Kitabı oku: «Historia Pitoresca: Palavras e frases celebres»
Alfredo Campos
Historia Pitoresca: Palavras e frases celebres

Publicado pela Editora Good Press, 2022
EAN 4064066412852
Índice de conteúdo
OBRAS DO AUCTOR
DO AUCTOR
I Amanhã os negocios sérios
II Alexandre
1.º—Se eu não fosse Alexandre, desejaria ser Diogenes.
2.º—Meu filho, nada póde resistir-te.
3.º—Reserva da Esperança.
4.º—Nó gordio.
5.º—O medico de Alexandre.
6.º—Este tambem é Alexandre
7.º—E eu tambem, se fosse Parmenion
8.º—Ó athenienses! quanto custa ser louvado por vós!
9.º—Ao mais digno.
10.º—Os funeraes d'Alexandre.
11.º—Desmembramento do imperio d'Alexandre.
III Audacia, ainda audacia e sempre audacia
IV Delicias de Capua
V Disse eu alguma tolice?
VI Arca de Noé
VII Queimar não é responder!
VIII Caim, que fizeste de teu irmão?
IX Do Capitolio á rocha Tarpeia só ha um passo
X Catão
XI Cezar
1.º—A mulher de Cezar nem mesmo deve ser suspeitada.
2.º—Gostaria mais de ser o primeiro n'uma aldeia, que o segundo em Roma.
3.º—Passar o Rubicão.
4.º—Levas Cezar e a sua fortuna.
5.º—Soldado, fere no rosto!
6.º—Cheguei, vi e venci.
7.º—Idos de Março.
8.º—E tu tambem, meu filho!
9.º—A tunica de Cezar.
XII Estava escripto
XIII Conhece-te a ti proprio
XIV As joias de Cornelia
XV Cresus
XVI Dôr, tu não és um mal
XVII Egéria
XVIII Mais uma victoria como esta e estamos perdidos
XIX Espada de Damocles
XX O prato de lentilhas
XXI E eu tambem sou pintor!
XXII Estrella dos Reis Magos
XXIII E, comtudo, ella gira!
XXIV Virtude, não és mais que um nome
XXV Festim de Balthazar
XXVI Forcas caudinas
XXVII Irmão, é preciso morrer
XXVIII Cahir com graça
XXIX Hippocrates diz sim, Galiano diz não
XXX É muito tarde!
XXXI Não ha grande homem para o seu creado de quarto
XXXII Cantam, elles pagarão
XXXIII Perdi o meu dia
XXXIV Amo Platão, mas amo mais a verdade
XXXV Achei!—Eureka!
XXXVI Eu desejaria não saber escrever
XXXVII Linguas d'Esopo
XXXVIII Lanterna de Diogenes
XXXIX O mestre o disse
XL O rei é morto, vive o rei!
XLI O estado sou eu!
XLII Alavanca d'Archimedes
XLIII Magdalena
XLIV Casa de Socrates
XLV Desgraça aos vencidos!
XLVI Manto de Joseph
XLVII Mario sobre as ruinas de Carthago
XLVIII Subir ao Capitolio
XLIX Onde não ha el-rei o perde
L Onde se vae aninhar a virtude?
LI Perdoae-lhes, meu Pae, não sabem o que fazem
LII Lavar as mãos como Pilatos
LIII O que não peccou, atire a primeira pedra
LIV Tres linhas escriptas e eu farei enforcar quem as escreveu
LV Quem te fez conde? Quem te fez rei?
LVI A Cesar o que é de Cesar a Deus o que é de Deus
LVII Salto de Leucade
LVIII Se é possivel, está feito; se é impossivel se fará
LIX Terra promettida
LX Thebaida
LXI Desça o panno, acabou a comedia!
LXII Tudo é perdido, menos a honra!
LXIII Trombetas de Jericó
LXIV A tunica de Christo
LXV Um imperador deve morrer em pé
LXVI Vendilhões expulsos do templo
LXVII Gritar no deserto
LXVIII Zoilo
LXIX Aspasia
LXX Babylonia
LXXI Incendiar os seus navios
LXXII Os ultimos romanos
LXXIII Faça cabelleiras, mestre André
LXXIV Fé do carvoeiro
LXXV Ha juizes em Berlim
LXXVI Judas—Beijo de Judas
LXXVII Pragas do Egypto
LXXVIII Não toqueis na rainha
LXXIX O ovo de Colombo
LXXX Waterloo
LXXXI Templo de Jano
LXXXII Estatua de Nabuchodonosor
LXXXIII Sepulchros do Evangelho
LXXXIV Isso que prova?
LXXXV Manná
LXXXVI Annel de Gyges
LXXXVII Honni soit qui mal y pense
LXXXVIII Mal com el-rei pelos homens e mal com os homens por el-rei
LXXXIX Bandeira da Misericordia

OBRAS DO AUCTOR
Índice de conteúdo
| Luz e sombras, original | 400 réis |
| Um como ha muitos, original | 50 réis |
| Um livro intimo, original | 200 réis |
| A felicidade pela familia, original | 100 réis |
| O trabalho, original | 100 réis |
| Nunca mais! original | 400 réis |
| A Filha do cabinda, original | 500 réis |
| A cruz de brilhantes, original | 500 réis |
| A jurity, original | 500 réis |
| Alma minha gentil, original | 300 réis |
| Historia pittoresca—Palavras e phrases celebres, original | 500 réis |
| Deveres do homem, original | 50 réis |
| Magdalena, traducção | 500 réis |
| Fior d'Aliza, traducção | 400 réis |
| A mulher forte, traducção | 600 réis |
| OBRAS ELEMENTARES | |
| Noções de moral e religião, approvada | 160 réis |
| Principios elementares de chorographia, approvada | 200 réis |
| Grammatica franceza resumida, approvada | 500 réis |
| NO PRÉLO | |
| A missão da mulher, 1 vol. | |
| Vida de Camões, 1 vol. | |
Alfredo Campos
HISTORIA PITTORESCA
PALAVRAS E PHRASES CELEBRES

PORTO
Livraria Portuense
—de—
LOPES & C.ª—EDITORES
123—Rua do Almada—123
1889

IMPRENSA CIVILISAÇÃO
73—LARGO DA POCINHA—77
—PORTO—
Ao Ill.mo e Ex.mo Sr.
Manoel José da Conceição Rocha
TRIBUTO DE RESPEITO,
CONSIDERAÇÃO, GRATIDÃO E ESTIMA
Offerece
Alfredo Campos.

DO AUCTOR
Índice de conteúdo

O PRESENTE livro—PALAVRAS E PHRASES CELEBRES—, é como que uma Corbeille aonde estão reunidos, explicados, e, por vezes commentados, muitos factos, muitas palavras, phrases e circumstancias curiosas e originaes, que se empregam e se encontram, a cada momento, já n'alguma obra escripta, já no meio da conversação.
Pareceu-nos que não seria desgracioso enfeixar todas essas flores n'um como que estudo de Historia Pittoresca, sem a aridez da Historia propriamente dita, e com o proporcionamento do interesse, da amenidade e do attractivo do romance.
As PALAVRAS E PHRASES CELEBRES são isto apenas.
O livro estava feito, e todo o trabalho consistiu, quasi, em procurarmos e reunirmos em volume as paginas que andavam dispersas, aqui e alli, um pouco por toda a parte.
Tem merecimento? Outros o dirão.
Em todo o caso póde servir para entretenimento de um serão, para desenfado n'uma hora de descanço, para suavisar um momento de tedio, com a vantagem de que allia o util, que é a historia, ao agradavel, que é o pittoresco.
De resto, parece-nos livro para toda a gente, porque crêmos que não perverte, não corrompe, não immoralisa.
Visou, pelo menos, a esse fim, e só desejamos que o attinja.
Se attingir, tanto melhor para os que nos honrarem lendo-o, e tanto melhor para nós, sobretudo, porque lograremos a gloria que aspiramos para o nosso modesto trabalho.


PALAVRAS
E
PHRASES CELEBRES
I
Amanhã os negocios sérios
Índice de conteúdo

Sparta tinha-se apoderado da cidadella de Thebas por traição, e impozera aos thebanos, como governador, o tyranno Archias. Este banira da cidade os principaes cidadãos, entre os quaes Pelopidas. Refugiados estes em Athenas, resolveram libertar a patria e concertaram-se com um dos seus compatriotas, inimigo secreto do tyranno, que lhes offereceu recebel-os em sua casa. No dia marcado para a execução da conspiração, os conjurados penetraram em Thebas, graças a um disfarce. N'esse mesmo dia, Archias foi convidado para ceiar em casa d'um rico cidadão thebano, que, egualmente, fazia parte dos conspiradores. Tudo estava prompto, e os conjurados esperavam apenas uma hora mais avançada, para a execução do seu projecto, quando um correio, enviado d'Athenas, veio trazer a Archias uma carta, contendo todas as particularidades da conspiração. Admittido junto ao tyranno, entregou-lhe a missiva, convidando-o a lêr sem demora, porque se tratava de negocios sérios. Archias, dominado já pela embriaguez, poz indolentemente a carta sob a sua almofada, exclamando:
—«Amanhã os negocios sérios!»
Alguns instantes depois, Pelopidas e os outros conjurados, invadiram a salla do festim e massacraram o tyranno.
Este acontecimento, que produziu a liberdade da Beocia, obteve uma grande celebridade na Grecia, e a phrase—amanhã os negocios sérios—tornou-se um proverbio que os descuidados e os amigos da alegria pretendem tomar por divisa, e que melhor fôra tomassem como lição.
II
Alexandre
Índice de conteúdo
Alexandre, filho de Philippe, rei da Macedonia, foi um dos maiores capitães da antiguidade. Desde a mais tenra edade que foi sempre animado d'uma nobre ambição. Quando lhe perguntavam se concorria aos jogos olympicos, respondia:
—«Iria, se tivesse a certeza de encontrar reis como rivaes!»
Chorava de cólera, vendo os successos multiplicados de Philippe, lamentando-se, d'este modo:
—«Meu pai nada nos deixará que fazer!»
Alexandre ficou em todas as linguas como o typo do heroe e do conquistador. As differentes circumstancias da vida de Alexandre, que originaram locuções proverbiaes são as seguintes e por ordem chronologica:
1.º—Se eu não fosse Alexandre, desejaria ser Diogenes.
Índice de conteúdo
Alexandre acabava de ser nomeado generalissimo dos gregos, e achava-se em Corintho, aonde os principaes cidadãos se apressavam em dirigir-lhe as suas felicitações. Admirado de não receber a visita de Diogenes, foi elle proprio procurar o celebre cynico, cuja conversação facil e picante o encheu de assombro. Alexandre tendo perguntado ao philosopho se desejava alguma coisa, elle respondeu:
—«Tira-te do meu sol.»
Foi então que o grande conquistador, assombrado com tanto desinteresse, exclamou:
—«Se eu não fosse Alexandre, desejaria ser Diogenes.»
2.º—Meu filho, nada póde resistir-te.
Índice de conteúdo
Antes de partir para a expedição que projectava na Asia, Alexandre quiz consultar o oraculo de Delphos. Como a pythia recusasse subir ao tripé, o moço heroe arrastou-a violentamente. Ella exclamou então:
—«Ah!, meu filho, nada te póde resistir.»
—«Esse oraculo me basta—respondeu Alexandre—não quero outro.»
3.º—Reserva da Esperança.
Índice de conteúdo
Na primavera do anno 334, Alexandre, tendo apenas vinte e dois annos d'edade, dispunha-se a invadir a Asia, á frente d'um exercito de trinta mil infantes e cinco mil cavallos. Como se já estivesse de posse dos thesouros do grande rei, distribuiu aos amigos tudo quanto tinha. Perdiccas perguntou-lhe então:
—«Que reservaes para vós?»
—«A Esperança»—respondeu Alexandre.
4.º—Nó gordio.
Índice de conteúdo
Gordio, simples lavrador phrygio, tornou-se rei, por ter cumprido um oraculo, que promettia a corôa ao que primeiro entrasse, n'um determinado dia, na capital. Midas, seu filho, consagrou, no templo de Jupiter o carro sobre o qual seu pai fôra transportado. O nó que ligava o jugo ao timão estava tão artisticamente dado, que não se lhe descobriam as pontas. Chamavam-no o nó gordio ou de Gordio, e um antigo oraculo promettia o imperio da Asia a quem conseguisse desatal-o.
Alexandre, tendo-se apoderado da cidade, resolveu cumprir o oraculo e actuar fortemente sobre a imaginação dos seus soldados. Depois de varias tentativas infructiferas, desembainhou a espada e cortou o nó mysterioso, illudindo mais, que realisando, d'este modo, o oraculo.
5.º—O medico de Alexandre.
Índice de conteúdo
Pouco tempo depois da passagem do Granico, Alexandre, tendo-se banhado, a suar, nas aguas geladas do Cydnus, foi subitamente atacado d'um tremor mortal, e os soldados levaram-n'o, sem movimento, para a tenda. Todo o exercito se consternou, porque o seu estado parecia desesperado. Ao mesmo tempo, Dario avançava com forças immensas para lhe barrar as sahidas do Taurus. Os medicos não ousavam experimentar remedio algum; um só, Philippe, Acarniano de nação, e amigo d'infancia d'Alexandre, compoz uma poção, cujo effeito poderoso e salutar devia ser immediato. Durante estes preparativos, Alexandre recebeu uma carta de Parmenion, que o advertia de que desconfiasse de Philippe, secretamente comprado por Dario, para attentar contra os dias de seu monarcha. O heroe tinha ainda a carta nas mãos, quando o medico lhe levou a poção. Alexandre, sem manifestar a menor emoção, tomou a taça com uma das mãos, apresentou com a outra a carta a Philippe, e bebeu tudo d'uma só vez. O medico indignado, mas dominando as suas impressões, exhortou o rei a seguir fielmente as suas prescripções: a cura estava n'aquelle premio. Em verdade, apoz uma crise terrivel que gelou d'espanto todo o exercito, e de que um só homem não sabia a sahida, o doente melhorou e restabeleceu-se.
O que ha de admiravel n'este traço da vida de Alexandre é a sua profunda fé na amizade.
6.º—Este tambem é Alexandre
Índice de conteúdo
Ephestion é menos citado na Historia pela parte que tomou nas conquistas d'Alexandre, que pela grande amizade que o unira áquelle heroe. Os dois amigos tinham sido educados juntos, e só a morte os separou. Depois da sangrenta batalha d'Issus, em que a mãe, a mulher e as duas filhas de Dario, cahiram em poder do vencedor, Alexandre, acompanhado d'Ephestion, foi visitar, á sua tenda, as infelizes princezas. Sysigambis, mãe de Dario, dirigiu a saudação a Ephestion, que tomou por Alexandre, pela superioridade da estatura e esplendor do traje. Advertida do engano, lançou-se aos pés do heroe, que a levantou bondosamente, dizendo-lhe:
—«Não vos enganasteis, aquelle tambem é Alexandre.»