Kitabı oku: «Amor italiano - Amor italiano»
Editado por Harlequin Ibérica.
Uma divisão de HarperCollins Ibérica, S.A.
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28001 Madrid
© 2016 Harlequin Ibérica, uma divisão de HarperCollins Ibérica, S.A.
N.º 58 - fevereiro 2021
© 2007 Jennie Adams
Amor italiano
Título original: The Italian Single Dad
Publicada originalmente por Harlequin Enterprises, Ltd.
© 2007 Teresa Ann Southwick
Mistérios do deserto
Título original: The Sheikh’s Reluctant Bride
Publicada originalmente por Harlequin Enterprises, Ltd.
Estes títulos foram publicados originalmente em português em 2008
Reservados todos os direitos de acordo com a legislação em vigor, incluindo os de reprodução, total ou parcial.
Esta edição foi publicada com a autorização de Harlequin Books S.A.
Esta é uma obra de ficção. Nomes, carateres, lugares e situações são produto da imaginação do autor ou são utilizados ficticiamente, e qualquer semelhança com pessoas, vivas ou mortas, estabelecimentos de negócios (comerciais), feitos ou situações são pura coincidência.
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Imagem de portada utilizada com a permissão de Harlequin Enterprises Limited.
Todos os direitos estão reservados.
I.S.B.N.: 978-84-1375-269-3
Sumário
Créditos
Sumário
Amor italiano
Prólogo
Capítulo 1
Capítulo 2
Capítulo 3
Capítulo 4
Capítulo 5
Capítulo 6
Capítulo 7
Capítulo 8
Capítulo 9
Capítulo 10
Capítulo 11
Capítulo 12
Capítulo 13
Epílogo
Mistérios do deserto
Capítulo 1
Capítulo 2
Capítulo 3
Capítulo 4
Capítulo 5
Capítulo 6
Capítulo 7
Capítulo 8
Capítulo 9
Capítulo 10
Capítulo 11
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Prólogo
Arabella Gable, de vinte anos, sentou-se entre outras duas modelos e esperou que o avião descolasse. Enquanto se afastavam cada vez mais de Itália, respirou. A sua segunda visita àquele país acabara e já depositara no banco o pagamento pelo seu trabalho como modelo. Ela e as suas irmãs poderiam beneficiar disso. Mas, a partir daquele momento, só iria trabalhar na Austrália. Não tinha nenhuma vontade de regressar à Itália. O país era lindo, mas as lembranças de Luchino, do erro que cometera, eram demasiado fortes, inclusive depois de quase um ano.
– Não posso acreditar que o viste, Karen – disse Lareen, uma das modelos que estava sentada à frente dela. – Estou tão ciumenta. Parece que agora viaja por toda a Europa. Como o encontraste em Nápoles?
Mas aquilo não interessava a Bella. Olhou pela janela e desejou estar em casa com as suas irmãs, no seu agradável apartamento de Melbourne.
– Sim, vi o «senhor Diamante» em pessoa! Não o irmão mais velho. Quem o quereria? Mas Luc Montichelli… Oh, sim! – Karen riu-se tolamente.
– O «senhor Diamante»? Luc Montichelli?
Bella ficou sem fôlego. Luchino estivera em Nápoles? Pensara que estivera a salvo dele, que estivesse em Milão, onde vivia normalmente. Se não, não teria vindo. Sentiu-se mal ao pensar que poderia ter-se encontrado com Luchino, com a sua mulher e filha.
Luchino era uma nódoa na sua vida, nunca mais voltaria a ser tão crédula com nenhum homem.
– Devo dizer que não sei se quereria ter algo com ele – disse Lareen.
– Porquê? – perguntou Karen.
– Porque acho que deve ser muito inflexível, querida – prosseguiu Lareen. – Ouvi dizer que se divorciou da sua mulher e que conseguiu a custódia da sua filha, para depois mandar a menina para uma vila distante, tendo como única companhia uma ama. E nunca vai vê-la. Tens de admitir que isso implica ter sangue-frio.
– A sério? – Karen deu um grito abafado. – Quando se divorciaram?
– Não tenho a certeza, mas estiveram separados, pelo menos, alguns meses – Lareen fez uma pausa. – Agora, ele não parece a mesma pessoa. Isso foi o que me impressionou quando o vi. Tem uma espécie de aborrecimento reflectido nos olhos…
Bella ficou rígida. Acelerou-lhe o coração.
Mal podia acreditar no que ouvira. Impressionou-a que o casamento de Luc tivesse acabado, embora talvez devesse tê-lo esperado. Afinal de contas, ele não fora precisamente fiel. Mas arrebatar a menina dos braços da sua mãe, para depois a abandonar, era imperdoável. Partiu-lhe o coração… Porque ela sabia como aquilo doía.
– Deve ter levado o bebé para castigar a sua esposa ou algo parecido – continuou a dizer Lareen, que não se deu conta de como Bella estava impressionada. – Os divórcios podem ser horríveis.
– Tens a certeza de que isso tudo é verdade, Lareen? – perguntou Karen, hesitante.
Bella apertou as mãos, ainda se sentia muito ferida pela recusa dos seus pais, para com ela e as suas irmãs, há dois anos. Apesar do engano de Luchino há um ano, quando a magoara, escondendo-lhe o seu casamento, uma parte da sua mente não queria acreditar que tivesse abandonado a sua filha. Não queria acreditar que alguém fizesse isso.
Mas o desgosto que sentira em relação aos seus pais, durante os últimos dois anos, também começara a dirigir-se para Luchino. Ele magoara-a, tendo uma mulher e uma filha, e ela apaixonara-se perdidamente por ele. Quando a sua esposa aparecera e ela se dera conta de que Luc estivera, simplesmente, a brincar com ela, ficara destroçada.
Aprendera com aquilo e construíra uma armadura à sua volta para proteger o seu coração. Mas nem mesmo sabendo tudo aquilo poderia ter imaginado que Luc pudesse abandonar a sua filha.
– É verdade – disse Lareen, com uma voz profunda. – A minha prima, que andou a viajar pela Europa, conseguiu emprego nessa vila. Saiu com o rapaz que fazia entregas, que lhe contou tudo. Um dia, quando foi levar uma entrega à casa onde a menina vivia com a ama, esta estava com uma amiga, a contar-lhe que Luc simplesmente se mantinha afastado. Pagava as contas, mas não queria saber nada da menina.
As raparigas começaram a falar de como se sentiriam se as abandonassem. Como se soubessem algo sobre isso!
Com as mãos trémulas, Bella colocou os auscultadores para deixar de ouvir as suas companheiras. Mas nem sequer ouviu a música. Só conseguia pensar no asco que aquele homem lhe dava, o qual pensara não poder desprezar mais…
Capítulo 1
Aproximou-se da Maria’s, em Melbourne, um minuto antes de fecharem, numa tarde quente de Verão. Era um homem mediterrânico, alto, que sobressaía entre os outros.
– Boa tarde e bem-vindo à Maria’s. Posso ajudá-lo em algo? – perguntou Arabella Gable, de maneira profissional e educada.
Mas quando o homem se virou para ela, uma rajada de memórias apoderou-se da sua mente; há seis anos, aquele homem tivera o seu coração nas suas mãos.
Sentiu um nó na garganta, enquanto a fúria, a dor e a desilusão lhe percorriam o corpo. Perguntou-se porque estaria ali.
– Quando te explicar o que se passa, não te vai restar outro remédio, senão ajudares-me.
O sotaque italiano marcado de Luc fez com que Bella estremecesse…
– Luchino – sussurrou ela, que o achara fora da sua vida para sempre.
Olhou-o como fizera em Milão há tantos anos; analisou o seu cabelo escuro, os seus olhos castanhos e aquela boca feita para seduzir. Luchino Montichelli emanava sensualidade e poder.
– Sim, sou Luc, o próprio e insubstituível. Passou muito tempo, Arabella – disse, analisando-a com o olhar. – Parece que os anos te favoreceram.
O coração de Bella disparou e perguntou-se como se atrevia a olhar para ela daquela maneira. Nervosa, passou uma mão pelo seu coque loiro.
– Também te favoreceram – admitiu. – Estás… com bom aspecto.
Então, recordou que arrebatara a sua filha à sua mãe, para depois a abandonar.
– O que fazes aqui, Luchino? Como posso ajudar-te?
– Nunca planeei voltar a ver-te, Arabella – Luc esboçou uma expressão dura. – Garanto-te que preferia não estar aqui.
– Preferias não me ver? Receio que o sentimento seja mútuo – espetou ela.
Mas, então, viu uma expressão doce reflectida nos olhos de Luc e recordou algo que lhe parecera muito especial e correcto. Uma leve vulnerabilidade apoderou-se dela. Mas tudo aquilo era uma ilusão!
– Estou quase a fechar, portanto, seja qual for a razão pela qual vieste…
Maria, a sua chefe, matá-la-ia por tentar expulsar um cliente, mas ela estava fora e Luc não estava ali na qualidade de cliente.
– Fecha a loja – Luc apontou para a porta principal. – Melhor ainda, dá-me a chave e eu fá-lo-ei por ti, enquanto tu fazes a caixa. O que tenho para te dizer é melhor que to diga em privado.
– O que sabes tu de fazer a caixa?
Mas a família dele era dona de joalharias ao longo de toda a Europa e outras partes do mundo. E, certamente, seguiam o mesmo procedimento de fazerem a caixa.
– De qualquer forma, não sei se quero falar contigo a sós. Caso te tenhas esquecido, não ficámos precisamente amigos.
– Não me esqueci de nada – disse ele, olhando para ela. – Tenho uma loja a alguns quarteirões daqui – então, dirigiu o olhar para a roupa da loja. – Acho que sei como assegurar este lugar.
Bella sabia que uma loja de Diamantes Montichelli abrira perto dali há duas semanas, mas afastara-o da sua mente.
– Pensava que a loja era uma filial da loja de Sidney e que haveria um gerente local. Pensava que tu te dedicavas ao desenho.
Cada vez que as irmãs de Bella tinham sofrido durante os últimos anos, ela encontrara uma ligação com Luchino, já que ele também abandonara a sua filha. Também brincara com ela, enganando-a e divertindo-se às suas custas.
– Agora, encarregas-te da administração? Estás aqui para deixares tudo preparado e, depois, deixares a loja a cargo de alguém? A loja de Sidney tem um gerente local…
Bella desejou que assim fosse e que Luchino fosse partir.
– Já não trabalho com a minha família. A Diamantes Montichelli é uma loja minha, uma entidade separada de todas as outras. Talvez partilhe o nome familiar, mas a loja terá sucesso pelo meu trabalho, pelos meus desenhos e pela minha reputação.
Luc esboçou uma expressão dolorosa e baixou o olhar.
– Tenho muitas funções para desempenhar aqui… proprietário, desenhador chefe, gerente, vendedor. Farei tudo o que for preciso fazer. Estou aqui para ficar.
Luchino, agarrando na chave da porta principal, dirigiu-se para a porta.
– Acaba o que estavas a fazer, Arabella, para que assim possamos falar.
– Demoro um minuto – disse Bella, tentando controlar o tremor das suas mãos enquanto esvaziava a caixa registadora.
Luc olhou para os manequins vestidos com roupas que ela desenhara e Bella, apesar do seu aborrecimento, susteve a respiração, esperando para ver qual era o seu veredicto.
– És uma mulher de talentos ocultos, Arabella. São bons. Pelo menos, a tua destreza com os desenhos e com as criações deixa claro que há uma possibilidade de resolveres a confusão que criaste.
– Confusão? Que confusão?
– Passaste de modelo a obrigares mulheres de meia-idade a gastarem quantias enormes em negócios que não têm garantia de sucesso. Deves estar muito orgulhosa de ti.
– Fui modelo para poder sustentar as minhas irm… – parou ao dar-se conta de que estava a tentar explicar-se diante dele. – O que queres dizer? Eu não obriguei ninguém e, de qualquer forma, o que tens a ver com isso?
Bella fizera um contrato com Maria Rocco, através do qual apresentava na loja desta, em exclusivo, os seus trabalhos durante um prazo de cinco anos.
– Maria Rocco é a minha tia – disse Luchino. – O que faz com que isto também seja o meu negócio.
Bella ficou impressionada. Maria era milanesa, mas vivera na Austrália durante quase toda a sua vida adulta.
– Maria é uma Rocco, não uma Montichelli, e ela mesma me disse que não tinha família.
– A minha tia partiu de Milão, deixou a família e mudou o apelido há muito tempo. Sem dúvida, ela considerava que estava sozinha – disse ele, zangado. – Tenho a certeza de que pensaste que isso era uma vantagem, quando decidiste roubar-lhe uma grande quantia de dinheiro.
– Eu não fiz isso! Como sabes sequer alguma coisa do acordo que fiz com ela?
Mas estava claro que ele sabia algo. Bella observou como Luc levava uma mão ao peito, para se certificar de que ainda tinha algo no bolso da camisa. Talvez uma fotografia?
– Disse ao meu novo assessor de negócios que queria conhecer Maria. Ele tinha ouvido dizer que Maria tinha uma protegida. Quando mencionou o teu nome, pedi-lhe que descobrisse pormenores sobre ti.
– Isso é uma invasão da privacidade de Maria. E da minha!
– Foi uma invasão muito oportuna. Embora estejamos afastados, não vou deixar que Maria tenha problemas financeiros por tua causa. De alguma forma, obrigaste-a a contratar-te para desenhares para ela, a um preço astronómico e sem nenhuma garantia de que os vestidos se venderiam.
Bella franziu o sobrolho. Não era um acordo injusto, porque Maria sabia que o seu objectivo era que ambas tivessem sucesso.
– Na verdade, é um acordo, não um contrato – esclareceu ela, que não quisera pagar a um advogado.
Henry Montbank, antigo chefe de Chrissy, ajudara a realizar o acordo sem falhas.
– É um roubo disfarçado de acordo de negócios.
– Estás a chamar-me ladra? Como… te atreves? Investigaste a minha vida nas minhas costas, como se tivesses todo o direito de o fazeres. O que descobriste sobre mim e as minhas irmãs? Até onde foste?
– Investiguei as tuas finanças, Arabella, o que fizeste durante estes anos, desde a última vez que te vi. E descobri tudo sobre o acordo a que chegaste com a minha tia. Não vou perdoar-te isso – disse, com uma expressão dura reflectida nos olhos.
Então, continuou a falar.
– Pretendo reclamar Maria como minha tia – disse Luc, suavizando um pouco a sua expressão. – É da família e… se for possível, quero ter essa ligação com ela. Teria vindo vê-la antes, se não tivesse estado fora da cidade.
Aquele amor pela família, tendo em conta o seu historial, era estranho.
– Apesar do que dizes, não deves ter investigado muito bem, Luchino, porque Maria não está em perigo financeiro por minha causa.
– Pelo contrário, a aquisição da tua colecção quase a deixou na bancarrota.
– A tua tia é muito rica, Luchino. Tem umas águas-furtadas na melhor zona da cidade, conduz o último modelo de um carro desportivo e vai, frequentemente, de férias para o estrangeiro. Não hesitou em aceder às minhas condições e pode seguir em frente até os meus modelos gerarem lucro.
– Maria gastou mais do que devia durante anos. As águas-furtadas são alugadas, assim como o carro, e todas aquelas viagens fizeram-na ficar com dívidas. Não estava em condições de se meter numa aventura especulativa como a tua.
– Os meus vestidos vender-se-ão. Maria fez um bom investimento e pretendo prová-lo.
Bella sentiu um aperto no estômago. Nunca perguntara a Maria pela sua situação económica, simplesmente assumira pelo que tinha tido diante dela. Mas se realmente Maria não tivesse dinheiro…
– Não posso falhar – afirmou, severamente.
A palavra fracasso já não era uma opção para ela. Não era desde que os seus pais a tinham abandonada a ela, a Chrissy e a Sophia.
– À medida que for criando uma carteira de clientes, vender-se-ão mais vestidos e Maria receberá lucros pelo investimento que fez.
Mas nada daquilo resultaria se Maria entrasse na bancarrota…
– Vou telefonar a Maria para descobrir como estão as coisas.
Maria poderia dissipar o medo que estava a apoderar-se de Bella. Tudo ficaria novamente bem, excepto a intenção de Luc de fazer parte da vida da sua tia, o que faria com que tivesse contacto com Bella.
– Não posso permitir que telefones à minha tia. Não quero que saiba que comprei… que a investiguei. Quero uma oportunidade de poder conhecê-la, sem que os assuntos comerciais se interponham.
Bella sentiu necessidade de falar com as suas irmãs, de ouvir as suas vozes para que a reconfortassem, mas, se lhes telefonasse, falaria demasiado. E sabia que não devia fazê-lo. Elas sabiam que tivera um problema em Milão com um homem, mas não lhes contara os pormenores daquela experiência devastadora. Ela só tinha dezanove anos naquela época…
– A prevaricação é uma perda de tempo, Arabella. O acordo favorece-te. Maria tem problemas financeiros porque tu exerceste pressão para conseguires desenhar os teus vestidos. Conhecendo os seus problemas económicos ou não, as tuas exigências eram inaceitáveis e espero que o remedeies. Estes são os factos. Agora, vou dar-te duas opções para reparares o mal que fizeste.
A expressão de Luc endureceu enquanto olhava para Bella.
– A primeira opção é que pagues cada cêntimo do que ela te emprestou e que, depois, partas.
– Isto não é só uma questão de dinheiro, Luchino. Maria acedeu a lançar a minha marca, o meu nome. Se pedisse um empréstimo para pagar o que ela me deu, não conseguiria estabelecer-me noutro lugar. Já não tenho dinheiro. Investi-o em tecidos e ideias para novos vestidos.
– Suponho que isso nos leva à segunda opção – disse ele, dando um passo em frente.
– Oh? E qual é? – perguntou Bella, tentando não pensar no quão perto estavam um do outro, tentando não se sentir intimidada, nem confusa.
– É bastante simples, Arabella. Tens de te certificar de que cada vestido que a minha tia te comprou se venda depressa e a um bom preço.
– Claro! Farei com que isso aconteça – disse, pensando que procuraria uma fada madrinha nas Páginas Amarelas para que agitasse a sua varinha mágica por ela. – A rapidez não é o principal ingrediente no meu plano de trabalho. Maria sabia disso. Foi por isso que acordámos um prazo de cinco anos.
– Esses cinco anos já não são válidos. Deves sair e atrair clientes das altas esferas para venderes até ao último desses vestidos… e depressa!
– Lamento decepcionar-te, Luchino, mas não tenho acesso a esse tipo de gente.
– Estando ao meu lado, abrir-te-ão essas portas – disse ele, esboçando um sorriso malvado. – Passear-te-ás entre eles até que as finanças de Maria se equilibrem. Colar-me-ei a ti para que o consigas.
– Não. Nem sequer sei se estás a dizer a verdade.
Bella irritou-se. Todo o aborrecimento que guardara na sua alma explodiu.
– Afinal de contas, esconder a verdade é o que costumas fazer, não é, Luchino? Fingiste não ter esposa. Diz-me, doeu-te perdê-la? Ou, simplesmente, alegraste-te por te livrares dela, para assim continuares com os teus romances, sem que te pesasse a consciência?
Capítulo 2
– Surpreende-me que saibas do meu divórcio – disse Luc, sem conseguir desviar a vista de Arabella.
Enfureceu-o o renascer da antiga atracção por ela. Bella era tão má como Natalie, decidida a conseguir o que queria, fosse como fosse, e ele não ia deixar-se enganar pela segunda vez. Mas não entendia aquele interesse repentino que despertara nele por Arabella.
Acariciou novamente a fotografia da sua filha que trazia ao peito e a culpa apoderou-se dele.
– Há cinco anos, fui a Itália para uma passagem de modelos – disse Bella, desejando que fosse ele quem regressasse a Itália naquele preciso momento… mas para ficar. – Alguém falou de ti. Eu não tentei obter informação, acredita em mim.
– Infelizmente, Bella mia, já não confio em ninguém e, certamente, também não confio em ti.
A capacidade de confiar nas pessoas fora, irrevogavelmente, arrebatada a Luc e não uma, mas três vezes. Por Bella, pelo seu irmão e pela sua ex-mulher.
Talvez Bella, com aquele cabelo maravilhoso loiro acinzentado e aqueles olhos castanhos, não sentisse nenhum remorso. A sua ex-mulher não sentira. E, perante as perguntas de Luc, o seu irmão também não o demonstrara.
Luc disse para si mesmo que não devia permitir que a amargura do passado interferisse na sua nova vida. Escolhera, deliberadamente, ir para a Austrália. Pela… sua filha. Por Grace. Para recomeçar num lugar onde a traição pudesse ser, se não esquecida, pelo menos afastada. Escolhera Melbourne porque queria conhecer a tia esquiva, de quem a sua família sempre falara a sussurrar.
– Tenho o carro estacionado a poucos quarteirões daqui. As provas da situação de Maria estão lá – resmungou Luc, lutando contra as lembranças de Arabella que ainda o perturbavam, mesmo sabendo que eram falsas. Dirigiu-se para a porta principal. – Vamos.
– Estou mais do que preparada para ver essas provas – Bella saiu da loja e fechou a porta, ligando o alarme. – O quanto antes acabarmos com isto, melhor.
– Concordo – concedeu ele, agarrando-a pelo braço e dirigindo-a para o seu carro. – Mas isto é só o princípio.
Quando chegaram ao carro de Luc, este abriu-o com o comando.
– Muito bem. Mostra-me os documentos.
Luc tirou a sua mala do carro.
– O restaurante Brique’s estará tranquilo. É aqui ao lado. Veremos juntos os documentos.
– Porque não os vemos aqui? E se quiser confirmar se esses documentos são verdadeiros?
– Se precisares de confirmar depois de os teres visto, podes ficar com eles. Tenho cópias – então, apontou para o carro. – Se preferires sentar-te no meio desta rua tão ocupada…
– Suponho que será melhor irmos ao Brique’s.
Quando entraram no restaurante, Luc pediu bebidas e um prato de queijo e fruta.
– Muito bem, agora estamos num ambiente civilizado – disse Bella, bebendo um gole de água.
– Eu gosto das coisas boas. Não me envergonho disso.
– Hum, talvez não seja Pont l’Eveque, mas é igualmente bom – disse, provando o queijo.
Luc abriu a sua mala, tentando desviar a sua atenção do movimento da boca de Bella, e tirou os documentos para que ela os visse.
Bella leu alguns deles, durante alguns minutos, em silêncio. Então, olhou para ele, franzindo o sobrolho.
– Disseste que o teu assessor financeiro arranjou isto?
– São verdadeiros, Arabella. A informação chegou-nos de uma empresa de investigação respeitável. Como podes ver, a compra dos teus vestidos por parte de Maria foi uma operação financeira mais do que arriscada para ela.
Indicou o papel que estava anexo ao documento.
– Se quiseres, podes telefonar à empresa agora mesmo. Confirmar-te-ão tudo o que leste.
– Não pode ser verdade! – sussurrou Bella, começando a rever os documentos. – Mas é verdade, não é? Maria excedeu-se de tal maneira que é difícil que consiga recuperar-se e levou com ela os meus vestidos e o começo da minha reputação como estilista. Deveria ter confirmado a sua situação financeira, não deveria, simplesmente, tê-la assumido.
Bella sentiu falta de ar.
– Estamos arruinadas. Não vejo como ela pode sequer esperar recuperar-se economicamente, a não ser que os meus vestidos sejam um sucesso. O meu plano de cinco anos acabou-se antes sequer de começar.
– Lágrimas de crocodilo, minha querida! – exclamou Luc, que não acreditava na sua tristeza.
– Não posso comprar os vestidos – disse Bella, olhando para as suas mãos. – Já tenho… já tenho problemas suficientes neste momento.
– Mesmo assim, não te importaste que fosse Maria a tê-los.
– Sabia que resultaria com o tempo – explicou ela, com o desassossego reflectido no olhar. – Talvez devesse ter estabelecido uma cláusula de escape para Maria. Não pensei nisso.
– Simplesmente, pensaste em usar Maria e, se as coisas não corressem bem, partir sem nenhuma responsabilidade. Achas que vou ficar de braços cruzados e deixar o futuro do negócio da minha tia nas tuas mãos, agora que sei o que fizeste, Arabella?
– Se Maria fosse tão rica como eu achava…
Bella levantou-se e agarrou na sua mala.
– Trabalharás comigo até resolvermos as coisas, Arabella – decretou Luchino. – Usarás os teus vestidos nas recepções mais importantes de Melbourne, no teatro, na ópera, nas festas… em qualquer lugar onde os teus possíveis clientes se reúnam.
– Uma coisa é usar um vestido bonito e ir ao teatro com as minhas irmãs – disse Bella, que adorava fazê-lo com elas e com o marido de Chrissy, que estava grávida. – Mas tu não podes decidir as coisas e dizer que tenho de as fazer. E, de qualquer forma, porque quererias estar comigo?
– Posso decidir e fazer com que o faças. Não quero estar contigo. Simplesmente, quero confirmar que cumpres as minhas exigências. Não quero que a minha tia sofra por tua causa – disse Luc, roçando no braço de Bella, enquanto saíam do restaurante. – Quero que faças tudo o que for necessário para que isto resulte e quero que o faças discretamente.
– Sem dizer a Maria – disse Bella, que queria falar com ela. – E se insistir em falar com ela?
Luc, simplesmente, continuou a andar e olhou para ela nos olhos.
– Se não cumprires algum dos meus requisitos, haverá represálias e arruinarei a tua reputação de estilista. Nunca mais conseguirás voltar a trabalhar nessa área.
– Farias isso? – perguntou ela.
Respondeu a si mesma ao ver o aborrecimento que os olhos escuros de Luc reflectiam.
– Não duvides, Arabella – disse ele, abrandando o passo. A angústia apoderou-se da sua cara.
– Luchino? O que…?
Parecia que ele não estava a ouvi-la. Bella seguiu com o olhar para onde ele estava a olhar e viu que estavam novamente perto do seu carro. E viu… uma menina pequena e uma senhora de meia-idade ao lado do carro. Uma menina de cabelo preto encaracolado, com pele morena.
A filha de Luc?
Ali? Com ele? Porquê? Bella tentou compreender, mas tudo o que viu foi uma menina assustada, que se agarrava àquela senhora ao ver que Luchino se aproximava.
Era a mesma expressão que as suas irmãs tinham tido várias vezes reflectida na cara, até que ela conseguira dar-lhes estabilidade e uma nova vida, depois do abandono dos seus pais. Dera às suas irmãs todo o amor que os seus pais se tinham recusado a dar-lhes…
– Papá? – a menina tentou dar alguns passos para a frente. – Estiveste fora muito tempo. A ama Heather tinha medo de que não regressasses.
– Grace – murmurou Luc, como se lhe doesse dizer aquele nome.
A emoção sentia-se no ambiente.
– Aceito as tuas condições – disse Bella, que sabia que não tinha outra opção. – Trabalharei para vender os meus vestidos o mais depressa possível. Irei aos eventos sociais contigo, até a situação económica de Maria melhorar e, então, fá-lo-ei sem ti.
– Uma escolha acertada.
– Tenho de ir ou perderei o eléctrico. É… é por ali – disse, assinalando uma direcção ao acaso. – Entrarei em contacto sobre o nosso… acordo.
– Não tens o meu número – disse Luchino, tirando um cartão do bolso e dando-lhe.
– Está bem. Agora já tenho. Adeus! – despediu-se Bella, saindo dali a toda a pressa.