Kitabı oku: «O Descobrimento do Brazil»

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Manuel Ferreira Garcia Redondo

O Descobrimento do Brazil

Prioridade dos Portugueses no Descobrimento da America


Publicado pela Editora Good Press, 2022

goodpress@okpublishing.info

EAN 4064066407551

Índice de conteúdo

PRIORIDADE DOS PORTUGUEZES NO DESCOBRIMENTO DA AMERICA

Garcia Redondo

O DESCOBRIMENTO DO BRAZIL

PRIORIDADE DOS PORTUGUEZES NO DESCOBRIMENTO DA AMERICA

O DESCOBRIMENTO DO BRAZIL

Prioridade dos portugueses no descobrimento da America

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Conferencias portuguezas

Conferencias portuguezas

Conferencias portuguezas

PRIORIDADE DOS PORTUGUEZES NO DESCOBRIMENTO DA AMERICA

Índice de conteúdo

Primeira conferencia da serie organisada pelo Centro Republicano Portuguez de São Paulo, realizada no Instituto Historico e Geographico de S. Paulo, na noite de 3 de Junho de 1911

SÃO PAULO

CASA VANORDEN

1911

Garcia Redondo

Índice de conteúdo

(DA ACADEMIA BRASILEIRA)

O DESCOBRIMENTO
DO
BRAZIL

Índice de conteúdo

PRIORIDADE DOS PORTUGUEZES NO DESCOBRIMENTO DA AMERICA

Índice de conteúdo

Primeira conferencia da serie organisada pelo Centro Republicano Portuguez de São Paulo, realizada no Instituto Historico e Geographico de S. Paulo, na noite de 3 de Junho de 1911

SÃO PAULO

CASA VANORDEN

1911

Assistiram a esta conferencia, além do ministro de Portugal, Snr. Dr. Antonio Luiz Gomes, e do seu secretario, Dr. Bartholomeu Ferreira, que do Rio de Janeiro vieram especialmente para esse fim, o consul da França, Snr. Jacques Dupas e sua familia, os consules de Portugal em S. Paulo e Santos, os consules do Paraguay e da Guatemala, os representantes do Governo do Estado e do Governo Federal, a directoria e membros do Centro Republicano Portuguez de S. Paulo, o director e muitos lentes da Escola Polytechnica, uma parte da directoria e muitos socios do Instituto Historico e a fina flor da sociedade culta e da colonia portugueza de S. Paulo.

Esta conferencia é impressa no formato do livro Conferencias do auctor para que possa ser annexada a esse livro.

O DESCOBRIMENTO DO BRAZIL

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Prioridade dos portugueses no descobrimento da America

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O orador, depois de agradecer a presença do numeroso e luzido auditorio, que affluiu ao salão do Instituto Historico para ouvir a sua palavra rude e, depois de varias explicações que deu sobre o grande mappa que organisou para illustrar e esclarecer a sua conferencia, diz:

Minhas senhoras, meus senhores:

Na minha ultima viagem ao Velho Mundo, em 1906, achando-me na Suissa e querendo visitar a exposição internacional de Milão, em vez de fazer a viagem directa e curta, indo de Genebra, onde estava, a Montreux e de Montreux a Milão, preferi fazer uma grande volta, indo de Genebra a Lyon e a Marselha e percorrendo depois toda essa extensa e deliciosa costa do Mediterraneo que se chama Côte d'Azur.

Para que? Para entrar na Italia por Genova e prestar, antes de tudo, a minha homenagem de americano á memoria de Christovam Colombo, visitando a casa onde elle nasceu.

Alli fui, pois, e alli estive no vetusto predio, onde, em 1450, viu a luz do dia o audacioso genovez, conforme reza a placa commemorativa collocada entre duas janellas antigas desastradamente vestidas á moderna com venezianas verdes.

Até então, eu suppunha, pelo que sabia, pelo que havia lido, que Christovam Colombo era o descobridor da America, assim como suppunha tambem que Pedro Alvares Cabral era o descobridor do Brazil.

Mas, veio-me depois ás mãos um livro—A descoberta do Brazil—do sr. Faustino da Fonseca, e esse livro precioso, feito com o nobilissimo intuito de reivindicar para Portugal a gloria completa do descobrimento do Novo Mundo, livro que, em abono da civilização portugueza, que, em abono dos nossos maiores, deveria ser traduzido em todas as linguas vivas para ser distribuido em todas as escolas do universo, veio mostrar-me, á luz de documentos authenticos e irrefutaveis, que nem o navegante genovez foi o primeiro a chegar ao Novo Mundo, nem Cabral o primeiro a achar essa parte do Novo Mundo que se chama o Brazil.

Colombo e Cabral—o primeiro ao aportar, em 1492, ás Antilhas, e o segundo, em 1500, á costa brazileira, não fizeram mais do que reconhecer e tomar posse officialmente de terras que muitos annos antes já haviam sido descobertas por navegantes portuguezes.

Baseia-se o precioso livro do sr. Faustino da Fonseca em doações feitas pelos reis portuguezes aos primeiros navegantes que sulcaram o Atlantico, em tratados de limites, em correspondencias officiaes, roteiros, mappas, relações, cartas de testemunhas dos acontecimentos e outros documentos que o autor, no seu louvavel ardor patriotico, foi descobrir e copiar com uma paciencia de benedictino nos archivos hespanhóes e açorianos e na Torre do Tombo.

É com esse fanal em punho, que dá por terra com todas as lendas, todos os erros e embustes dos historiadores que precederam o sr. Fonseca, que eu venho, hoje, na medida das minhas fracas forças, ajudal-o a reivindicar para Portugal, não a gloria de haver descoberto o Brazil sómente, mas tambem a gloria de haver descoberto a America.

Oxalá seja esse meu auxilio efficaz, oxalá possa elle levar a convicção ao animo dos que me ouvem e dos que me lerem, para que possamos dizer todos, una voce, e fazendo a justiça tardia a que tem direito a velha civilização portugueza: Gloria a Portugal, descobridor do Novo Mundo!

Os conhecimentos geographicos dos antigos eram limitadissimos, não conhecendo os europeus mais do que duas terças partes do seu continente, o norte da Africa e o sudoeste da Asia, acreditando Ptolomeu que a Africa se estendia até ao polo antarctico, reduzindo assim o Oceano Indico a um simples lago ou pequeno mar interior. Nessa época, o que se chama India comprehendia a Indo-China, o Indostão, as ilhas e regiões do extremo Oriente. Era a India considerada como um paiz de fabulosas riquezas e nella dizia-se que habitava o Prestes João, soberano Christão, que reunia o poder temporal ao espiritual e era o summo pontifice do Oriente.

O Oceano Atlantico era tratado por mar tenebroso e considerado innavegavel, povoado por monstros, coalhado de escolhos, coberto de nevoa densa. Era um mar onde, para uns, reinava a eterna calmaria podre, para outros, era constantemente açoutado por violentos tufões, de sorte que era uma barreira á communicação entre os dois hemispherios.

Não contentes de limitar a tão pouco os seus conhecimentos geographicos, os antigos inventavam lendas, semeavam o oceano de ilhas imaginarias, de estatuas e de columnas, que impediam os navegantes de marchar.

As columnas de Hercules fechavam o caminho do Atlantico, outras duas columnas erguiam-se num estreito, impedindo a entrada do mar da India. A phantasia não tinha diques e os mappas, principalmente o de Marco Polo, marcavam milhares de ilhas em algumas das quaes se localizava o paraiso, o purgatorio e o inferno! Na ilha de Salomão, onde se dizia estar o cadaver desse rei mulherengo, num maravilhoso palacio, tres estatuas faziam retroceder o navegante sob pena de morte. O cabo Bojador era um ninho de serpentes e na ilha de Ceylão estava o tumulo de Adão!

Ainda em 1375 a costa africana só era conhecida de Ceuta até ao Cabo Bojador, e ainda em 1436, já em pleno seculo XV, o mappa de André Bianco, um mixto de christianismo e de paganismo, reproduz as lendas e figuras da edade média, collocando Jerusalém no centro do mundo e determinando o local do paraiso terrestre!... Toda a terra conhecida resumia-se num unico continente. Tudo mais eram ilhas entre as quaes estava a de Cypango, onde Colombo julgou ter chegado em 1492, quando aportou ás Antilhas.

Lendas de origem portugueza só havia duas—a do gigante Adamastor, no Cabo das Tormentas, que o grande épico dos Lusiadas tão lindamente narrou em verso sonoroso, e a do cavalleiro de pedra, na ilha do Corvo—mas este, ao contrario dos outros que intimavam o navegante a retroceder, mandava-o avançar, apontava-lhe o caminho a seguir, demandando novas regiões.

Taes eram os conhecimentos geographicos até ao primeiro terço do seculo XV.

Foi então que appareceu o famoso projecto do infante d. Henrique, projecto que revolucionou o systema do mundo.

Até ahi só se conheciam dois caminhos para chegar ao Oriente, ambos por terra, ambos partindo do Mediterraneo. Conhecida a India como um paiz de riquezas fabulosas e tendo cessado para os portuguezes, com a tomada de Ceuta, o trafico dos generos do sertão pelo Mediterraneo, cogitou o infante d. Henrique em chegar á India por um outro caminho—a via maritima, pelo occidente. Mas, para isso, tinha de affrontar o Mar Tenebroso, esse oceano inçado de escolhos e de monstros, impenetravel e mysterioso. Como o seu intuito era explorar as riquezas indianas e levar a fé aos musulmanos, com os quaes esperava combater, elle sentiu a necessidade de um alliado e o alliado natural era o Prestes João, o summo pontifice da christianidade indiana.

Era preciso, pois, procural-o, mas seguindo pela via maritima.

«Provêm desta origem, diz o sr. Faustino da Fonseca na sua obra admiravel, as explorações para o sul e para o occidente; as grandes viagens do occidente e do oriente; o encontro de duas passagens a leste e a oéste,—o Cabo da Boa Esperança e o estreito de Magalhães; as descobertas da costa da Africa e das ilhas do Atlantico, da America do Norte e do Brazil.»

«Obedece tudo a este proposito, subordina-se tudo a este projecto, são tudo soluções ao problema: os conselhos de Toscanelli e de Monetario, o erro de Colombo, a audacia de Magalhães.»

Não é difficil provar que Colombo não descobriu a America e que quando chegou ás Antilhas, em 1492, já a America havia sido descoberta pelos portuguezes, muitos annos antes. O difficil seria provar hoje, em face dos documentos encontrados pelo sr. Faustino da Fonseca e dos quaes me vou soccorrer nesta conferencia, que o ousado genovez fez tal descoberta.

Esmiucemos o interessante assumpto.

Quando o infante d. Henrique fundou a escola de Sagres com observatorio astronomico, para o qual fez vir cosmographos e mathematicos estrangeiros, e mandou construir nos seus estaleiros as primeiras caravelas e ordenou que ellas sahissem, para o mar tenebroso e pelo occidente, dizendo aos capitães que avançassem sem receio, fazendo-se ao largo, já Gonçalves Zarco havia descoberto a ilha da Madeira e já o infante conhecia o livro de Marco Polo, que existia em Portugal desde 1418, trazido pelo infante d. Pedro, que o recebera como dadiva do senado de Veneza, assim como conhecia tambem o mappa do mesmo Marco Polo onde se veem as regiões do oriente muito proximas das do occidente. No seu livro, Marco Polo assegurava que Catay estava no Atlantico (que elle chama o mar de Cyn) a pequena distancia da Europa e que, no Atlantico, estavam tambem Cypango e outras ilhas de especiarias.

As primeiras caravelas, construidas e equipadas pelo infante em 1431, começam a perscrutar o mar vasto e, um dia, de uma dellas, Gonçalo Velho Cabral descobre as Formigas. Um anno depois, em 1432, descobre ainda Santa Maria. As expedições maritimas portuguezas, desde então, succedem-se ininterruptamente e, annos depois, é descoberta grande parte das ilhas do archipelago dos Açores pelo mesmo Gonçalo Velho e depois as do Cabo Verde (1460) por Antonio Gomes e Diogo de Nola.

Em 1435, já o mappa-mundi de Bechario representa a Antilia e outras ilhas, a oéste dos Açores, acompanhadas da seguinte legenda:—Insule de novo reperte (ilhas recentemente descobertas.)

Em 1436, um anno após, apparecem o mappa-mundi de André Bianco e o seu portulano cujas cartas já representam o mar de Baga, o mar dos Sargaços, as Antilhas e o Brazil, figurando este como se fosse uma grande ilha. Em 1447, uma nau parte do Porto e descobre a Groelandia aonde os marinheiros desembarcaram.

No entretanto, do celebre promontorio de Sagres, o infante d. Henrique vê sumirem-se no mar intermino as caravelas, que successivamente iam partindo á descoberta, e já em 1448, numa carta do portulano de André Bianco, tratando dos descobrimentos dos portuguezes, se regista o Brazil de uma forma precisa, na parte oéste e sul do Cabo de S. Roque, ao sul das ilhas do Fogo e Brava de Cabo Verde, na sua verdadeira posição, em frente á costa africana, sendo designado por ilha authentica e assignalada a sua distancia exacta de 1500 milhas do archipelago de Cabo Verde.

Esta carta do portulano de Bianco, bem como os anteriores de 1436 mostram, pois, meus senhores, que o Brazil foi descoberto em 1435, ou antes, por navegantes portuguezes e que até das Antilhas já havia noticia nessa época.

Mas, não fica nisto. As caravelas portuguezas continuam a singrar o mar tenebroso e, em 1452, Diogo de Teive e seu filho João de Teive descobrem as ilhas Corvo e das Flores e chegam á latitude da terra que se chamou mais tarde «do Lavrador» (porque a descobriu um portuguez deste nome) não desembarcando nella com receio do inverno.

Em 1460 morre o infante d. Henrique, deixando reconhecida toda a costa africana até Serra Leôa e legando ainda á sua patria os descobrimentos dos archipelagos dos Açores, de Cabo Verde e do Brazil.

A morte do infante não faz, porém, arrefecer o enthusiasmo lusitano pelos descobrimentos e já dois annos depois, em 1462, d. Affonso V, por carta regia de 29 de outubro, faz doação a seu irmão o infante d. Fernando, filho adoptivo de d. Henrique e seu herdeiro universal, de uma terra achada no mar alto, a noroeste das ilhas Canarias e da Madeira, que Gonçalo Fernandes havia descoberto. Essa terra não podia ser outra senão a America.

Mezes antes, por carta régia de 19 de fevereiro, esse mesmo Affonso V havia feito doação a João Vogado de duas ilhas por elle descobertas no mar oceano, ás quaes dera os nomes de Lono e Capraria. Nos documentos da época, a expressão mar oceano era usada para designar o mar que banhava a America, que então ainda não tinha esse nome. Esta doação a João Vogado prova que as duas ilhas Lono e Capraria eram ilhas ou pontos da costa americana.

Onze annos depois, em 1473, d. Affonso V, por carta régia de 12 de janeiro, faz doação á sua sobrinha d. Beatriz, filha do infante d. Fernando, de uma ilha que apparecera, em 1468, através da ilha de Santiago, e que era uma das Antilhas, aonde só 24 annos depois aportou Colombo. Convém notar que esta descoberta é feita por navegadores portuguezes 5 annos antes da chegada de Colombo a Lisboa.

Do exposto se conclue que as proprias Antilhas já tinham sido descobertas pelos portuguezes muitos annos antes de Colombo lá ir tomar dellas posse para a corôa da Hespanha.

Todas estas consecutivas viagens para o occidente formam uma série que já constitue uma brilhante e indiscutivel documentação da prioridade dos portuguezes na descoberta da America.

Mas ha ainda outros e valiosos documentos que melhor provam esta asserção áquelles a quem ella possa parecer um pouco vaga.

Vejamos quaes são.

Em 1472, tendo vagado a capitania da Ilha Terceira por fallecimento de Jacome de Bruges, a infanta d. Beatriz fez doação a João Vaz Côrte Real da capitania dessa ilha, na parte de Angra, doando a parte da Praia a Alvaro Martins.

Na carta de doação, encontram-se as seguintes palavras: «havendo eu, por informação, estar ora vaga a capitania da ilha Terceira de Jesus Christo... por se affirmar ser morto Jacome de Bruges... houve por bem de a partir entre o dito João Vaz e o dito Alvaro Martins, mandei ao dito João Vaz que escolhesse e elle escolheu a parte de Angra... E considerando eu, de outra parte, os muitos e grandes serviços que o dito João Vaz Côrte Real, fidalgo da casa do dito senhor meu filho, tem feito ao infante meu senhor e seu padre que Deus haja (é o infante d. Fernando), e depois a mim e a elle, em galardão dos ditos serviços, lhe fiz mercê da dita capitania da ilha Terceira.»

Annos após, em 1488, confirmando essa doação, o duque de Vizeu, filho de d. Beatriz, alludiu aos grandes serviços de João Vaz Côrte Real a seus paes, dizendo: «querendo lhe fazer graça e mercê pelos muitos serviços que tem feito ao infante meu senhor e padre, que Deus haja, e a mim, espero que ao deante fará.»

Quem era esse João Vaz Côrte Real, que assim era galardoado e que serviços relevantes eram esses que havia prestado para receber tal galardão?

Era um homem que, nesse mesmo anno de 1472, vinha de chegar da Terra Nova ou Terra dos Bacalhaus, trazendo essa nova descoberta americana para a corôa portugueza, vinte annos antes de Colombo aportar ás Antilhas.

As provas desta descoberta de João Vaz não escasseiam e encontram-se:

1.º—Na carta relativa á America do Norte do Atlas de Fernão Vaz Dourado, existente na Torre do Tombo, onde se lê, na parte referente á Terra Nova, a seguinte designação: B. de João, Terra de João Vaz.

2.º—No mappa-mundi do Atlas de Jomard, feito em pergaminho por ordem de Henrique II da França (1547-1559), onde a mesma designação para a Terra Nova se encontra.

3.º—No mappa-mundi de Mercator, do mesmo Atlas de Jomard, onde vem por extenso, designando a Terra Nova—Terra de Joam Vaz, Rio de Joam Vaz.

4.º—Num manuscripto feito entre 1672 e 1711 nos Açores, onde melhor se conheciam os descobrimentos de João Vaz, no qual é encontrada a seguinte referencia á doação de d. Beatriz a João Vaz: «Estando as cousas nesta forma, morreu o capitão Bruges, não deixando herdeiros. Chegaram então á ilha dois fidalgos que vinham de descobrir a Terra do Bacalhau; estes pediram a ilha a d. Beatriz, mulher do infante d. Fernando, por serviços que lhe tinham feito, lhes fizesse mercê da capitania da ilha Terceira, a qual ella lhe concedeu. A João Vaz Côrte Real, que era um destes fidalgos, ficou a de Angra.»

5.º—Finalmente, nestes trechos das Saudades da Terra, de Gaspar Fructuoso, nascido nos Açores em 1522: «João Vaz Côrte Real, primeiro capitão da ilha Terceira da parte de Angra, por serviços que fez a el-rei de Portugal nas guerras contra Castella, andando por capitão de grossa armada; do qual dizem que foi tão grande aventureiro no mar que neste Reino não tem segundo; e alguns querem dizer que descobriu a mesma ilha Terceira e algumas partes do ponente e do Brazil, Cabo Verde, onde foi o primeiro que houve vista da ilha do Fogo... e vindo, como atrás tenho dito, João Vaz Côrte Real do descobrimento da Terra dos Bacalhaus que, por mandado de el-rei foi fazer, lhe foi dada a capitania de Angra, da Ilha Terceira e da ilha de S. Jorge... Dizem alguns que Jacome de Bruges, primeiro capitão da ilha Terceira de Jesus Christo, era flamengo... e, estando-a povoando veio ter ahi João Vaz Côrte Real... e vinha do descobrimento da Terra Nova do Bacalhau e o Jacome de Bruges o recolheu e lhe disse que lhe largaria metade da ilha, a qual acceitou, e depois Jacome de Bruges se foi para sua terra e desappareceu, de maneira que não tornou mais, e a infanta d. Beatriz, por vaga, deu a ilha ao dito João Vaz Côrte Real.»

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16 ocak 2025
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70 s. 1 illüstrasyon
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4064066407551
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