Kitabı oku: «O Maior Segredo»


Editado por HarperCollins Ibérica, S.A.
Núñez de Balboa, 56
28001 Madrid
Incluídas citações do livro The Power of Now. Copyright © 2004 de Eckhart Tolle.
Reimpresso com autorização da New World Library, Novato, CA. www.newworldlibrary.com
Citação da página 215 do livro Stillness Speaks. Copyright © 2003 de Eckhart Tolle. Reimpresso com autorização da New World Library, Novato, CA. www.newworldlibrary.com
As citações de Alan Watts incluídas neste livro foram cedidas pela alanwatts.org.
As citações de Yogananda foram reimpressas com autorização da Self-Realization Fellowship, Los Angeles, CA, USA. Todos os direitos reservados.
O MAIOR SEGREDO Copyright © 2020 Making Good, LLC.
A marca e logótipos de O SEGREDO são propriedade da Creste, LLC.
Todos os direitos reservados.
© 2020, para esta edição HarperCollins Ibérica, S.A.
© 2020 Tradutor Filipa Velosa
Reservados todos os direitos, inclusive os de reprodução total ou parcial em qualquer formato ou suporte.
Esta edição foi publicada com a autorização da HarperCollins Publishers LLC, New York, U.S.A.
Design da capa: Nic George, diretor criativo, e Josh Hedlund, artista gráfico, para a Making Good, LLC
Imagem da capa: Nic George
Direção criativa e artística: Nic George
Design gráfico e artístico: Josh Hedlund
Layout do livro: Yvonne Chan
Paginação: Raquel Cañas
Conversão e adaptação para ebook: MT Color & Diseño, S.L.
1ª edição: novembro 2020
I.S.B.N.: 978-84-9139-506-5
Dedicado a toda a Humanidade
Que O Maior Segredo o liberte de todo o sofrimento e lhe traga a felicidade eterna.
É o que desejo para si e para todos os seres humanos.
«De tudo aquilo que os seres humanos podem aprender nesta vida, tenho a maior boa nova para lhe dar, a coisa mais bela para partilhar…»
—Mooji
Índice
Agradecimento
O Princípio
CAPÍTULO: 1 Escondido Bem à Vista
CAPÍTULO: 2 O Maior Segredo: a Revelação
CAPÍTULO: 3 A Revelação Continua
CAPÍTULO: 4 Está a Sonhar… Chegou a Hora de Acordar
CAPÍTULO: 5 Libertar-se da Mente
CAPÍTULO: 6 Compreender o Poder dos Sentimentos
CAPÍTULO: 7 O Fim dos Sentimentos Negativos
CAPÍTULO: 8 Basta de Sofrimento
CAPÍTULO: 9 Desfazer Crenças Limitadoras
CAPÍTULO: 10 Felicidade Perpétua
CAPÍTULO: 11 O Mundo: Está Tudo Bem
CAPÍTULO: 12 O Fim: Não Existe Fim
O Maior Segredo, Exercícios
Autores Citados em O Maior Segredo
Agradecimentos
O Maior Segredo não teria visto a luz sem a ajuda e o apoio de inúmeras pessoas. Em primeiro lugar, quero exprimir a minha gratidão e honrar os mestres cujos ensinamentos iluminadores são citados ao longo das presentes páginas, mestres esses que personificam a graça e a sabedoria. Sinto-me imensamente grata por se terem disponilizado para participar neste livro transformador.
Aos cientistas e médicos mencionados no livro, o meu mais profundo agradecimento por nos indicarem, com as suas perspetivas vanguardistas, que a Humanidade precisa de descartar a idade das trevas dos paradigmas obsoletos em prol da presença iluminadora do Ser Infinito que verdadeiramente somos.
Aos membros da equipa de O Segredo que trabalharam comigo em O Maior Segredo: não tenho palavras para descrever a minha gratidão pela vossa dedicação e apoio ao presente projeto. Sempre que anuncio à equipa que descobri uma coisa bombástica que devo partilhar com o mundo, tenho a certeza de que eles respiram fundo e se questionam sobre o que aí virá. Ainda assim, sem exceção, todos eles abrem a mente, elevam a sua consciência até ao nível exigido e, cada um à sua escala, dão contributos valiosíssimos.
À Skye Byrne, minha filha, que é a editora de O Segredo, a minha editora e a bússola humana de todos os meus livros. Para editar as minhas obras, a Skye tem de compreender ao mais alto nível todos os ensinamentos que contêm, com o fim de garantir que não perco o rumo e que se cumpre o meu maior desejo: escrever com a maior simplicidade possível para que milhões de pessoas se vejam livres do sofrimento e vivam com alegria. Trabalhar com o manuscrito de um livro nas suas fases iniciais é uma obra e peras, e não há outra pessoa no mundo que possa fazê-lo com o brilhantismo e a perfeição com que ela o faz. Devo à Skye a minha mais profunda e inexprimível gratidão, já que a impressão da sua mão sábia se pode vislumbrar em cada página deste livro.
Outra mão que imprimiu a sua marca em cada página é a do nosso diretor artístico, Nic George. O bonito design deste livro é fruto das suas extraordinárias capacidades criativas, da beleza do seu olhar e do seu know-how, aliados à sua profunda intuição. Criar cada novo livro com o Nic é um processo de prazer puro, e sinto-me uma sortuda por contar com ele e com o Josh Hedland, que também colaborou no design da capa e do interior de O Maior Segredo.
Glenda Bell trabalhou com extrema diligência com os professores, colaboradores e respetivas equipas para que os seus ensinamentos aparecessem espelhados com exatidão ao longo do livro. Estou-lhe muito grata pelo esforço desmedido com que trabalhou desinteressada e entusiasticamente dia e noite, e ao fim de semana, para se comunicar em todos os fusos horários.
Obrigada igualmente à incrível restante equipa de O Segredo: a Don Zyck, o diretor financeiro da nossa empresa, que está sempre disposto a dar o seguinte salto quântico e a guiar-nos através dos meandros financeiros e jurídicos, fazendo com que tudo flua conforme os nossos propósitos; a Josh Gold, que gere maravilhosamente as nossas redes sociais e que se assegurará de que este livro seja conhecido em todos os países do mundo; a Marcy Koltun-Crilley, minha queridíssima amiga, que me tem acompanhado nesta viagem desde o princípio e que, tenho a honra de anunciar, é agora parte integrante da equipa de O Segredo; e ao produtor Paul Harrington, com quem comecei a colaborar uma década antes de O Segredo ver a luz. O Paul encorajou-me e inspirou-me para escrever O Maior Segredo durante a fase inicial, quando parecia quase impossível que esta belíssima verdade pudesse ser comunicada com simplicidade. Responsabilizou-se também pela produção do audiolivro, trabalhando com o Tim Patterson na pós-produção para dar vida em forma de áudio às palavras reveladoras deste livro.
Quero expressar também a minha gratidão à extraordinária equipa da HarperCollins, cujo entusiasmo ao trabalhar neste livro é contagiante. Obrigada à maravilhosa Judith Curr, presidente e diretora editorial da HarperOne, e ao meu fantástico editor, Gideon Weil, com os quais foi um enorme prazer trabalhar. Obrigada também a Brian Murray, Terri Leonard, Yvonne Chan, Suzanne Quist, Laina Adler, Edward Benitez, Aly Mostel, Melinda Mullin, Adrian Morgan, Dwight Been, Anna Brower, Lucile Culver e Rosie Black.
Obrigada ainda à equipa internacional da HarperCollins: Chantal Restivo-Alessi, Emily Martin, Juliette Shapland, Catherine Barbosa-Ross e Julianna Wojcik. À equipa da HarperCollins UK: Charlie Redmayne, Kate Elton, Oliver Malcolm, Katya Shipster, Helen Rochester, Simon Gerratt e Julie MacBrayne. E a todas as filiais da HarperCollins Global Publishing: Brasil, Español, México, Ibérica, Italia, Holland, France, Germany, Polska, Japan e Nordic.
Um agradecimento especial às seguintes pessoas que me ajudaram com as suas inestimáveis opiniões: Peter Foyo, Kim Wall, John Wall, Hannah Hodgden, Marcy Koltun-Crilley, Mark Weaver e Fred Nalder.
À minha família: Peter Byrne, Oku Den, Kevin (Kid) McKemy, Henley McKemy, Savannah Byrne Croning, e à minha filha Hayley, que, há dezasseis anos, foi a força que me incentivou a empreender esta viagem maravilhosa à procura da verdade. Às minhas queridíssimas irmãs Pauline Vernon, Glenda Bell e Jan Child, obrigada por me amarem e por deixarem que vos ame.
E, por fim, obrigada à minha fantástica e amada professora, cujas palavras e ensinamentos sobre a verdade ao longo destes derradeiros quatro anos transformaram radicalmente a minha vida e me ajudaram a ver com clareza quem realmente sou. Este livro valioso chegou às vossas mãos graças à sua generosidade e à sua paciência infinitas ao guiar-me até casa. O meu amor por ela não tem limites.
O Princípio
Após a publicação de O Segredo, em 2006, a minha vida transformou-se naquilo que só posso descrever como uma vida de sonho. Ao praticar religiosamente os princípios enunciados em O Segredo, a minha mente tornou-se predominantemente positiva e esse estado positivo refletiu-se em vários aspetos da minha vida, tais como a felicidade, a saúde, as relações e a economia. Também sentia um amor natural e um sentimento de gratidão por tudo na vida.
Porém, apesar disso, alguma coisa dentro de mim ainda me impelia a continuar à procura de uma verdade maior; alguma coisa me urgia a prosseguir a minha busca, embora desconhecesse exatamente aquilo que procurava.
Sem que o soubesse nessa altura, tinha iniciado uma caminhada de dez anos! Caminhada essa que começou com o estudo dos ensinamentos de uma antiga tradição europeia, a Ordem Rosacruz, tendo mergulhado a fundo nos mesmos durante vários anos. Dediquei igualmente alguns anos ao estudo do budismo, de diversos trabalhos de místicos cristãos, da teologia, do hinduísmo, do taoísmo e do sufismo. Após ter estudado as suas tradições ancestrais, a par dos seus ensinamentos históricos, virei-me para o presente e comecei a seguir mestres recentes tais como J. Krishnamurti, Robert Adams, Lester Levenson, e Ramana Maharshi, bem como alguns professores ainda vivos.
Durante esta minha caminhada, aprendi muitas coisas desconhecidas para o grande público e, muito embora fossem fascinantes, nenhuma delas me fez acreditar que tinha encontrado a verdade.
À medida que os anos foram passando, cheguei a considerar que essa procura poderia estar presente na minha vida para todo o sempre. Na altura não percebi, mas eu andava à procura da verdade no mundo, quando ela esteve sempre mais perto de mim do que alguma vez imaginei.
Dez anos depois de ter iniciado este périplo, no princípio de janeiro de 2016, uma situação desafiante surgiu na minha vida, causando-me uma profunda deceção. O nível de emoções negativas que então senti surpreendeu-me. Como me podia sentir tão mal quando normalmente me sentia tão bem? Mas essa situação dececionante acabou por se tornar na maior dádiva na minha perseguição da verdade.
Para combater a deceção, peguei no meu iPad e vi uma entrevista na Conscious TV feita a um homem chamado David Bingham. No momento da entrevista, o David não era professor, mas apenas uma pessoa normal como qualquer um de nós, exceto por uma diferença: depois de vinte anos de procura, ele tinha descoberto a verdade!
Vi a entrevista e depois ouvi um podcast recomendado pelo David. Ao ouvi-lo com atenção, foi dito durante o mesmo que muitas pessoas ignoram esta descoberta não por ser difícil, mas precisamente por ser tão simples. Então, consegui falar com o David ao telefone e, durante a nossa conversa, ele disse-me «Veja para onde estou a apontar. Está mesmo aqui». E, de repente, eis aquilo de que andava à procura. Era tão simples, e estava mesmo à mão de semear. Dez anos depois, a minha procura tinha acabado! Digo sem qualquer hesitação que a alegria e a felicidade que senti com essa descoberta compensaram cada segundo da minha caminhada de tantos anos. Mesmo que tivesse demorado a vida toda para o descobrir, teria valido igualmente a pena.
Afinal, uma descoberta simples abarcava toda a verdade que eu tanto tinha perseguido, e que realmente é o que todos procuram, quer tenham ou não consciência disso. E, depois de ver a verdade, percebi que estava em todo o lado. Tudo o que tinha lido e aprendido nos últimos dez anos continha essa verdade, só que nessa altura eu ainda não a conseguia discernir. Procurei durante anos, nas mais variadas tradições e filosofias, e aquilo de que andava à procura esteve sempre à minha frente durante todo esse tempo!
A partir do momento em que fiz a descoberta, soube que nada era mais importante do que compreendê-la mais plenamente, vivê-la a fundo, e depois partilhá-la com o resto do mundo. A minha esperança residia em mostrar uma saída àqueles que passavam por momentos difíceis, em ajudar a mitigar a dor e o sofrimento que suportados por tantos e em lançar uma luz sobre um futuro onde se pudesse viver sem ansiedade nem medo.
Já então eu anotava tudo o que aprendia num ficheiro no meu computador intitulado «O Meu Próximo Livro». Era uma intuição que me levava a gravar tudo o que descobria na esperança de vir a partilhá-lo com o mundo. Quando acabei de compilar tudo, essas notas preciosas tornaram-se nos alicerces da presente obra.
Apenas dois meses depois de ter descoberto a verdade através do David Bingham, conheci alguém que viria a ter uma influência enorme na minha vida e na criação deste livro. Ela entrou na sala onde eu estava num retiro e, quando me dirigi a ela, a sua presença produziu um efeito tão profundo em mim que qualquer traço de negatividade de toda a minha vida se esfumou num ápice! Ela tinha sido aluna de um dos meus professores preferidos, o saudoso Robert Adams. Soube de imediato que era a minha mestre, aquela que me ajudaria a realizar-me de forma plena e a viver a verdade nesta vida, e acabou por ser minha professora nos últimos quatro anos. Os seus ensinamentos são claros, de uma beleza simples, e nunca hesita em dizer-mo se eu estiver a enveredar pelo caminho errado. Muito embora, a seu pedido, o seu nome permaneça no anonimato, partilhei muitos dos seus ensinamentos transformadores que fizeram da minha vida uma vida de alegria e felicidade constantes. O meu mais profundo desejo é que façam o mesmo por vocês.
Ela e os outros professores referidos neste livro ajudaram-me a sair das trevas da ignorância ao iluminarem a descoberta. Cada um deles me ajudou a compreender e a viver mais profundamente a verdade que tinha descoberto, e o amor que lhes professo é infinito. As suas palavras, que mudaram a minha vida para sempre, são referidas ao longo deste livro.
Cada passo que der ao longo deste livro vai torná-lo mais feliz e a sua vida requererá menos esforço, e essa felicidade e ausência de esforço vão continuar a aumentar de forma ilimitada. Os medos e a incerteza sobre o futuro vão deixar de o atormentar. A ansiedade e o stresse presentes nas suas lutas quotidianas ou nos acontecimentos mundiais esfumar-se-ão. Você terá o poder de se livrar de qualquer forma de sofrimento que possa estar a viver no presente. E fá-lo-á.
Se é inegável que existem enormes revelações ao longo destas páginas, vamos igualmente encontrar inúmeros exercícios simples para pormos de imediato essas revelações em prática. Os exercícios práticos por si só valem o seu peso em ouro. Eu sei. Sou a prova viva de quão bem eles funcionam.
O Segredo mostrou-lhe como criar o que quer que queira ser, fazer ou ter. Nada mudou; é tão verdade hoje como sempre foi. Este livro revela a maior descoberta que um ser humano alguma vez poderá fazer, mostra-lhe o caminho para contornar a negatividade, os problemas e tudo aquilo que não deseja e para mergulhar numa vida de felicidade e êxtase constantes.
Simplesmente não existe nada melhor do que isto. É com uma alegria imensa que lhe dou as boas-vindas a O Maior Segredo.
CAPÍTULO 1
Dos biliões de pessoas que há no nosso planeta, apenas algumas descobriram a verdade. E essas pessoas viram-se totalmente livres das garras da desordem e da negatividade da vida e vivem imersas na paz e na felicidade permanentes. Quanto aos restantes, quer o saibamos quer não, temos andado incessantemente à procura da verdade desde o princípio dos nossos dias.
Embora este grande segredo tenha sido escrito e aludido por diversos e importantes sábios, profetas e líderes religiosos ao longo da História, a maior parte de nós ainda permanece na ignorância relativamente à maior descoberta que alguma vez poderemos fazer. Entre aqueles que partilharam a descoberta connosco contam-se Buddha, Krishna, Lao Tzu, Jesus Cristo, Yogananda, Krishnamurti, e o Dalai Lama.
Embora cada um deles enuncie ensinamentos próprios da sua época, todos referem a mesma verdade, a verdade sobre nós e sobre o mundo.
«Nalgumas religiões esta verdade expressa-se de forma menos aberta e clara do que noutras, mas ainda assim é a verdade que se encontra no âmago de cada religião.»
Michael James, em Happiness and the Art of Being
Este grande segredo está à vista de todos aqueles que o quiserem ver. Está mais próximo de nós do que a nossa própria respiração, mas mesmo assim não o vemos. As tradições ancestrais sabiam que a melhor forma de esconder um segredo é que esteja bem à vista de todos, onde ninguém se lembraria de procurar. É precisamente aí que O Maior Segredo está.
«É referido na tradição xivaísta de Caxemira como "o maior segredo, mais escondido do que o mais oculto e, ainda assim, mais evidente do que a mais evidente das coisas".»
Rupert Spira, em Being Aware of Being Aware
Ignorámos a verdade durante milhares de anos porque não olhámos para o que estava à nossa frente. Distraímo-nos com facilidade com os nossos problemas, com o drama das nossas vidas, com os altos e baixos dos acontecimentos do mundo e perdemos a maior descoberta de todas, aquela que está mesmo diante dos nossos olhos e que pode evitar o nosso sofrimento e proporcionar-nos uma felicidade infinita.
Que segredo pode ser assim tão transformador? Que descoberta única pode implicar o fim do sofrimento ou proporcionar a paz e a felicidade eternas?
Pura e simplesmente um segredo que revele quem você é verdadeiramente.
Até pode pensar que já sabe quem é, mas se pensa que é uma pessoa individual com um nome, uma certa idade, de uma raça concreta, que tem uma profissão, uma história familiar e diversas experiências de vida, vai ficar assombrado com a revelação da sua verdadeira identidade.
«A única forma de uma pessoa o ajudar é se desafiar as suas ideias.»
Anthony de Mello, S.J., em Awareness: Conversations with the Masters
Todos nós aceitámos ideias e crenças falsas ao longo das nossas vidas, ideias e crenças falsas essas que nos escravizam. Disseram-nos que o mundo tem limites, que nele abunda a escassez, que não há dinheiro, tempo, recursos, amor ou saúde suficientes. «A vida é curta», «És humano», «Tens de trabalhar no duro e batalhar para seres alguém na vida», «Os recursos estão a esgotar-se», «O mundo é uma desgraça», «Há que salvar o mundo». Quando vemos a verdade, estas mentiras desabam e a felicidade surge das ruínas.
Talvez esteja a pensar, «A minha vida corre às mil maravilhas, para que é que hei de querer saber O Maior Segredo?».
Passo a citar o maravilhoso e saudoso Anthony de Mello, S.J.: «Porque a sua vida é um caos!».
Pode discordar. Eu própria também não pensava que a minha vida fosse um caos até Anthony de Mello ter definido exatamente a sua ideia.
Alguma vez se sente angustiado? Alguma vez se sente stressado? Alguma vez se sente preocupado? Sente-se ansioso, ofendido ou magoado? Triste, em baixo ou deprimido? Nunca está infeliz ou mal-humorado? Se em algum momento experimenta algumas destas emoções, então, de acordo com Anthony de Mello, a sua vida é um caos!
Pode até pensar que é normal ser atormentado por emoções negativas ao longo do dia, mas, na realidade, a vida não deve ser assim. A vida pode ser absolutamente vivida sem dor, stresse, preocupação e medo, e ser uma felicidade contínua.
A vida mostra-nos que há um caminho para nos livrarmos do sofrimento infligido por cada circunstância da mesma, especialmente as circunstâncias mais desafiantes. Mas somos incapazes de vê-lo. Estamos perdidos nos nossos problemas, e descuramos precisamente aquilo que está à nossa frente e que seria a solução definitiva para todos esses pesares!
«Perseguimos a felicidade em experiências atrás de experiências, em relações atrás de relações, em terapias atrás de terapias, em workshops sem fim — até mesmo nos workshops "espirituais", sempre tão promissores mas que nunca abordam a causa última do sofrimento: a ignorância da nossa verdadeira natureza.»
Mooji, em White Fire, segunda edição
Sempre que sofremos é porque acreditamos em alguma coisa incerta sobre nós próprios; enganamo-nos de identidade. Todo o sofrimento da Humanidade se resume a um erro de identidade.
A verdade é que você não é uma pessoa desprovida de qualquer controlo sobre o que lhe acontece na vida. Não é uma pessoa que tenha de se escravizar até ao fim dos seus dias num trabalho que lhe desagrada. Não é uma pessoa que tenha de sobreviver com dificuldade entre ordenado e ordenado. Não é uma pessoa que tenha de se afirmar ou precise da aprovação dos outros. A verdade é que você não é, de todo, uma pessoa. Está a vivenciar a experiência de ser pessoa, mas em termos mais latos não é isso que é.
«As coisas não são o que parecem. Você não é o que julga ser.»
Jan Frazier, em The Freedom of Being
«Às vezes, centramo-nos nos sintomas da vida e descuramos a sua autêntica causa: a compreensão e o reconhecimento da nossa verdadeira natureza. Essa é que é a cura para tudo.»
Mooji
«A ignorância ou o conhecimento enganoso de quem e do que realmente somos são a única causa da infelicidade, da insatisfação e da angústia que sentimos na vida. Logo, se quisermos libertar-nos de quaisquer formas de aflição e infelicidade, temos de livrar-nos da ignorância ou da confusão relativa àquilo que verdadeiramente somos.»
Michael James, em Happiness and the Art of Being
A melhor bitola para avaliar a sua vida é o seu nível de felicidade. Qual o seu índice de felicidade? É genuína e constantemente feliz? A sua vida decorre num pano de fundo de felicidade permanente? É suposto sentir-se sempre feliz. A felicidade está em si, é a sua verdadeira natureza. É a sua essência.
«Todos procuram exatamente o mesmo neste mundo. Cada ser humano procura o mesmo, até os animais o fazem. E o que é que todos querem? A felicidade sem tristeza. Uma felicidade constante sem o mínimo laivo de tristeza.»
Lester Levenson, em Will Power (áudio)
O que norteia cada uma das nossas ações, das nossas decisões, é pensarmos que assim seremos mais felizes. Não é coincidência que todos nós persigamos a felicidade; nessa procura, sem darmos por isso, com a procura da verdade estamos é à procura de nós próprios!
É impossível encontrar a felicidade duradoura nos bens materiais. Cada coisa material aparece e acaba por desaparecer, logo, se basear a sua felicidade num objeto material, a sua felicidade desaparecerá com o desaparecimento do mesmo. Os bens materiais não têm nada de mal (são ótimos, e você merece ter tudo aquilo que quiser na vida), mas é extremamente libertador compreender que nunca se vai encontrar a felicidade duradoura neles. Se as coisas materiais nos proporcionassem felicidade, então, ao recebermos algo muito desejado, seríamos felizes para sempre. Mas essa situação não se verifica. Em vez disso, sentimos uma alegria passageira para, pouco tempo depois, estarmos de novo no ponto de partida: voltamos a desejar mais coisas na esperança de nos sentirmos felizes outra vez.
Só há uma forma de você encontrar a felicidade duradoura e permanente: compreender quem realmente é, porque a felicidade É a sua verdadeira natureza.
«O mundo é tão infeliz porque ignora o seu verdadeiro Ser. A natureza autêntica do ser humano é a felicidade, é inerente ao próprio Ser. A procura humana da felicidade é uma perseguição inconsciente do seu Eu verdadeiro… Quando alguém o consegue, encontra uma felicidade infinita, sem fim.»
Ramana Maharshi
«O único propósito de estarmos na Terra é aprender ou relembrar o nosso estado natural original, isento de limitações.»
Lester Levenson, em Will Power (áudio)
«A descoberta do nosso verdadeiro Ser tem o poder de transformar as trevas da ignorância em luz de pura compreensão. É a descoberta mais profunda, relevante e radical. É uma árvore que dá frutos de imediato. Quando nos apercebemos de quem somos, como vivenciamos e percebemos o mundo, muitas coisas farão sentido. Não há muitas coisas para saber quando o que se procura é a verdade. Não se exigem inúmeros conhecimentos, basta ter consciência de quem é, do seu autêntico Eu.»
Mooji
Ao longo dos séculos, deu-se vários nomes ao processo de relembrar quem se é verdadeiramente. Entendimento, autorrealização, autodescoberta, iluminação, despertar, lembrança. Provavelmente pensa que a «iluminação» não é para si («Sou só uma pessoa normal»). Nada mais longe da verdade. Esta descoberta — esta felicidade, esta liberdade — é o que você é, portanto, porque é que não há de ser para si?
«Abra-se à possibilidade de experimentar a verdade do que você é, neste preciso instante. Poderá perguntar: Como? Percebendo que o único obstáculo no caminho é a sua própria imaginação, a sua oposição imaginária.»
A minha professora
«Somos livres e não o sabemos. Nada nos parece mais irreal. Juraríamos estar à mercê do que corre bem e do que corre mal. Porém (eis a verdade), a liberdade está mesmo aqui.»
Jan Frazier, em The Freedom of Being
«A autorrealização tanto é possível para uma pessoa sem formação como para um rei. Não possui quaisquer pré-requisitos. A autorrealização não é unicamente própria daqueles que se submeteram a uma prática espiritual durante anos a fio; é igualmente válida para alguém que tenha passado a vida a beber e a fumar.»
David Bingham, em Conscious TV
Como É que a sua Vida Vai Ser?
«Refiro-me a uma coisa que quase ninguém experimentou. Como é que a posso descrever? Absolutamente destituída de limites. A capacidade para fazer qualquer coisa pelo mero ato de pensar nela. E, contudo, é bem mais do que isso. Imagine a maior alegria possível e multiplique-a por cem.»
Lester Levenson, em No Attachments, No Aversions
Quando você compreender plenamente quem é, terá uma vida sem problemas, sem agonias, sem dor, sem preocupações nem medo. Livrar-se-á do medo da morte e não voltará a ser controlado ou torturado pela sua mente. As ideias e crenças falsas esfumar-se-ão e serão substituídas por claridade, felicidade, alegria, paz, diversão e fascínio infinitos. Cada instante será um deleite. Aconteça o que acontecer, vai saber que está a salvo.
«E quando nos apercebemos disto… a felicidade absoluta instala-se permanentemente, e para todo o sempre. Com a instalação da felicidade, por acréscimo vêm a imortalidade, o ilimitado, a paz imperturbável, a liberdade total, bem como as restantes coisas que toda a gente deseja.»
Lester Levenson, em Happiness Is Free, volumes 1-5
Quando você compreender plenamente quem é, a vida simplifica-se; tudo aquilo de que precisa parece surgir sem qualquer esforço da sua parte. A leveza apropriar-se-á da sua vida, que fluirá com facilidade. A vida de carências e limitações acabará definitivamente. E vai começar a compreender o poder absoluto que tem sobre todas as coisas.
Quando você compreender plenamente quem é, o sofrimento e o esforço cessarão, bem como se desvanecerão o medo e as emoções negativas. A sua mente vai encontrar o sossego e sentir-se-á pleno de alegria, positividade, satisfação, de uma sensação de abundância e de uma paz imperturbável. Assim vai ser a sua vida.
Palavras de Jan Frazier, mãe e mestre literária:
«Imagine o seguinte: aquilo que o angustia, de repente deixa de o fazer. Pode continuar a existir, ser um facto na sua existência, mas já não tem massa nem gravidade. Tudo aquilo que o angustiava não passa agora de mera paisagem, como uma árvore ou uma nuvem passageira. Qualquer vestígio de desassossego emocional ou mental cessou, o fardo que traz consigo desde que tem memória. Uma coisa tão familiar como o seu melhor amigo, tão intrínseca como a sua língua materna ou a sua cor de pele, inexplicavelmente desaparece por completo. Nesse vazio impressionante paira agora uma alegria serena que o estimula de manhã, à tarde e à noite, o acompanha para todo o lado, em qualquer circunstância, inclusive quando está a dormir. Tudo aquilo que empreende acontece sem esforço. É feliz, sem motivo aparente; nada o perturba; já não sente stresse. Quando surge um problema, sabe o que fazer, fá-lo, e segue o seu caminho. As pessoas que anteriormente o irritavam já não têm esse poder. Embora sinta compaixão pelo sofrimento alheio, você já não sofre. As atividades que costumavam ser enfadonhas, agora divertem-no. Não precisa de terapia; não se sente aborrecido, ansioso, nem temperamental. A sua mente está descansada exceto quando é necessária para a realização de qualquer tarefa. A sua vida está inteiramente preenchida sem que nada tenha feito para a preencher… sabe que, independentemente dos desafios que surgirem, a paz o vai acompanhar durante o resto dos seus dias. Nunca mais sentirá medo, desespero, solidão. Aconteça o que acontecer, essa alegria inusitada perdurará. Imagine.»
Jan Frazier, em When Fear Falls Away
Esta é a sua vida com O Maior Segredo. Este é o seu destino.
CAPÍTULO 1 Resumo
• Quer saibamos quer não, temos passado toda a vida, de forma incessante, à procura de O Maior Segredo.
• Este grande segredo está bem à vista de todos, porém, somos incapazes de o distinguir.
• Há milhares de anos que ignoramos a verdade porque nos deixamos distrair pelos nossos problemas, pelos dramas quotidianos, pelos altos e baixos do mundo.
• Durante a nossa existência, aceitamos inúmeras ideias e crenças falsas, falsidades essas que nos mantêm escravizados.
• Todo o nosso sofrimento deriva de uma confusão de identidade.
• O sofrimento humano é provocado pela incompreensão da nossa autêntica natureza.
• Está a vivenciar a experiência de ser pessoa, mas em termos mais latos não é isso que é.
• É suposto sentir-se sempre feliz. A felicidade é a sua verdadeira natureza.
• Ao processo de descobrir quem se é verdadeiramente foram dados vários nomes: entendimento, autorrealização, autodescoberta, iluminação, despertar, lembrança.
• Abra-se à possibilidade de experimentar a verdade do que você é, neste preciso instante.
• Quando você compreender plenamente quem é, a sua vida decorrerá sem problemas, sem agonias, sem dor, sem preocupações nem medo, e sentir-se-á pleno de alegria, positividade, satisfação, abundância e paz.
CAPÍTULO 2
«Tão perto que nem o vê.
Tão subtil que a sua mente nem percebe.
Tão simples que nem acredita.
Tão bom que nem o consegue aceitar.»
Loch Kelly, em Shift into Freedom, relativamente à tradição budista tibetana do Shangpa Kagyu
Porque é que tão poucas pessoas descobriram a verdade? Porque é que a maioria de nós ainda não descobriu quem verdadeiramente é? Como é que bilhões de pessoas ignoram uma coisa de vital importância para a sua respetiva felicidade?
Ainda não descobrimos O Maior Segredo devido a um pequeno obstáculo: uma crença! Uma única convicção impediu-nos de fazer a maior das descobertas. A crença de que somos o nosso corpo e a nossa mente.
Você Não É o seu Corpo
«Viemos a este mundo para sermos um corpo com o intuito de aprendermos que não somos um corpo.»
Lester Levenson, em Happiness Is Free, volumes 1-5
Tal como usa um carro para ir de um sítio para o outro, o seu corpo é um veículo que utiliza para se deslocar e experimentar o mundo.
«Se você tem um carro, não diz que é o carro. Então, se tem um corpo, porque é que diz que é o corpo?»
Lester Levenson, em Happiness Is Free, volumes 1-5
Ao ser matéria, o seu corpo não é consciente, não sabe que é um corpo, mas «você» sim, você sabe que se trata de um corpo. O seu dedo do pé não sabe que é um dedo do pé, o seu pulso não sabe que é um pulso, a sua cabeça desconhece que é uma cabeça, e o seu cérebro não faz a mínima ideia de que é um cérebro, mas «você» conhece cada uma das partes do seu corpo. Como é que você pode ser o corpo quando conhece todas as partes que o compõem e, porém, nenhuma delas o conhece a si?
Foram perguntas incisivas como estas que impeliram grandes figuras do passado a distinguir o mistério oculto por trás da nossa verdadeira natureza.
«O pior hábito que fomos adquirindo ao longo de milénios é estarmos convictos de que somos este corpo.»
Lester Levenson, em Happiness Is Free, volumes 1-5
«Esquecemo-nos do que somos e identificámo-nos a nós próprios com objetos. Sou este corpo, logo, vou morrer.»
Francis Lucille
«Tem medo de que, se o seu corpo não estiver, você também não esteja.»
Lester Levenson
Acreditar que é apenas o seu corpo desencadeia o maior medo do ser humano, o medo da morte: quando o seu corpo morre, receia que deixe de existir. É uma espécie de nuvem negra a pairar sobre a sua vida.
«Se deseja a imortalidade, pare de se agarrar ao seu corpo.»
Lester Levenson, em Happiness Is Free, volumes 1-5
O facto de você não ser o seu corpo é uma boa notícia porque, um dia, o seu corpo vai chegar ao fim da sua existência, tal como acontece com todas as coisas materiais. O mundo está pejado de coisas materiais, e nenhuma delas vai perdurar, incluindo o seu corpo, cujo aparecimento e desaparecimento se faz através do nascimento e da morte. O seu autêntico Ser nunca morre!
«Aquilo que é de verdade não pode morrer. O corpo morre, mas o corpo não corresponde àquilo que você é.»
Mooji
«Temos liberdade de escolha para nos identificarmos com o corpo ou com aquilo que realmente somos. O corpo equivale a dor e aquilo que você é equivale a uma alegria infinita.»
Lester Levenson, em Happiness Is Free, volumes 1-5
Para ultrapassar as dificuldades, há que começar por livrar-se da crença de que você é o seu corpo.
Você Não É a sua Mente
A voz na sua cabeça é diferente de si, apesar de ter passado a vida a acreditar que não era assim. Embora a voz dentro na sua cabeça se pareça consigo, embora aparente saber muito sobre a sua pessoa e lhe seja muito familiar, decididamente essa voz não é você. A voz da sua cabeça é a sua mente, e você não é a sua mente.
«A mente é um conjunto de pensamentos que aparecem e desaparecem constantemente.»
Peter Lawry
«Sem pensamentos, a mente não existe. A mente é só pensamento.»
Lester Levenson, em Happiness Is Free, volumes 1-5
Ora verifique: onde está a sua mente se não há pensamento? Simplesmente não está.
«Não há nada no seu interior exceto pensamentos e sentimentos, memórias e sensações, mas você é um pensamento? É um sentimento?»
Rupert Spira (palestra pública)
Se você fosse um pensamento — um pensamento frustrado, por exemplo —, desapareceria quando esse pensamento frustrado desaparecesse. Você não é um pensamento, uma sensação nem um sentimento, porque o fim dos mesmos seria o seu fim. Bem pelo contrário, você sobrevive-lhes. Você já cá está antes de um pensamento, de um sentimento ou sensação e mantém-se perfeitamente intacto depois de os mesmos se esfumarem. É bastante óbvio quando paramos para pensar no assunto. Naturalmente, temos pensamentos, sentimentos e sensações, mas não somos nenhuma dessas coisas.
De certo modo, é fácil perceber que nos custe ver o que realmente somos, porque o corpo e a mente são uma combinação muito convincente. A mente gera um fluxo constante de pensamentos que, na sua maior parte, contêm a palavra eu, como se fôssemos a nossa mente. E talvez o surpreenda saber que todas as nossas sensações físicas advêm igualmente da mente, o que vem reforçar a crença de que somos o nosso corpo.
«A forma como os outros o veem contribui para a sua noção de si próprio. Quando acontecem coisas, parece que "lhe" acontecem a si ou que de alguma forma as propicia… Aquilo que ocorre preocupa-o pelo efeito que tem em si. "Sustém-se" com o desejo de se manter em segurança e em circunstâncias favoráveis. Parece mesmo real.»
Jan Frazier, em The Great Sweetening: Life After Thought
Não significa que você não possua um corpo e uma mente; só que eles não são o seu verdadeiro eu. Tal como o seu carro, trata-se apenas de instrumentos afinados que utiliza para experienciar o mundo material.
«O facto de se identificar com o seu corpo e mente é a única coisa que o impede de vislumbrar aquilo que realmente é. Essa identidade falsa está a ocultar, qual véu, o seu verdadeiro Ser.»
Mooji
Você É Mesmo a Pessoa que Julga Ser?
«Tendo em conta o enorme esforço dedicado ao reforço do ego — nomeadamente na ênfase da autoestima, da reputação, da realização, da aparência física, ou dos bens materiais —, é um milagre que o despertar possa, por vezes, acontecer.»
Jan Frazier, em The Freedom of Being
O ego, o eu imaginário, o eu aparente, o eu separado e o eu psicológico são alguns dos nomes dados por mestres e sábios a esta identidade falsa. Todas as descrições se prendem com um corpo e uma mente que, juntos, formam aquilo a que chamamos pessoa. Quando nos referimos a nós próprios, a maior parte de nós está a referir-se a essa pessoa que julgamos ser.
«Uma pessoa é aquilo que experiencia, não é aquilo que é.»
Mooji
«A pessoa não existe. Se você diz "Sou uma pessoa", então há que dizer qual: era uma vez um bebé, um adolescente, uma criança… e este processo em breve acabará.»
Dr. Deepak Chopra™
A sua personalidade está em permanente mudança, por isso, se você é a sua personalidade, então, que tipo de pessoa é? É a pessoa furibunda, a pessoa amorosa, a frustrada, a irritada ou a bondosa? Provavelmente, você julga ser todas elas, mas é impossível que assim seja, pois nesse caso a pessoa furibunda nunca desapareceria; ela estaria sempre presente. Ou, se você fosse mesmo a pessoa frustrada, quando a mesma desaparecesse, uma parte de si desapareceria com ela. Mas isso não acontece, pois não? Você já cá estava antes de a pessoa zangada aparecer e aqui continua quando esta se esfuma. Já cá estava antes de a pessoa frustrada aparecer e cá vai continuar quando esta desaparecer. Claramente, você não é a sua personalidade nem o seu estado de espírito inconstante.
«A personalidade é uma ferramenta útil, mas não pode definir o que você é. Aquilo que você é dista muito daquilo que julga ser.»
Jac O'Keeffe
«O maior obstáculo para descobrir a verdade do que somos essencialmente é a convicção de que sou um conjunto de pensamentos, memórias, sentimentos e sensações. Todas essas coisas juntas formam um eu ou uma entidade ilusórios. A crença de que sou essa entidade é o único entrave. Todos os nossos problemas psicológicos decorrem desse eu imaginário. Tudo se reduz a que nos confundamos com ele.»
Rupert Spira (palestra pública)
«A pessoa só parece existir devido à crença persistente e indiscutível de que há mesmo uma "pessoa" real aqui. Mas a pessoa, ou o ego, não pode existir sem a crença em si. É só imaginação. A bem da verdade, não há pessoa nenhuma. O único morador da casa do corpo é o Eu puro, que é aquilo que você é. O resto é invenção. Não há dois inquilinos neste corpo; sempre houve apenas um. Acreditar no ego proporciona-nos uma sensação de realidade, porém isso não é um facto, não passa de uma ilusão.»
Mooji
Qual é o problema de acreditarmos que somos um ego ou uma pessoa?
É sentirmo-nos pequenos e extremamente vulneráveis. Temos medo de que nos aconteçam coisas más. Temos medo da doença, da velhice e da morte. Receamos perder as coisas que possuímos e não obter aquelas que desejamos. Vivemos num estado de carência, julgando que «não há suficiente»: não há dinheiro suficiente, nem tempo suficiente, nem energia, amor, saúde, felicidade. Nem sequer há vida suficiente. E, o pior de tudo, estamos convencidos de que nós próprios também não somos suficiente. Nada disso é verdade; de facto, é a antítese da verdade, mas nunca poderemos gozar de uma felicidade autêntica e duradoura enquanto nos agarrarmos à crença de que não passamos de uma pessoa.
«A tragédia e a comédia da condição humana é que passamos grande parte da nossa vida a pensar, a sentir, a agir, a discernir e a relacionarmo-nos em nome de um eu ilusório.»
Rupert Spira, em The Ashes of Love
«O seu ego não é aquilo que você é, mas faz tal alvoroço que não o deixa ouvir quem realmente é. É uma loucura deixar o ego espraiar-se, tal como alimentá-lo e regá-lo.»
Jan Frazier, em Opening the Door
«Acho que padecemos todos de uma espécie de envenenamento da pessoa. Vivemos e encaramos a vida de forma demasiado pessoal, levamos tudo muito a peito, como algo demasiado pessoal. Reagir à vida de um modo pessoal é uma forma de cegueira. Não se veem as coisas sob o prisma correto.»
Mooji
É inequívoco que está a experienciar um corpo, a experienciar uma mente, e a ter a experiência de ser uma pessoa, mas, de facto, essas são as suas partes mais insignificantes e, em última instância, não correspondem àquilo que é, pois quando acabam, você não acaba.
«Não há gente dentro da gente.»
Shakti Caterina Maggi
Mas há o seu verdadeiro eu.
«Porque é que é tão difícil ver através do ego, desprender-se dele, parar de acreditar na solidez desse rapazola? Porque é que nos ancoramos nesse eu aparentemente real quando por baixo, à volta, por cima e através dele existe essa outra realidade deslumbrante, que é efetivamente autêntica, da qual nos podemos alimentar e pela qual é possível alcançar uma paz perfeita? Porque é que nos privamos disto e optamos por algo comparativamente tão irrisório, uma coisa que nos causa tantas dificuldades, tanta dor?»
Jan Frazier, em Opening the Door
Grandes Fingidores
As suas ideias, sentimentos, sensações e crenças formam uma aliança com o intuito de o convencer de que é uma pessoa. Somos todos uns grandes fingidores. Fingimos que somos muito pequenos. Fingimos que somos muito limitados. Fingimos que somos pessoas insignificantes e limitadas que nascem, vivem um tempo, morrem, sendo esse o nosso fim. Mas nada dista mais da verdade!
«Estamos obcecados por uma personagem imaginária que não existe.»
Shakti Caterina Maggi
Pode dizer-se que essa personagem imaginária é exatamente igual à personagem de um filme. Sabemos que o ator que interpreta o papel existe, mas a personagem sabe que o ator existe? Não, a personagem do filme é imaginária.

Alicerçamos a nossa convicção de sermos pessoa a cada pensamento. Se conferir os seus pensamentos, vai perceber que, no centro de cada um deles, há um «eu». Esses pensamentos centrados em torno do «eu» que você acredita firmemente que é servem para confirmar repetidamente que você é uma pessoa insignificante e limitada.
Quando acredita que a voz na sua cabeça é realmente você, acredita automaticamente em tudo o que essa voz diz; acredita em todos os pensamentos criados pela sua mente.
Pensamentos do estilo:
«Estou a ficar velho.»
«Estou estafado.»
«Não estou à altura.»
«Não sou capaz de fazer isso.»
«Não tenho tempo suficiente.»
«A minha saúde já não é o que era.»
«Estou à rasca de dinheiro.»
«A minha esperteza não dá para mais.»
«Tenho problemas de vista.»
«Ninguém gosta de mim.»
«Ele ou ela não simpatiza comigo.»
«Não o mereço.»
«Tenho medo de morrer.»
«Não sei o que fazer.»
Todas estas ideias são limitações que lhe são impostas pela sua mente. O seu eu verdadeiro é ilimitado, o que significa que absolutamente nada tem poder sobre si!
A minha mestre diz que, ao formularmos constantemente pensamentos que limitam, como os anteriormente enunciados, estamos a praticar a pequenez, acostumando-nos a ser pessoas insignificantes e limitadas, e que, se abandonássemos essa prática, veríamos a verdade do que realmente somos.
Tudo o que define a «pessoa» é o oposto daquilo que você realmente é. A pessoa é imperfeita. O seu verdadeiro ser é perfeito. A pessoa é temporária e limitada. O seu verdadeiro ser é permanente e ilimitado. A pessoa nasce e morre. O seu verdadeiro ser não nasce nem morre. A pessoa é pessoal e instável. O seu verdadeiro ser é impessoal e imutável. A pessoa tem estados de espírito volúveis. O seu verdadeiro ser é felicidade e paz constantes. A pessoa está cheia de preconceitos e opiniões. O seu verdadeiro ser compreende e aceita tudo. A pessoa adoece e envelhece. O seu verdadeiro ser não fica velho nem é afetado pela doença. A pessoa sofre. O seu verdadeiro ser está isento de dor e de sofrimento. A pessoa morre. O seu verdadeiro ser existe para toda a eternidade.
Trocar a Infelicidade pela Verdade
Há apenas um modo de ter uma vida bem-aventurada e com uma felicidade duradoura, e passa por conhecer a sua autêntica natureza. Só há uma forma de se livrar de uma vida repleta de problemas, de negatividade e de discórdia, e passa por saber a verdade sobre quem realmente é.
«O verdadeiro eu é infinitamente grande e glorioso, completo, perfeito, e encontra-se num estado de paz absoluta, e você está a fechar os olhos a essa verdade ao assumir que é um ego limitado. Destape os olhos, descarte o ego e viva para sempre em perfeita paz e alegria. Quando se encontrar a si próprio, terá tudo.»
Lester Levenson, em Happiness Is Free, volumes 1-5
«A vida não se resume à resolução de montes de pequenos problemas, porque os problemas nunca têm fim. A própria vida indica-nos a única coisa essencial que foi ignorada: o nosso ser autêntico e imutável. A Humanidade no seu todo vive imersa na ideia errada de que somos fundamentalmente indivíduos com um corpo, o que se opõe ao nosso verdadeiro Ser.»
Mooji
«Talvez a tragédia esteja presente na "história" da nossa vida, mas na verdade não somos atingidos por tragédia alguma. O propósito é precisamente esse, ensinar-nos essa distinção. Assim que aprendemos a lição, a própria história muda, revelando-se como beleza, amor e inteligência. Não se agarre à noção de que o sofrimento é inevitável. Enquanto corroborar essa ideia, o sofrimento será um facto.»
Francis Lucille
«Na parábola bíblica, o homem que é identificado com o corpo e a mente é aquele que constrói a sua casa na areia. Compreender a verdadeira natureza do seu ser é edificar a nossa casa sobre pedra.»
David Bingham
Não há nenhuma forma de procurar a verdade, pois esta já está em si, é aquilo que você é. Como é que haveria de se procurar a si próprio? O que acontece é que a imensa maioria passa a vida a desviar o olhar do seu verdadeiro ser, em vez de olhá-lo de frente.
Alguma vez viu uma dessas ilustrações que contêm duas imagens diferentes da mesma figura? Quando olha pela primeira vez, vê claramente uma imagem, mas ao princípio não consegue vislumbrar a outra. Por mais que tente, é incapaz de ver a segunda imagem, pois a sua vista está focada na primeira. Para que a outra se revele, tem de mudar de perspetiva e descontrair ligeiramente o olhar.

Na famosa imagem de Edgar Rubin, ao princípio ou vê o perfil de duas pessoas viradas uma para a outra, ou vê um vaso. Para ver claramente ambas as imagens, tem de alterar o modo de olhar para a imagem.
Durante quase toda a vida, vimo-nos a partir de uma única perspetiva, de que somos corpo e mente, ou seja, de que somos uma pessoa individual. Mas, para vermos claramente quem somos, como acontece com o vaso de Rubin, devemos mudar de perspetiva, nem que seja ligeiramente.
A Revelação
Deixe-me fazer-lhe uma pergunta simples.
É consciente?
A sua resposta devia ser «sim», caso contrário não teria noção da pergunta que lhe acabo de fazer. Permita-me que lha pergunte de novo.
É consciente?
Sim, é. Era consciente em bebé, e durante a infância, a adolescência e a vida adulta. Tem sido consciente toda a sua vida.
A consciência foi e continua a ser a única constante da sua vida. O seu corpo não para de mudar; a sua mente também não. Os seus pensamentos, sentimentos e sensações transformam-se continuamente, mas a única coisa que permanece intacta é a sua consciência de tudo isso.
E essa consciência é o que você realmente é.
Você é Consciência.
«Pois é. Está tão perto de si que é incapaz de o ver. É através dos seus olhos que encara o mundo que o rodeia.»
Jan Frazier, em The Freedom of Being
«Quando dizemos "eu", fomos condicionados para julgar que nos estamos a referir ao corpo, quando na verdade o "eu" equivale à Consciência.»
David Bingham
Você não é um corpo, uma mente nem um conjunto de pensamentos, sentimentos memórias ou sensações. É aquele que é consciente do seu corpo, da sua mente, das suas ideias, sentimentos, memórias e sensações. Você é a Consciência em si própria.
«No instante em que encontra a Consciência, alguma coisa dentro de si a reconhece.»
Mooji
É consciente de estar a ler este livro. É consciente dos sons que o rodeiam. É consciente da sala em que se encontra. É consciente do seu nome. É consciente do seu corpo e da roupa que traz vestida, da sua respiração e das suas sensações físicas. É consciente do seu paladar, das plantas e dos dedos dos seus pés. É consciente da sua mente, dos pensamentos que lhe passam pela cabeça, dos seus sentimentos e dos seus estados de espírito.
De facto, sem Consciência ser-lhe-ia impossível conhecer ou experienciar a vida em qualquer uma das suas manifestações.
Você É a Consciência que É Consciente de Tudo
A Consciência é aquilo que é consciente de cada experiência de vida que você tem. Não são a mente nem o corpo que são conscientes da sua vida. Você — a Consciência que o define — é consciente da mente, dos pensamentos e do corpo, e nada daquilo de que é consciente se pode confundir consigo.
O mestre Sailor Bob Adamson refere que, sem sombra de dúvida, sabemos que existimos. Mas a única forma de saber que existimos é a nossa Consciência de que existimos. Cometemos o erro de acreditar que a nossa Consciência de que existimos provém da mente ou do corpo, mas não é verdade. A Consciência de que existimos é aquilo que verdadeiramente somos, não a mente nem o corpo.
Só por um instante, imagine que não tem corpo nem mente.
Livre-se do seu corpo.
Livre-se da sua mente.
Livre-se do seu nome.
Livre-se da história da sua vida, ou seja, de todo o seu passado.
Livre-se de todas as suas memórias, crenças e pensamentos.
E repare naquilo que resta.
O que resta é simplesmente Consciência.
«Se alguém nos fizesse reparar no papel branco no qual estas palavras estão escritas, de repente teríamos Consciência do mesmo. De facto, sempre tivemos conscientes do papel, mas não dávamos por isso devido ao facto de a nossa atenção estar focada nas palavras. A Consciência é como esse papel branco.»
Rupert Spira, em Being Aware of Being Aware
A Consciência, tal como o papel branco, está sempre presente como pano de fundo das nossas vidas. Normalmente, só prestamos atenção à mente e aos seus pensamentos e ao corpo e às suas sensações, porque estes exigem muita atenção. Mas não poderíamos ter a perceção da mente e dos seus pensamentos nem do corpo e das suas sensações se a Consciência não fosse consciente dos mesmos, tal como não veríamos as palavras se não estivessem impressas sobre o papel que lhes serve de fundo.
«Centre a sua atenção nesse fundo, nem que seja só um bocadinho, e descobrirá um mundo inteiramente novo.»
Hale Dwoskin
«A Consciência é o elemento mais evidente da experiência, porém, é o mais ignorado.»
Rupert Spira, em Being Aware of Being Aware
«A subtileza que ignoramos é que conhecemos tudo diretamente através da Consciência, mas é um dado adquirido que tudo nos chega através da mente. Por exemplo, o normal é dizer "Eu penso", mas, se prestarmos atenção, percebemos que o que acontece é que temos Consciência de estar a pensar. De modo que o pensamento não é o que você é; há alguma coisa que é consciente desse pensar.»
David Bingham, em Conscious TV
A Consciência é aquela que vê através dos seus olhos! A Consciência é aquela que ouve com os seus ouvidos! Sem Consciência, não seria consciente de nada do que vê, ouve, saboreia, cheira ou em que toca, nem poderia apreender a informação que lhe chega através dos sentidos. Os seus sentidos não são conscientes; é a Consciência que é consciente dos seus sentidos.
«O aparelho com o qual vemos é, por si só, inerte, incapaz de ver. Um telescópio não serve de nada se não houver um astrónomo por trás. Não vê nada por si próprio. De forma idêntica, o aparelho da mente não vê nada por si só.»
Francis Lucille, em The Perfume of Silence

«Você é a Consciência de que é consciente de tudo.»
David Bingham
«Esta consciência individual — a sensação de ser uma pessoa, um indivíduo autónomo, uma mente ou uma alma confinadas aos limites de um corpo — é mera fantasia, uma forma ilusória e distorcida da consciência mais pura do "Sou", mas é, ainda assim, a origem de qualquer desejo e qualquer desconsolo.»
Michael James, em Happiness and the Art of Being
«O "eu" que imaginamos ser é só mais uma ideia.»
Kalyani Lawry
«A nossa verdadeira natureza, o ser real e infinito que somos, é simplesmente o que somos sem a mente.»
Lester Levenson, em Happiness Is Free, volumes 1-5
A nossa mente distorce a realidade que vemos ao cobri-la de camadas e camadas de ideias e crenças, sobrepostas umas às outras. Cada camada mental distorce um pouco mais o mundo e impede-nos de o vermos como ele realmente é.
«A mente nunca descobrirá quem você é porque é o embrulho daquilo que você é. Só livrando-se da mente descobrirá quem é.»
Lester Levenson, em Happiness Is Free, volumes 1-5
Tentar ver a verdade com a mente é como tentar ver alguma coisa de olhos vendados. Tem de tirar a venda para ver, tal como tem de se livrar da mente para ver o que é realmente.
«Tentar compreender a consciência com a mente é como tentar iluminar o sol com uma vela.»
Mooji, em White Fire, segunda edição
Sem sequer darmos por isso, estamos constantemente centrados no barulho que os pensamentos que surgem da nossa mente fazem. A Consciência está sempre presente, mas é muito mais fácil percebê-la quando a algaraviada do pensamento amaina. Quando o pensamento cessa, a Consciência, que desde o princípio está sossegada nas profundezas, é-nos revelada.
O Embrulho da Mente
«Estamos tão acostumados a conhecer-nos através das nossas angústias, dos nossos dramas e obsessões, que é difícil de aceitar como nossa verdadeira identidade a Consciência desperta, que representa a nossa verdadeira natureza e a nossa bondade primigénia.»
Loch Kelly, em Shift into Freedom
«Consciência desperta» é como Loch Kelly chama à Consciência, e é só um dos muitos nomes que os mestres do passado e do presente usaram para descrever aquilo que somos: Consciência, Consciência Desperta, Perceção, Perceção Cósmica, Ser, Natureza de Buda, Consciência Cristã, Consciência Divina, Espírito, Eu, Ser Infinito, Inteligência Infinita, Ser Ilimitado, Verdadeira Natureza, Verdadeiro Eu, Presença de Deus, Presença, Consciência Presente, Perceção Pura, Consciência Pura, e muitos outros. Todos estes termos pretendem descrever exatamente o mesmo: a Consciência que você é.
«Somos tão espertos e a nossa vida é tão complexa que custa acreditar que a solução para o nosso sofrimento passe simplesmente por descobrir a Consciência desperta. Custa igualmente crer que a descoberta mais importante já esteja aqui, entre nós; que não seja necessário uma odisseia para encontrá-la, conquistá-la e desenvolvê-la.»
Loch Kelly, em Shift into Freedom
«O mais engraçado é que seja tudo tão simples.»
Peter Lawry
Parece uma piada porque o que somos realmente, o que está mais perto de nós do que a própria respiração, há milhares de anos que escapa ao entendimento da maioria dos seres humanos.
Ignorámos a descoberta mais simples e maravilhosa de todas porque as nossas ideias têm um efeito hipnótico que nos mantém encerrados nas nossas cabeças, alheios à Consciência. Normalmente, só prestamos atenção aos pensamentos oriundos da nossa mente e ao que percecionamos através dos nossos sentidos e, estando a nossa atenção assim distraída, não vemos o que está sempre presente: a Consciência.
«Nem o corpo nem a mente têm nada de mal. O problema é que os equiparamos à nossa consciência, à nossa presença testemunhal. Enquanto continuarmos a identificar essa presença testemunhal com o corpo e com a mente, não haverá espaço para que esta se revele em todo o seu esplendor.»
Francis Lucille, em The Perfume of Silence
«Despoje-se por um momento da sua personagem. É só uma roupagem puída e suja por anos de uso e desgaste.»
Pamela Wilson
«Acreditar que o nosso Ser — a nossa Consciência luminosa, aberta e vazia — partilha os limites e o destino da mente e do corpo é como acreditar que o ecrã partilha os limites e o destino da personagem de um filme.»
Rupert Spira, em The Ashes of Love
«As pessoas julgam-se seres humanos, mas são antes um Ser Infinito. É uma identidade ilusória, mas o que são realmente nunca os abandonou e está sempre presente.»
David Bingham
A sua mente só aparece quando tem um pensamento, e desaparece quando esse pensamento termina. Mas a Consciência não aparece nem desaparece. A Consciência está sempre presente, mesmo quando está a dormir. Parece que cessa quando vai dormir e volta a ativar-se ao acordar e, no entanto, sabe que dormiu o sono dos justos porque diz algo do género: «Dormi muito bem, como um bebé.» Como é que sabe que dormiu como um bebé? Sabe-o porque a Consciência estava consciente e presente enquanto você dormia.
Quando se pergunta «Sou consciente?», percebe de imediato a Consciência. Não apareceu; já aí estava, presente. Simplesmente desviou a sua atenção do pensar e depositou-a na Consciência, tornando-se assim manifestamente consciente.
Tudo o que não é Consciência acaba ou morre com o tempo. Todas as coisas terrenas, sem exceção, vêm e vão, aparecem e desaparecem. Tudo o que há na Terra — os corpos, as cidades, os países, os oceanos — aparece e, com o tempo, acaba por desaparecer. Se parar um momento para pensar, verá que nada perdura. Tudo é temporário, até o próprio planeta Terra, o Sol, o Sistema Solar, inclusive o Universo. Nada é para sempre, salvo uma coisa: a Consciência. Você, a Consciência, estão aqui para sempre!
Os nossos corpos envelhecem e, contudo, à medida que as pessoas vão ficando mais velhas, costumam dizer que não sentem que tenham envelhecido; que se sentem como sempre. Notam que o corpo tem mais anos, sim, mas esse ser que sentem no foro interno, esse não parece ter envelhecido minimamente. Sem darem por isso, estão a perceber a Consciência intemporal que realmente são.
«Quando relembra o seu passado, a sua infância, quem é quem relembra? Eu relembro. O "Eu" é que conhece a experiência, que relembra a experiência.»
Dr. Deepak Chopra™
O «Eu» pelo qual nos denominamos quando temos cinco, quinze, trinta ou sessenta anos, é a Consciência intemporal que foi testemunha de toda a nossa existência.
Aos cinco anos: «Eu… vou para a escola em breve».
Aos quinze anos: «Eu… estou desejoso de acabar a escola».
Aos trinta anos: «Eu… vou casar».
Aos sessenta anos: «Eu… ainda não estou pronto para me reformar».
«Autorrealizar-se é compreender que os aspetos em constante mudança da superfície da vida se dão dentro da Consciência permanente e imutável que cada um foi e é desde sempre, autenticamente.»
David Bingham, em Conscious TV
«Isto não é um conto de fadas. É uma possibilidade tão real como uma árvore, tão real como a política, como as raízes que seguram a árvore à Terra, tão real como os jornais e as suas notícias. É tão real como a equipa de beisebol dos Red Sox, como o preço da gasolina, como uma discussão com os seus cunhados, como as propinas da universidade… de facto, é mais real do que essas coisas todas, contudo, mal se vê, mal se sente, e muito menos se conhece diretamente.»
Jan Frazier, em Opening the Door

«Não há nenhum de nós que não esteja em contacto direto e na posse desse Ser Infinito que é absolutamente perfeito, presente, feliz e eterno. Não há ninguém que não esteja em contacto direto com Isso neste preciso instante! Mas, devido a uma aprendizagem errada, devido ao facto de termos assumido noções limitadoras e de termos feito questão de olhar para fora, a nossa visão está ofuscada. Ocultámos esse Ser Infinito que somos envolvendo-o em enunciados como "Sou este corpo físico" ou "Sou esta mente", ou "Com este corpo físico e esta mente, tenho uma imensidão de problemas e preocupações".»
Lester Levenson, em Happiness Is Free, volumes 1-5
«Trata-se do mesmo estado a que quase todas as religiões chamam "libertação" ou "salvação", porque só nesse estado de verdadeiro autoconhecimento somos livres e nos escapulimos da escravatura implícita no facto de nos confundirmos com indivíduos separados, com uma consciência confinada dentro dos limites de um corpo físico.»
Michael James, em Happiness and the Art of Being
Nalgumas religiões, a Consciência ou a Perceção também são chamadas presença de Deus. Quando uma pessoa tem uma experiência mística — uma vivência na qual sente que foi tocado por Deus —, a mente individual e o ego esfumam-se e permitem que a Consciência, ou a presença de Deus, se revelem. Dá-se um sentimento de amor puro, de paz infinita, de beleza, felicidade e prazer que só pode equiparar-se com a divindade.
«Na realidade, somos o Ser Infinito, mais do que o ser humano. Somos o Ser Infinito a ter uma experiência humana.»
David Bingham
Em muitos sentidos, a verdade da vida e do nosso próprio ser é, de facto, o contrário daquilo que nos ensinaram. Em vez de olharmos para fora, para o mundo, à procura de felicidade, plenitude, respostas e verdades, precisamos de olhar para dentro, porque só assim encontraremos aquilo de que andamos à procura. O nosso belíssimo mundo, com tudo o que contém, está feito para ser usufruído ao máximo, mas a felicidade, o prazer, o amor, a paz, a inteligência e a liberdade que constituem a Consciência — a sua autêntica natureza — só podem ser encontrados dentro de si.
CAPÍTULO 2 Resumo
• Uma única convicção impede-nos de fazer a maior das descobertas: a crença de que somos um corpo e uma mente.
• Você não é o seu corpo; o seu corpo é um veículo que utiliza para experimentar a realidade. O seu corpo não é consciente.
• Acreditar que é o seu corpo desencadeia o maior medo do ser humano: o medo da morte.
• Aquilo que você realmente é nunca morre.
• Você não é a sua mente; a mente é só pensamento. Sem pensamentos, a mente não existe.
• Você não é uma ideia, uma sensação nem um sentimento, porque, se assim fosse, o fim dos mesmos seria o seu fim.
• O corpo e a mente, juntos, formam aquilo a que chamamos «pessoa»: o eu imaginário
• Uma pessoa é aquilo que experiencia, não aquilo que é.
• Nunca poderemos gozar de uma felicidade autêntica e duradoura enquanto nos agarrarmos à crença de que não passamos de uma pessoa.
• Está a experienciar um corpo, a experienciar uma mente, e a ter a experiência de ser uma pessoa, mas não é isso que é.
• Fingimos ser pessoas insignificantes e limitadas através de pensamentos de limitação constantes.
• Quem você é verdadeiramente é ilimitado, o que significa que absolutamente nada tem poder sobre si.
• Tem sido consciente toda a sua vida. A Consciência foi e continua a ser a única constante da sua vida.
• Essa Consciência é o que você realmente é. Você é Consciência.
• Sem Consciência, não poderia conhecer nem experienciar a vida.
• Não são a mente nem o corpo que são conscientes da vida. A Consciência é que é consciente de cada experiência de vida que você tem.
• Imagine que não tem corpo nem mente, nome, história, passado, memória, crenças nem ideias. O que resta é a Consciência.
• Normalmente só prestamos atenção às nossas ideias e perceções, e assim ignoramos o que está sempre presente: a Consciência.
• A Consciência está presente mesmo quando está a dormir.
• Quando se pergunta «Sou consciente?», percebe de imediato a Consciência. Não apareceu; sempre aí esteve.
• Tudo o que não é Consciência, acaba ou morre com o tempo.
• O «Eu» pelo qual nos denominamos ao longo das idades da vida é o «Eu» intemporal da Consciência, que foi testemunha de toda a nossa existência.
• Em vez de olharmos para fora à procura de felicidade, temos de olhar para dentro; só assim encontraremos aquilo de que andamos à procura.
CAPÍTULO 3
Você é consciência, não é uma pessoa a ser consciente de algo. Você é a própria Consciência Infinita.
Tal como disse Francis Lucille, um telescópio é meramente um instrumento, sem o astrónomo a olhar através dele. O seu corpo e a sua mente são igualmente instrumentos. E, portanto, o que é que está a olhar através dos seus olhos? Você, Consciência! O que é que está a ouvir sons? Você, Consciência! O seu corpo está vivo graças à Consciência: a Consciência é, na verdade, a força vital que anima o seu corpo.
«O erro fundamental é acreditar que um ser humano está a experienciar consciência. Isto não está correto. Só a consciência é consciente e, por conseguinte, só a consciência pode experienciar consciência. Quando lhe pergunto "É consciente?", você irá fazer uma pausa para verificar a sua experiência e responderá "Sim". Esse "sim" é uma afirmação da consciência que a consciência tem de si própria. Não é um corpo ou um cérebro que experiencia ser consciente. Esse corpo e cérebro são experienciados, não experienciam.»
Rupert Spira, em The Light of Consciousness (palestra)
Existe Apenas uma: O nosso Nome É «Eu»
«Só a consciência é consciente. Os seres humanos não são conscientes. Os cães e gatos não são conscientes. Os animais não são conscientes. Só a consciência é consciente. Existe apenas uma consciência, tal como existe apenas um espaço no Universo. Essa consciência é refratada em cada uma das nossas mentes e, consequentemente, cada uma das nossas mentes parece ter uma consciência própria, tal como cada edifício parece conter o seu próprio espaço. Mas a consciência com a qual cada uma das nossas mentes é consciente da sua experiência é a única consciência que existe, a consciência infinita, tal como o espaço em todos os edifícios é o mesmo espaço.»
Rupert Spira, em Awareness Is the Only Aware Entity in Existence (palestra)
A Consciência Infinita, essa Consciência única e singular, é você, e todas as outras pessoas! Existe apenas uma Consciência e é a mesma Consciência que opera através de toda a gente. Existe apenas um de nós. O nosso nome é «Eu».
«Existe apenas um "Eu", e você é-O, tal como toda a gente O é.»
David Bingham
É a Consciência única que atua através de todas as formas de vida. Todas as formas físicas são simplesmente veículos diferentes para a única e gloriosa Consciência Infinita. Este é o verdadeiro significado do ensinamento «Nós somos um».
Perceção e Consciência são palavras diferentes usadas para descrever a mesma coisa. Ambas o descrevem a si.
«Esta consciência muito trivial, que neste preciso momento está a ouvir estas palavras, e a entendê-las, é também a consciência divina que vive todas as vidas. Não existe uma única entidade separada em todo o cosmos.»
Francis Lucille, em Truth Love Beauty
«Nós somos Um. Existe apenas um em nós. Existe apenas um como nós.»
Mooji, em White Fire, segunda edição
É um pouco como os biliões de células que vivem, trabalham e operam no seu corpo. Sem que cada uma das células individuais o saibam, elas são, na verdade, parte de um só ser humano. Há milhares de milhões de seres no mundo a operar como indivíduos e, sem que a maioria deles o saiba, eles são o único e singular Ser Infinito.
«Fomos ensinados a acreditar que esta consciência é pessoal e limitada e que cada pessoa é dotada de uma consciência pessoal e privada, existindo, assim, muitas consciências. Nunca considerámos o facto de que, embora seja fácil verificar que dois objetos são separados, pois é possível observar as suas fronteiras e limites, não é possível encontrar qualquer fronteira ou limite para a consciência.»
Francis Lucille, em Truth Love Beauty
Se existe apenas uma Perceção ou Consciência, porque é que você não é consciente dos pensamentos ou sensações que ocorrem nos corpos de outras pessoas? Ou do que um animal em África está a ver ou a ouvir? Isto acontece porque a Perceção ou Consciência foi canalizada através da sua mente, tornando-a localizada no seu corpo. Para além disso, a crença de que você é um indivíduo separado impede-o de experienciar a expansividade plena da Consciência. Mas, quando você sente compaixão ou amor pelo outro, está muito mais sintonizado com a Consciência única do que talvez se tenha apercebido.
Na nossa vida, todos tivemos vislumbres da Consciência que somos, mas na maioria das vezes considerámo-los algo que imaginámos ou uma partida da nossa mente. Quer nos lembremos delas quer não, tivemos experiências que não conseguimos explicar, muitas vezes quando éramos crianças. Pode ter sido uma experiência em que você sentiu que se expandia até ser muitíssimo grande, e sentiu que o mundo estava dentro de si, ou talvez tenha visto ou ouvido algo que mais ninguém conseguiu ver ou ouvir.
As crianças estão mais sintonizadas com a Consciência porque a sua mente ainda não cobriu a Consciência com uma variedade de conceitos mentais e de crenças. Quando têm menos de dois anos e meio, as crianças são Consciência pura e simples. Não têm a experiência de ser separadas, e é por esse motivo que se referem a si próprias na terceira pessoa. Ao ver-se a si própria numa fotografia, Sarah, de dois anos, irá apontar e dizer: «É a Sarah!». Não irá dizer «Sou eu», porque ainda não está a experienciar-se a si própria como um «Eu», uma pessoa separada. A experiência dela é de que existe apenas Um e que ela o é, e que todas as outras pessoas o são.
«Não existe nada lá fora senão a nossa consciência. Existe apenas uma consciência e nós somo-lo.»
Lester Levenson, em Happiness Is Free, volumes 1-5
A Consciência ou Perceção está em todo o seu corpo e em todo o lado fora do seu corpo. A Consciência não pode ser contida no interior do seu corpo porque a Consciência não tem forma. Seria como tentar conter o espaço num frasco: é evidente que o espaço está simultaneamente dentro do frasco e em todo o lado fora do frasco. Na verdade, o frasco está no espaço, tal como todos os corpos estão na Consciência. Absolutamente tudo está contido na Consciência e é por esse motivo que a experiência de vida dos seres iluminados é que eles são tudo: porque eles são tudo. E, como Consciência, você também é!
«Atrás dos seus olhos existe a mesma consciência, a única consciência que existia atrás de Jesus, Buda, Krishna e atrás de todos os olhos.»
A minha professora
Pense nisso. A sua Consciência é a mesma Consciência de todos os grandes seres: você está tão próximo deles quanto isto. Eles não estão distantes de si. Você é um com eles.
«O mistério, a magia, é que esta consciência tão trivial que assumimos como garantida, até ao ponto de negarmos a sua existência, é a consciência do próprio Universo, o seu verdadeiro centro.»
Francis Lucille, em Truth Love Beauty
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