Kitabı oku: «Esperanças ocultas - Amores e mentiras»
Editado por Harlequin Ibérica.
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28001 Madrid
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N.º 62 - março 2021
© 2009 Heidi Rice
Esperanças ocultas
Título original: Public Affair, Secretly Expecting
Publicada originalmente por Harlequin Enterprises, Ltd.
© 2012 Dolce Vita Trust
Amores e mentiras
Título original: The Wayward Son
Publicada originalmente por Harlequin Enterprises, Ltd.
Estes títulos foram publicados originalmente em português em 2013
Reservados todos os direitos de acordo com a legislação em vigor, incluindo os de reprodução, total ou parcial. Esta edição foi publicada com a autorização de Harlequin Books S.A.
Esta é uma obra de ficção. Nomes, carateres, lugares e situações são produto da imaginação do autor ou são utilizados ficticiamente, e qualquer semelhança com pessoas, vivas ou mortas, estabelecimentos de negócios (comerciais), feitos ou situações são pura coincidência.
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Imagem de portada utilizada com a permissão de Harlequin Enterprises Limited.
Todos os direitos estão reservados.
I.S.B.N.: 978-84-1375-286-0
Table of Content
Créditos
Esperanças ocultas
Capítulo Um
Capítulo Dois
Capítulo Três
Capítulo Quatro
Capítulo Cinco
Capítulo Seis
Capítulo Sete
Capítulo Oito
Capítulo Nove
Capítulo Dez
Capítulo Onze
Capítulo Doze
Capítulo Treze
Capítulo Catorze
Capítulo Quinze
Capítulo Dezasseis
Capítulo Dezassete
Capítulo Dezoito
Capítulo Dezanove
Capítulo Vinte
Capítulo Vinte e um
Epílogo
Amores e mentiras
Capítulo Um
Capítulo Dois
Capítulo Três
Capítulo Quatro
Capítulo Cinco
Capítulo Seis
Capítulo Sete
Capítulo Oito
Capítulo Nove
Capítulo Dez
Capítulo Onze
Capítulo Doze
Capítulo Treze
Capítulo Catorze
Capítulo Quinze
Volta

Capítulo Um
No alvoroçado aeroporto de Heathrow, Juno Delamare tentava controlar os nervos enquanto procurava no mostrador o voo 155 vindo de Los Angeles. Mas ao verificar que já tinha aterrado, o seu coração disparou.
«Por favor, miúda, acalma-te»
Juno enfiou as mãos nos bolsos das suas novas calças de ganga, que já tinham aberturas no joelho, e respirou fundo. Tinha de acalmar-se, pensou. Precisava de levar a cabo uma missão muito importante e estava sem tempo para um ataque cardíaco.
Quando Mac Brody, a estrela de Hollywood, aparecesse no átrio das chegadas, devia estar pronta e em plena posse das suas faculdades mentais para lhe entregar o convite para o casamento de Daisy Dean, a sua melhor amiga, e assegurar-se de que ele iria.
Daisy ia casar-se com o milionário construtor Connor Brody dentro de duas semanas e ela decidira juntar os dois irmãos, que não se viam há anos. Logo, a sua missão era garantir que Mac Brody fosse ao casamento, quisesse ou não.
Como ia fazê-lo não sabia, mas estava disposta a tentar. Daisy tinha-a ajudado a pôr a sua vida em ordem, seis anos antes, quando pensou que já nada nem ninguém lhe importava. E estava em dívida para com ela.
Infelizmente, não tinha pensado na logística e naquele momento, prestes a vê-lo aparecer pela porta de chegadas no imponente terminal de Heathrow, a logística começava a perturbá-la.
E se fracassasse? E se Mac Brody viajasse com um exército de guarda-costas e não conseguisse aproximar-se dele? E se recusasse aceitar o convite? E o golpe de misericórdia: quando fora a última vez que se aproximara de um estranho para tentar convencê-lo do que quer que fosse? A sua capacidade de persuasão não era propriamente lendária com os homens.
Não tinha jeito para seduzir, não era bonita o suficiente nem tinha roupa para isso. O que significava que teria que apelar à natureza generosa de Mac Brody, supondo que a tivesse.
Não o conhecia e nunca tinha visto um filme com ele, mas ela estava na casa de Daisy duas semanas antes, quando chegou a carta... e isso dissera-lhe tudo o que precisava de saber sobre a personalidade de Mac Brody, superestrela de Hollywood e rapaz rebelde irlandês.
Era muito bonito, sim... para quem gostava de homens altos, morenos e de aspeto perigoso. Mas sob toda aquela virilidade havia um tipo arrogante, superficial e egocêntrico.
Juno irritou-se ao recordar o tom grosseiro da carta.
Daisy estava tão emocionada, tão certa de que seriam boas notícias, mas dentro do envelope estava o convite para o casamento que lhe tinham enviado, com um recado do seu agente dizendo que o senhor Cormac Brody não iria ao casamento do irmão e pedindo-lhes, além disso, que não voltassem a entrar em contacto com ele.
O recado fizera Daisy chorar e a sua amiga nunca chorava. Connor passara-lhe um braço pelos ombros, dizendo que não ficasse triste, que Mac tinha o direito de tomar as suas próprias decisões e não podiam pressioná-lo. Mas Juno percebera a dor que ele tentava dissimular.
Que direito tinha Cormac Brody de magoar o irmão? E nem sequer tivera a coragem de escrever ele próprio a mensagem!
Juno abriu caminho por entre as pessoas e apoiou os braços na barreira. Ignorando o louco bater do seu coração, analisou os passageiros que iam saindo. Tinha que dissimular a sua hostilidade contra Brody se quisesse convencê-lo a ir ao casamento, mas acontecesse o que acontecesse, não ia dar-lhe a satisfação de mostrar-se nervosa só porque ele era uma estrela de Hollywood. E também não ia suplicar-lhe.
Observou então um tipo muito alto. Ao contrário dos restantes viajantes, a roupa daquele homem era informal até ao ponto de ser foleira: umas velhas calças de ganga de cintura descaída, uma velhíssima e descolorida t-shirt dos Dodgers que deixava a nu os seus bíceps e um boné que praticamente ocultava todo o rosto.
Juno conseguiu também ver a sombra da barba e o escuro cabelo ondulado que lhe chegava quase até aos ombros...
Seria Brody? Se era ele, não era o que esperava de todo. Com a cabeça baixa, aquele homem parecia querer passar despercebido.
E estava a resultar, porque ninguém se tinha dado conta de quem era.
Juno abriu caminho entre as pessoas, com o coração a bater descompassado.
Com o olhar no chão, Mac Brody tentava esquecer o ruído do terminal enquanto girava os ombros para controlar a tensão e a fadiga da viagem.
Nunca gostara de aeroportos e Heathrow trazia-lhe más recordações. Da última vez que tinha estado ali, três anos antes, os paparazzi tinham-lhe armado uma emboscada. Isso a menos de uma semana após o fim da sua relação com a top model Regina St. Clair e dois dias depois de Gina vender a história à imprensa, contando que era viciado em cocaína e que dormia com uma mulher diferente cada noite.
As fantasias de Gina podiam ter graça, não fosse muita gente ter acreditado. Desde então, era perseguido por essa reputação de «mau rapaz», algo que o punha fora de si, pois não era verdade.
Gina vingara-se dele contando essas mentiras porque se sentia traída e Mac aprendera a lição. A partir de então, cada vez que saía com uma rapariga deixava bem claro desde o princípio que não queria uma relação séria.
Mac observou o mostrador das chegadas e ao ver que não havia fotógrafos soltou um suspiro de alívio. Podia suportar os paparazzi quando não havia outro remédio, mas depois de um voo de onze horas estava exausto. Felizmente para ele, tinha aprendido a misturar-se com as pessoas sem chamar a atenção e não costumavam reconhecê-lo a não ser que ele quisesse ser reconhecido.
Mas quando se dirigia para a porta do terminal, uma rapariga saiu de trás de uma coluna e interpôs-se no seu caminho.
– Você é Cormac Brody? – perguntou-lhe.
– Baixe a voz – disse ele, olhando em volta.
– Lamento incomodá-lo, mas tenho que falar consigo. É muito importante.
– Muito importante, hein?
Tinha ouvido aquilo muitas vezes, mas quando estava prestes a dizer-lhe que não tinha tempo, olhou-a nos olhos e, por algum motivo, não recusou.
Fosse quem fosse aquela rapariga, era uma beleza.
As calças de ganga e a camisa deveriam dar-lhe um ar de rapazote, mas ficavam-lhe muito bem, acentuando uma cintura estreita e uns seios pequenos mas empinados.
E depois, havia o impacto daquela carinha oval e daqueles olhos...
Nem verdes nem azuis, mas algures entre as duas cores, transparentes e enormes. Foram os seus olhos que mais lhe chamaram a atenção. E se acrescentasse o cabelo loiro escuro, a pele limpa e a estrutura óssea perfeita, tinha de admitir que o efeito era fabuloso.
Mas perguntou-se se seria uma fã. Esperava que não.
– O que é assim tão importante? Não tenho muito tempo, querida.
Ela fulminou-o com aqueles olhos que não eram verdes nem azuis e Mac teve que dissimular um sorriso.
– Não seja condescendente, senhor Brody.
– Agradecia-lhe muito que não dissesse o meu nome em voz alta. Não quero que ninguém repare em mim.
Bonita ou não, aquela rapariga começava a ser uma chata.
Mac olhou em volta para verificar que ninguém reparava neles e deparou-se com a pessoa que menos queria ver. Pete Danners, o seu maior inimigo, o paparazzo que o tinha perseguido como um rottweiler três anos antes.
– Maldição! – Mac atirou para o chão a mala de viagem para se ocultar atrás de uma coluna.
– Pode-se saber que...?
– Não se mexa – interrompeu-a ele. – Se esse homem me vê, esta viagem será uma catástrofe.
Juno ficou tão surpreendida que quase se esqueceu de respirar.
Que se estava a passar?
Um segundo antes, estava a olhar para os olhos azuis de Cormac Brody e a pensar que era muito mais bonito em pessoa do que nas fotos e, de repente, ele empurrava-a contra uma coluna. Estavam tão apertados um contra o outro que conseguia sentir a fivela do seu cinto a furar-lhe o estômago.
– O que está a fazer’
Não estava assim tão perto de um homem há uns seis anos e deveria começar a gritar. Mas, além da surpresa, sentia um calor pouco familiar, um formigueiro estranho.
– Foi-se embora, graças a Deus – disse, então. – Devo-lhe uma, minha linda.
– Não consigo respirar...
Mac tirou o boné e cravou nela os seus olhões azuis.
– Que se passa? – perguntou-lhe Juno, mas não conseguia dizê-lo em voz alta.
– Acalme-se, querida – disse ele, pondo-lhe uma mão no pescoço. Juno tentou dizer algo, o que fosse, mas só lhe saiu um gemido. – Que tal tentarmos isto?
Então, de repente, inclinou a cabeça para beijá-la. E assim que aqueles lábios roçaram os seus, a pulsação de Juno enlouqueceu.
Devia empurrá-lo mas, sem dar por isso, abriu os lábios e ele aproveitou para deslizar a língua para dentro da sua boca. E essa invasão despoletou um rio de lava entre as suas pernas, um formigueiro que nunca tinha sentido.
As suas línguas travavam um duelo, enquanto ele metia uma mão sob a t-shirt para acariciar-lhe as costelas... mas quando se apertou mais contra ela e sentiu o duro membro masculino a roçar o seu ventre, Juno afastou-se, assustada.
– Ena, isto foi uma surpresa – murmurou ele, com um sorriso nos lábios. – Mas será melhor pararmos antes que percamos o controlo.
Juno olhou para ele, espantada.
Que tinha feito? Depois de seis anos de celibato, beijara um completo estranho no aeroporto de Heathrow. Um estranho de que nem sequer gostava.
– Poderia afastar a mão? – urgiu, envergonhada, ao reparar que continuava a acariciá-la.
– Que tal procurarmos um sítio para continuarmos isto em privado?
Juno endireitou a camisa com as mãos a tremer, sentindo as faces a arder. Pensaria que era uma prostituta ou coisa parecida?
– Passa-se alguma coisa? – perguntou-lhe ele, olhando-a com surpresa.
«Claro que se passa algo, uma ninfomaníaca acaba de apoderar-se do meu corpo»
– Não se passa nada.
– De certeza? Está a agir de um modo algo estranho.
«Nem imaginas».
– Tenho que ir-me embora.
E era verdade. Tinha que afastar-se daqueles olhos azuis e daquele rosto tão atraente antes que se transformasse numa ninfomaníaca.
Mas ele segurou-lhe o pulso.
– Espere aí um instantinho.
– Não, a sério, tenho que ir-me.
– Não se beija um homem assim para depois deixá-lo plantado. Além disso, não tinha algo importantíssimo para me dizer?
O convite de casamento.
Como podia ter-se esquecido do casamento de Daisy?
– Largue-me a mão – disse-lhe. Tenho algo para si.
– Sim, isso já eu sei – brincou ele.
Juno sentiu as faces arderem ainda mais. Maldito fosse. Por que a afetava daquele modo?
– É um convite para o casamento do seu irmão – insistiu Juno. Celebrar-se-á em Nice e ...
O sorriso de Mac Brody desapareceu.
– De que está a falar?
– É da parte da minha amiga Daisy, a noiva do seu irmão – insistiu Juno, dando-lhe o envelope.
Pareceu-lhe ver um brilho estranho nos olhos, mas desapareceu em seguida, portanto não podia ter a certeza.
– Eu não tenho nenhum irmão – disse ele, amarrotando o envelope.
– Claro que tem – replicou Juno, perguntando-se que raio teria acontecido entre ele e Connor.
Tinha prometido a si mesma que não suplicaria mas depois do que se tinha passado, suplicar-lhe já não lhe parecia assim tão horrível.
– Por favor, tem que ir ao casamento. É muito importante.
– Para mim, não é, por isso pode dizer à sua amiga que não estou interessado.
– Como pode ser tão indiferente?
– E que tem a ver com isso?
– Já lhe disse que Daisy é minha amiga, a minha melhor amiga.
– Ah, claro. E o beijo foi ideia sua ou da sua amiga?
– Você sabe perfeitamente que o beijo foi coisa sua!
– Ah, sim?
– Sabe uma coisa, senhor Brody? O facto de ser rico e famoso não lhe dá o direito de tratar a sua família como se fosse lixo. Daisy e Connor são duas pessoas maravilhosas e merecem alguém melhor do que o senhor. Francamente, não sei por que querem que vá ao casamento.
De repente, Mac Brody soltou uma gargalhada.
– E se pareço assim tão horrível, por que me beijou?
Se não parassem de falar do maldito beijo, dava-lhe uma bofetada.
– Nessa altura, não o conhecia. Agora sim, já o conheço.
– Ah, mas ainda não viu o melhor.
Juno voltou a corar, mas ergueu os ombros, recusando-se a reconhecer aquele estranho formigueiro no ventre.
– Acho que sobrevaloriza os seus encantos, senhor Brody.
Ele riu-se novamente.
– Mas nunca terá a certeza, pois não?
Juno não dignificou a pergunta com uma resposta. Que ser tão arrogante, imbecil, convencido...
Ia largando fumo enquanto saía do terminal, com o coração a bater ao ritmo dos seus passos. Não estava enganada sobre Mac Brody, aquele homem não merecia uma família tão maravilhosa como a de Daisy, Connor e o seu belo filho, Ronan. Felizmente, não iria ao casamento. Que alívio não ter que voltar a ver aquele tipo insuportável em toda a sua vida.
Mac parou de sorrir enquanto via a rapariga sair do aeroporto... ou melhor, enquanto admirava a curva do seu traseiro.
Não deveria gozado com ela, mas parecera-lhe irresistível. Como o fora o desejo de beijá-la. Embora não soubesse muito bem porquê.
Ao ver uma faísca de desejo nos seus olhos, o instinto apoderara-se dele. E quando começou a beijá-la, a sua inocente reação parecera-lhe embriagante.
Mas a espontaneidade era uma coisa, a temeridade outra muito diferente.
Mac olhou em volta. Felizmente, não parecia haver nenhum paparazzi em lado algum. Se Danners o tivesse visto a beijar aquela rapariga, poderia ter-lhe tirado uma dezena de fotos e ele não teria dado por nada.
Suspirando, agarrou a mala do chão e dirigiu-se para a porta. Só então se deu conta de que continuava a ter o convite para o casamento na mão e aproximou-se de um caixote do lixo. Como tinha dito à rapariga, já não tinha irmão, não precisava da sua família e não pretendia ir a nenhum casamento. A última coisa de que precisava era reviver coisas que andava há muito tempo a tentar esquecer.
Mas quando ia deitar fora o convite, levou o envelope ao nariz e respirou o aroma da rapariga no papel... e sentiu algo, uma emoção que há muito não sentia.
Desejava-a. Depois daquele beijo, era evidente. Não era tão sofisticada ou tão complacente como as raparigas com que costumava sair em Hollywood, mas tinha-o cativado. E ele não era pessoa de cativar-se facilmente.
Mac observou o envelope. Talvez ela o atraísse tanto precisamente por ser diferente. A sua roupa de maria-rapaz; a pele suave; a reação irritada, representavam a única coisa que não tinha há muito tempo: um desafio.
E nem sequer sabia o seu nome.
Murmurando um palavrão, Mac guardou o envelope no bolso das calças.
Capítulo Dois
Enquanto voltava para casa de metro, Juno ia recordando, em detalhe, o seu desastroso encontro com Mac Brody.
E quando saiu da estação de Ladbroke Grove vinte minutos depois para se dirigir a Portobello, teve finalmente que admitir a verdade: Mac Brody era um imbecil arrogante que fazia com que Casanova parecesse um monge, mas ele não era o único culpado. Também ela tivera alguma culpa naquele desastre.
Às duas e um quarto de uma quinta-feira, Portobello parecia uma cidade fantasma, as bancas fechadas deprimiam-na ainda mais. Um par de turistas desconcertados, que evidentemente não tinham lido bem o guia de Londres, davam voltas por ali, mas a rua do famoso mercado estava deserta.
Juno chegou à loja de Daisy, Funky Fashionista, da qual era gerente, e olhou para a montra que estivera a montar durante quatro horas no dia anterior, orgulhosa de si mesma... e de repente sentiu remorsos.
Como podia ter sido tão irresponsável?
Nervosa, passou uma mão pelo rosto, onde a barba de Mac Brody lhe tocara. Sabia muito bem porquê: assim que a beijou, o bom senso dela desapareceu completamente.
Beijá-lo fora como entrar num raio de sol. Mas por que motivo o corpo dela o escolheu a ele, precisamente a ele, de entre todos os outros homens? Era incrível.
Esquece o estúpido beijo, ordenou a si própria.
Não era importante, não ia permitir que o fosse. O atraente Mac Brody deixaria louca qualquer mulher a duzentos metros de distância e ela estivera bem mais perto. Afinal de contas, era uma estrela de cinema, pensou ela. A sua reação fora um... acidente. Um acidente de proporções nucleares, sim, mas um acidente. Não significava nada porque não tencionava encontrar-se novamente com Brody.
Juno suspirou quando chegou ao edifício da senhora Valdermeyer, que parecia o parente pobre do maravilhoso edifício georgiano onde viviam Daisy e Connor.
Naquele momento, tudo o que queria era esconder-se no quarto dela e passar o resto do dia a rever a contabilidade da loja e a convencer-se a si mesma de que não acontecera nada.
Mas não podia fazê-lo porque seis anos antes prometera que enfrentaria as situações sempre de frente. Naquela manhã, cometera um erro e desiludira duas pessoas de quem gostava muito.
Fossem quais fossem as circunstâncias, tinha que contar a verdade a Daisy e pedir-lhe desculpa.
– Estou muito feliz por teres vindo – Daisy segurava-lhe um braço enquanto a levava pelo corredor. – O tecido do vestido de noiva chegou finalmente de Nova Deli. É maravilhoso, vem vê-lo.
– Fantástico – murmurou Juno, tentando mostrar entusiasmo enquanto entrava na ensolarada cozinha. – Onde é que está o Ronan?
– A dormir a sesta – Daisy suspirou enquanto enchia o biberão de água. – Acreditas que nos acordou às quatro da manhã? Enfim, vamos deixar o meu pequeno monstro, temos que falar do teu vestido de dama de honor – disse depois, pondo o biberão a aquecer. – Não pretendo deixar que vás ao meu casamento de calças de ganga... mas o que é que te aconteceu à cara? É uma alergia?
Juno levou uma mão à cara.
– Pois... não sei.
– Espera, vou procurar um creme de aloé vera, é muito bom para as erupções cutâneas.
– Não, não é preciso, não me dói – disse Juno, engolindo em seco. – Daisy, tenho que falar contigo. Fiz algo muito irresponsável e...
– Tu, irresponsável? – interrompeu-a a amiga. – Não acredito. És a pessoa mais sensata que conheço.
Sim, bom, até àquele dia...
– Vi o Mac Brody no aeroporto – começou a dizer Juno – e tentei dar-lhe o convite.
– Viste o Mac, o irmão do Connor?
– Foi uma ideia absurda tentar convencê-lo a ir ao casamento, mas eu sabia que vocês iriam ficar encantados e...
– Espera aí – voltou a interrompê-la Daisy. – Estás a dizer que foste ao aeroporto de Heathrow esta manhã para procurar o Mac Brody?
– Sim.
A amiga soltou uma gargalhada.
– Mas isso é fantástico. Conta-me todos os detalhes, por mais insignificantes que te pareçam. É realmente tão bonito como nos filmes?
Juno corou.
– A verdade é que não vi nenhum filme dele, mas é tão bonito como nas revistas. E tu não deverias dizer essas coisas, agora que és praticamente uma mulher casada.
Nenhuma mulher era imune aos encantos de Mac Brody?, perguntou-se, irritada.
– Posso ser praticamente casada, mas não sou cega – respondeu Daisy. – Além disso, é natural que o ache bonito porque o Connor e ele são muitíssimo parecidos.
Juno assentiu com a cabeça. O rosto de Mac Brody estava-lhe gravado na memória para sempre.
Os dois irmãos eram realmente muito parecidos. As feições de Mac Brody eram menos duras do que as de Connor e a cor dos olhos mais pura, mais azul, mas ambos eram altos, morenos e de clara ascendência celta. As maçãs do rosto salientes, as sobrancelhas bem definidas, o físico atlético e aquele ar de perigo... como podia não se ter apercebido até Daisy o mencionar?
Talvez porque quando olhava para Connor o coração dela não disparava como lhe acontecia com o irmão dele.
– O aspeto dele é indiferente, a questão é que se recusa a ir ao casamento. Disse-me até que não tinha irmão nenhum. Mas então perdi a paciência com ele... e queria pedir-te desculpa porque agora não há nenhuma possibilidade de que ele vá ao teu casamento.
– Porque é que tens que me pedir desculpas? Já sabíamos que não iria. Na verdade, eu fui muito otimista ao escrever-lhe aquela carta. O Connor era igualmente teimoso quando o conheci, mas sabendo o que lhes aconteceu quando eram pequenos, não é surpresa nenhuma que o Mac renegue a família – Daisy soltou um longo suspiro.
O que acontecera à família de Mac Brody?
Juno esteve prestes a perguntar, mas conteve-se. Talvez houvesse algo mais do que ela pensara. Mas Mac Brody tinha razão sobre uma coisa, não era assunto dela e já se tinha metido em problemas suficientes.
– Imagino que o Mac precise de uma família tanto quanto o Connor – continuou Daisy. – Mas provavelmente ainda não se apercebeu disso. Bom, conta-me, o que é que te pareceu?
– O que é que isso importa?
Talvez Mac Brody não fosse um imbecil como ela pensara, talvez tivesse razões para tratar Connor daquela maneira. Mas não importava o que pensava dele porque não fazia tenção de voltar a vê-lo.
– A revista Blush nomeou-o o homem mais sexy do planeta e, segundo dizem, neste momento não tem namorada – continuou Daisy. – Imagino que seja um homem ao qual nem sequer tu és imune.
Então, Juno viu a armadilha. Desde que se apaixonara por Connor, a amiga tentava, por vezes subtilmente outras vezes nem tanto, convencê-la a voltar a sair com alguém. E convidou Mac Brody para o casamento para que o conhecesse...
– Aconteceu algo! – exclamou Daisy então. – Eu sei, vejo-o na tua cara.
– Não aconteceu nada...
– Beijaste-o!
Juno olhou para ela, perplexa. A sua amiga era vidente?
– Isso que tens na cara não é uma erupção, é o toque de uma barba... O Mac deve ter vindo diretamente de Los Angeles, pelo que imagino que não tenha tido tempo de se barbear – disse Daisy, com uma precisão aterradora.
Ah, então não só era capaz de ler-lhe os pensamentos, como também era uma Sherlock Holmes.
– Foi um erro, não sei como é que aconteceu – começou a dizer Juno. – Tinha que se esconder de um fotógrafo e então...
Então o quê? O beijo queimara-lhe os neurónios?
– Não teve a menor importância.
– Mentira – disse Daisy. – É o primeiro homem que beijas desde o Tony. E isso significa que existe alguma coisa.
Juno fez uma careta ao ouvir o nome de Tony.
– Isto não tem nada que ver com o Tony. Esqueci-me dele há anos.
– Sim, eu sei, mas estás há seis anos a penitenciar-te por isso.
– Não sei do que estás a falar.
– Sabes sim – a amiga suspirou. – Quando foi a última vez que usaste um vestido?
– Não gosto de vestidos, não me ficam bem.
– Por favor... quando foi a última vez que pintaste os lábios? Ou que saístes de Londres? Ou que namoriscaste um rapaz? Porque é que tens vergonha de ter beijado Mac Brody? É o sonho de todas as mulheres... – Daisy inclinou a cabeça, como quem aguça o ouvido. – Ah, o Ronan acordou. Mas não te vás embora, assim que lhe der de mamar, continuamos a falar sobre o teu vestido de dama de honor. E quando finalmente conhecer o Mac vou dar-lhe um abraço por ter feito a minha melhor amiga sentir-se uma mulher outra vez.
Juno resmungou enquanto Daisy saía da cozinha para cuidar do filho.
Como se o beijo de Brody não fosse suficiente, as palavras da amiga faziam-na sentir-se como se tivesse um problema psicológico.
Suspirando, enterrou o rosto entre as mãos e fechou os olhos enquanto ouvia Ronan a chorar pelo monitor. Juno imaginou Daisy sentada na cadeira de balouço branca enquanto o amamentava e, de repente, sentiu o coração encolher-se.
O que se passava com ela? De onde saíra aquele ridículo anseio, aquela sensação de vazio?
E se Daisy tivesse razão? Sobreviveu ao que aconteceu seis anos antes, mas como podia dizer que o tinha superado se se estava a esconder desde então?
Por isso beijar Mac Brody fora tão espetacular. Após seis anos a fingir que não sentia o menor interesse pelo sexo oposto, com um único beijo tinha recordado o que estava a perder. E, ao mesmo tempo, foi confrontada com a sua própria vida. Não apenas sensata, prudente e ordenada, mas também terrivelmente vazia e aborrecida.
Juno olhou para os restos do pequeno almoço que Connor e Daisy tinham partilhado na mesa do pátio, à sombra de um salgueiro. E, de novo, voltou a sentir uma pontada de inveja.
Mantivera-se à margem durante o último ano, vendo Daisy encontrar o amor da vida dela, e talvez estivesse na altura de dar um passo em frente e admitir que sobreviver já não era suficiente, que vestir-se como um rapaz e tornar-se uma freira deixara de ser útil. Seria assim tão terrível admitir que queria algo mais?
Ouviu então Daisy cantar uma canção de embalar ao filho e sentiu um calafrio de emoção.
Podia continuar a ser prática e sensata, mas por que motivo não iria deixar que Daisy lhe desenhasse o vestido de dama de honor? Até então resistira, porque temia que lhe fizesse algo exageradamente feminino... claro que dada a propensão de Daisy para os vestidos exagerados e a esperança que tinha de que ela voltasse a sair com algum homem, a precaução de Juno era perfeitamente justificada.
Mas já não havia justificação possível. Tinha que parar de ser uma covarde e começar a viver novamente.
E se podia beijar uma estrela de Hollywood no aeroporto de Heathrow e sobreviver a isso, também podia deixar que a melhor amiga lhe desenhasse um vestido. Especialmente se lhe deixasse claro que queria um vestido simples e discreto.
Na verdade, o que poderia acontecer?
Capítulo Três
– Daisy, não sei o que dizer – Juno olhava-se ao espelho, atónita, o vestido de cetim cor de bronze acariciava-lhe curvas que não acreditava possuir antes. – É quase como estar nua. Não posso entrar na igreja com isto... o padre ia ter um ataque cardíaco.
Daisy soltou uma gargalhada.
– O padre não vai ter um ataque, não te preocupes – respondeu, inclinando a cabeça para observar a sua criação. – Mas talvez tente namoriscar contigo. Afinal de contas, é francês.
– Tenho peito! – exclamou Juno. – Quem diria?
– Eu disse-te que a roupa interior para profissionais do sexo fazia maravilhas – comentou Daisy, muito tranquila. – Estás sensacional, mas a questão é: como é que tu te sentes? Gostas?
Juno deu uma volta em frente ao espelho para ver o decote das costas. Nunca vestira algo tão bonito em toda a sua vida... ou tão revelador.
O cabelo encaracolado que lhe dava pelos ombros, o brilho nos lábios e o rímel nas pestanas faziam com que as feições dela, que sempre lhe tinham parecido normais, parecessem exóticas. E a sua figura, normalmente escondida por várias camadas de roupa, parecia esbelta com o vestido de cetim cor de bronze.
Daisy fizera com que se sentisse sexy pela primeira vez na vida, mas teria coragem para usar aquele vestido? Quando decidiu exibir a sua feminilidade não pensara mostrar-se tão liberta.
– Sinto-me uma pessoa diferente.
– Diferente no bom ou no mau sentido?
– Tenho medo, mas a verdade é que adoro – confessou-lhe Juno por fim.
Daisy sorriu.
– Fico muito feliz. E é normal que tenhas um pouco de medo, vais fazer parar o trânsito. Mas lembra-te: não podes roubar-me todas as atenções. E não deves chorar ou o rímel vai escorrer-te pela cara e parecerás um guaxinim.
Juno soltou uma gargalhada.
– Não chorarei, não te preocupes.
Nunca se sentira tão jovem e alegre.
Juno apertava o ramo de flores enquanto tentava concentrar-se nas palavras do padre. Os ramos de lírios brancos perfumavam o ar da igreja enquanto Daisy e Connor pronunciavam os votos matrimoniais com uma voz clara e o elaborado corpete do vestido de noiva brilhava sob o sol que entrava pelos vitrais, fazendo com que ela parecesse uma princesa de conto de fadas.
Juno passou a mão pela saia do seu vestido e sorriu, contente. Deixara de acreditar em finais felizes havia muito tempo mas, estar ali, a ver a melhor amiga casar-se, fazia com que tudo parecesse possível.
Daisy esforçara-se muito para que a sua relação com Connor funcionasse e encontrara o homem dos seus sonhos. Mas, na opinião dela, os homens como Connor eram muito raros e devia lembrar-se disso para não se emocionar demasiado.
Juno franziu o sobrolho quando a voz do padre foi afogada por um coro de tosses e sussurros. De repente, sentiu a pele arrepiada e teve a sensação de que alguém a observava. E quando arriscou olhar por cima do ombro... o coração parou-lhe durante uma fração de segundo.
Era ele.
Não, não podia ser, era impossível.
Pestanejou furiosamente, convencida de estar a ter alucinações. Mas não era assim. O homem que fora a estrela de demasiados sonhos durante as duas últimas semanas acabava de entrar na igreja e estava a olhar diretamente para ela.
– Connor, é o Mac. Ele veio – ouviu Daisy dizer. O sacerdote aclarou a garganta, incomodado com a interrupção. – Excusez-moi, monsieur – desculpou-se ela apressadamente. – Um momento, por favor, chegou uma pessoa muito importante – disse depois, apertando a mão de Connor. – Vem, temos que lhe dar as boas-vindas.
Juno ficou onde estava, a ver Daisy levantar o vestido de noiva para descer os degraus do altar e abraçar Mac Brody. Pareceu-lhe que ele ficou um pouco tenso e, quando finalmente Daisy o soltou, os dois irmãos apertaram a mão. Não conseguia ouvir o que diziam, mas não lhe passou despercebida a postura rígida de Brody.
Mordendo os lábios, Juno viu que ele se aproximava do banco dela. Mas não ia deixar que a intimidasse, pensou. Ela não era aquela criança ingénua e inexperiente que ele beijara no aeroporto. Agora era mais forte, mais sofisticada. Ou, pelo menos, parecia-o.
– Não vais acreditar em quem chegou. Juno, parece-me que já conheces o irmão do Connor, Mac.
Cortara o cabelo e o novo estilo, juntamente com uma barba bem feita e o elegante fato cinzento, deveriam dar-lhe um aspeto menos perigoso. Mas não era assim.
– Olá outra vez, senhor Brody – cumprimentou-o, apesar do aperto no estômago.
– Juno, não é verdade? O nome de uma deusa – disse ele, fixando nela os penetrantes olhos azuis. – Combina bem contigo – disse ele tratando-a com familiaridade pela primeira vez.
O sacerdote voltou a tossir e Juno olhou para ele, surpreendida porque esquecera que estavam no meio de uma cerimónia.
Concentrou-se nos noivos, tentando ignorar o homem que se sentara ao seu lado. No entanto, sentia o aroma da colónia dele...
E que estava ali a fazer? Não era o mesmo homem que se recusara a ir ao casamento do irmão que dizia não ter?
Após alguns minutos que lhe pareceram séculos, o padre pronunciou a frase: «declaro-vos marido e mulher» e Connor segurou a esposa pela cintura para dar-lhe um beijo de cinema.
– Aquilo parece divertido – o tentador sussurro no ouvido dela provocou-lhe um calafrio. – O que é que te parece se tu e eu experimentarmos?
Juno endireitou-se o máximo que conseguiu. Ah, que típico. Enquanto Daisy encontrara o homem dos seus sonhos, ela era tentada pelo Diabo em pessoa.
– Não, obrigada – respondeu. – Uma vez é mais do que suficiente para mim.
Mas então, sem que pudesse evitá-lo, os olhos dela concentraram-se nos lábios de Mac Brody.
– Uma vez não chega, Juno – murmurou ele, o nome dela soando como uma carícia, – especialmente para ti e para mim.
Ela virou-lhe as costas, contendo o desejo de bater-lhe na cabeça com o ramo. Parecia ter ido ao casamento só para arreliá-la.
Connor soltou então a esposa e Daisy abraçou-a.
– Estou tão feliz que acho que vou explodir – disse-lhe ao ouvido.
– Casaste com o melhor homem do mundo. E acho que quase te merece.
Connor apertou a mão ao irmão.
– Estou feliz por teres vindo, Mac. Passou muito tempo – disse-lhe, com a voz cheia de emoção. – Demasiado tempo.
– Sim – disse Mac, depois de aclarar a garganta.
– Vens ao copo-d’água? Eu e Daisy queremos que conheças o Ronan, o nosso filho. Afinal, és tio dele.
– Sim – assentiu Mac. A resposta parecia apática.
E Juno reconhecia aquele tom porque era o mesmo que usara no aeroporto, quando lhe disse que não tinha irmão nenhum.
– Não sabes o que isto significa para nós, Mac – interveio Daisy. – A única coisa que importa neste momento é que estás aqui... e espero que tenhas vindo com apetite porque temos comida francesa suficiente para alimentar um exército.
– Imagino que comerei alguma coisa – assentiu ele.
– Eu e Connor temos que cumprimentar o resto dos convidados, por isso deixo-te nas mãos da Juno, que é a minha melhor amiga. Ela apresentar-te-á a todos.
«Não, nem pensar».
Juno olhou para ela, horrorizada. Mas não era capaz de encontrar uma desculpa.
– Não tenhas medo, não te vai morder – disse-lhe Daisy ao ouvido. – Pelo menos, não neste momento.
Depois disso, Daisy e Connor saíram da igreja como marido e mulher, seguidos dos outros convidados.
Juno não sabia o que fazer com as mãos. Adorava o vestido que Daisy fizera para ela, mas sob o olhar de Mac Brody sentia-se nua.
– O castelo onde se celebra o copo-d’água fica a dez minutos daqui – disse-lhe, depois de aclarar a garganta. – Lá apresentá-lo-ei a todos.
– Não é preciso apresentares-me a ninguém. E não sei como chegar ao castelo, por isso devias ir comigo. Não queres que me perca, pois não?
«Não terei essa sorte».
– Não, por favor – respondeu, no entanto, Juno.
Mac riu-se, segurando-lhe o braço.
– Muito bem, querida. Ah! E trata-me por tu, está bem. Afinal, já somos íntimos...
Ela concentrou-se em respirar e em não tropeçar com os sapatos de salto alto.
– Não comi nada o dia todo e estou a morrer de fome – disse Mac.
E ela não conseguiu controlar um calafrio. Por que motivo tinha a impressão de que não era só o banquete de Daisy e Connor que aquele homem queria devorar?
No meio de um bosque de carvalhos que pareciam dourados à luz do entardecer, apareceu o castelo francês, com as suas torres engalanadas. Quando o poderoso desportivo chegou à entrada, da qual se viam os elegantes convidados servidos por um exército de empregados, Juno pensou, e não pela primeira vez, em príncipes, em princesas e em contos de fadas. Daisy e Connor tinham transformado o seu casamento em algo mágico...
Mas já bastava de pensar tolices, pensou. Não era apropriado naquelas circunstâncias.
Depois olhou para o homem ao lado dela. Nos vinte minutos que demoraram a chegar, Mac Brody estivera surpreendentemente calado. Provavelmente porque se vira rodeado de pessoas assim que Daisy e Connor tinham desaparecido no carro dos noivos.
Sabia que ele era famoso, mas não sabia que era tanto. Na verdade, raramente ia ao cinema porque não tinha muito tempo livre e também não costumava ler as revistas cor-de-rosa.
Mas o que mais a surpreendeu foi a reação dele. Mac mostrou-se paciente, simpático e até carinhoso com as pessoas que lhe pediam autógrafos. E isso fez com que se perguntasse o que era feito do homem trocista e convencido que conhecera no aeroporto.
Parecia ter-se descontraído quando entraram no Porsche alugado mas assim que o castelo apareceu à distância viu que apertava o volante com força, como quem se prepara para o que o espera.
Por que motivo teria decidido afinal ir ao casamento se sabia que ia ser desagradável para ele?
– Achas que consegues andar sobre as pedras com esses sapatos? – perguntou-lhe Mac.
Decerto, estaria habituado a mulheres que eram capazes de correr uma maratona em saltos altos, mas o comentário parecia mais divertido do que desdenhoso.
– Acho que consigo. Se não, descalço-os. Mas não podes contar à Daisy.
– Porquê?
– Porque foi ela própria quem os desenhou, tal como o vestido. Se tirar os sapatos, acusar-me-á de ter arruinado o conjunto.
Mac olhou-a de alto a baixo e a pulsação dela acelerou novamente.
– Pois a Daisy tem muito talento. Estás lindíssima.
O brilho dos seus olhos azuis fez com que Juno ficasse sem respiração.
«Muito bem, bela. Agora voltas a sentir-te como se estivesses nua».
Capítulo Quatro
Onde raio se metera?
Mac procurou-a no salão de dança pela enésima vez antes de olhar para o relógio, impaciente. Juno desaparecera três horas antes, assim que chegaram ao castelo e, apesar de a ter procurado em todo o lado, não voltou a vê-la.
Todos pareciam estar a divertir-se muito, todos menos ele. Não se sentia tão tenso desde a sua estreia na Broadway.
Como podia um casal ter tantos amigos?, perguntou-se, olhando em volta. E todos eles se tinham aproximado para cumprimentá-lo... todos, exceto a mulher que tinha ido ver.
«Acalma-te».
Mac apoiou-se na parede, suspirando. Ao menos livrara-se do grupo de adolescentes que tinham passado a última hora a persegui-lo.
Enquanto observava os convidados na pista de dança e esperava em vão ver a mulher de caracóis loiros, voltou a perguntar-se o que estivera a fazer a tarde toda.
Por que motivo fora ao casamento?
No dia anterior fora à festa de fim de filmagem do seu último filme, em Londres, e a coprotagonista, Imelda Jackson, fizera-lhe uma oferta que não deveria ter recusado. Mas disse-lhe que não.
E não tinha a menor dúvida: a culpada era a invisível senhorita Juno.
Parecia tê-lo enfeitiçado, levando-o ali contra sua vontade com o seu canto de sereia. Desde que a tinha beijado no aeroporto de Heathrow que não conseguia parar de pensar nela. E, quando acordou de manhã, depois de um erótico sonho em que ela era a estrela principal, apercebeu-se de que estava na hora de entrar em ação.
Ele não era obcecado por sexo e nunca deixava as mulheres invadirem-lhe os sonhos, pelo que, depois de um duche frio, cancelou o voo de regresso a Los Angeles e reservou um voo para Nice.
Mas quando chegou à capela, apercebeu-se de que tinha cometido um erro. Ver o irmão de novo fora como receber um soco no peito e, como se isso não fosse suficiente, ali estava Juno, com a sua esbelta figura envolvida num vestido que parecia acariciar-lhe as curvas como a mão de um amante.
Bastou um olhar sobre aqueles seus maravilhosos olhos que não eram nem verdes nem azuis para perceber que lidar com Connor não iria ser o maior dos seus problemas.
O problema era Juno ter desaparecido.
Depois de várias horas a conversar com pessoas que não conhecia, a dar voltas pelo castelo como um tonto à procura de alguém que desaparecera e a evitar o irmão e a sua radiante esposa, Mac começava a ficar chateado com ela e consigo mesmo.
Deveria ir-se embora, mas não era capaz de fazê-lo. Não poderia afastar-se de Juno sem pelo menos falar com ela. Não sabia o que ela lhe tinha feito duas semanas antes no aeroporto, mas precisava de resolver a coisa naquela mesma noite porque não ia passar nem mais um minuto a pensar nela... especialmente depois de a ter visto com aquele vestido.
Após deixar o copo na bandeja de um empregado que passava por ele, olhou de novo em volta. Sendo a dama de honor não se podia ter ido embora, portanto estava a evitá-lo. E essa era uma experiência nova para ele.
Uma coisa era certa: quando lhe pusesse as mãos em cima não a deixaria escapar.
Mac viu algo dourado pelo canto do olho e quando virou a cabeça encontrou uns caracóis loiros...
Ali estava.
Sem reparar nas pessoas que o seguiam com o olhar, Mac dirigiu-se para a sua presa.
– Juno, ainda bem que te encontro – Daisy afastou-lhe uma madeixa de cabelo do rosto, rindo. – Onde é que está o Mac? O Connor teme que se tenha ido embora sem dizer adeus.
– Por que motivo faria isso? – perguntou ela, tentando disfarçar.
Esquivara-se dele horas antes e não estava muito orgulhosa de si mesma. Mas quando olhou para ela daquela forma, como se pudesse ver por baixo do vestido, ela entrou em pânico.
Não estivera a evitá-lo... bom, não totalmente.
O plano fora trocar de sapatos e procurá-lo depois. Afinal de contas, Daisy pedira-lhe que lhe fizesse companhia e, além do mais, aquele olhar fora certamente imaginação dela. Mas quando voltou do quarto, Mac estava rodeado por um grupo de adolescentes e depois disso viu-o a falar com Joannie, uma amiga de Daisy que pertencia a uma das famílias mais ricas de Londres. Por isso ficou a conversar com a senhora Valdermeyer e com um artista de Nova Iorque, Monroe Latimer, sobre arte moderna.
Mac nunca estava sozinho, pelo que não tinha motivos para se sentir culpada.
– Eu acho que o pobre não estava preparado para isto – continuou Daisy. – Além do mais, é evidente que veio só para voltar a ver-te.
– A mim? Porque é que dizes isso?
– Por favor... Olhou para ti de tal forma que poderia ter incendiado meia Londres.
– A sério? – murmurou Juno.
E depois apercebeu-se de que parecia uma tonta. O que se estava a passar com ela? Não queria que Mac Brody olhasse para ela de todo.
– Pois claro que sim. E isso significa o que eu suspeitava: que não me contaste tudo o que aconteceu no aeroporto.
– Não sejas tonta. Não aconteceu nada.
Não deveria ter-lhe contado sobre o beijo. A sua romântica amiga estava a imaginar coisas que não existiam e começava a contagiá-la.
– Podes conseguir enganar-te a ti mesma sobre o beijo, mas a verdade é que ele está aqui agora e parece muito interessado. Porque é que te escondes dele?
– Não me estou a esconder – defendeu-se Juno.
– E se não te estás a esconder porque é que não vais conversar um pouco com ele? Se soubesses o que a Joannie Marceau diz do Mac, saberias que tens concorrência.
Quanto champanhe bebera Daisy?, perguntou-se ela.
– Não tenciono ir falar com ele. Não está interessado, por isso procurá-lo seria...
O que seria exatamente?
Louco, aterrador, emocionante, eletrizante?
Juno franziu o sobrolho. Quantas taças de champanhe bebera ela?
– Às vezes temos que fazer as coisas sem pensar tanto – continuou Daisy. – Mas garanto-te uma coisa: se o Mac for como o Connor na cama, não te vais arrepender.
Juno sentiu o rosto prestes a explodir.
– Fala baixo, estão aqui crianças – repreendeu-a o marido, que acabava de se aproximar com Ronan ao colo.
Daisy soltou uma gargalhada.
– Olá, querido. Não sabia que estavas a ouvir.
– E é demasiado tarde para voltares atrás – Connor sorriu, envolvendo-lhe a cintura com o braço livre. – Prometeste amar-me, honrar-me e cuidar de mim durante o resto da tua vida, meu anjo. É oficial.
Juno aclarou a garganta, sentindo-se desconfortável. Connor e Daisy namoriscavam à frente dela constantemente e isso nunca a incomodara. Além do mais, aquele era o dia do casamento deles.
– Não olhes, mas ele está a vir para aqui – murmurou Daisy.
Juno sabia a quem se referia porque conseguia sentir o calor do olhar de Mac Brody na nuca.
Ficou sem respiração quando se virou e viu que ele se aproximava. Um metro e oitenta e oito de homem, os olhos azuis cravados nela com a intensidade de um míssil. E a pulsação dela acelerou em segundos. Não só parecia perigoso, como parecia selvagem e a fazia sentir-se como uma presa assustada.
Por que motivo olhava assim para ela? E porque motivo ela se sentia como se estivesse prestes a entrar em combustão espontânea?
– Olá.
– Apresento-te o teu sobrinho, Ronan – disse Connor, acariciando a cabeça da criança, que dormia sobre o ombro dele. – Ronan Cormac Brody.
– Ronan, eh? – murmurou Mac por fim. – É um bebé muito bonito.
– Sim, é verdade – assentiu o irmão.
A resignação no seu tom entristeceu Juno. Por que razão Mac se mostraria tão reservado? Não se apercebia que lhe tinham dado o nome dele?
– E está exausto, devíamos ir deitá-lo. Mas estamos muito felizes por teres vindo, Mac. Teríamos gostado de estar mais tempo contigo, mas percebemos que não te sintas à vontade.
Juno esperou que Mac o negasse. Teria estado a evitar Daisy e Connor a noite toda? Porquê?
Mas Mac não o negou. Aliás, não ofereceu explicação alguma.
Daisy apertou-lhe a mão, tão conciliadora como sempre.
– Podes visitar-nos em Londres quando quiseres.
– Obrigado. Foi um prazer conhecer-te... e ao bebé.
Era óbvio que não pretendia aceitar o convite.
Depois de despedir-se, Juno viu o casal afastar-se. Connor passou um braço pela cintura da sua exuberante esposa enquanto ela apoiava a cabeça no ombro dele. Os coitados estavam desiludidos, mas tentavam disfarçar.
Triste pelos amigos, ganhou coragem para olhar para Mac Brody e perguntar-lhe aquilo que queria perguntar desde que o tinha visto na igreja.
– Porque é que vieste ao casamento? É evidente que não tinhas vontade nenhuma.
– Achas que não?
Juno abriu a boca para perguntar-lhe que raio se passava com ele mas, antes de poder dizer alguma coisa, Mac segurou-lhe o braço e começou a puxá-la, abrindo caminho por entre os convidados.
– Pode saber-se que estás a fazer?
As pessoas olhavam para eles, pessoas que ela conhecia. E se não parasse, partiria um tornozelo a tentar seguir os passos dele. Aborrecida, Juno esforçou-se por soltar-se mas ele apertou-a mais e não parou de caminhar até terem saído para uma das varandas.
E quando finalmente a olhou nos olhos, Juno teve a impressão de que estava a olhar para um tigre.
– Enlouqueceste? – exclamou.
– Estou à tua procura há três horas. Pode saber-se onde é que te meteste?
Juno ficou tão surpreendida com a acusação que não sabia o que dizer. Não podia sentir-se lisonjeada, isso seria absurdo. A emoção que sentia tinha que ser outra coisa.
– E por que tenho que andar atrás de ti? – conseguiu dizer por fim.
– Devias fazê-lo, uma vez que a Daisy to pediu. Não deverias esconder-te como se fosses uma criança.
– Tens estado sempre ocupado, não me parece que tenhas sentido a minha falta.
– Então estavas a esconder-te. Porquê?
– Não me estava a esconder – respondeu ela.
– Qual é o teu jogo? Primeiro beijas-me e depois foges.
– Eu não...
– Para de fazer-te difícil, Juno. Não é preciso – murmurou Mac, os lábios dele a um centímetro dos dela. – Acredita em mim, já tens toda a minha atenção.
Ela pôs as mãos sobre o torso dele, a tremer. Mas Mac envolveu-a nos braços, o calor do seu corpo queimando-a através do vestido.
– Eu não quero a tua atenção – disse-lhe. Mas as palavras soavam pouco convincentes, o pulso dela latejava como as asas de um pássaro aprisionado.
– Ah, não? Porque é que não mo mostras então?
Quando começou a beijá-la, Juno agarrou-se à camisa dele para o afastar... mas os lábios dela abriram-se como que por vontade própria e, sem querer, rendeu-se às possessivas carícias da língua dele.
– Beija-me de volta – sussurrou ele.
Sem pensar, Juno abraçou-lhe o pescoço, rendendo-se por completo, o desejo percorrendo-lhe o sangue como um rio de champanhe. As línguas deles encontraram-se numa dança frenética e experimentou uma sensação desconhecida de poder ao senti-lo tremer.
Mac afastou-se, com dificuldade em respirar.
– Sem mais jogos, vim apenas por ti – murmurou. – O meu hotel fica perto daqui. Se nos despacharmos, chegaremos em dez minutos.
Juno tentou compreender o que lhe estava a acontecer. Mac parecia ter-se ateado uma chama dentro dela, uma chama que estava prestes a transformar-se num incêndio. Queria que continuasse a beijá-la, a tocar-lhe. Estava cansada de ter medo, cansada de negar-se a si mesma o contacto com um homem. Nunca o desejara antes daquela forma, nem sequer com Tony, mas desejava-o com Mac. Aquele era o momento pelo qual esperara, o momento no qual superaria completamente o sucedido seis anos antes. Tinha que aproveitar a oportunidade ou lamentá-lo-ia para o resto da sua vida.
Por isso, disse a única coisa que parecia importante:
– Não tenho preservativos.
– Ah, adoro mulheres práticas – brincou ele. – Não te preocupes, eu venho preparado, mas estão no hotel – disse depois, passando-lhe um dedo pelo pescoço. – Tens a certeza disto, Juno?
O facto de lhe perguntar quando era óbvio que tinha a certeza deu-lhe coragem para dar o último passo.
– Sim – afirmou.
– Ainda bem – Mac soltou um suspiro de alívio enquanto lhe dava a mão para entrar de novo no salão. – Vamos sair daqui. Já perdemos demasiado tempo.
Capítulo Cinco
Chegaram ao hotel em oito minutos, com Mac a conduzir o Porsche como um louco e Juno a tremer no banco ao lado. O cheiro dos bancos de pele e do homem que estava ao lado dela pareciam envolvê-la numa redoma que a afastava do mundo real.
Tentava concentrar-se no aspeto físico, nos batimentos do seu coração, no cheiro do campo, que entrava pelas janelas abertas do Porsche. Não podia permitir-se pensar nas consequências, em ser sensata e prática. Não naquela noite.
Mas enquanto se dirigiam para a entrada do hotel, Juno recordou aquele verão, seis anos antes. E se não estivesse à altura?
Quando entraram na suite, tentou recordar que já não era uma criança. Crescera, sobrevivera à parte pior e por isso ia dar o passo seguinte. Aquela noite com Mac não tinha nada a ver com amor ou com sonhos, mas com prazer físico, apenas isso.
Tony tirara-lhe algo seis anos antes e ia recuperá-lo. Nada mais importava.
Mac não lhe pediu permissão, limitou-se a puxar-lhe a mão para a levar para o quarto. Não proferira uma única palavra durante o caminho e ela também não.
A pulsação dela acelerou ao ver que despia o casaco e o atirava sobre um cadeirão. Quando acendeu a luz, Juno pestanejou, nervosa. Parecia-lhe impressionantemente masculino e deslocado naquele quarto cheio de móveis antigos.
– Que se passa? – perguntou-lhe Mac.
– Nada – murmurou ela, sentindo-se uma tonta.
E se corresse mal? E se cometesse algum erro? Nas recônditas sombras do jardim, com Mac a fazê-la perder a cabeça, tudo lhe parecera muito simples. Mas ali, no quarto do hotel, com a luz acesa, já nada lhe parecia assim tão simples.
Ela não sabia muito sobre sexo. Não fazia amor há seis anos e o pouco que recordava da última vez não a preparava para dormir com um homem como Mac Brody. Um homem que decerto tinha dormido com tantas mulheres que nem se lembraria de todas.
Mac pôs-lhe uma mão no ombro e Juno sobressaltou-se.
– Tem calma, descontrai. Vamos divertir-nos, prometo-te. Não me vou atirar a ti como um tigre.
Juno não conseguia falar, o célere bater do seu coração sufocava-a. Quase preferiria que o fizesse, que se lançasse sobre ela como um tigre. Então poderiam terminar depressa, antes que perdesse a coragem.
Sentaram-se na cama e Mac afastou-lhe o cabelo para beijá-la no pescoço. E de novo, algo despertou dentro dela.
«Pensa no momento, Juno, pensa no momento».
Com as mãos a tremer, acariciou-lhe os peitorais e os abdominais definidos por cima da camisa... mas quando ele lhe baixou as alças do vestido para revelar o sutiã de renda, Juno ficou imóvel.
Não conseguia fazê-lo.
Mac levou a mão dela aos lábios para depositar-lhe um beijo.
– Bom, por agora é suficiente – disse com uma voz rouca. – Pareces muito assustada. Que se passa?
Ela engoliu em seco. Não se apercebia? Não via que ela não estava à-vontade?
– Podemos apagar a luz? – sussurrou.
Não queria que a visse nua. Os seios dela eram pequenos, as ancas delgadas como as de um rapazinho...
Mac segurou-lhe o rosto entre as mãos, olhando para ela com uma ternura que não esperava.
– Não, não podemos. Não esperei duas longas semanas para fazer amor contigo às escuras.
Juno abriu a boca para protestar, mas ele pôs-lhe um dedo sobre os lábios.
– Vamos chegar a um acordo, parece-te bem?
– Que... acordo?
– Por que não marcas tu o ritmo?
– Não te importas? – sussurrou ela, pateticamente grata pelo inesperado alívio.
– Porque é que me iria importar? – Mac sorriu, um sorriso cheio de promessas. – Tu é que vais fazer o trabalho todo.
Juno tentou sorrir. Talvez aquela noite acabasse por não ser um desastre total.
Tremiam-lhe as mãos enquanto lhe desapertava os botões da camisa mas, a cada centímetro de pele morena coberta de pelos escuros que descobria, recuperava um pouco mais a coragem. E lentamente, o desejo regressou.
Cheirava muito bem, a gel, a colónia masculina, a homem. Ouviu-o gemer quando lhe passou os dedos pelos peitorais, mas a exploração parou na fivela do cinto. Não conseguia tirar os olhos da protuberância marcada sob as calças, que se tornava mais e mais proeminente.
Pensava que conseguia fazê-lo, mas estaria realmente preparada para controlar aquilo?
– Juno, é a tua primeira vez?
Ela olhou para cima, com o rosto a arder.
– Não, claro que não. Tenho vinte e dois anos – respondeu, tentando parecer indignada.
– Mas tens pouca experiência, não tens?
Nervosa, Juno decidiu que o melhor seria ir-se embora quanto antes, mas quando tentou levantar-se ele segurou-a pela cintura.
– O que se passa? Aonde vais?
– Tens razão, não tenho muita experiência. Aliás, não tenho quase nenhuma – confessou-lhe. Para quê mentir? Podia ter amadurecido emocionalmente desde aquela terrível noite seis anos antes, mas isso não era suficiente para lidar com um homem como Mac Brody. – E como tu dormiste com tantas mulheres, vais ficar desiludido...
Por que motivo pensara que aquilo poderia funcionar? Colocar um vestido bonito e um pouco de maquilhagem não fazia dela uma deusa do sexo.
Mac levantou-lhe o queixo com um dedo para que o olhasse nos olhos.
– Querida, não tens que te preocupar com isso. Se estivesse mais excitado, teria que ir ao hospital. E isto não é um exame – continuou, deslizando-lhe um dedo pelo decote do vestido. – Não te vou dar uma nota depois. Mas se tens medo, porque não me deixas marcar o ritmo por um momento?
De repente, Juno não conseguia respirar. O som da voz dele, o toque do seu dedo... não conseguia concentrar-se.
– Não sou tão promíscuo como tu pensas – disse Mac, enquanto desapertava o vestido, – mas parece que tenho um pouco mais de experiência.
O som do fecho pareceu-lhe ensurdecedor no silêncio do quarto.
Juno tremeu enquanto ele baixava o corpete, deixando-a nua da cintura para cima, exceto pelo sutiã, que parecia apertar-lhe os pulmões como um espartilho.
– Deita-te, deixa-me tratar de tudo. A única coisa que tens que fazer é dizer-me do que gostas.
– Mas eu não sei do que gosto – confessou-lhe ela.
Por que motivo dissera aquilo? Mac ia pensar que era tonta.
Sorrindo, ele pôs a palma da mão sobre a barriga dela.
– Então teremos que descobrir.
Juno assentiu, sem saber o que dizer.
– Linda menina – Mac beijou-a enquanto, quase sem que se apercebesse, lhe tirava o sutiã.
Mas ao reparar que estava quase nua, assustou-se.
– Não, por favor...
Tentou cobrir-se, mas ele impediu-a, segurando-lhe as mãos delicadamente. Juno fechou os olhos, tremendo de vergonha ao sentir o olhar de Mac nos seus seios. Nunca lhe incomodara que fossem pequenos. Até àquele momento.
– Porque queres escondê-los?
– Porque são um pouco pequenos.
– Ah, sim?
Mac afastou-lhe os braços e inclinou-se para apanhar um mamilo com os lábios, puxando-o, chupando-o... e Juno, sem se dar conta, arqueou-se para ele.
– São tão sensíveis... respondem de imediato – sussurrou Mac. – Não sabes como são maravilhosos?
– A sério?
– Querida, vamos despir-te – disse ele, rindo. – Não sabia que tinhas tantas coisas para aprender.
Juno queria aprender e queria que fosse ele a ensiná-la, por isso levantou o traseiro para que ele pudesse puxar-lhe o vestido e não ofereceu resistência quando ele lhe tirou as cuecas.
– És maravilhosa – murmurou Mac, passando-lhe as mãos pelos seios, pela curva das nádegas e pelas coxas.
Quando meteu uma mão entre as pernas dela e a afastou depois, ela soltou um suspiro de frustração. Estava a tentar fazer com que perdesse a cabeça? Por que motivo não a tocava ali, onde queria que lhe tocasse?
– Por favor... – murmurou, sem saber muito bem o que estava a pedir.
– Ah, vejo que começas a perceber – Mac riu suavemente.
Juno queria repreendê-lo por aquele tom tão orgulhoso, mas então começou a acariciar-lhe a sua feminilidade, escondida entre os caracóis, e aquele prazer tão desconhecido, tão poderoso, fez com que se derretesse completamente.
Mac queria fazer com que durasse, que Juno desfrutasse como lhe prometera, mas vê-la chegar ao orgasmo acendeu-lhe uma chama nas entranhas.
Pela primeira vez na vida dele, estava prestes a perder o controlo e obrigou-se a si mesmo a respirar fundo enquanto tirava as calças e os boxers ao mesmo tempo para pôr o preservativo.
Quando Juno abriu aqueles maravilhosos olhos verde azulados, sorriu.
– Está tudo bem?
– Espantoso – respondeu ela. – Não fazia ideia... – começou a dizer. Mas não terminou a frase.
Mac desejava-a com uma urgência que não sentia desde os treze anos, quando o sexo era o centro da sua existência.
Aquele pensamento tão irracional incomodou-o por um momento, mas esqueceu-se dele rapidamente. Juno não era virgem, ela própria lho dissera. E ele também não era, apesar do facto de dormir com aquela mulher o fazer sentir-se como uma criança.
– Eu não esperava... não esperava que fosse assim. Obrigada, Mac.
Ele sentiu-se tolamente orgulhoso. Orgulhoso e algo mais que não conseguia identificar.
– Não tens que agradecer-me. Além disso, pretendo pedir uma recompensa.
– Ah, lamento. Tu ainda não...
Parecia assustada e Mac queria abraçá-la. A primeira vez que a viu pareceu-lhe engraçada, naquele momento parecia-lhe adorável.
Sorrindo, apertou-a contra o peito.
– Que te parece um segundo assalto? – perguntou-lhe, tentando conter a impaciência. Não podia esperar muito mais, mas não queria estragar tudo.
– Se for tão bom como o primeiro, parece-me muito bem – respondeu ela cheia de coragem.
– Farei o que puder – prometeu-lhe ele, rezando para encontrar paciência.
Juno olhou-o nos olhos quando se colocou sobre ela, oferecendo-se a si mesma num gesto tão corajoso, tão generoso, que Mac sentiu um peso no peito enquanto se enterrava dentro dela.
Juno soltou um gemido quando a cabeça da ereção abriu caminho por entre as suas pregas, com o prazer a ser substituído por uma sensação dolorosa.
– Descontrai – disse ele, afastando-lhe o cabelo húmido da testa. – É só um segundo, querida.
Mac ficou imóvel durante o que lhe pareceram horas, enquanto ela se habituava à invasão. E depois começou a mover-se, devagar, olhando-a nos olhos para saber se a estava a magoar.
– Dói-te?
– Não... podes voltar a fazê-lo?
Rindo, um som rouco, masculino, ele assentiu com a cabeça.
– Vou tentar.
Juno entrelaçou as pernas na cintura dele e agarrou-se aos seus ombros enquanto a invadia de novo, uma e outra vez, sem parar, cada vez mais rápido e com mais força, os gritos dela pontuados pelos rugidos de Mac quando o prazer se transformou numa onda que os levou.
Esteve na crista da onda durante o que lhe pareceu uma eternidade, sentindo um prazer indescritível enquanto perdia a noção de tempo e espaço.
Capítulo Seis
Juno estava praticamente deitada sobre ele, as costas contra o torso masculino. Podia sentir a ereção tocar-lhe o traseiro enquanto ele lhe acariciava languidamente os seios com uma mão.
– Estás pronta para ser avaliada? – troçou Mac.
Juno sorriu.
Deveria sentir-se envergonhada, mas sentia-se letárgica, saciada, tão contente consigo mesma que era impossível sentir algo mais. Fizera-o. Finalmente descobrira porque todos falavam tanto sobre sexo... e tinha sido glorioso.
– Se não for pelo menos um dezanove, não quero saber – respondeu, seguindo a brincadeira.
– Mas vamos ter que esforçar-nos um pouco mais, querida. Isto soube-me a pouco.
Tinha sido fabuloso, bem mais do que ela esperara. Talvez ela não tivesse sido a melhor parceira sexual de Mac, mas pelo menos não o desapontara.
Usando uma das típicas analogias de Daisy, voltara a andar na bicicleta da qual se desmontara seis anos antes. E como predisse a amiga, fora uma viagem espetacular.
Mas quando tentou mover-se, fez um esgar ao sentir um ardor entre as pernas.
– Dói-te? – perguntou-lhe ele.
– Não, não é nada. É que passou muito tempo.
– Quanto tempo?
Ela afastou-se um pouco, sentindo-se ligeiramente envergonhada.
– Algum tempo, não interessa.
Mac passou-lhe os dedos pela curva do pescoço.
– Não tens motivos para te sentires envergonhada. És uma mulher bela e apaixonada, querida. Só estou a perguntar por curiosidade. Quanto tempo passou?
Juno soltou um suspiro. Poderia mentir-lhe, mas não serviria de nada.
– Seis anos.
– Seis...? Seis anos? – repetiu ele, atónito. – Mas então eras uma criança.
– Não era uma criança – respondeu ela, incomodada. – Sabia muito bem o que estava a fazer.
Não estava preparada para as consequências, mas isso já não importava.
– O que aconteceu? – perguntou Mac, acariciando-lhe o ombro.
Juno abanou a cabeça. Não podia fazer aquilo, não podia ter tal intimidade com aquele homem. O que tinham feito não significava nada para ele. Afinal, era uma estrela de Hollywood e, além do mais, sabia muito bem que não devia confundir sexo com amor.
– Foi há muito tempo... a sério, não tem importância.
Quando se ia levantar, Mac segurou-a pela cintura.
– Não te vás embora, fica cá a dormir. Não te farei mais perguntas, prometo.
Deveria ir-se embora, mas a tentação era tão forte...
– Acho que não devia.
– Vamos, querida. Precisamos ambos de dormir um pouco e é muito tarde. Não será fácil encontrar um táxi a esta hora.
– Não sei...
– Volta para a cama. Amanhã levo-te aonde tiveres que ir.
Juno bocejou e depois soltou uma risadinha.
– O sexo é fatigante, não é? – troçou Mac, puxando-a.
– Não posso ficar muito tempo – murmurou Juno, tentando disfarçar outro bocejo.
Não podia ficar a noite toda, mas não havia nada de mal em ficar apenas um pouco mais, pensou.
E era tão agradável ele abraçá-la daquele modo...
Quase sem se aperceber, fechou os olhos e deu permissão a si mesma para saborear aquilo. Pelo menos, por um pouco.
Deveria tê-la deixado ir. Por que lhe pediu que ficasse?
A pergunta atormentava Mac enquanto sentia o ligeiro peso de Juno sobre o seu torso. Apagara a luz do candeeiro e um raio de luar fazia com que o cabelo dela parecesse de ouro...
Não evitara sempre precisamente aquilo, o típico abraço depois de fazer amor? Partilhar a cama com uma mulher fazia-o sentir-se claustrofóbico. Por que motivo não sentia claustrofobia naquele momento? Por que gostava tanto de sentir os batimentos do coração dela, de sentir o suave toque do seu cabelo?
Algo acontecera a Juno seis anos antes, algo desagradável, era óbvio. Caso contrário por que passaria seis anos sem fazer amor?
E por que se sentia absurdamente responsável?
Fora paciente com ela, apesar de ter tido que fazer um grande esforço. Mas, por alguma razão, precisava de abraçá-la naquela noite, mantê-la ao seu lado, confirmar que estava bem.
Mac fechou os olhos, uma série de imagens daquele dia davam voltas na sua cabeça: Daisy e Connor na igreja; o bebé a dormir nos braços do irmão; a expressão assustada de Juno quando o vira nu.
Era lógico que se estivesse a comportar de uma forma irracional, aquele dia estava a ser uma montanha russa.
Ir ao casamento de Connor fora um erro. Sabia-o desde o princípio, mas deixara que a atração que sentia por Juno o guiasse e, no processo, reabriu velhas feridas. Aproveitara-se de uma rapariga que era praticamente virgem, usando aquela atração para que as feridas permanecessem fechadas e teria que pagar por isso.
Estava com um peso na consciência. Os remorsos típicos de um rapaz educado na religião católica, mais nada. Não se sentia responsável por ela, sentia-se culpado por a ter usado. Especialmente depois de saber como era inocente.
Mac esboçou um sorriso enquanto respirava o aroma do champô dela.
Por que razão estava aborrecido consigo próprio? Tinham-se divertido, muito mesmo. Tinha a certeza que Juno tivera o seu primeiro orgasmo... e até lhe agradecera. Apesar de tudo, gozara. E isso era o mais importante, não era?
Mac ficou novamente excitado ao recordar o prazer que ambos sentiram. Mas repeti-lo não seria boa ideia porque no dia seguinte teriam que despedir-se.
Tinha que voltar à sua vida em Laguna Beach e ao trabalho que tanto o entusiasmava e esquecer Connor, a família e a mulher que tinha nos braços.
Mas quando fechou os olhos, reparou que Juno tremia e, instintivamente, abraçou-a com força.
Capítulo Sete
Um pardal muito atarefado acordou Juno, os primeiros raios do sol cegando-a durante alguns segundos.
E ficou arrepiada ao sentir uma mão masculina sobre a anca.
Juno virou a cabeça para olhar para Mac e as tórridas recordações da noite anterior envolveram-na durante um segundo. Mac Brody estava deitado de bruços, os largos ombros a ocupar a cama quase toda. As costas dele subiam e desciam com um ritmo suave, a barba por fazer dava-lhe um aspeto de pirata, apesar das longas pestanas serem quase infantis.
Notou então uma cicatriz que ia do bíceps até ao cotovelo. Não a tinha visto na noite anterior... claro que então estava demasiado ocupada a viver a experiência mais erótica da sua vida.
Mac fora tão atento com ela, tão paciente. Sabendo quem era, jamais teria esperado que fosse tão generoso.
Juno inclinou-se um pouco para dar-lhe um beijo no rosto e Mac suspirou, mas não se moveu.
– Obrigada, Mac Brody – murmurou, sentindo os olhos embaciados.
Que estava a fazer? Não devia ser sentimental. Era apenas sexo, mais nada.
Não tinham trocado promessas, não havia qualquer compromisso entre eles. Durante quanto tempo recordaria o nome dela?, perguntou-se. Afinal de contas, um homem não fazia amor como ele a não ser que tivesse muita prática.
Sem fazer barulho, Juno saltou da cama. Fora o seu momento de Cinderela e aproveitara-o, mas não pretendia ficar a admirá-lo, como uma fã apaixonada por um ídolo.
Depois de vestir-se, pegou num papel e numa caneta de uma secretária antiga para escrever-lhe um bilhete, que deixou sobre a mesa de cabeceira.
Quando olhou pela última vez para o magnífico corpo de Mac Brody estendido sobre a cama, teve que engolir em seco.
Como podia parecer perigoso enquanto dormia?
Respirando fundo, Juno abriu a porta e saiu do quarto. Mas quando a porta se fechou, o ruído ecoou-lhe num recanto esquecido do coração.
Cinco horas depois, o telefone interrompeu uma estupenda fantasia erótica. Deixando escapar um grunhido, Mac estendeu a mão sem abrir os olhos e sem se aperceber de que um papel caía da mesa de cabeceira.
– Sim? – murmurou quando finalmente localizou o maldito aparelho.
– Porque é que tens o telemóvel desligado? E o que é que estás a fazer em França?
Mac suspirou ao reconhecer a voz do seu agente, Mickey Carver.
– Não é da tua conta.
– Não desligues, espera aí...
– Que queres? – Mac suspirou. Não valia a pena desligar porque Mickey ligaria para a receção do hotel e convencê-los-ia com uma história qualquer para que entrassem no quarto. – Diz-me o que queres... mas não fales muito alto, não estou sozinho.
Quando virou a cabeça pestanejou várias vezes ao ver que o outro lado da cama estava vazio.
Que estranho. Onde estava a protagonista das suas fantasias eróticas?
– Espera um momento, Mick. Posso ligar-te daqui a cinco minutos?
Mickey soltou um suspiro exagerado.
– Sim, claro. Mas faz-me um favor, da próxima vez que decidires envolver-te com alguém, avisa-me, está bem? Passei o dia todo a evitar telefonemas das revistas inglesas.
Mac levantou-se de um salto.
– Que disseste?
– As fotos saíram em todas as revistas inglesas.
– Que fotos?
– As fotos com essa rapariga inglesa... a beijá-la numa varanda.
A surpresa de Mac transformou-se em fúria.
Algum canalha fotografara-os durante o banquete e aquele beijo privado e incrivelmente sexy fora servido de bandeja aos leitores...
– Raios!
– Foram tiradas de longe, mas é evidente que és tu. Agora temos que inventar uma história.
Mac odiava aqueles parasitas. Por que razão não o deixavam em paz?
– Será boa publicidade para a estreia europeia de Jogo Fatal – prosseguiu Mickey. – Especialmente porque a mulher é britânica. Ouve, não estará contigo, pois não?
– Não, não está – respondeu ele. – E já te disse muitas vezes: a minha vida sexual não é assunto de ninguém. E se contares alguma coisa a alguém, estás despedido.
– Muito bem, Mac. Que queres que diga então?
– Nada, não digas nada. Diz-lhes que não pretendo fazer comentários.
Mickey clareou a garganta.
– Receio que isso não seja possível.
– Porquê?
– Porque sabem a identidade da rapariga.
– Eu trato dela, não te preocupes.
Juno não sabia o que ia ter que enfrentar e, apesar de ele nunca ter sido um cavaleiro andante, teria que protegê-la. Mas então lembrou-se de algo...
– Mick, a propósito, como é que ela se chama?
– Passaste a noite com ela e não sabes o seu nome?
– Sei que se chama Juno. E mete-te na tua vida.
– Juno Delamare. Trabalha numa loja de roupa em Portobello que se chama Funky Fashionista e...
Mac desligou o telefone porque já sabia tudo o que tinha que saber.
Que horas seriam?, perguntou-se, saltando da cama. Pela posição do sol, devia ser quase meio dia. Após o turbilhão emocional do dia anterior, para não falar do sexo, dormira como uma pedra.
Fazia sentido que Juno se tivesse ido embora. Certamente teria acordado horas antes e teria descido para tomar o pequeno almoço, por isso ia tomar um duche rápido e iria procurá-la para dizer-lhe como deviam lidar com a imprensa.
Para já, ela não poderia afastar-se. Teria que passar algumas semanas em Los Angeles com ele, onde estaria a salvo dos paparazzi.
E depois da noite anterior, pensou com um sorriso, isso não seria um problema para eles.
Mas a caminho da casa de banho, pisou um papel que devia ter atirado ao chão enquanto tentava encontrar o telefone às cegas... e viu o seu nome escrito nele.
Inclinou-se, franzindo o sobrolho, e o coração dele disparou ao ler as três linhas:
Querido Mac:
Obrigada por uma noite memorável. Espero que sejas feliz.
Juno
Mac voltou a ler o bilhete, atónito. Não tinha descido para tomar o pequeno almoço, abandonara-o.
Furioso, amarrotou o papel. Que queria dizer com aquilo de «uma noite memorável»? E quem pensava que ele era, uma criança que podia abandonar quando quisesse?
E aquela piadinha de «espero que sejas feliz»...
Aparentemente, decidira que não iam voltar a ver-se. Que direito tinha de tomar decisões daquelas sem consultá-lo? E de sair a correr como um coelho assustado, sem lhe dar uma oportunidade.
Nem pensar. Nenhuma mulher abandonava Mac Brody, especialmente uma mulher que ele pretendia ver novamente.
Furioso, meteu-se no duche e apertou os dentes quando a água fria o atingiu como uma bofetada.
– Espero que sejas feliz... uma ova – murmurou.
Ücretsiz ön izlemeyi tamamladınız.