos os deuses sujeitos ao descomedido, rancores e actos violentos. Era preciso cair na sua graça para que continuasse a oferecer ao homem o seu calor. Os dias imediatamente sucessivos ao 21 de Dezembro eram portanto vividos pelos primitivos com terror e medo, sobretudo quando a luz inevitavelmente tornava-se mais fraca e as noites mais longas. A certeza que o sol tivesse voltado e que um novo ano se abrisse para a humanidade tinha-se apenas o 25 de Dezembro, dia em que por diversas leis astronómicas que não vou tratar aqui, o sol parece “renascer” poderoso e vitorioso.

Em palavras pobres que tenha tido um novo “Natal”. Esta simples interpretação pode talvés esclarecer o sucesso das festas ligadas ao solstício de inverno que encontramos em muitíssimas culturas espalhadas em todo o mundo.

Quando os Romanos “reciclaram” as danças pagãs tinham em prática descoberto a água quente. E depois deles o fizeram os Cristãos que, unindo às danças pagãs a uns feitiços representativos da Divindade do Cristo e a virgindade de Maria, na prática relacionavam-se a mitos e usos muito mais antigos. A nossa senhora com a criança, efectivamente, não é património Cristão.

No Egipto, por exemplo, precisamente a 2000 anos antes do nascimento de Jesus o Deus Horus (o Sol) estava figurado como uma criança nos braços da deusa Iside

(a Lua) que era a mãe e irmã. Antes ainda na Pérsia o mito do deus Mitra deveria suscitar uma reflexão: parece que tivesse sido gerado por uma virgem, que tivesse doze discípulos e sobretudo que viesse definido “O SALVADOR”! O Deus Sol da Babilónia TAMMUZ não é menos surpreendente: ele também figurado no braço da Deusa mãe ISHTAR tinha uma auréola formada por doze estrelas, que representavam os 12 sinais zodíacos. (12 como os discípulos de Cristo, não acham?) Parece que mesmo ele morreu e depois ressuscitou depois de 3 dias… e isto a 3000 A.C.

Abstenho-me sobre os truculentos ritos de Dionísio, onde o Deus criança vinha feito literalmente em pedaços por mulheres endoidecidas, para depois renascer mais lindo e forte que antes; e menciono apenas um Deus Sol em yucatan, também este gerado pela virgem CHRIBIRIAS. Mas saliento que os ritos que acompanhavam o solstício de inverno não diziam respeito apenas a este hemisfério, todavia também o outro, visto que até os Inca celebravam o Deus Sol WIRACOCHA na estação invertida isto é no dia 24 de Junho!


FOTO 1) Eis a extraordinária união entre a deusa Isis e a Virgem Cristã. As semelhanças dissipam-se: o que cai sobre é a centralidade das suas figuras na religião pagã e depois cristã. Ambas eram consideradas mortais, virgens e relacionadas à figura do “Salvador”, Hprus por Iside e Cristo por Maria, que a iconografia clássica reassume como a criança que asseguram no braço e que ambas aleitam.

As pessoas em toda a parte são as mesmas, pois. E todo o mundo festeja alegremente um Natal rico em danças e cantos entre um amplexo e uma bebida, até quando não chegou o Cristianismo para quebrar os ovos no cesto. Claramente começou-se a proibir o sexo e a doçura da festa, que não correspondia com a imagem da pureza de Maria; seguidamente passou-se á dança, julgada “dom do demónio”. E para concluir pensou-se em substituir os cantos pagãos, que aclamavam ainda às estranhas divindades do passado confundindo-as com aquelas cristãs.

O primeiro a fornecer um texto original foi o Bispo Romano, em 129 d.C. o qual obrigou os fiéis a cantar um HINO DOS ANJOS no Natal; para não mostrar-se inferior à Igreja ortodoxa, na pessoa de um certo Comas de Jerusalém, produziu um HINO À DIVINDADE em 720 d.C. Depois de escrever textos religiosos para cantar no Natal tornou-se uma verdadeira profissão reservada aos Frades. É do século IV a iniciativa de contrastar as ainda numerosas celebrações do solstício de inverno fixando a data do nascimento de Jesus no dia 25 de Dezembro. Na verdade nenhum dos Evangelhos faz referência a um momento preciso, quando se fala da natividade. Jesus nasce e basta. Os teólogos tomaram como motivo o facto do censo omitindo o facto que os Romanos tinham uma verdadeira paixão pela “conta” dos próprios súbditos, que amavam portanto submeter ao censo muitas vezes mesmo por motivos de planificação e de controlo. Substituir os festejos pagãos com o nascimento do Nosso Senhor foi pois um genial golpe de mestria.

Todavia o povo não apreciou de imediato a mudança: a vida era bastante curta e dura para deixar subtrair um dos poucos momentos de desenfreamento do ano. Condenados ao jejum e à morigeração dos costumes os novos Cristãos tinham-se refugiados nos cantos populares os quais, tendo o mérito de serem cantados na língua nativa, eram facilmente compreensíveis para todos. A igreja na verdade obrigava a plebe para aprender à memória Hinos em latim, e as celebrações eram conduzidas entre um povo triste e ponderado que se esforçava para mastigar as palavras das quais não compreendia o sentido.

Muitos Bispos Paleo/Antigos – Cristãos opuseram-se a este estado das coisas, como por exemplo S. Ambrogio que precisamente adaptou o texto VENI REDEMPTOR GENTIUM às músicas populares de origem pagã de forma que o povo, mesmo não conhecendo o texto, pudesse pelo menos cantarolar a seu modo a canção. Mas foram casos isolados. Entre anátemas e ameaças de excomunhão a Igreja Católica conseguiu compor uma verdadeira antologia musical que se impôs ao povo e que conseguiu arrastar até á Idade Media. E não certamente entre a satisfação geral. Nos primórdios de 1200 a gente tinha perdido a vontade de festejar o Natal, e o nascimento do Nosso Senhor passava apática dentro de famílias amuadas, cuja única transgressão consistia finalmente em poder comer um pedaço de carne, depois do longo jejum do Advento. Pois apercebeu-se que um dos Santos mais atentos e reformador do Catolicismo, Santo Francisco de Assis, que pensou em exumar a defunta alegria para reaproximar o povinho ao Céu.


FOTO 2. Frequentemente Francisco participava nas representações teatrais do Natal, colocando à noite profunda na criança acabada de nascer sobre uma manjedoura e celebrando ao mesmo tempo a Santa Missa. De tal forma que o pobrezinho ignorante vinha informado sobre os mistérios do Nascimento de Jesus e da Virgindade de Maria de forma simples e eficaz.

Compreendendo as dificuldades dos pobrezinhos, ele criou uma espécie de celebração viva do nascimento de Jesus, contado de Cabana e tais protagonistas, diferentemente daquilo que se crê, não estavam ali imóveis a deixar-se admirar porém cantavam as estrofes tradicionais jamais declinadas com o acompanhamento de gaitas e flautas pastoris, narrando sem delongas a história da natividade. Tratava-se de uma semana completa de preparação ao Natal com jogos e competições, mas também concursos de distinção para o apetrechamento anual do melhor presépio. Tudo culminava no dia 25 de Dezembro quando se abriam também divertidas danças seja ao ar livre como quando, se o tempo não era propício, na igreja demonstrando a falsidade da crença que as danças em honra do nosso Senhor fossem pecaminosas. É preciso dizer que a igreja não aceitou num primeiro impacto esta inovação mas a fama de santidade de Francisco era tão pura e incontaminada que o Papa deixou efectuar, também o divertido hábito já tinha desembarcada na França, Espanha e Alemanha e tanto fazia aquela publicidade ao Cristianismo que proibi-la teria sido certamente arranjar lenha para se queimar.


FOTO 3. Um dos hábitos mais difundidos na Idade Media Inglesa era festejar o Natal com grandes banquetes onde o prato principal era o pavão vivo. A lindíssima ave vinha preventivamente degolada e esfolada com cuidado, de forma para não desfazer a plumagem, depois vinha recheada com ovos e especiarias e assado. Por fim vinha “revestido” pela sua pele e ornado de ouro. Chegados na América nos Frades peregrinos substituíram quase logo a seguir o pavão pelo peru, que tornou-se o símbolo gastronómico do Natal Americano.

Assim, ao lado dos Hinos da igreja rigorosamente em latim, na Europa começou-se a festejar o Natal com canções vulgarmente, cada vez mais cuidadas e complexas, que vinham depois levadas por aí por menestréis e pastores que as ensinavam ao povo. É francês o termo CAROL, que indica precisamente o canto profano relacionado ao Natal muitas vezes acompanhado por danças e festas. Não temos nada escrito sobre os primeiros cantos populares da remota Idade Media, pois que as carols difundiam-se oralmente e os doutos não as transcreviam de algum modo.

A mais antiga que se recorda vem da Inglaterra, é datada em 1470 e é a primeiríssima versão de I SAW THREE SHIPS. Devo dizer que a Inglaterra foi líder no sector das canções de Natal, com um povo entusiasta e bem organizado que produziu os primeiros cantores solistas, chamados WAITS (isto é aqueles que esperam). E esperam todo o ano já que, acompanhantes de músicos consagrados, andavam por aí, por vários povoados levando a música do Natal e vivendo de esmolas. Tratava-se dos primeiros Artistas de Rua que a tradição recorda e, quando chegavam, traziam alegria juntamente com as Boas Novas. Com o Natal à espreita voltavam para o povoado de origem, onde notáveis dos povoados os acompanhavam cantando em público com eles.

Eis então que os WAITS tornaram-se waitnight na medida em que, trajando roupas dos pastores, estavam fora a cantar toda a noite observando as estrelas, recordando uns primeiros pastores que enchiam a cabana de Jesus. Um hábito certamente não salubre e vista a rigidez do clima, que provavelmente estimulou a criação dos primeiros presépios de madeira à volta dos quais se reuniam todas as famílias na véspera da noite de natal ou até toda a população de uma aldeia, quando eles vinham realizados à grandeza natural. Encontrava-se para estes “presépios gigantes” um grande estábulo e aqui num único golpe preservava a saúde física e aquela espiritual. A tradição intensificou-se ao ponto que as Igrejas da Europa apetrecharam-se, permitindo ao povo de festejar o Natal mesmo com as próprias canções. Houve pois um período em que, mesmo continuando a dizer missa em latim, aos coros canónicos foram acrescidos aqueles populares os tais, narrando vulgarmente o nascimento de Jesus, não eram mais pecaminosos. Um povo feliz enchia portanto as Igrejas que, sendo preciso, resplandecia de milhares de velas: ou melhor, duplamente feliz, visto que os círios, realizados em sebo de animal, uma vez apagados vinham oferecidos às centenas de fiéis ávidos que… as consumia logo depois da função! Eh sim, a vida era dura na Idade Media!

Os tempos para a satisfação de Natal foram seja como for breves: Santa Inquisição na Espanha e na Itália foi severa com os cantos e danças que, vindo do demónio como tentação para a carne, foram novamente proibidos e combatidos. A Alemanha e a Inglaterra, abraçando a nova vaga do Protestantismo, fizeram cair as populações na austeridade mais profunda. Até a Catolicíssima França, enfim oprimida por reinantes de origem Espanhola que precipitavam-se ali para casamentos políticos armados de crucifixos e rosários, perdida a sua natureza dançarina. Em toda esta obscuridade o povo não esqueceu as canções de Natal, que vinham pelo contrário cantadas em privado, como forma de pretexto sobretudo na Inglaterra, apesar do CROWMELL e as suas rígidas leis Puritanas tivessem levado a austeridade até nas colónias Americanas.

Em 1730 é denunciado um escândalo pelo Rev. Mather o qual queixou-se de um “deplorável hábito” em Massachussetts Bay Colony onde, na noite de Natal, a gente “jogava cartas, passava o tempo fazendo borga na mesa e entoavam “vulgaríssimos cantos sobre o nascimento de Jesus!” Uma moda que afirmou-se cada vez mais e que, como em toda tradição que se respeita, tem os seus heróis nas pessoas umas centenas de menestréis que, nas barbas das leis inglesas, tinham coleccionado todas as canções populares sobre o Natal da pátria amada antes de desembarcar no novo continente e difundir o verbo! O hábito dos WAITS foi portanto não apenas revista mas pelo contrário melhor estruturada, com verdadeiras encenações teatrais que, no vaivém entre Inglaterra e América, voltou ao ponto de partida. Antes, a maior parte das velhas canções de Natal que ainda hoje, tipo Stille Nacht o What a Child is This? Foram escritas na segunda metade de 1700.

Nivelado o caminho, as grandes Potências adequam-se: em 1822 o deputado e histórico DAVIES GIBERT, publica uma antologia de Antigos Cantos Natalícios, seguindo a rota WILLIAM SANDYS, que publicita algumas canções históricas, como THE FIRST NOWELL o HARK the HERALD ANGELS SING. O golpe final foi dado depois em... época Vitoriana quando a puritaníssima Rainha que cobria por pudor as pernas das mesas com um saiote o teutónico e prestante Príncipe Albert.

Este era um cultor da Velha Música de Natal e dedicou-se para reorganizar as festividades desatando do nó da “celebração fúnebre” e devolver a elas o antigo fulgor. Nasceu daí um Natal em perfeito estilo laico que espalhou a mancha de óleo em todo o mundo, onde a gente não esperava outra coisa. Desde então ao lado dos Presépios e das árvores embelezadas para a Festa, as canções enriqueceram-se de novos simbolismos que marcam a mudança dos tempos. Entram em cena a neve, o visco, as renas e Santa Clausche, alcançado de mãos-cheias pelas tradições de Países únicos muitas vezes pouco conhecidos, tornam-se Património Público pelo menos no Natal.

A vaga das canções Natalícias tornou-se depois um verdadeiro business para o cinema, casas discográficas e televisões. Milhares de autores enriqueceram-se produzindo verdadeiros sucessos que nos fazem ainda chorar e sonhar, como WHITE CHRISTIMAS SONG.

Depois, como toda coisa, o movimento esgotou-se e o mercado mudou. Hoje tudo isto que ouvimos do Natal são simples reelaborações de canções do passado, e aquele pouco de novo que existe não faz história. As tradições enterram-se, as festividades reduzem-se a um árido comércio e a gente parece ter perdido também a vontade de cantar.

Por quê? Onde foi parar o Espírito do Natal? Quiçá, talvés perdemo-lo?

ROCKING AROUND THE CHRISTMAS TREE
Um Natal… moderno!


Começamos a nossa vista panorâmica sobre as canções mais belas dedicadas ao Natal com um trecho e com a melodia cativante, uma letra ligeira e um nome genialmente importante: Johnny Marks, um dos poucos compositores de canções Natalícias entrado directamente na Songwriters Hall of Fame.

Entre os anos ’30 e nos primórdios dos anos ’60 compor canções sobre o Natal era pouco mais menos uma profissão. Alguns autores especializavam-se neste ramo que, particularmente com a chegada da televisão, era muito seguido, publicitado e amado. Todos os anos dezenas de autores... Natalícios propunham às casas discográficas as próprias obras. Conseguir depois fazê-las gravar pelos cantores mais na moda era garantia de sucesso. A América, seja católica como protestante, sempre amou o Natal. Bing Crosby, que de canções gravou realmente tantas, tornou-se o preferido do público com White Christmas e graças à popular canção levantou voo no firmamento das stars. Entre os anos ’30 e nos primórdios dos anos ’40, época do swing, do jazz e do rock’ n roll ainda bebé, as canções sobre o Natal tinham um cunho espumoso, alegre e das sugestões dancing. Foi apenas de seguida, nos anos ’50, que assumiram uma coloração mais melódica e sugestiva, adequada a uma sociedade sonhadora perfeitíssima por isso o reviver dos bons sentimentos caracterizava um certo tipo de família tradicional. Todavia Rocking around the Christmas tree trouxe uma lufada de alegria e dinamismo, mesmo mantendo o chamamento à harmonia do lar doméstico muito caro à população Americana.

Eis a letra da canção.

Rocking around the Christmas tree

At the Christmas party hop

Mistletoe hung where you can see

Every couple tries to stop

Rocking around the Christmas tree,

Let the Christmas spirit ring

Later we’ll have some pumpkin pie

And we’ll do some caroling.

You will get a sentimental

Feeling when you hear

Voices singing let’s be jolly,

Deck the halls with boughs of holly

Rocking around the Christmas tree,

Have a happy holiday

Everyone dancing merrily

In the new old-fashioned way


FOTO 4. Eis a capa original do disco de 1958, com uma infantil e sorridente Brenda Lee. O disco, produto da Decca, teve um discreto sucesso. A cantora, na altura com treze anos, colocava-se na esteira do recem-nascido rock’n roll piscando todavia o olho à tradição do Natal na família. Permanecido a única intérprete do trecho durante 30 anos, a Lee foi retirada do pódio pela versão Kim Wilde/Mel Smith de 1987, que se posicionou no terceiro lugar nas Hit Inglesas do ano. Outra vez presente no imaginário colectivo a versão rock da então pudica Miley Cyrus, que em 2006 capturou a atenção de milhões de ouvintes.

E aqui está a tradução em italiano

Dançando em volta da árvore de Natal

Nas festas natalícias

O visco está pendurado ali onde vês,

cada casal procura beijar-se lá em baixo

dançando em volta da árvore.

Deixemos que o espírito do Natal se erga,

mais tarde comeremos um pouco de bolo de abóbora

e cantaremos uma certa ária de Natal.

E comover-te-á

Quando ouvires o coro a cantar “fiquem alegres!”

Daremos alegria as salas com a visqueira

E dançaremos em volta da árvore cantando

“Boas festas”!

E todos cantam felizes

Naquela forma antiga,

que é sempre novo!

Como podem ver uma letra que à primeira vista parece ligeira mas que apresenta umas partes interessantes. O termo rocking (dançando) introduz a novidade da sugestão rock, exactamente como já tinha sucedido numa outra canção de Natal talvés mais famosa: Jingle BellRock de Bobby Helms. A introdução do rock, mesmo privado da dureza característica, foi realmente uma novidade para o género das canções Natalícias e, estranhamente, resultou favoravelmente aceite pelas tradicionalíssimas gerações precedentes, que viam na alma do nascente rock um símbolo da degradação da sociedade. Magia do Natal?

Efectivamente a canção deixa-se logo “perdoar” sublinhando os temas fixados da tradição: o beijo em baixo do visco, as vozes alegres, o espírito do natal e... – toque do mestre! – A união velho-novo citando precisamente o refrão da famosíssima DECK THE HALLS, canção símbolo do americano médio mais adulto. O trecho foi composto por Johnny Marks em 1957 e confiada pela DECCA à então catorzinha Brenda Lee, que gravou-a duas vezes, em ’58 e em ’59. Parece que originariamente a canção tivesse tingido mais country e que depois tenha sido “cosido” nas peculiaridades canoras e interpretativas da Lee. Experiência muito bem sucedida se for a considerar que a gravação da Brenda Lee foi pois quase a única para esta canção.


FOTO 5. Criança prodígio, Brenda Lee começou a sua carreira com 6 anos de idade colocando-se no primeiro lugar num concurso de talento escolar, cujo prémio era aquele de exibir-se ao vivo num programa radiofónico muito na moda, Star makers revue. A sua família era paupérrima e, graças às intervenções radiofónicos da garota que se exibia sem trégua nas rádios locais, conseguia manter-se. Era muito franzina de estatura, cerca de 145 cm, mas a sua voz era de tal forma impetuosa até que mereceu o nome de “Miss Dinamite”. Alcançou o sucesso não com o Rocking Around the clock porém com o trecho I’m sorry de 1960, pelo qual foi condecorada com Grammy Award. Considerada pelo público como uma cantora pop Brenda Lee foi todavia expoente máximo do rockabilly e do rock’n roll, uma das pouquíssimas mulheres da época.

Johnny Marks (1909-1985) tinha começado a sua carreira de compositor de canções ligadas à atmosfera do Natal em 1947 com o trecho “Rudolph, the red-nosed Reindeer”, baseado no poema homónimo escrito pelo irmão Robert… Um boom sem precedentes que rendeu ao autor pelos direitos... 30 milhões de cópias vendidas e que em 1964 nomeadas no Natal para um homónimo filme pela televisão muito apreciado! Se pois acrescentamos que a canção foi gravada por Gene Autrym cantor famosíssimo do tempo, pois bem...


FOTO 6. Eis aqui já na idade madura o Johnny Marks numa foto quase íntima dos anos ’70.

Director da ASCAP (Sociedade de Autores, compositores e editores) a partir de 1959 até 1961 e fundador da outrassim famosa ST.NICHOLAS MUSIC em 1949, escreveu muitas canções que vos convido a ouvir. Cito aqui apenas algumas:

THE NIGHT BEFORE CHRISTMAS (1952) interpretada pois pelo mágico dueto Gene Autry-Rosemarie Clooney, outra estrela da época.

RUN, RUDOLPH, RUN (1958) e interpretada pelo ícone do rock CHUCK BERRY (e quem seria, se não ele?)

I HEARD THE BELL ON CHRISTMAS DAY (1956) Uma obra adaptada na guerra civil e que teve vozes importantes como Harry Belafonte, Bing Crosby, Elvis Presley, Frank Sinatra… e muitos outros. Em suma muita boa música que valeria a pena ouvi-la e recordar...

Para a crónica: Johnny Marks foi condecorado pela International Society of Santa Claus com o prémio CHRISTMAS SPIRIT juntamente com um outro compositor excepcional: Irving Berlin, pai de WHITE CHRISTMAS e outras boas canções das quais falaremos num dos próximos capítulos. O trecho foi gravado em Julho de 1958 num dos estúdios da Decca com o produtor de Nashville Owen Bradley. Era um dos verões mais sufocantes dos últimos anos a cantora e a orquestra não conseguiam concentrar-se. Owen então, além da instalação do ar condicionado ao máximo, fez disparar bolas de neve artificial para refrescar o ar e apetrechou uma grande árvore de Natal, com muitas bolinhas e luzes coloridos, nos estúdios de gravação com o objectivo de… fazer entrar na parte a cantora e todo o staff. Parece que o expediente funcionou perfeitamente e que todos divertiram-se o quanto basta, até ao ponto de que bastaram apenas duas gravações para concluir o single. Em 2014 a NPR, entrevistando a já anciã Brenda Lee, lhe perguntou em tom de brincadeira que para qual direcção gostasse “tocar rock” em volta da árvore de Natal. A resposta da cantora foi imediata: “Sul. Seguindo o curso do sol.” Ainda que de origem hebraica como o seu ilustre colega Irving Berlin, Johnny Marks atingiu a notoriedade como compositor de trechos de Natal. Numa das numerosas entrevistas à pergunta se estivesse contente do seu sucesso ele confessou abertamente: “Pois, não estou muito feliz de ser recordado apenas por algumas cançõezitas da Véspera de Natal!”

RUDOLPH, A RENA COM O NARIZ VERMELHO
Louvor da Diversidade


Quem não se comove escutando as fábulas de Rudolph, a rena do nariz vermelho? Se bem que foi criada há muitos anos, a fábula da criatura “diferente” e por isso posta à parte pelos seus semelhantes até que vem reintegrada pelo Pai Natal em pessoa, é esculpida no coração de todas as crianças que nela revive e supera os seus complexos. Na verdade trata-se de uma verdadeira inovação no campo da literatura para a infância, que pela primeira vez nota-se pela fragilidade do universo “teen” oprimido por fenómenos da bajuladora descriminação e bulismo. Se pensarmos que Rudolph viu a luz em 1939 não podemos não nos maravilhar pela sua poética mas de extrema actualidade, e não reconhecer a dimensão humanitária. A pequena rena, criada pela mente e pelo coração de Robert Lewis May vive uma história simples mas corajosa: nascida com um enorme nariz vermelho, brilhantíssimo quase cintilante, Rudolph é visto com escárnio pelas outras renas, que não brincam por acaso com ela mas pelo contrário o ridicularizam. Fica portanto sozinho, marginalizado, destinado a uma perene solidão. O seu físico não o ajuda, porque a doce criatura é pequena, magra, bem diferente da imagem clássica do baby Americano balofo e rechonchudo a que todos os meninos das fábulas bem ou mal se inspiram.


FOTO 7. Eis a primeiríssima versão de Rudolph, no libreto original de 1939. Se bem que comparado muitas vezes ao Bambi da Disney o primeiro Rudolph não lhe assemelha de modo nenhum. Como estão a ver trata-se precisamente de uma pequena rena macilenta, com feições NÃO infantis e muito semelhante ao animal em carne e ossos. Será apenas de seguida, com o advento dos desenhos animados, que a sua imagem é modificada. A cabeça redonda, os olhos graúdos e o físico pançudo que lhe eram atribuídos chamam de novo efectivamente à imagem clássica do recém-nascido e são construídos propositadamente para inspirar ternura.

Rudolph portanto cresce na nostalgia do mundo exterior, do qual é fechado fora; todavia a solidão não endurece o seu coração, que está repleto de amor e de esperança. À maneira dele, ele é grato para com algumas pequenas coisas que a vida lhe reserva, e as desfruta serenamente esperançado sempre no futuro. E eis que o milagre chega: Pai Natal deve fazer as entregas das suas prendas da Véspera do Natal, mas a noite é muito obscura e nebulosa que as suas renas não sabem onde dirigir-se e vagueiam no vácuo céu. Há portanto o risco de que todas as crianças do mundo não possam receber as prendas de Natal! Pai Natal está angustiado mas... eis que, na escuridão da noite vislumbra uma luz que ilumina também o coração da floresta. É o nariz da pequena rena, que está observando as estrelas na margem do rio. Quando o Pai Natal dirigir-se a ele para uma ajuda, a pequena rena aceitará impulsivamente para guiá-lo na entrega das prendas àquele mundo que sempre o rejeitou, porque o seu coração não conhece rancor. Será desta forma que Rudolph tornar-se-á uma rena com o trenó de Pai Natal, e o seu lugar será de chefe, entre elogios e aplausos das outras renas que finalmente lograram olhar “além do” seu aspecto e a reconhecer as virtudes da sua “diversidade”.

A moral salta aos olhos com a impressionante modernidade, sobretudo se pensarmos na América benfeitora e racista dos anos ’40, ao congénito desejo veemente da uniformidade do público e às campanhas das homofobias anti-guerra. A pequena rena com o coração grande conquistou também as mentes mais duras e menos elásticas, levando consigo uma lufada de mudanças da qual nem todos deram-se conta naquele instante, mas que teria perdurado no tempo. Outro milagre de Natal? Precisamente não. A fábula de Rudolph apresenta uns bastidores pungentes, que foram amplamente publicitados com o incrível cinismo na fase da venda da nova personagem.

Devem saber que o nosso criador, Bob May, era copywriter junto dos Grandes Entrepostos Montgomery War d. O seu trabalho consistia em dar vida às novas personagens fabulosas que nos períodos das Festas ajudavam a vender brinquedos, livros e gadget Natalícios. Muitas grandes Empresas utilizavam esta estratégia, como também a Indústria Musical que produzia anualmente novas canções ligadas ao Natal. Às vezes estas personagens ficavam tão famosas até para envolver a produção de toda uma série de acessórios facilmente vendáveis e tais para atrair quase “uma moda”. Camisetas, alfinetes, bonecos, logótipos acompanhavam frequentemente esta ou aquela nova canção, esta ou aquela personagem. Um pouco como acontece hoje quando é apresentado ao público um filme de impacto (não esqueçamos por exemplo a série repetida de gadget que seguiu Ghostbusters, ou Toy Story e – porque não? – Titanic).


Nos anos ’30 as lojas de brinquedos ousavam ofertar às crianças livrinhos para colorir, como propósito publicitário. Os gritos das crianças para tê-los teriam forçado os progenitores para visitar esta ou aquela loja, abrindo as portas para potenciais compras. A tarefa dos copywriter (redactores) era portanto aquela de produzir todos os anos fascinante material capaz de piscar o olho ao público infantil sem perturbar demasiadamente aos adultos. Mas Bob May era também um artista: terá sido ele mesmo, num artigo sobre o Gettysburg Timesdel 1975, a desvendar os bastidores do nascimento de Rudolph.

“Um rapazote de nome Robert May, infinitamente triste e com o coração partido, olhou pela janela da qual entravam correntes de gelo, naquela noite da Véspera de Natal. Barbara, a sua filhinha de 4 anos, pôs-se de cócoras no seu braço soluçando. A sua mame, mulher de Bob, a querida Evelyn, estava a padecer de cancro.


FOTO 8. Aqui está uma linda imagem de Bob May nos primórdios dos anos ’40. O artista confessou muitos anos depois, um pouco antes da sua morte, que na verdade a figura da pequena rena era inspirada a ele mesmo quando rapazote, quando era vítima de bulismo. A revelação atirou descrédito sobre a imagem da boa sociedade americana, que não estava de forma alguma preparada para reconsiderar a verdadeira natureza dos alunos dos próprios colégios. O fenómeno do bulismo é Hoje tristemente famoso, mas nos anos ’20 e ’30 era muitíssimo interdito abordá-lo, mesmo no seio das famílias. May confessou de ter passado trágicos pensamentos de suicídio e de tê-los superado graças ao amor dos seus progenitores os quais, se bem que paupérrimos por causa da crise da Grande Depressão, conseguiram proporcioná-lo estudos e dar-lhe um futuro.

– Por que a minha mamã não é como todas as outras mães? – Questionou a pequenina Barbara, reparando fixamente nos olhos do seu pai. – Por que está sempre na cama com os olhos fechados e não brinca comigo? –

A maxila de Bob contraiu-se e os seus olhos encheram-se de lágrimas; sentia no seu coração tanta dor mas também tanta raiva. A sua vida tinha sido sempre dura, desde criança, quando o seu estranho aspecto o tornava vítima dos escárnios e das ofensas dos seus colegas de escola. Era o patinho feio, mas sem esperança de transmutar-se um dia num lindo cisne. Recordando amargamente os nomes feios com os quais era apelidado desde pequeno resolveu poupar a dor de sentir-se chamar “orfãzinha” à sua amável filha. Teria lutado. Era a Véspera de Natal, que coisa!, e a sua querida Evelyn estava a morrer. Não tinha dinheiro em casa, tudo tinha esfumado nos inúteis medicamentos que não tinham servido para salvar a ente querida garota conhecida e amada desde os tempos do Colégio. Pensou na sua criança, que teria recebido como prendas de Natal apenas a morte da sua mamã, e percebeu que não era o momento para dar-se por vencido.

“Tu terás a mais linda prenda de Natal que jamais uma criança tenha recebido!” – decidiu no seu coração. E pôs-se impulsivamente a escrever a história de uma pequena rena com um grande nariz luzente que, abençoada pelo Espírito do Natal, teria iluminado para sempre as obscuras noites da sua infância.

Rudolph nasceu assim, pelo amor de uma mulher moribunda e de uma criança bastante pequena para suportar a dor da perda. E quando Bob leu a história à jovem mulher moribunda ela apertou ao peito pela última vez a sua filha, sorrindo só de pensar em deixá-la nas mãos da pequena rena...”


FOTO 9. Não consegui achar a foto da coitada Evelin, mas esta de Bob May com a filhota Barbara girou toda a América e comoveu o coração de milhões de mães. Quiçá se foi este o segredo da longevidade da fama da pequena rena?

Claramente, embora sugestiva, trata-se de uma história roman digna de um escritor dos outros tempos. A realidade foi bem diferente e, sob vários aspectos, mais crua.

Em 1938 os danos da Grande Depressão eram bem evidentes na sociedade Americana: a crise tinha levado a um progressivo esgotamento da alegria para despender e o Natal tinha perdido a grande parte da sua atractiva... consumista. Os pais mantinham as carteiras bem apertados e até as mesas preparadas nas festas pareciam menos coloridas. A atmosfera era cinzenta e as vendas de brinquedos num líquido desconto: doutra parte nem sequer as grandes cadeias de armazéns pareciam propor nada de novo. Pelo ar repercutiam-se as noites das clássicas canções de Natal, e até as luzes da indústria musical pareciam apagadas. Resumidamente, ninguém tinha a vontade de iluminar e as famílias pareciam ter-se plenamente adaptado a um clima de austeridade.

Mas não os Grandes entrepostos Ward, que tinham às costas a história do seu fundador Aaron Montgomery uma experiência de vida arrojadamente de vanguarda: à custa da depressão e à crise recrutaram os melhores dentre eles copy-writers para dar vida a uma personagem de tal forma envolvente para combater até a Mickey Mouse.

A história do pai fundador da Grande cadeia é demonstrativa. Este era um simples vendedor viajante que em 1872 teve a ideia na pior das hipóteses futurista: encetar uma venda directa, produtor-consumidor. Cavalgando fornecedores e retalhistas e baixando nitidamente os preços. O seu primeiro catálogo, que vinha enviado por correio aos interessados, era composto por uma única página e os primeiros artigos eram vulgaríssimos utensílios de trabalho para camponeses. Mas a ideia fez um boom e só depois de dez anos Ward estava em condições de vender por correio trâmite um catálogo precisamente 163 artigos diversos de vária utilização (dentre os quais uma das primeiras cozinhas de madeira económicas) bem exposta em 237 páginas! Foi ainda Ward, em 1875, a inventar a fórmula do “satisfeitos ou reembolsados”, que o levou para um salto até ao cume nas classificações de agrado entre os consumidores! A Ward desfrutou do monopólio das vendas por correspondência até 1886, quando surgiu a Sears que, muitos anos depois, a teria levado à bancarrota. Todavia em 1919 a Montogomery Ward era quotada na bolsa inaugurando ao mesmo tempo a sua cadeia de lojas e foi uma das pouquíssimas grandes empresas a sobreviver à crise de ’29, quando houve a queda da Bolsa. Indómita como poucas entre as suas rivais a Ward em 1938 resolveu investir grande parte dos seus recursos focado no futuro; e o fez por meio do público infantil, como era justo que fosse.


FOTO 10. Vos ofereço um confeito, a foto do primeiríssimo catálogo de UMA ÚNICA página da aparição do império Montgomery Ward, datada em 1875! Em poucos anos as vendas por correspondência subiram até as estrelas e Ward teve a brilhantíssima ideia de poupar nas despesas de transporte, fixando um limite de peso. Parece que os encarregados pela embalagem fossem tão escrupulosos ao respeitar tais normas que sucedia muitas vezes que objectos de vestuário pesados, como por exemplo os capotes (que eram pesadíssimos na época) eram descosidos e enviados em dois pacotes diferentes… mas equipados de agulhas e meadas de linhas para recosê-los!

A ideia era para “representar” uma personagem burlesca mas viril, símbolo da mesma cadeia. O primeiro “pupilo” da iniciativa foi um certo Toro Fernando proposto não se sabe por quem e seguramente descartado por via da má publicidade das Corride. May estava na liça entre os outros, mas de longe favorecido por causa da sua maneira delicada e de uma índole submissa. Além disso estava tragicamente liso, visto que a repentina doença da mulher Evelyn, acometida por um cancro há mais de dois anos, tinha enxugado as já magras poupanças. O incentivo económico que a Ward prometia ao criador da personagem teria recolocado um pouco as coisas no seu lugar. Bob ocupava-se de Evelyn e da sua criança, andava loucamente numa roda-viva entre o hospital, casa e escritório. Em consideração da sua situação lhe foi concedido para trabalhar a maior parte do tempo em casa: foi ali que o artista teve a inspiração e, única nota realmente poética de toda a vicissitude, de facto graça à filhota Barbara. A menina era uma doentia pelas fábulas de Pai Natal e pelas suas renas; adorava os veados novos, comovia-se diante da mamã veado e derretia em lágrimas quando pedia ao seu papá para levá-la ao zoo/zoológico para uma visita... por motivos económicos, ele não podia satisfazê-la. No coração da pequena rena Bob May infundiu portanto grande parte da sua alma: inventou uma personagem “diferente”, alienado, tristemente solitária que não era outra coisa que ele mesmo quando criança feio e sempre de óculos. E a fez seguindo um desenho poeticamente infantil ditado pelo amor pela sua filha, que se encaixava perfeitamente no espírito do Natal.


FOTO 11. Se bem que comparados muitas vezes ao Bambi da Disney, as feições originais da rena são muito diferentes daquelas do meiguíssimo veado novo. Como estão a ver na imagem original de 1942 Bambi apresenta na verdade os sinais da iconografia clássica dos cachorros amáveis: cabeça redonda, orelhas grandes, enormes olhos pungentes. A Disney produziu o filme em 1942, quando Rudolph já era muito famoso. Coincidência ou plágio?

Este foi o único grande milagre do nascimento de Rudolph: o resto é apenas lenda. Evelyn não morreu na Véspera do Natal de 1938, como narrou-se com frequência. Naquele período já estava em coma, hospitalizado num enorme compartimento hospitalar onde todavia os seus entes queridos iam muitas vezes ao encontro dela. Apagou-se em Julho do ano seguinte, entre uma criança chorona e um copywriter que não tinha ainda achado a força para terminar o seu conto. Consegue, em tempo recorde, alguns meses depois por via do arrendamento não pago e o perigo de ser posto na rua.

E Rudolph não foi a repentina “revelação” que operou o milagre da luz no director das vendas, o terrível Sewel Avery. Ou melhor, para ser franco, Rudolph com aquele pedaço de nariz vermelho que lembrava aquele de um avinhado foi imediatamente descartado… precisamente duas vezes! Devemos compreendê-lo: o eco do proibicionismo fazia-se ainda sentir e propor ao público infantil uma imagem como pseudo-alcoólico não parecia conveniente aos mesmos progressistas Armazéns Ward. Mas Bob, já decidido para avançar e receber a bendita promoção, tirou o seu trunfo da manga: pediu ajuda a um jovem e promissor ilustrador, tal Denver Gillen, de uma mão certamente feliz e queimado pelo fogo de uma tenaz ambição. O rapazote fez nada mais, nada menos o que fazem os grandes actores quando ficam incapacitados completamente na parte: feitos os dois dedos de conversa com a pequena Barbara, verdadeira inspiradora da personagem, percebeu que aquele nariz vermelho não era pura invenção mas um particular agradável de um certo tipo de cervídeos que na criança um tempo atrás tinha visto no zoo. Encaminhando-se no próprio lugar apercebeu-se de que se tratava do caribu, um amabilíssimo animal cujos cachorros aparecem frágeis e indefesos e que à nascença apresentam um narizito vermelho escuro muito particular. Os seus desenhos souberam colher aquela instintiva ternura que, não obstante o aspecto não decerto feliz, os pequenotes sabem infundir na própria espécie; nasceu uma ligeiríssima figura como fada triste adequada a um Natal de reflexão que no fim conquistou o terrível Sewel Avery, director das vendas da Ward.


FOTO 12. Aqui está o esboço original da pequena rena em 1939, assim como é afigurada por Denver Gillen. As feições da personagem não eram lindíssimas mas a fragilidade do desenho, que parece sair directamente de um mundo fabuloso, triunfou.

Descartados vários nomes, dentre os quais Rollo e Regin , à pequena rena foi imposto o nome Rudolph, que evocava uma imagem claramente mais “máscula” do que as precedentes. Em seguida a uma campanha publicitária a toque de tambor a ideia funcionou e o livrinho apenas em Dezembro de 1939 vendeu mais de dois milhões de cópias, fazendo sobressair a história da pequena rena no Olimpo dos Clássicos.

Seguiu uma invasão de gadget que deixou a própria Disney com os cabelos levantados: bonecos, alfinetes, acessórios para crianças, chávenas... e até as ornamentações de Natal inauguraram a nova moda da rena com o nariz vermelho. A América, feliz e satisfeita, foi literalmente invadida concretamente durante 7 anos seguidos, Rudolph foi protagonista absoluto das Sagradas Festas. Não havia teatro de bonifrates itinerantes que não encenasse os seus Rudolph-bonifrates e não houve uma mamã que não conseguisse adormecer a sua criança contando a tenra fábula.

Então todos felizes? Não certamente. O nosso Bob, depois de um fugaz instante de glória, não estava lá melhor que antes. A Ward detinha todos os direitos da história e do protagonista e, como se ouve dizer, papava tudo enquanto May era oprimido por facturas e recibos. O jovem rapaz tinha também casado de novo com uma sua colega, ex secretaria do mesmo Avery, a amável Virginia Newton com a qual teria tido precisamente outros 5 filhos! Em 1946 portanto a Ward tinha vendido 6 milhões de cópias do único livrinho, a que é preciso acrescentar chorudos encaixes de venda dos gadget, no momento em que Bob avançava com o seu único salário como empregado. E aqui começa a lenda: diz-se que, não se sabe o porquê, a dado passo em 1947 o temível Sewel Avery evidentemente atingido pela Graça cedeu os 100% dos direitos ao seu criador, Bob May, que em apenas dois anos tornou-se multi-milionário e pôde viver de rendimentos durante toda a sua vida. Os demais não esclarecem este repentino arrependimento dos Entrepostos Ward a que, quanto parece tinha dado cabo da cabeça induzindo-os para renunciar aos encaixes bilionários que acresciam o poder na bolsa. Não se falou disso durante anos desde quando, um pouco antes da falência da grande cadeia sucedida em 2001, vieram à ribalta os altarezinhos.

Devem saber que em 1944 a fábula de Rudolph, a rena do nariz vermelho, tinha surgido numa curta-metragem em desenhos animados realizado pelo pioneiro do cinema de animação Max Fleisher, por conta da Jam Handy Corporation. Tratava-se de dois colossos da nascente indústria do cinema: Fleisher, inventor da primeira técnica de animação que teria dado vida ao império dos cartoon propondo personagens míticas como Betty Boop e Popeye, era universalmente notável como pioneiro de uma técnica de animação claramente mais sofisticada e moderna do que aquela da Disney, acérrima rival. A Jam Handy Corporation, propriedade de Henry Jamison Handy, era um colosso nascente no campo da comunicação mediática. Muito recomendado Pelo Exército dos Estados Unidos por isso tinha produzido vários filmes promocionais e didácticos, gozava do apoio político-económico de ilustres clientes como a General Motors e os famosíssimos Bray Studios, e tinha íntimos contactos com a Paramount. Farejando o negócio e conhecendo bem as precárias condições de vida de Bob May, Fleisher contactou o artista, oferecendo-lhe reais apoios na hipótese de mover um processo contra os Entrepostos Ward que durante anos não lhe tinham reconhecido alguma percentagem sobre os direitos de autor e tinham-se enriquecido desmedidamente às suas costas. Bob aceitou e apressadamente foi fixado um encontro privado com Sewel Avery, ao qual foi anunciado para fazer seguir um perfeito escândalo às citações em julgamento: o que teria tornado vacilante a cotação na Bolsa da Montgomery Ward. Foi desta maneira que May obteve os 100% dos direitos sobre Rudolph, embora a sua condição de dependente da Grande Cadeia tornava vaga à atribuição ao todo. Claramente nem sequer isso foi uma prenda de Natal porém um expediente para poder produzir em santa paz um novo filme de animação, que tornar-se-ia um filme e teria proporcionado muito dinheiro no bolso de todos os protagonistas. Tratou-se desta vez de um pequeno filme muito bem feito e nítido de 8 minutos que em 1947 entusiasmou milhões de americanos. Seguiram depois vários arranjos que gradualmente transformaram a imagem e a fábula de Rudolph, privando-a da sua originalidade e nivelando-a ao popular estilo Disneyano. Outra vez digno de nota foi o livro para crianças de 1951 com os desenhos de Richard Scarry, republicado depois da Golden Books em 1958 numa edição revista e corrigida e também um pouco adocicada.


FOTO 13. E aqui está o delicioso de Scarry de 1951, que permanece inalterado até 1958. Depois, infelizmente, lentamente mas implacavelmente, o estilo mudou.

A alteração da personagem foi pois evidente no especial de 1964, onde Rudolph completamente transforma-se num cachorro alienado que foge de casa e onde aparecem outras personagens de contorno, rejeitados como ele. O novo conto, que perdeu completamente aquela luz do amor e de esperança que é o eixo da figura da pequena rena, é hoje saudada como um clássico… o que é certamente o espelho dos tempos. Acuso nas remake/novas versões sucessivas, que culminam num desagradável filme de 1998, que protela perigosamente sobre as moléstias sofridas pelo pequeno Rudolph numa atmosfera do sabor vagamente sádico, e estendo um véu piedoso ainda sobre o mais feio “A ilha de Rudolph a rena do nariz vermelho e a ilha de Misfits Toy do 2001, onde a magia da história está definitivamente desaparecida. A consagração definitiva de Rudolph, todavia, acontece em 1949 e foi um negócio… de família. Entre livros, gadget e filme faltava uma última coisa: uma canção símbolo que lhe assegurasse para sempre o seu lugar no Olimpo. A ideia foi da Colombia a qual, talvés para dar um impulso a mais à campanha publicitária confiou a tarefa de retirar da fábula uma canção recordista precisamente ao cunhado de Bob May: o talentoso Johnny Marks.

Este até aquele momento era apenas uma boa promessa. Se bem que estivesse cimentado com a rádio e tivesse capacidade de excelente compositor não tinha ainda produzido nada de excepcional: todavia com Rudolph saiu da alma do verdadeiro artista que estava nele. Compôs no decurso de dois meses uma cançãozita agradável com uma letra leviana, que em poucos minutos torna perfeitamente à atmosfera da fábula de Natal.

Eis a letra da canção:

Rudolph, the red-nosed reindeer

had a very shiny nose.

And if you ever saw him,

you would even say it glows.

All of the other reindeer

used to laugh and call him names.

They never let poor Rudolph

join in any reindeer games.

Then one foggy Christmas Eve

Santa came to say:

“Rudolph with your nose so bright,

won’t you guide my sleigh tonight?”

Then all the reindeer loved him

as they shouted out with glee,

Rudolph the red-nosed reindeer,

you’ll go down in history.

Tradução.

Rudolph, a rena do nariz vermelho.

Rudolph, a rena do nariz vermelho

Tinha um nariz luzente

Assim mesmo! Se tu a tivesse visto

Dirias que brilhava realmente!.

Todas as outras renas

Riam-se e a ridicularizavam.

Não permitiam por acaso ao pobre Rudolph

Para participar às suas brincadeiras…

Pois, numa noite de Natal mergulhada na bruma

Pai Natal disse-lhe:

“Rudolph, com o seu nariz tão luminoso

Gostarias de guiar o meu trenó esta noite?”

Desde então

Todas as renas o têm acolhido no seio deles,

gritando alegres na cara dele:

“Rudolph, a rena do nariz vermelho,

ficará para sempre na história!”

Muito bem feito! Agora era preciso encontrar alguém, uma verdadeira estrela da música, que a fizesse sua e lhe infundisse a eterna Graça do agrado do público. A Columbia contactou imediatamente o ícone Natalício do momento, o Rei da consoada muito comovente, o omnipresente Bing Crosby; mas este torceu o nariz e recusou. Depois do grande sucesso de White Christmas que o tinha expedido como um foguete para o universo dos Big temia arruinar a sua reputação interpretando uma fábula para crianças. Ninguém se espantou da rejeição: o prezado “Bing” não se distinguia pelos seus dotes intuitivos. Já em 1942, quando um excelente Irving Berlin lhe confiou White Christmas para o filme A taberna da alegria o cantor saiu horripilante “Eis uma outra das tuas lamúrias!” Todavia no caso de Rudolph Crosby foi irremovível e por conseguinte passou-se ao plano B. A escolha recai sobre uma outra das estrelas do momento, um cantor – actor que agradava aos grandes e aos petizes e que encarnava perfeitamente a imagem do bom americano: estou a falar claramente de Gene Autry.

O actor se afirmara graças aos certos pequenos filmes western de cunho nacional e popular onde aparecia como cowboy bonitão e sempre bem penteado, empenhado no combate contra os maus, namoriscar com as lindas meninas e cantar canções country ao lado da fogueira. Há anos aparecia num especial radiofónico da CBS onde, directamente do próprio rancho, dava “lições” aos jovens ouvintes que desejavam emulá-lo, e que avançou por volta de 16 anos com um altíssimo índice de agrado. Além disso foi um herói da segunda guerra mundial e, por último, também campeão de rodeo “duelo entre cowboy”. Em suma, era o que todo homem americano desejava ser... e o sonho proibido para todas as crianças...

Mas Autry torceu o nariz sobre o assunto Rudolph mesmo por um outro motivo, mais bem compreensível: decerto alguns anos antes tinha interpretado uma sua canção sobre o Natal, Here Comes Santa Claus, que não teve um notável sucesso e que antes foi objecto de desumanas críticas. Todavia o actor fiava-se muito da mulher Ina, que tinha um acentuado gosto musical, a qual tanto disse e tanto fez e que no fim Autry cedeu. O single Rudolph, the red noised reindeer, saiu em 1949 e foi o mais badalado sucesso da sua vida. A canção, afectuosa e não patetica, vendeu num único mês 2 milhões de cópias, 230 milhões até hoje, posicionando-se no segundo lugar entre os maiores encaixes de todos os tempos logo depois… White Christmas.

Depois de Gene Autry milhares foram os intérpretes ilustres: a partir do arrependidíssimo Bing Crosby que no fim decidiu gravar em 1950, a Dean Martin em ’59, Paul Anka em ’60, the Jacson Five em ’70... até a um insuspeitável Ray Charles em 1985, um compassado Ringo Star em 1999 e um actualíssimo DMX que fez um trecho Rap em 2012! Entrado como noa das renas de Pai Natal, Rudolph continua a deixar sonhar grandes e petizes com a sua mensagem de Amor que não conhece a usura do tempo. Ele parece sugerir-nos para esperar, para não retrair o nosso coração diante das fealdades do mundo e para conservar na alma a imediação de uma criança. Será por isso que muitos na América ainda se lembram da antiga lengalenga que abre a canção:

“As renas de Pai Natal são tantas e denominam-se Dasher, Dancer, Prancer, Vixen, Comet, Cupid, Donner, Blitzen”.

Mas tu dos quais te lembras?

Rudolph, a rena do nariz vermelho, a mais famosa de todas!”

Ücretsiz ön izlemeyi tamamladınız.

Türler ve etiketler

Yaş sınırı:
0+
Litres'teki yayın tarihi:
31 aralık 2021
Hacim:
194 s. 75 illüstrasyon
ISBN:
9788835432524
Telif hakkı:
Tektime S.r.l.s.
İndirme biçimi:

Benzer kitaplar