Kitabı oku: «Encontro apaixonado»

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Editado por Harlequin Ibérica.

Uma divisão de HarperCollins Ibérica, S.A.

Núñez de Balboa, 56

28001 Madrid

© 2018 Carol Marinelli

© 2020 Harlequin Ibérica, uma divisão de HarperCollins Ibérica, S.A.

Encontro apaixonado, n.º 1843 - dezembro 2020

Título original: Claiming His Hidden Heir

Publicado originalmente por Harlequin Enterprises, Ltd

Reservados todos os direitos de acordo com a legislação em vigor, incluindo os de reprodução, total ou parcial.

Esta edição foi publicada com a autorização de Harlequin Books S.A.

Esta é uma obra de ficção. Nomes, carateres, lugares e situações são produto da imaginação do autor ou são utilizados ficticiamente, e qualquer semelhança com pessoas, vivas ou mortas, estabelecimentos de negócios (comerciais), feitos ou situações são pura coincidência.

® Harlequin, Sabrina e logótipo Harlequin são marcas registadas propriedades de Harlequin Enterprises Limited.

® e ™ são marcas registadas por Harlequin Enterprises Limited e suas filiais, utilizadas com licença.

As marcas em que aparece ® estão registadas na Oficina Española de Patentes y Marcas e noutros países.

Imagem de portada utilizada com a permissão de Harlequin Enterprises Limited.

Todos os direitos estão reservados.

I.S.B.N.: 978-84-1348-990-2

Conversão ebook: MT Color & Diseño, S.L.

Sumário

Créditos

Prólogo

Capítulo 1

Capítulo 2

Capítulo 3

Capítulo 4

Capítulo 5

Capítulo 6

Capítulo 7

Capítulo 8

Capítulo 9

Capítulo 10

Capítulo 11

Capítulo 12

Capítulo 13

Capítulo 14

Capítulo 15

Capítulo 16

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Prólogo

Não ia contratar Cecelia Andrews.

O magnata de propriedades imobiliárias Luka Kargas já decidira que a candidata número dois seria a sua assistente pessoal.

– A menina Andrews está aqui para a entrevista – informou Hannah, a assistente pessoal atual.

– Não é necessário entrar – respondeu Luka. – Decidi contratar a candidata número dois.

– Luka! – exclamou Hannah, num tom de recriminação. Sentia-se mais audaz agora que ia deixar o trabalho. – Pelo menos, tem um pouco de consideração. Já passou por duas entrevistas e, além disso, está a chover a potes. Teve de atravessar Londres com este tempo para vir aqui.

– Não me interessa – disse Luka, imperturbável. – Seria uma perda de tempo.

E o seu tempo era muito valioso.

Contudo, nesse momento, Luka recordou de repente que Justin, um contacto valioso, recomendara pessoalmente a menina Andrews.

– Está bem, manda-a entrar – concedeu Luka, com a intenção de se livrar da candidata o mais depressa possível.

Com impaciência, tamborilou com os dedos na superfície da secretária enquanto esperava pela candidata número três.

– Menina Andrews… – Luka levantou-se, apertou a mão da mulher e viu que tinha um anel de noivado.

Não ia contratá-la. Aquela mulher precisaria de ter o namorado mais paciente do mundo para tolerar a quantidade de horas extra que teria de lhe dedicar.

E todos sabiam como ele era.

– Sente-se, por favor.

Cecelia documentara-se a fundo a respeito daquele homem e até a assistente pessoal atual comentara, durante duas entrevistas prolongadas, que era um mau rapaz.

– Até teria de lidar com namoradas dele ou, melhor dizendo, ex-namoradas – explicara Hannah. – Às vezes, é muito difícil. O Luka trabalha muito durante os dias de semana. Durante os fins de semana, dedica-se a partir corações.

Cecelia sabia muito daquilo e não precisamente em relação ao trabalho. Odiava os ricos, como aquele homem, que se rendiam ao luxo e ao prazer. A sua mãe, Harriet, vivera e morrera assim.

No entanto, a moral de Luka Kargas não lhe dizia respeito. Cecelia decidira trabalhar para a realeza e ele era um passo em frente no seu caminho para conseguir o que queria, isso era tudo.

– Tem um iate. Está atracado em Xanero agora – replicara Hannah.

– É de Xanero? – perguntara Cecelia, embora já soubesse.

– Sim, embora não tenha de o acompanhar lá ou ver-se envolvida nos negócios que a família dele tem em Xanero.

Cecelia não queria ter nada a ver com esse homem a nível pessoal. Para ela, Luka Kargas era um nome para acrescentar ao seu currículo depois de um ano a trabalhar na sua empresa.

Contudo, agora que o conhecera finalmente e que os dedos morenos de Luka Kargas rodeavam os dela, não pôde evitar sentir-se atraída por ele.

– A Hannah disse-me que foi apanhada pela tempestade… – Luka franziu o sobrolho.

Da posição vantajosa do seu escritório no quadragésimo andar, Luka vira as nuvens pretas a espalhar-se por Londres. A candidata número dois chegara completamente encharcada e pedira dez minutos a Hannah para se arranjar antes da entrevista.

No entanto, Cecelia Andrews apresentava um aspeto impecável. Usava um fato cinzento-escuro, tinha o cabelo loiro apanhado num coque e a maquilhagem era discreta e perfeita.

– Sim, fui apanhada pela tempestade, mas estava preparada – declarou Cecelia.

E mais lhe valia, pensou Cecelia, porque o impacto que aquele homem exercia nela era algo muito estranho.

Luka Kargas usava um fato escuro, gravata e uma camisa branca que contrastava com a pele morena. E, naquela manhã, não se barbeara.

A atmosfera mudou entre eles. Era como se a tempestade elétrica tivesse entrado pela janela e se juntasse a eles.

A tia aconselhara-a a afastar-se de homens como Luka Kargas e, embora tivesse a certeza de que conseguia lidar bem com ele e de que nunca se sentiria atraída por um homem assim, o impacto da sua presença apanhara-a desprevenida.

– A Hannah deve ter-lhe explicado que este trabalho requer muitas horas por dia.

– Sim, é verdade.

– Às vezes, até dezasseis horas.

– Sim. – Cecelia assentiu.

– E terá de viajar muito – disse Luka. – Ainda que, por muito trabalho que haja, terá sempre os fins de semana de folga.

Cecelia esboçou um sorriso tenso e irónico.

– Falo completamente a sério – reiterou Luka. – A partir de sexta-feira à noite, o fim de semana é seu.

– Contudo, não sairei daqui às cinco da tarde, pois não?

– Não. Regra geral, sairá às dez.

O que significava que não era o fim de semana todo, pensou Cecelia, enquanto Luka passeava os seus olhos pretos pelos papéis dela.

– Porque deixou o Justin?

– Porque não queria viver no Dubai.

– Eu vou lá com frequência – declarou Luka. – O que significa que também teria de ir.

– Não vejo inconveniente. Simplesmente, não quero viver lá – respondeu Cecelia. E sabia, tinha a certeza, que Luka Kargas se referia ao facto de ela ter namorado e de a opinião dele ter condicionado a decisão.

E tinha razão.

Gordon recusara-se a deixar que ela vivesse no Dubai.

– Fala grego? – perguntou Luka.

– Não – replicou ela. De repente, esperou que falar grego fosse um requisito primitivo para aceder àquele emprego e, assim, pôr um ponto final àquela tortura.

Era uma tortura porque sentia um nó na barriga e, de repente, conseguia sentir o peso dos seus seios. Nunca a tinham feito reagir de forma tão violenta.

Luka Kargas parecia muito aborrecido.

– Fala alguma outra língua? – perguntou ele.

– Um pouco de francês. – Na verdade, falava-o muito bem. Passara um ano em França, a trabalhar.

Os olhos pretos daquele homem hipnotizavam-na e a sua indiferença brusca fê-la descruzar e voltar a cruzar as pernas.

Até àquele momento, o sexo fora uma experiência agradável para ela, ainda que, às vezes, também fosse um fardo. No entanto, agora, estava à frente de um homem que a fazia pensar em sexo.

– Menina Andrews…

– Cecelia – corrigiu ela, porque não queria dar a impressão de ser uma solteirona rígida.

Não era.

Estava noiva e ia casar-se e, nesse momento, não queria esquecê-lo.

– Está bem, Cecelia. – Ele assentiu. – Vejo que não tem experiência na indústria do turismo e da hotelaria.

– Não, não tenho – confirmou Cecelia.

– E reparei que usa um anel de noivado.

– Desculpe? – Cecelia franziu o sobrolho. – Não vejo como isso pode ter importância.

Luka viu que o contacto que Cecelia Andrews dera em caso de urgência era o da tia, não o do noivo.

E isso intrigou-o.

– Está noiva?

– Sim – confirmou ela, irritada. – Embora não ache que seja assunto seu.

– Cecelia, se quer trabalhar para mim, será melhor saber desde o começo que não sou uma pessoa politicamente correta. Vou deixar isto muito claro: Não quero uma assistente pessoal prestes a organizar o seu grande casamento e também não quero uma pessoa que tenha de sair às seis do trabalho com o fim de evitar que o namorado se zangue com ela.

Cecelia cerrou os dentes porque, às vezes, Gordon comportava-se assim.

– Senhor Kargas, a minha vida pessoal não lhe diz respeito e nunca dirá.

Porque não ia trabalhar ali!

– Aproxime-se – pediu ele.

Luka levantou-se e aproximou-se das janelas que ocupavam uma parede desde o chão até ao teto.

Nunca tivera uma entrevista assim, pensou Cecelia, enquanto se levantava e se aproximava dele.

Era muito alto!

E cheirava como se tivesse tomado um banho de bergamota com testosterona.

– Olhe para a vista – pediu Luka.

– Impressionante. – Cecelia assentiu enquanto observava a vista de uma Londres húmida. O céu cinzento começava a limpar-se e uns tons prateados brilhavam nos contornos de umas nuvens pretas, mas não pôde ver um arco-íris.

– O trabalho é seu – declarou Luka e ela franziu o sobrolho. – Quando acabar de trabalhar na sexta-feira, até segunda-feira, o mundo é seu. – Luka observou-a. – Mas quando estiver aqui…

Luka Kargas esperava entrega absoluta. Cecelia entendeu muito bem.

– Quando pode começar? – perguntou Luka.

Antes de rejeitar a oferta, Cecelia respirou fundo e considerou as vantagens desse emprego: Um salário quase o dobro do atual, viagens constantes e o apelido Kargas no seu currículo.

Depois, pensou nas desvantagens.

Sessenta horas de trabalho por semana ao lado daquele homem deslumbrante.

A atração que sentia por ele era inesperada e perturbadora.

Não sabia o que fazer.

– Preciso de tempo para pensar – respondeu Cecelia.

– Lamento muito, eu preciso de uma pessoa que confie no seu instinto e possa tomar decisões no momento.

Luka queria que aquela mulher trabalhasse para ele.

Impressionara-o, apesar de ter esperado o contrário. No entanto, algo lhe dizia que, se Cecelia Andrews saísse por aquela porta, não voltaria.

– Vou perguntar outra vez. Quando pode começar?

«Nunca!», gritou o seu instinto.

– Agora – afirmou Cecelia, surpreendida com a sua decisão. – Posso começar agora.

– Bem-vinda a bordo.

E, enquanto Luka lhe apertava a mão, Cecelia pensou que conseguia lidar com a situação.

Capítulo 1

«Luka, depois de considerar seriamente, decidi…».

Cecelia acordou um instante antes de o despertador tocar e, enquanto ouvia os barulhos da rua do seu apartamento de Londres, pensou em como podia demitir-se do seu emprego.

E quando?

Quando ia dizer-lhe que não queria renovar o seu contrato de trabalho, de manhã ou ao fim do dia?

A maioria das pessoas ia dizer-lhe que era uma loucura deixar esse emprego.

O salário era incrível e as viagens eram maravilhosas, embora cansativas, mas, depois de onze meses a trabalhar para Luka, alcançara o seu limite.

Luka era um mulherengo empedernido. E não era uma opinião pessoal, era um facto.

Sabia muito bem, ela era a sua assistente pessoal!

Já não aguentava mais. Por isso, na sexta-feira, depois de Luka ter ido para o terraço para entrar no seu helicóptero com o fim de passar um fim de semana de libertinagem em França, Cecelia agarrara no telefone e aceitara um contrato de seis meses para trabalhar como assistente pessoal de um diplomata estrangeiro, idoso e respeitável.

Embora o salário fosse mais baixo e o emprego tivesse menos vantagens, ia estar muito mais tranquila e assentada.

Agarrou no telemóvel para ver as horas quando percebeu que era o seu aniversário. Não importava, nunca tinham dado importância aos aniversários na sua vida familiar. Os tios tinham-na criado desde os oito anos e nunca tinham celebrado os aniversários e a mãe, antes de morrer, também não.

Então, viu a mensagem que Luka lhe enviara durante a noite:

«Não vou ao escritório hoje, Cece. Cancela todas as minhas reuniões. Ligo-te depois.»

Cecelia cerrou os dentes, Luka tinha a mania de lhe chamar «Cece», algo que não suportava. Mas também franziu o sobrolho porque, nos onze meses que passara a trabalhar como assistente pessoal de Luka, era a primeira vez que ele tirava o dia. E exatamente no dia em que ela precisava de falar com ele!

Devido à ausência do patrão, seria um dia de muito trabalho, um dia complicado. Assim, fez um esforço e levantou-se da cama.

Cecelia tomou banho rapidamente e seguiu a sua rotina habitual. Estivesse onde estivesse, fazia sempre o mesmo: À noite, preparava a roupa que ia vestir no dia seguinte, fazia o mesmo com o pequeno-almoço, que tomava antes de se pentear.

A rotina era algo essencial na sua vida, precisava dela para se sentir bem. Talvez fosse uma forma de compensar o caos que a rodeara até aos oito anos, os oito anos que vivera com a mãe.

Tinha o cabelo loiro-avermelhado, mas pintara-o para o tornar um loiro neutro. Penteou os caracóis suaves e apanhou o cabelo num rabo de cavalo.

Depois, enquanto se maquilhava, os seus olhos verdes esbugalharam-se ao ouvir o que alguém estava a dizer na rádio:

– «O que raios é que essa mulher esperava depois de se envolver com o Luka Kargas?»

Não a surpreendeu que alguém mencionasse o patrão, mas irritou-a. Nem às sete da manhã, no seu quarto, conseguia fugir dele.

Luka era um homem muito conhecido e, embora fosse nomeado nas secções financeiras dos jornais, também se falava dele nas revistas cor-de-rosa.

Aparentemente, houvera uma festa louca no seu iate na sexta-feira anterior, em Nice.

Cecelia cerrou os dentes enquanto ouvia que, depois da festa no iate, Luka e alguns dos convidados tinham visitado uns casinos em Paris. E agora, uma supermodelo, depois de uma noite de paixão, chorava porque as suas esperanças de prolongar a relação com Luka se tinham visto frustradas.

Uma parva por se deixar enganar, pensou Cecelia. Todos sabiam como Luka era com as mulheres.

Contudo, as pessoas não conheciam realmente Luka. Ele era extremamente reservado a respeito de certos aspetos da sua vida privada, a que ninguém, absolutamente ninguém, tinha acesso e muito menos a assistente pessoal.

A julgar pelo que conseguira deduzir, Luka sempre tivera uma vida privilegiada. O pai era o dono de um complexo turístico luxuoso em Xanero com um restaurante conhecido em todo o mundo e outros restaurantes em diferentes países. Enquanto isso, Luka encarregava-se mais dos hotéis e tinha uma vida muito agitada. As suas conquistas eram inumeráveis e, com frequência, ela tinha de secar as lágrimas das amantes magoadas do patrão.

Sim, Luka era um mulherengo empedernido.

E isso perturbava-a. Talvez porque espiara esse tipo de vida. A forma como Harriet, a mãe, morrera, tal como vivera, com as cuecas no chão e pó branco no nariz, envergonhara toda a família. E deixara uma filha por quem ninguém queria responsabilizar-se. O pai não aparecia na certidão de nascimento e só o vira uma vez.

E não queria voltar a vê-lo.

O tio e a tia, no fim, tinham-se encarregado da pequena Cecelia que, com caracóis loiros-avermelhados e olhos verdes brilhantes, era uma réplica da mãe, mas só fisicamente.

Depois de uma vida pouco convencional durante a infância, Cecelia tinha uma vida convencional, prática e ordenada. Apesar de viajar por todo o mundo devido à natureza do seu trabalho, costumava deitar-se às dez durante os dias de trabalho e às onze aos fins de semana.

Cecelia tinha amigos normais e agradáveis, embora nenhum suficientemente íntimo para a felicitar pelo seu aniversário. E, no ano anterior, estivera noiva.

O único problema que causara aos seus tios fora o fim da relação com Gordon. Os tios não compreendiam porque deixara Gordon, um homem tão decente.

E o maldito Luka tinha a culpa!

Embora, é claro, não tivesse contado isso a Gordon.

Mas era melhor não continuar a pensar nessas coisas, pensou, enquanto vestia a roupa interior, cor de carne. Depois, aproximou-se da janela. Ao ver o céu tão azul, decidiu não usar o fato azul-marinho de linho que preparara na noite anterior.

Já que Luka não ia ao escritório naquele dia e, portanto, ela não teria de ir a nenhuma reunião, dirigiu-se para o armário.

Aí estava o vestido que comprara para o casamento de uma amiga que se casara recentemente. O vestido era creme e tinha decote halter. E, como era o seu aniversário, decidiu usá-lo.

Já que os ombros e as costas ficavam a descoberto, também vestiu uma camisola de lã cor de limão. A saia do vestido chegava até metade da perna, portanto, não se incomodou em usar collants. E, para acabar, calçou umas alpargatas.

Sim, agora que sabia que ia deixar a Kargas Holdings, começava a relaxar.

Teve de tirar a camisola de lã ao entrar no metro. Estava muito calor no vagão e, agarrada a uma das barras, viu que as escapadas de Luka no fim de semana tinham conseguido aparecer na primeira página do jornal que um dos passageiros lia.

Reparou na fotografia que havia por baixo dos títulos. Nela, via-se Luka na coberta do barco, junto de uma beleza morena sofisticada. O peito nu dele jorrava água e, embora os corpos da rapariga e de Luka não se tocassem, era uma fotografia extremamente íntima.

Cecelia desviou o olhar da fotografia, mas não pôde apagar a imagem de Luka da sua mente.

Ao entrar no edifício dos escritórios da Kargas Holdings, sorriu para o segurança, dirigiu-se para os elevadores e foi para o quadragésimo andar, propriedade exclusiva de Luka.

Nesse andar, não só havia escritórios e salas de reuniões, também havia um ginásio e uma piscina, embora ela nunca os tivesse usado. Também contava com uma suíte, tão luxuosa como a de qualquer hotel de cinco estrelas. Quando estava em Londres e ficava a trabalhar até tarde ou tinha de apanhar um voo muito cedo de manhã, Luka costumava dormir na suíte.

Ainda não eram oito e, aparentemente, chegara antes de Bridgette, a rececionista. Havia algumas pessoas a limpar as janelas e a aspirar, também chegara a florista que se encarregava dos arranjos florais todas as manhãs.

Cecelia fez um café antes de ir para a sua mesa de trabalho, numa zona ampla com uma porta que dava para o escritório de Luka.

Pendurou a camisola de lã num cabide e ia sentar-se quando a voz dele a apanhou completamente de surpresa.

– Esse café é para mim, Cece?

Cecelia virou-se no momento em que Luka saía do seu escritório. Para além do facto de não estar barbeado, nada indicava que Luka tivesse desfrutado de um fim de semana louco. Usava calças pretas e camisa branca e o cabelo, embora um pouco despenteado, tinha um corte perfeito.

Mas não devia estar ali.

– Achava que não vinhas hoje – comentou Cecelia.

– Porque achavas isso?

– Porque, ontem à noite, me enviaste uma mensagem para o telemóvel para me dizer que não vinhas.

– Ah, sim, é verdade. – Luka tirou-lhe o café da mão. – Obrigado.

– Não tem açúcar – avisou ela, enquanto se sentava atrás da sua secretária. – E, por favor, não me chames Cece. O meu nome é Cecelia.

– É um costume.

– É um costume que me tira do sério – insistiu Cecelia.

«Ainda bem», pensou Luka.

Gostava de lhe chamar Cece porque gostava de provocar aquela mulher.

– Como foi o fim de semana? – perguntou ela, educadamente, como se não soubesse de nada.

– Mais ou menos como o anterior – respondeu ele. E, aproximando-se da secretária dela, apoiou as nádegas ao lado do computador. – Tu nunca te aborreces?

– Não costuma acontecer – mentiu Cecelia, reconhecendo que, com Gordon, se aborrecera muito.

Gordon também trabalhara na cidade. Costumavam encontrar-se às quartas-feiras para beber uns copos e às sextas-feiras com os amigos. Os sábados eram reservados, em geral, para os dois. À noite, tinha algum orgasmo suave. Aos domingos, uma refeição aborrecida em algum pub fora de Londres e talvez também um encontro amoroso sem nada a destacar.

Não fora culpa de Gordon.

Cecelia inibia-se tanto no sexo como na vida.

De facto, a culpa era do homem que estava sentado na sua secretária, porque despertara sensações e desejos nela que, indubitavelmente, continuariam a causar-lhe uma frustração profunda.

– Como não te aborreces de fazer sempre o mesmo? – insistiu ele.

– Gosto de fazer o de sempre – respondeu ela.

Era impossível entender aquela mulher, pensou Luka. Não era como as outras. Há muito tempo que parara de a seduzir, pois o desagrado que Cecelia mostrara destruíra a diversão.

E por muito libertino que ele fosse, só brincava com quem queria brincar.

– Tens muito bom aspeto hoje – elogiou ele.

Em instantes, Luka recebeu um gesto arisco por se ter atrevido a fazer um comentário pessoal. Cecelia limitava-se a ter uma relação profissional com ele.

– Obrigada – agradeceu ela, educadamente.

– E é um vestido – continuou Luka, decidido a não deixar as coisas como estavam.

– És muito observador, Luka.

– Só o digo porque quase nunca te vi com um vestido.

– Está demasiado calor para um fato.

– Sim, claro, mas…

– Luka – interrompeu ela –, se te incomoda que use uma roupa menos formal do que de costume, diz-me e garanto-te que não voltará a acontecer.

– Não tenho nenhum problema com o vestido.

– Nesse caso, não há mais nada para dizer…

– Tens a certeza? – Não tivera a intenção de abordar o assunto, mas o momento apresentara-se.

– A roupa que uso…

– Tens outra consulta no dentista hoje, Cecelia? – perguntou ele, num tom incisivo e chamando-a pelo seu nome. – Uma última consulta talvez?

Estava quase certo de que Cecelia ia deixar o trabalho.

As assistentes pessoais iam e vinham. Estava habituado a isso. Ele era muito exigente e também tinha consciência de que muito poucas pessoas estavam dispostas a trabalhar tantas horas por dia durante muito tempo. E, regra geral, exigia à assistente pessoal que se ia embora que preparasse a próxima para o emprego.

Contudo, agora, o facto de Cecelia querer ir-se embora causava-lhe um desgosto surpreendente.

Gostava que aquela mulher fizesse parte da sua vida e não queria que se fosse embora.

– Não tens mesmo nada para me dizer? – perguntou ele.

– A verdade é que tenho. Podíamos falar no teu escritório, em privado?

– É claro. Vamos.

Luka decidiu que teria de a dissuadir de deixar o emprego.

E sabia como fazê-lo.

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