Kitabı oku: «O mais importante»

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Editado por Harlequin Ibérica.

Uma divisão de HarperCollins Ibérica, S.A.

Núñez de Balboa, 56

28001 Madrid

© 2002 Kim Lawrence

© 2019 Harlequin Ibérica, uma divisão de HarperCollins Ibérica, S.A.

O mais importante, n.º 688 - agosto 2020

Título original: Her Baby Secret

Publicado originalmente por Harlequin Enterprises, Ltd

Reservados todos os direitos de acordo com a legislação em vigor, incluindo os de reprodução, total ou parcial.

Esta edição foi publicada com a autorização de Harlequin Books S.A.

Esta é uma obra de ficção. Nomes, carateres, lugares e situações são produto da imaginação do autor ou são utilizados ficticiamente, e qualquer semelhança com pessoas, vivas ou mortas, estabelecimentos de negócios (comerciais), feitos ou situações são pura coincidência.

® Harlequin, Sabrina e logótipo Harlequin são marcas registadas propriedades de Harlequin Enterprises Limited.

® e ™ são marcas registadas por Harlequin Enterprises Limited e suas filiais, utilizadas com licença.

As marcas em que aparece ® estão registadas na Oficina Española de Patentes y Marcas e noutros países.

Imagem de portada utilizada com a permissão de Harlequin Enterprises Limited.

Todos os direitos estão reservados.

I.S.B.N.: 978-84-1348-543-0

Conversão ebook: MT Color & Diseño, S.L.

Sumário

Créditos

Capítulo 1

Capítulo 2

Capítulo 3

Capítulo 4

Capítulo 5

Capítulo 6

Capítulo 7

Capítulo 8

Epílogo

Se gostou deste livro…

Capítulo 1

Quinn Tyler atravessou as portas da prestigiada revista Chic e deteve-se no hall para se arranjar. Sabia que se a pessoa que procurava soubesse da sua presença expulsavam-no num abrir e fechar de olhos, mas a sua decisão era tão clara como a sua imprudência e estava disposto a cumprir a sua missão.

Devido ao seu aspecto alto e musculoso, Quinn chamava sempre a atenção, mas, naquele dia, a firmeza reflectida nos seus penetrantes olhos verdes, marcados no seu rosto forte e másculo, tornou o seu olhar mais branco do que de costume.

Apesar do poder que emanava, especialmente diante das mulheres, Quinn não se preocupava muito com o efeito que causava, excepto quando podia ter algum proveito. Como naquele momento…

Estava decidido a não se ir embora sem ver Rowena Parrish e, se isso significava ter que enfrentar os seguranças ou todo o pessoal do edifício, era o que faria. Endureceu a mandíbula e avançou até ao balcão em forma de meia-lua.

– Vim para ver a menina…

– Oh, sim, vai ficar muito contente de o ver – disse-lhe a recepcionista, lançando-lhe um olhar de aprovação. Ela e as colegas estavam a cochichar desde que o tinham visto entrar e, rapidamente, concluíam que era o mais atraente de todos os aspirantes ao emprego.

Quinn tinha-se preparado tanto para o facto de lhe oferecerem resistência, que aquele comentário lhe baralhou os planos. Será que era outra artimanha de Rowena para se livrar dele?

– Bem, nesse caso, vou…

– Se me disser o seu nome, poderei comunicar-lhe a sua chegada.

– Quinn Tyler – não lhe pareceu que conhecessem o seu nome. Bem, ao menos, Rowena não tinha deixado instruções precisas contra ele.

– Não aparece na lista… – disse a jovem, olhando para o monitor do computador. – Deve tratar-se de algum erro. Mas não se preocupe – acrescentou, com tom alegre. – Aponto-o aqui.

Quinn supôs que ali se estava a cometer mais do que um erro, mas não ia ser ele a revelá-lo. Tudo o que o pudesse aproximar de Rowena era válido, embora preferisse saber de antemão que papel tinha que interpretar.

Não havia lugar para os prejuízos, pensou, encolhendo os ombros. Nada podia ser pior do que uma luta com o pessoal da segurança, não era?

– Isso é muito amável da sua parte… – apoiou-se no balcão e dedicou-lhe um dos seus sorrisos arrebatadores enquanto lia a identificação que a jovem tinha ao peito. – Stephanie.

Dois minutos depois, estava no elevador, enrugando um pedaço de papel com um número de telefone apontado, obséquio da bonita recepcionista.

Seguindo as instruções de Stephanie, chegou a uma sala com uma longa fila de cadeiras. Ao entrar, parou, assombrado. Todas as cadeiras estavam ocupadas por jovens de vinte e poucos anos que, como ele, estavam completamente vestidos de cabedal negro.

Enquanto observava aquela curiosa congregação de motoristas, abriu-se uma porta à sua esquerda e apareceu uma mulher pequena, vestida com uma berrante combinação de vermelho e verde. Trazia uma pasta na mão e perguntou com voz cansada quem era o primeiro. Todos se levantaram ao mesmo tempo, obviamente ansiosos por serem os eleitos.

A mulher passou o olhar pelos candidatos.

– Você! – disse ao homem mais próximo dela, o único que não tinha tentado chamar-lhe a atenção. Quando ele olhou para ela com os seus penetrantes olhos verdes, ela não conseguiu reprimir um suspiro de aprovação feminina. Sophie estava habituada a ver de tudo, mas não pôde evitar o espanto, ao contemplar aquele homem musculoso de um metro noventa com os lábios mais sensuais que já tinha visto na sua vida.

– Acho que o vai fazer muito bem – disse-lhe com um sorriso.

Quinn seguiu-a até ao compartimento contíguo, consciente do receio que deixava nas suas costas.

A mulher que estava sentada atrás da secretária estava completamente vestida de negro. Olhou para Quinn durante meio minuto e colocou-se de pé, esboçando um sorriso.

– Anna Semple – apresentou-se, mas, em vez de lhe estender a mão, contornou a mesa e aproximou-se dele. – Como se chama? – Anna ficou surpreendida por aquele candidato estar a olhar para as horas em vez de estar ansioso por agradar.

– Quinn Tyler – respondeu, sem saber se tudo aquilo o divertia ou o irritava.

– Não tenho nenhum Quinn Tyler – disse a mulher, enquanto consultava a lista.

– Não interessa – Anna passou uma mão pela manga do casaco de Quinn e voltou a sorrir. – Tem muita experiência na área, Quinn Tyler?

– Acho que houve um… – começou ele a dizer.

– Quem o enviou?

– Ninguém.

– Iniciativa! Agrada-me, não é, Sophie? Mas… tem algum agente? – se não tivesse, abria-se diante dela uma atraente gama de possibilidades, como um contrato de exclusividade…

Aquele homem perfeito estava a ponto de se converter no novo modelo da temporada.

Quinn era um homem paciente, mas até ele tinha os seus limites. Tinha visto agricultores a examinar o gado com mais delicadeza do que aquela mulher. Será que, de seguida, lhe ia pedir que abrisse a boca para lhe ver os dentes?

– Tire o casaco e a camisa, está bem? – pediu-lhe Anna, voltando a sentar-se.

Quinn, surpreendido, olhou para ela e viu que estava a falar a sério.

– Só isso?

A mulher pequena pareceu sobressaltar-se com a resposta, mas a chefe dirigiu a Quinn um olhar irónico.

– Sim, acho que será suficiente – Quinn permaneceu imóvel. – Não é tímido, pois não?

– Não, claro que não – respondeu ele com sinceridade, mas a ideia de se despir ali recordou-lhe o seu principal e único objectivo: Rowena.

Precisamente quando ia dizer que não estava disponível, abriu-se a porta nas suas costas e ouviu um par de vozes. Reconheceu logo uma delas.

– Tenho a tua permissão para a campanha «Tenha-o todo», Rowena? – perguntou Sylvia Morrow à sua editora.

Rowena era uma mulher alta e bonita, com a tez rosada e o cabelo louro acinzentado. Tinha noção do impacto que o seu corpo esbelto e sinuoso produzia nos homens, mas tinha chegado à conclusão de que essa beleza tinha sido mais um obstáculo do que uma ajuda na luta para atingir os seus objectivos. Desde que se licenciara com distinção, sem dinheiro e sem experiência, a sua inquebrável ambição tinha-a levado até àquele escritório luxuoso e ao cargo de editora, que ainda lhe parecia irreal. O caminho até ao êxito não era fácil e, com frequência, tinha de demonstrar aos outros que a sua juventude não a impedia de triunfar. E, sem dúvida, não conseguia entusiasmar-se com os seus êxitos e por culpa de uma pessoa… Quinn Tyler. Ignorou, convenientemente, que ela era igualmente responsável pelo seu problema.

– Estás bem, Rowena? – perguntou-lhe Sylvia, ao observar que a sua chefe levava uma mão ao ventre, invejavelmente liso.

Na noite anterior, tinham assistido à apresentação de um novo perfume e, enquanto que Sylvia se mostrou incapaz de resistir à comida e à bebida, Rowena apenas provou um pouco.

– Estou bem – disse com um sorriso e afastou a mão. Se não tivesse cuidado, as pessoas iam começar a conjecturar.

Para quem nunca se cansava de repetir que a maternidade não era compatível com o trabalho, um bebé era uma situação embaraçosa…

– O anúncio «Ter tudo» – recordou Sylvia.

Rowena fez um esforço para afastar os problemas pessoais, mas, pela primeira vez na sua carreira profissional, não lhe foi fácil concentrar-se no trabalho.

– Já sabes o que penso disso, Sylvia.

Sylvia assentiu. Não era nenhum segredo que a sua nova editora chefe via como ingénuas as mulheres que achavam que podiam combinar uma carreira de êxito com uma família feliz.

Rowena não se preocupava em ser politicamente correcta e Sylvia perguntava-se se a sua rejeição a filhos e casamento não teria algo a ver com a obsessão que tinha em fazer o trabalho com escrupulosa perfeição.

– Bem, conheço várias pessoas muito ambiciosas que não partilham a mesma opinião e algumas ideias deviam ser escritas. Não podes falar – predisse Sylvia. – Um olhar ao interior dos lares dos famosos, com fotografias dos animais, dos filhos ou do que quer que seja… Já sabes, o lado humano e tudo isso.

A ideia de expor os filhos aos meios de comunicação fez com que Rowena fizesse uma careta de desagrado.

– Pode funcionar – insistiu Sylvia, ao ver a negativa da sua chefe.

– Pode ser que tenhas razão, Sylvia – aceitou Rowena. – Em quem estás a pensar?

– Em Maggie Allen.

– Uma escolha de actualidade – disse Rowena, arqueando uma sobrancelha. Maggie Allen, a nova cara de uma firma farmacêutica, era a típica mulher que parecia ter tudo: um marido carinhoso, os filhos bem-educados e um trabalho com êxito. Mas quanto tempo passaria essa Maggie com os filhos?, perguntou-se Rowena. E quanto tempo mais seria necessário para que o seu marido procurasse outra mulher que lhe interessasse mais?

– És a melhor – disse Sylvia. – Mas espera um segundo. Tenho que dar esta apresentação à Anna – entrou no gabinete de Anna, seguida de Rowena. – Anna, podias…? Oh, meu Deus! – exclamou, ao ver o enorme homem que ocupava metade da sala.

– Acho que podes mandar os outros embora, Sophie – disse Anna, ao ver a expressão de prazer da sua colega. – Temos o nosso homem.

Rowena lançou um olhar rápido ao impressionante corpo que tinha maravilhado Sylvia e afastou o olhar. Os homens fortes e grandes não eram propriamente do seu agrado. E sem dúvida… o novo modelo de Anna, que estava sem camisa, tinha uma certa semelhança muscular com Quinn. Não pôde evitar sentir uma certa compaixão em relação àquele pobre homem desnudado da cintura para cima.

– Bem, deixo-vos – disse às outras mulheres. – Sylvia, às três e meia no meu gabinete…

Naquele momento, o homem voltou-se e olhou para ela.

Rowena ficou sem respiração e pensou que estava alucinada. Era impossível achar que o estava a ver diante dela. Aquele torso, aqueles olhos verdes, aqueles lábios curvados num sorriso sensual… Era ainda pior do que uma alucinação. Era real! Só havia um homem no mundo capaz de combinar num sorriso tanto desprezo e desafio sexual.

O débil gemido que emitiu bastou para que as outras mulheres se fixassem nela. Eram mulheres cujo respeito necessitava, pelo que tinha de fazer algo rapidamente. Algo diferente de sair a correr, a única coisa que lhe passava pela cabeça. Porquê ali? Porquê naquele momento? Porquê a ela?…

Inspirou profundamente. Não era a situação ideal, mas tinha de a solucionar. Sabia que o reencontro era inevitável, mas tinha acalentado a esperança de estar preparada para tal e ser capaz de replicar com razões de peso qualquer protesto que ele formulasse.

– Que diabo fazes aqui? – perguntou num tom acusador, quase sem voz.

– Este é Quinn Tyler, Rowena – explicou Anna. – O nosso modelo para…

– Ele não é modelo! – exclamou ela, apanhando do chão a camisa e o casaco de Quinn. Como é que se podia exibir diante daquelas mulheres que o comiam com os olhos?

– Então, quem é?

– Isso, Rowena, quem sou? – perguntou Quinn.

Rowena sentiu que corava diante daquele olhar.

– Não me tentes! – disse ela. Não conseguia suportar aquele sorriso. – Para tua informação, Anna, informo-te que o Quinn é médico.

– Não se parece nada com um médico – respondeu Anna com algum cepticismo. Apoiou as mãos na cadeira e observou Quinn de cima para baixo.

– Sabe parecer um médico, quando quer – disse ela com um grunhido.

– Vá, obrigado, Rowena – murmurou Quinn provocadoramente.

– Não pretendia lisonjear-te. Até Jack, o Estripador, pareceria um homem respeitável se vestisse um fato Armani – voltou-se para as outras mulheres. – Andámos juntos na universidade.

– Ah, é um antigo namorado.

– Não tão antigo – precisou Quinn com uma cara fingida de dor.

– Não é um antigo namorado! – replicou Rowena. – Só estávamos no mesmo grupo – olhou para Quinn em busca de um improvável apoio. – Um grupo com as mesmas ideias…

– Um grupo de «betos» elitistas que não fazia mais nada a não ser bajularem-se, dizendo quão superiores eram em relação ao resto dos mortais. Não sei dizer quanto tempo passámos a idealizar os nossos futuros brilhantes.

– Quinn! – exclamou Rowena, indignada

– Vais dizer que não tenho razão? – Quinn olhou-a com regozijo.

Rowena suavizou a expressão e esteve quase a sorrir, mas lembrou-se que não podia descontrair-se diante de Quinn.

– Não, tens razão – reconheceu com um suspiro. – Éramos insuportavelmente presunçosos.

– Em nossa defesa, devo alegar que éramos muito jovens – disse Quinn, olhando para as outras três mulheres. – E quase todos perdemos essa arrogância, com a idade.

– Se isso é uma indirecta… – começou Rowena a dizer, vermelha de fúria.

– Não, não és arrogante – disse ele, com um sorriso.

– É mesmo teu! Vês nos outros os teus próprios defeitos – disse ela. – Não sei como chegaste até aqui, mas estou a pensar chamar os seguranças – ele respondeu-lhe com um sorriso atrevido. – Achas que estou a brincar, Quinn? Põe-me à prova…

– Não, não creio que estejas a brincar. Para isso necessitavas de sentido de humor e de habilidade para te rires de ti própria.

Quinn pensou que ela merecia que a estrangulasse, por todas as semanas de angústia que o tinha feito passar. Olhou para a curva do seu colo e o contorno daqueles lábios tão suaves… Quiçá fosse melhor beijá-la.

– Não me parece que este seja o momento para falar da minha incapacidade – disse ela, apertando a mandíbula, e, sem querer, apreciou a pele bronzeada de Quinn. – Por amor de Deus, veste-te!

Não estava segura do que seria pior, se ter de superar a excitação que aquela imagem lhe produzia ou o facto de as outras mulheres também se estarem a babar ante semelhantes músculos.

Sem parar para pensar no que estava a fazer, pressionou a camisa contra o seu peito.

– Isto diverte-te? Não sei como é que entraste aqui, nem porque é que vieste – as lágrimas começaram a surgir nos seus olhos, enquanto Quinn permanecia impassível. – Vieste para me humilhar? – perguntou-lhe com voz furiosa.

Quinn arqueou uma sobrancelha e sorriu cinicamente.

– Sabes muito bem porque vim, Rowena – afirmou com uma voz ameaçadora.

Tirou-lhe a camisa das mãos trémulas e enfiou-a pela cabeça. Ao metê-la para dentro da cintura, ela fixou-se na fivela de prata do cinto. Era a mesma que ela tinha desapertado naquela noite… Rowena tentou não se deixar levar pelas recordações, mas foi inútil. A sua cabeça encheu-se de imagens eróticas. A sua pele bronzeada coberta de suor, a aspereza da sua voz, reduzindo-a a um grito sufocado de necessidade, a expressão de triunfo no seu rosto, enquanto a tomava com a sua força…

Levou uma mão ao ventre e tentou recuperar o fôlego e a compostura. O desejo tinha-a atingido com tanta força que era como ter-se estampado contra um muro de pedra ardente.

– Estás contente? – perguntou-lhe ele, quando acabou de vestir a camisa.

Ao vestir-se, ficou despenteado e, então, Rowena, sem pensar, esticou a sua mão e alisou-lhe os cabelos escuros. O bom senso abandonou-a, quando os seus dedos tocaram no couro cabeludo.

Apercebeu-se da intimidade que aquele gesto implicava, quando Quinn afastou a cabeça. A recusa violenta fez com que olhasse para ele com uma expressão dorida. Os seus olhares encontraram-se durante um segundo repleto de tensão, antes de ele ocultar a sua expressão com as pálpebras.

Um gesto tão inocente jamais tinha sido tão mal interpretado. Era óbvio que as coisas tinham mudado…

Mas quando tinham começado a mudar?

Capítulo 2

Rowena tinha tentado várias vezes determinar o momento exacto em que a sua relação com Quinn se convertera em algo mais do que uma simples amizade.

Tinha de ser antes da sua breve estada na sucursal de Nova Iorque. Ela precisava de um acompanhante para assistir a um baile de beneficência e Quinn, que tinha aceite um emprego num hospital universitário da cidade, apareceu no último momento.

Apesar de já o conhecer, até àquela noite e graças aos comentários e olhares que recebeu de toda a gente, não se tinha apercebido de quão arrebatadoramente bonito Quinn podia ser.

Aquele foi um sarau maravilhoso e tudo graças a ele. Não só sabia dançar estupendamente e era um bom conversador, como a fizera rir como ninguém, graças ao seu apurado sentido de humor.

– Fizeste sucesso esta noite – disse-lhe, quando ele a acompanhou de madrugada ao seu apartamento. Bocejou e inclinou-se para apanhar os sapatos que tinha tirado ao entrar no Jaguar.

– Esse era o nosso objectivo – respondeu ele.

– Agora sei como conseguiste seduzir todas aquelas mulheres – Quinn tinha bom gosto para as motos, para os carros e para as mulheres, mas não tinha a habilidade para fazer com que as relações durassem. Talvez fosse pela sua profissão ou talvez por não ter encontrado a mulher ideal. Esse pensamento fê-la sentir-se incomodada.

– Se não te conhecesse tão bem, até eu tentaria seduzir-te – brincou ela, enquanto calçava os sapatos.

Ele olhou para ela durante uns segundos, com uma expressão enigmática no rosto.

– É só isso que te detém?

Rowena sorriu, mas não conseguiu ver qualquer indício de humor em Quinn. Pelo contrário, olhava-a de uma maneira muito tensa, que lhe provocou um nó na garganta.

Não conseguia lembrar-se do que disse a seguir, numa tentativa frustrada de romper o incómodo silêncio, mas sabia que não servira de nada. Quinn parou, olhando-a, fazendo com que se sentisse uma estúpida.

O que conseguia recordar perfeitamente era o toque do seu braço contra o seu peito quando o esticou para abrir a porta. Rowena morreu de vergonha, ao sentir que os seus peitos se endureciam com a fricção, e rezou para que ele não notasse através do tecido fino do vestido, enquanto saía do carro.

Depois daquilo, não havia nenhuma razão para recusar a série de convites que se seguiram. Ao fim e ao cabo, não eram mais do que amigos e não havia nada de mal em jantar com um amigo e irem juntos ao teatro. Em relação a passear debaixo da chuva junto ao rio… havia modo mais inocente de passar a tarde?

Tão pouco queria queixar-se do comportamento de Quinn. Comportava-se como um perfeito cavalheiro e não voltara a repetir o incidente do carro, por muito que ela, em segredo, o desejasse.

Era ela quem lhe tocava no braço ou nos joelhos e quem se assegurava de que ele via as suas pernas, quando se sentavam frente a frente. Fazia-o de um modo suficientemente discreto, ou pelo menos ela achava que sim, até que, uma noite, no seu apartamento, depois de a levar a jantar, Quinn lhe pediu uma explicação.

– Não sei a que te referes – protestou ela. – Não estou a jogar nenhum jogo.

– Bem, pode ser que seja esse «nada» que me esteja a pôr louco – disse ele, passando a mão pelo cabelo. – Tu estás a deixar-me louco – realçou.

– Ah, sim? – perguntou ela, incapaz de ocultar a sua satisfação. – Quem diria…

Quinn pareceu surpreender-se e começou a rir. Era um riso tão cálido e descontraído, que Rowena não se enfadou com ele.

– Bem, pois, se te interessa, digo-te que me sinto atraída por ti – declarou sem mais rodeios.

Quinn não ocultou o seu regozijo e ela sentiu-se imediatamente aliviada.

– Acho… – respondeu ele, com voz rouca. – Que o esforço pode valer a pena.

Fascinada pelo desejo que ardia nos seus olhos verdes, Rowena sentiu os joelhos a fraquejar. De certeza que Quinn beijava bem, não podia ser de outra forma com uns lábios tão perfeitos. A ideia de o comprovar fê-la tremer de emoção.

– Então, não achas que seja uma má ideia? – perguntou ela.

– Claro que não – respondeu ele, acariciando-lhe o queixo com a mão. O toque possuía, ao mesmo tempo, doçura e força, num contraste irresistivelmente excitante.

– Sei que consegues entender… – Rowena estava tão aliviada, que não pensou no efeito das suas palavras. – Sobretudo tu, a quem não agradam os compromissos. Quero dizer, nenhum de nós tem tempo para uma relação séria, não é verdade? – perguntou, alegremente. – Para toda essa treta de presentes, flores e planos futuros. Mas todos temos… necessidades, não é? Achei que devia ser sincera contigo.

– Sê sempre sincera – declarou ele, secamente.

Rowena assentiu e Quinn retirou a mão do seu queixo.

– Já tive relações sexuais – continuou ela a dizer, perguntando-se se devia tomar a iniciativa, mas reconheceu que não tinham sido satisfatórias. – Se tenho de ser sincera, confesso que não sou muito boa nisso, mas estou desejosa de aprender.

Ouviu-o a tragar a saliva e lamentou-se por ter sido tão sincera. Mas era a única verdade: em termos sexuais, ela era o que se costumava chamar frígida. A primeira vez, fora culpa da inexperiência, mas, na segunda vez, cinco anos depois e com o amante correcto e experiente, perdeu a vontade de voltar a repeti-lo. Desde então, tinha-se voltado por completo para o trabalho… até Quinn.

– Vamos deixar isto muito claro – disse ele. – Estás a dizer que me desejas somente para o sexo e mais nada.

– Bem… – Rowena sentiu um arrepio. – Não o diria exactamente assim.

– Pois, eu sim! – exclamou ele. – Já ouvi como te chamam por aí, Rowena. Dizem que és uma bruxa com o coração de gelo, desalmada e cruel.

Rowena estremeceu. Tinha ouvido aquilo muitas vezes e era sempre desagradável, não importava se era Quinn a dizê-lo ou outra pessoa qualquer.

– Eu saí sempre em tua defesa – continuou ele a dizer. – Mas começo a ver o quanto mudaste. Por amor de Deus, o sexo não é algo que possas combinar como uma reunião de negócios.

– Eu não queria dizer… – começou ela a explicar, atordoada. – Não queria ofender-te. Só queria ser franca contigo, Quinn.

– Não sou tão obtuso – replicou ele, com um sorriso amargo. – Não é preciso um diagrama para me explicares o que queres.

– Deixa-me dizer-te uma coisa, Quinn. Sentires-te ofendido por te ter tratado como um objecto sexual parece-me hipócrita, tendo em conta a larga lista de aventuras que possuis. Não me parece que queiras um compromisso, não é verdade?

– Acusaram-me de ser superficial, sim – reconheceu. – Mas, comparado contigo, não sou mais do que um aprendiz.

– Pelo que ouvi, defendes-te muito bem – replicou ela.

– Então, ouviste mal. Há relações que não chegam a lado nenhum, mas podem ser divertidas. Reconheço que fiz algumas coisas, mas não tanto como podes acreditas. Além disso, parte da diversão consiste em não saber quando acabará.

Ao ouvir o seu ponto de vista, Rowena esqueceu momentaneamente o nó no estômago. Ela preferia saber sempre de antemão onde tudo acabaria.

– Em explorar – continuou ele. – Em questionar-se se será uma relação definitiva ou se a pessoa será verdadeira.

Rowena apertou a mandíbula. Era a revelação de que, para Quinn, existia um par ideal. Além disso, saber o que procurava… Jamais o poderia imaginar tão romântico.

– Contigo não haveria qualquer emoção, porque ambos sabemos onde acabaríamos… Em parte alguma! – sentenciou ele.

– Está claro que não queremos as mesmas coisas – disse ela, encolhendo os ombros. Não queria mostrar-lhe o quão decepcionada e magoada estava devido à rejeição dele.

Quinn também encolheu os ombros. Não parecia nada afectado.

De regresso ao presente, Rowena esforçou-se por afastar as recordações e lançou um olhar desafiador às suas empregadas. Todas pareciam olhar para ela com respeito, mas sabia que essa falsa aparência duraria somente até sair do escritório.

– Estás contente? – perguntou a Quinn, repetindo a pergunta. – Bem, se nos desculpam, Quinn tem de se ir embora – atirou-lhe o casaco e apontou com a cabeça a porta, numa tentativa de lhe demonstrar quem mandava ali.

– Não – respondeu ele, pondo o casaco sobre os ombros. – Ainda não falámos sobre o dinheiro.

– Claro que não – espetou ela. – Sempre atrás do dinheiro, não é, Quinn? Porque não te dedicas à cirurgia plástica?

– Talvez por pensar que é algo que podia fazer bem – sugeriu ele.

Rowena ficou rígida. Não queria reconhecer que a acusação de avareza era a última que poderia fazer a Quinn.

Quinn era considerado uma eminência no campo da reconstrução facial e, embora os seus honorários fossem elevados para os seus abonados clientes, não limitava o seu trabalho aos que podiam pagá-lo. A maior parte do seu trabalho era desempenhado na saúde pública, apesar de poder ganhar muitíssimo mais se só exercesse medicina privada.

– Às três e meia no meu escritório, Sylvia! – ordenou Rowena antes de se ir embora.

As três mulheres trocaram olhares entre elas quando a porta se fechou.

– Eu bem dizia que aquele nome não me era estranho – comentou Anna. – Operou o nariz a Lexie Lamont. Vi-o num programa de televisão no mês passado, onde se falava de uma jovem que ficou com o rosto desfigurado num acidente.

– Sim, eu também vi – disse Sylvia. – A pobre rapariga não parava de chorar.

– E viste as fotografias de como era antes? – perguntou Anna. – Realmente fez um trabalho impressionante com ela.

– Sim, não há dúvida de que é médico – concluiu a sua ajudante. – Acho que tivemos sorte por ainda não termos mandado embora os outros.

– É uma suposição minha ou vocês também acham que a chefe não quer partilhá-lo? – perguntou Sylvia com um sorriso malicioso.

A explosão de risos chegou até Rowena, que nesse momento saía de outra sala.

– Espero que tenhas ficado satisfeito – disse furiosa a Quinn.

– Calma, Rowena. De certeza que a tua imagem de bruxa pode superar situações piores do que esta.

– Odeio-te! – exclamou, tentando acreditar nas suas próprias palavras.

– Consigo suportar isso – mentiu ele. – O que não suporto é que me ignorem.

– Eu sei que existem homens que se dedicam a espionar e a atormentar as mulheres que os rejeitam, mas nunca pensei que tu fosses um deles, Quinn. Se soubesse o que sei agora…

– Não me tinhas rejeitado – interrompeu-a ele.

Rowena deteve-se em frente da sua secretária e voltou-se.

– Considera-te rejeitado, Quinn.

– Não vês um palmo à frente do nariz – disse ele, sorrindo e, ignorando os violentos protestos dela, empurrou-a para dentro do escritório. – Não passe nenhuma chamada para a menina Parrish – ordenou à jovem secretária, muda de assombro.

– Bernice, chama os seguranças! – gritou Rowena quando Quinn fechou a porta. – Supões que este acto próprio de um homem das cavernas me vai impressionar – retrocedeu até à secretária e sentou-se. Aquela mesa era o símbolo do seu poder, mas, naquele momento, não parecia servir-lhe de muito. – Se, por passares uma noite comigo, te achas com direito de me tratar assim estás enganado. E quanto a despires-te meu escritório… nem vou perguntar! Se não tivesse chegado a tempo, sabe Deus o que terias feito!

– E não te agrada a ideia? – não parecia que Quinn se tivesse sentido molestado.

– Odeio acabar com as tuas fantasias, mas, não, não me agrada a ideia fazeres com que as minhas empregadas percam tempo. Temos prazos a cumprir, sabes? Como te sentirias se eu me apresentasse no teu hospital fazendo-me passar por enfermeira?

– Deixa-me pensar… Estou a imaginar-te com… As enfermeiras ainda usam toucas na cabeça? – Rowena nem sequer teve tempo para responder àquela piada machista, porque Quinn olhou para ela de um modo tão penetrante que a fez preferir as chacotas. – Posso saber o que tens andado a fazer, Rowena? – sentou-se na borda da mesa e esticou as pernas.

– Cortei o cabelo.

– Não me refiro a isso. Estás mais magra.

– Obrigada.

As suas ancas sempre tinham sido a inveja das suas amigas, mas os seis quilos que tinha perdido nas últimas semanas faziam com que a mini-saia que antes se cingia nas suas ancas lhe ficasse folgada.

– Tens muito mau aspecto. Não podes perder tantos quilos a não ser que estejas doente ou submetida a uma grande pressão – disse ele com uma voz autoritária.

Ela afastou o olhar. Os enjoos matinais podiam ser considerados uma doença?

– Bem, doutor, muito obrigada pelo seu diagnóstico, mas não tenho nem uma coisa nem outra. Somente me deito tarde todas as noites e apenas tenho tempo para comer.

– Sim, a vida é como uma grande festa – disse ele com cepticismo.

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