Kitabı oku: «Paixão e engano»

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Editado por Harlequin Ibérica.

Uma divisão de HarperCollins Ibérica, S.A.

Núñez de Balboa, 56

28001 Madrid

© 2017 Miranda Lee

© 2020 Harlequin Ibérica, uma divisão de HarperCollins Ibérica, S.A.

Paixão e engano, n.º 1832 - agosto 2020

Título original: The Magnate’s Tempestuous Marriage

Publicado originalmente por Harlequin Enterprises, Ltd

Reservados todos os direitos de acordo com a legislação em vigor, incluindo os de reprodução, total ou parcial.

Esta edição foi publicada com a autorização de Harlequin Books S.A.

Esta é uma obra de ficção. Nomes, carateres, lugares e situações são produto da imaginação do autor ou são utilizados ficticiamente, e qualquer semelhança com pessoas, vivas ou mortas, estabelecimentos de negócios (comerciais), feitos ou situações são pura coincidência.

® Harlequin, Sabrina e logótipo Harlequin são marcas registadas propriedades de Harlequin Enterprises Limited.

® e ™ são marcas registadas por Harlequin Enterprises Limited e suas filiais, utilizadas com licença.

As marcas em que aparece ® estão registadas na Oficina Española de Patentes y Marcas e noutros países.

Imagem de portada utilizada com a permissão de Harlequin Enterprises Limited.

Todos os direitos estão reservados.

I.S.B.N.: 978-84-1348-491-4

Conversão ebook: MT Color & Diseño, S.L.

Sumário

Créditos

Prólogo

Capítulo 1

Capítulo 2

Capítulo 3

Capítulo 4

Capítulo 5

Capítulo 6

Capítulo 7

Capítulo 8

Capítulo 9

Capítulo 10

Capítulo 11

Capítulo 12

Capítulo 13

Capítulo 14

Capítulo 15

Capítulo 16

Capítulo 17

Capítulo 18

Capítulo 19

Capítulo 20

Capítulo 21

Capítulo 22

Capítulo 23

Capítulo 24

Se gostou deste livro…

Prólogo

Sarah, sentada à frente da secretária, estava extremamente aborrecida. Ainda bem que era sexta-feira. Só faltavam duas horas para acabar a semana de trabalho e também o período de tédio no departamento de Contratos e Fusões. Não estudara Direito para preencher formulários e dizer às pessoas onde assinar. Qualquer pessoa podia fazer isso, sem necessidade de passar quatro anos a estudar para conseguir um diploma.

Ao receber a oferta de trabalho do famoso escritório de advogados Goldstein e Evans, Sarah vira-se como defensora dos desfavorecidos, imaginara-se a defender pessoas inocentes em julgamentos. No entanto, nas sete semanas que passara a trabalhar ali, não pusera os pés num único tribunal. Trabalhara durante uma semana em Transmissões, duas em Fideicomissos e Testamentos e duas no departamento relacionado com assuntos familiares, o que não fora do seu agrado, mas bastante melhor do que o que estivera a fazer nas duas últimas semanas.

Por sorte, na semana seguinte, ia trabalhar nos departamentos de Direito Penal e Direito Civil, muito mais do seu agrado. Esses departamentos tinham uma secção gratuita em que alguns advogados, os com menos experiência, trabalhavam. Desejava passar para essa secção.

Enquanto isso, voltou a fixar os olhos no ecrã do computador portátil, de volta à informação sobre um cliente que ia ao escritório para assinar um contrato de compra e venda às três da tarde. Tratava-se de uma mina de diamantes. O cliente chamava-se Scott McAllister, um magnata da indústria mineira, um homem que, segundo Bob, o seu mentor, devia reconhecer. Aparentemente, Scott McAllister aparecera na televisão com frequência ultimamente, relacionado com uma refinaria de níquel à beira da falência e cujo fecho significaria a perda de muitos postos de trabalho. No entanto, ela não costumava ver o telejornal, portanto, não sabia quem era esse homem.

No entanto, através da Internet, estava a informar-se. Scott McAllister, de nacionalidade australiana, era um dos magnatas da indústria mineira mais jovens e as suas operações incluíam minas de ferro, ouro, carvão, níquel e alumínio. Agora, ia acrescentar diamantes à lista. Aparentemente, o pai, falecido há dez anos, fora um garimpeiro fracassado. No entanto, ao morrer, o filho descobrira que duas das minas que o pai lhe deixara e que, supostamente, não valiam nada, escondiam verdadeiros tesouros. Uma delas era rica em ferro e a outra era rica em lenhite.

Segundo ela, a sorte tivera um papel importante no sucesso de McAllister. No entanto, Bob insistia que o seu cliente era um homem extremamente ardiloso que, metaforicamente, era capaz de transformar as pedras em diamantes.

– Alguns relatórios garantem que a mina de diamantes que vai comprar hoje está esgotada – dissera Bob, há um instante. – Mas um homem como McAllister não a compraria se fosse esse o caso. Tenho a certeza de que sabe alguma coisa que os donos da mina desconhecem.

Noutra página de Internet, viu uma fotografia dele em que o mais significativo era que parecia muito alto e com classe. Uns óculos de sol escondiam-lhe os olhos, mas o seu rosto era moreno, de feições duras e com um queixo que parecia esculpido em granito. Leu que Scott McAllister não era casado e não a surpreendeu. Não parecia o tipo de homem de que as mulheres gostavam, apesar da sua riqueza.

O telefone de Bob começou a tocar. Praguejando, levou o auscultador à orelha. Trinta segundos depois, voltou a praguejar.

– Desculpa – desculpou-se Bob. – É que o McAllister chegou mais cedo e os donos da mina ainda não estão cá. Além disso, também não tive tempo para ler este contrato enormíssimo. Portanto… Importas-te de me fazer um favor? Acompanha-o à sala de reuniões e oferece-lhe um café ou o que quer que seja que queira beber. Tens jeito para essas coisas.

Claro que tinha jeito. Fora a única coisa que fizera naquela maldita secção, fazer café para Bob e para os colegas dele. Em vez de advogada, parecia uma empregada. No entanto, a mãe ensinara-lhe boas maneiras, portanto, sorriu e respondeu que seria um prazer.

– És uma rapariga ótima – declarou Bob, retribuindo o sorriso.

Sarah ter-se-ia ofendido se Bob não tivesse sessenta e três anos de idade. Ela tinha vinte e cinco. Ia fazer vinte e seis nesse ano. Já não era uma rapariga!

Levantou-se, alisou-se a saia, pôs o cabelo para trás, saiu do escritório e percorreu o corredor a caminho da receção, contente por ter alguma coisa para fazer. Além disso, se fosse sincera consigo própria, devia reconhecer que sentia curiosidade por ver os olhos do tal McAllister.

Viu-o imediatamente. Estava sentado num dos sofás de couro preto espalhados pela zona da receção. Usava um fato cinzento-escuro, uma camisa branca e uma gravata azul-marinha sóbria. Tinha um braço esticado por cima das costas do sofá e uma perna cruzada por cima da outra. Os seus sapatos estavam limpos, mas gastos. A moda não era o forte daquele homem. Talvez os magnatas dos minérios não se importassem com a forma como estavam vestidos.

Infelizmente, Scott McAllister tinha os olhos fechados, mas isso permitiu-lhe ver claramente o resto daquele homem. O cabelo era castanho-escuro e usava-o muito curto, mais nos lados do que por cima da cabeça, o que lhe dava um aspeto muito viril. Tinha o nariz maior do que parecia na fotografia que vira, mas não destoava com o resto do rosto. A boca era grande e o lábio inferior era mais cheio do que o superior, mas não conseguia suavizar o aspeto do seu semblante.

Mesmo antes de abrir os olhos, Sarah percebeu que Scott McAllister não era um homem convencionalmente bonito, mas pareceu-lhe extremamente atraente. O que era estranho, já que nunca gostara de homens tão viris. Intimidavam-na. Preferia homens magros, de beleza elegante e com mais cérebro do que músculos.

Parou a um metro dos pés dele e pigarreou.

– Senhor McAllister?

As pálpebras dele abriram-se e, finalmente, viu esses olhos.

Uns olhos cinzentos com umas pestanas surpreendentemente compridas. Não eram uns olhos duros, mas frios. No entanto, eram calorosos ao mesmo tempo. E, quando esses olhos se fixaram nela, fizeram-na suster a respiração ao mesmo tempo que as suas faces coravam. Que vergonha!

– Sim, sou eu – confirmou, levantando-se. Era muito mais alto do que ela, que media um metro e setenta e usava saltos.

Deitou a cabeça para trás para lhe ver o rosto e sentiu a boca seca. Contendo um gemido, humedeceu os lábios com a língua e tentou adotar um ar sofisticado.

– Os donos da mina ainda não chegaram – informou Sarah, com um sorriso frio. – O senhor Katon pediu-me para tratar de si até chegarem.

McAllister limitou-se a olhar para ela sem retribuir o sorriso.

Sarah sentiu um calor profundo e intenso, acompanhado por um desejo de fazer e dizer as coisas mais ridículas que podiam imaginar-se. Teve de fazer um esforço desonesto para se controlar.

– Siga-me, por favor – sugeriu ela, fingindo uma cortesia fria.

– Querida, seria capaz de te seguir até ao inferno – disse ele, enquanto esses lábios cruéis esboçavam um sorriso.

Sarah ficou boquiaberta. Podia dizer o mesmo a respeito dele.

Capítulo 1

Sidney, quinze meses mais tarde…

Scott, de pé junto da janela atrás da secretária, observou a vista. Embora a vista não tivesse nada de especial. O edifício em que se encontrava o escritório central da McAllister Mine estava situado a sul do centro de Sidney, não na parte mais pitoresca da cidade, junto do porto. De onde estava, não se via o mar nem a Casa da Ópera, nem os bonitos parques e jardins. Ali, só se viam arranha-céus anódinos e ruas cheias de trânsito.

Embora nada conseguisse acalmá-lo naquela segunda-feira de manhã. Nunca se sentira assim. Chorara a morte do pai, mas a morte era mais fácil de aguentar do que a traição. Continuava sem conseguir acreditar que Sarah lhe fizera aquilo. Só estavam casados há um ano. No dia anterior fora o primeiro aniversário do seu casamento. E embora ele nunca tivesse confiado plenamente numa mulher, Sarah parecera-lhe muito diferente das mulheres responsáveis pelo seu cinismo. Sim, muito diferente. Por isso, era incrível que o tivesse enganado.

Recebera o texto com as fotografias na sexta-feira à tarde, pouco depois do fim da reunião que tivera com um multimilionário de Singapura que se encontrava na Costa de Ouro e que podia ajudá-lo a resolver os problemas de entrada e saída de dinheiro. Por sorte, estivera sozinho nesse momento e ninguém presenciara o seu estado de choque inicial. Mas, a pouco e pouco, reconhecera a validade das provas. As fotografias tinham incriminado Sarah claramente. Todas elas tinham a data e a hora em que tinham sido tiradas. Na tarde desse mesmo dia, na sexta-feira anterior.

E todas elas vinham acompanhadas de uma mensagem: «Pareceu-me que poderias gostar de saber o que a tua esposa faz quando estás ausente». Assinado: «Um amigo.»

Não achava que fosse um amigo. Era um inimigo no mundo dos negócios ou uma colega invejosa de Sarah. A esposa costumava despertar a inveja de outras mulheres… e os ciúmes do marido. O que não significava que Sarah fosse inocente. Não lhe custara muito reconhecer que a esposa tinha relações com esse homem bonito e bem vestido que aparecia nas fotografias.

Era a primeira vez que Scott sentia esses ciúmes sombrios e essa fúria que o tinham levado a deixar a secretária, Cleo, na Costa de Ouro para concluir a negociação em seu nome. Como desculpa, dissera que Sarah estava indisposta e apanhara um avião para ir para casa e enfrentar a esposa adúltera.

Mas não a enfrentara imediatamente. Porquê? Por sentimento de culpa? Por vergonha?

A sua intenção fora falar com Sarah imediatamente. Ainda albergara a esperança de que houvesse uma explicação lógica a respeito de semelhante pesadelo. Contudo, ao entrar em sua casa, Sarah precipitara-se para os seus braços, contente por ter voltado tão cedo. Beijara-o apaixonadamente, com mais ardor do que de costume. Embora a sua vida sexual tivesse sido mais do que satisfatória até àquele momento, Sarah não era agressiva no que se referia ao sexo. Esperava sempre que ele desse o primeiro passo, que tivesse o controlo. No entanto, naquela noite, não fora assim. Naquela noite, Sarah mostrara-se atrevida, acariciara-o intimamente e beijara-lhe o sexo.

«Culpada», decidiu, ao pensar atentamente nisso.

Contra toda a razão, quando Sarah adormecera depois de uma maratona sexual cansativa, fora ele que se sentira culpado. Uma loucura. De que podia sentir-se culpado? Sarah era a culpada. Sarah era a adúltera, não ele.

Sarah mentira-lhe descaradamente ao contar-lhe o que fizera naquele dia: Fora comprar-lhe um presente maravilhoso de aniversário à tarde. No entanto, ele sabia perfeitamente o que Sarah estivera a fazer na sexta-feira à tarde.

Levantara-se da cama, fora para o escritório, começara a beber e, no fim, adormecera no sofá, completamente ébrio.

Fora lá que Sarah o encontrara na manhã seguinte. E fora lá que tinham tido o confronto terrível…

Fora horrível. Ainda se surpreendia com as acusações que Sarah lhe fizera. No fim, Sarah fora-se embora. E não voltara.

No domingo à noite, Scott vira-se obrigado a aceitar que talvez Sarah não regressasse.

O que devia tê-lo agradado, mas era exatamente o contrário. Apesar de ser um homem que não tolerava ter uma esposa em quem não podia confiar, havia a possibilidade de não ser o que parecia e de ter cometido um erro grave.

Afastou os pensamentos ao ouvir alguém a bater à porta.

– Sim? – perguntou Scott, afastando-se da janela.

Cleo entrou discretamente e lançou-lhe um olhar extremamente significativo. A sua expressão mostrava preocupação. Contara a Cleo o que acontecera. Cleo era a sua secretária e não lhe escapava nada. Depois de três anos a trabalhar juntos, Cleo também era sua amiga e mostrara-se ainda mais surpreendida do que ele. Na verdade, Cleo declarara que não acreditava que Sarah tivesse sido infiel:

– Não é possível que a Sarah te tenha enganado, Scott. Essa rapariga adora-te!

Sim, fora o que ele pensara, mas, evidentemente, enganara-se. Teria mostrado a Cleo as fotografias que incriminavam Sarah, mas já não as tinha. Entregara o telemóvel em questão ao chefe de segurança da sua empresa no sábado à tarde para que investigasse o assunto.

Mostrar as fotografias da sua esposa com outro homem a Harvey fora humilhante. No entanto, não tivera outro remédio senão descobrir a autenticidade das fotografias e a identidade de quem as enviara. Além disso, queria saber o possível a respeito do homem que aparecia ao lado da esposa.

O homem que aparecia nas fotografias era bonito, embora não tão forte como ele, mas bastante magro. Elegante e muito bem vestido.

– O Harvey acabou de ligar para dizer que já sobe – informou Cleo, afastando-o dos seus pensamentos sombrios. – Queres que vos faça um café?

– Por enquanto, não. Obrigado, Cleo. Ah e também quero agradecer-te por me substituíres na sexta-feira. Não sei o que faria sem ti.

Cleo encolheu os ombros.

– Receio que não tenha servido de muito. O investidor deixou muito claro que não queria fazer acordos com uma mulher, sobretudo, com uma com menos de trinta anos. No entanto, se a minha opinião te servir de alguma coisa, acho que não devias aceitar o seu dinheiro. Não gosto nada desse tipo, tem um olhar muito esquivo.

Scott sorriu ironicamente. Cleo tinha o costume de julgar as pessoas pelo seu olhar. E não costumava enganar-se. Várias vezes, os conselhos de Cleo tinham-lhe evitado erros custosos. Cleo gostava muito de Sarah, considerava-a uma rapariga encantadora. Supunha que não pudesse acertar-se sempre.

– Nesse caso, vou apagá-lo da lista de possíveis sócios – declarou Scott.

– Sim, será o melhor. No entanto, tens de encontrar outro e com a maior rapidez possível, Scott. Caso contrário, vais ter de fechar a refinaria de níquel e talvez a mina também. Não podem continuar a funcionar com perdas durante muito mais tempo.

– Sim, eu sei – respondeu ele. – Porque não começas a investigar possíveis investidores? Talvez alguém da Austrália… Ah, aqui está o Harvey. Olá, Harvey, entra.

Cleo deixou-os e Harvey entrou no escritório com uma expressão impenetrável. Harvey tinha cinquenta e muitos anos, era um homem alto e corpulento e completamente careca. Tinha um rosto atraente, lábios firmes e olhos azuis frios. Fora polícia durante vinte anos e investigador privado durante outros dez anos, antes de entrar na sua empresa para ocupar o lugar de supervisor do departamento de segurança. O seu físico impressionante tornava-o uma escolta excelente, tarefa que desempenhara várias vezes para o proteger. Ser um magnata da indústria mineira tinha os seus perigos, sobretudo, quando tinha de fechar alguma mina, mesmo que fosse apenas temporariamente.

Harvey, que usava umas calças de ganga e um casaco de couro preto, também era um perito em informática, algo de valor incalculável nos tempos que corriam.

Scott fechou a porta do escritório e indicou a Harvey que se sentasse numa das duas poltronas situadas à frente da sua secretária.

– O que descobriste? – perguntou Scott, sem preâmbulos.

Os olhos de Harvey quase mostraram compaixão e Scott teve de conter uma náusea.

– A julgar pela tua expressão, receio que não sejam boas notícias.

– Não.

– Vá lá, conta-me.

Harvey inclinou-se para a frente e deixou o telemóvel de Scott em cima da secretária, antes de voltar a recostar-se.

– Mas vamos por partes – disse Harvey. – O telemóvel que foi usado para te enviar essas fotografias não pôde ser rastreado.

– Já o suspeitava – disse Scott. – As fotografias são verdadeiras?

– Sim. Não foram manipuladas.

– E a data e a hora em que foram tiradas?

– Também verdadeiras. Confirmei-o ao examinar a filmagem da câmara de segurança do hotel. O estabelecimento tem câmaras por todo o lado.

– Que hotel é esse?

– O Regency.

Scott sentiu um nó no estômago. O Regency era um hotel de cinco estrelas que era muito perto do local de trabalho de Sarah.

– O que mais descobriste? – perguntou Scott, resignado a continuar a receber más notícias.

– Falei com um dos empregados do hotel que estava a trabalhar na sexta-feira à tarde. Lembra-se da Sarah.

Naturalmente, pensou Scott. Só um cego não repararia nela. Sarah era uma rapariga deslumbrante de cabelo loiro, olhos azuis grandes e uma boca irresistível. Apesar de ser magra, tinha curvas e vestia roupa muito feminina.

Scott nunca esqueceria o momento em que vira Sarah pela primeira vez. Fora há exatamente quinze meses. Nos escritórios da Goldstein e Evans, o escritório de advogados de Sidney que costumava usar para assinar os seus contratos. Apaixonara-se por ela imediatamente, fora amor à primeira vista. Uma semana mais tarde, durante o seu terceiro encontro para jantar, Sarah confessara-lhe que sentia o mesmo.

E Scott acreditara. Três meses depois, casaram-se. E agora, um ano mais tarde, parecia que Sarah ia tornar-se a sua ex-esposa.

Scott pigarreou.

– O que é que o empregado te disse?

– Disse-me que pareciam ter uma relação íntima. Sentaram-se num canto do estabelecimento, não beberam muito e limitaram-se a falar. Quinze minutos depois, levantaram-se e foram-se embora.

– Entendido – disse Scott, num tom cortante.

Tanto Harvey como ele sabiam para onde Sarah e o amigo tinham ido. As fotografias demonstravam-no. O homem fora ao balcão da receção e reservara um quarto. Depois, ambos tinham apanhado o elevador, tinham ido para o quarto e tinham saído quarenta e cinco minutos mais tarde.

– No entanto, o empregado disse que nunca a tinha visto lá – acrescentou Harvey.

Mas havia muitos outros hotéis em Sidney.

– No entanto, conhecia o tipo – continuou Harvey. – Tinha-o visto lá com outra mulher em várias ocasiões. Uma morena.

– Descobriste quem é?

– Sim. Chama-se Philip Leighton. Trinta e tal anos. Advogado.

– E trabalha na Goldstein e Evans, engano-me?

– Não, não te enganas. O seu trabalho concentra-se em assuntos de família e especializou-se em divórcios. Fundamentalmente, encarrega-se dos divórcios de pessoas ricas. Também procede de uma família com dinheiro. O pai dele é senador. Segundo os rumores, o senhor Leighton quer envolver-se na política. Não é casado e não tem namorada estável. Segundo um colega de trabalho com que falei esta manhã, é um playboy.

Scott, repentinamente, sentiu uns ciúmes enormes. Não suportava que o tratassem como um tolo e Sarah fizera-o. No sábado de manhã, a indignação que Sarah mostrara fora apenas uma arma para esconder a culpa. A verdade era que Sarah se deixara seduzir por um descarado.

«Talvez, se não tivesses feito tantas viagens de negócios, isto não tivesse acontecido…»

Não, nada disso, o comportamento de Sarah não tinha desculpa!

– Mais alguma coisa que tenhas a dizer a respeito da minha esposa e do tal Leighton?

– Só que não foi ter com ele depois de sair da tua casa no sábado. O Leighton tem uma casa na zona residencial da Costa Norte de Sidney, a Sarah não foi vista por lá.

– Talvez tenha ido para casa do Cory – murmurou Scott. – É o melhor amigo dela, conheceram-se na universidade.

Scott não deu mais explicações, sobretudo, porque não sabia muito em relação à amizade da sua esposa com o jovem arquiteto. De repente, percebeu que, na verdade, não sabia grande coisa sobre a esposa. Sarah contara-lhe que a mãe já não era viva e que não tinha contacto com o pai ou com o irmão, mais velho do que ela. Os pais tinham-se divorciado, não amigavelmente, e o irmão ficara do lado do pai, apesar das infidelidades dele.

Scott não tentara indagar mais no passado de Sarah. Também não lhe perguntara em relação à natureza da sua amizade com Cory, principalmente porque Cory não o preocupava. Na verdade, gostava de Cory e vice-versa.

«Suponho que, agora, depois de a Sarah lhe ter falado da sexta-feira à noite, já não goste de mim», pensou Scott. Porque de certeza que Sarah lhe teria contado. Tudo. Quando Cory e Sarah estavam juntos, pareciam dois adolescentes.

De repente, Scott desejou ficar sozinho para fazer algumas pesquisas sozinho. Portanto, levantou-se, deu a volta à secretária e ofereceu a mão a Harvey.

– Obrigado, Harvey. Agradeço-te por tudo o que fizeste.

– De nada, chefe – replicou Harvey, apertando a mão que Scott lhe estendia. – Lamento não ter podido dar-te melhores notícias.

– A vida não é fácil, Harvey.

Nem o amor. Porque ainda amava a esposa infiel. E não sabia porquê!

Assim que Harvey se foi embora, Scott agarrou no telemóvel pessoal e marcou o número do emprego de Sarah. Quando lhe disseram que Sarah não fora trabalhar, alegando estar doente, não soube o que pensar. Sarah nunca faltava ao trabalho. Adorava o que fazia, sobretudo, agora que se encarregava, de forma permanente, dos casos de pessoas sem meios para pagar um advogado. Encarregara-se de vários casos, entre eles, um sobre uma demissão injusta e outros sobre discriminação de género. Ganhara a maioria deles. Não, não era próprio de Sarah faltar ao trabalho.

Scott franziu o sobrolho. Sarah devia estar muito incomodada, sem dúvida. Mas… por causa dele ou por causa do seu próprio comportamento? Talvez só tivesse sido infiel uma vez. Talvez se arrependesse do que fizera.

Subitamente, outra ideia apareceu na sua mente. Algo horrível. E se Sarah fugira com o tal Leighton?

O coração pareceu querer sair-lhe do peito quando fez a pergunta seguinte à rececionista:

– E o senhor Leighton? Está no escritório?

– Sim, está, sim. Deseja falar com ele?

– Não, agora não, obrigado – respondeu Scott, com firmeza e um grande alívio.

Mas falaria com ele. Não tinha dúvidas de que fora Leighton que dera o primeiro passo. Sarah, pela sua personalidade, não tinha tendência para a infidelidade.

Ou sim?

Estava claro que não conhecia bem a esposa.

Abanando a cabeça, ligou para o telemóvel de Sarah. Surpreendeu-o ver que não estava desligado, embora estivesse ocupado. Com quem estaria a falar? Com Cory? Com o descarado do seu amante? E onde estava? O mais certo era que continuasse em casa de Cory.

Consciente de que não podia continuar a pensar nisso sem fazer nada, Scott tomou uma decisão. Tinha de enfrentar Sarah mais uma vez. Agarrou no casaco, vestiu-o, saiu do escritório e aproximou-se da secretária de Cleo, que olhava para o ecrã do computador com o sobrolho franzido.

– Tenho de sair, Cleo. Cancela todos os compromissos que tenho esta tarde e tira o resto do dia. Mereces.

Cleo levantou os olhos e suspirou.

– Não vais fazer nenhuma tolice, pois não, Scott?

– Não, hoje, não. Fiz a maior tolice da minha vida há um ano. – Quando se casara com uma rapariga que não conhecia bem, uma rapariga fora do comum.

Porque, quando conhecera Sarah, ela era virgem.

Capítulo 2

– Tens a certeza de que não queres que te leve, querida? – perguntou Cory. – Vais precisar que alguém te ajude a levar as coisas. Posso tirar o resto do dia, isso não é um problema. Temos um horário flexível.

– Obrigada, Cory, mas prefiro fazê-lo sozinha.

– De certeza que o Brutus não estará lá?

Sarah pestanejou ao ouvir a alcunha que Cory dera a Scott, embora não porque não fosse apropriada. O que Scott fizera na sexta-feira à noite em nome da paixão fora uma brutalidade. Sentiu um nó no estômago ao recordar que ela não só o permitira, como também desfrutara. Sim, isso era o pior. Adorara que Scott a devorasse e encorajara-a com súplicas e rogos.

Na manhã seguinte, ao descobrir que o comportamento de Scott se devia aos ciúmes e à ansiedade de vingança, a sua surpresa transformara-se rapidamente em fúria.

– Não é possível que acredites que o Scott não foi trabalhar – disse Sarah, com amargura. – Acredita em mim, nem uma bomba atómica o manteria afastado do seu escritório adorado numa segunda-feira de manhã.

– A julgar pelo que me contaste, no sábado, foi como se tivesse rebentado uma bomba atómica.

Sarah não costumava zangar-se. Mas quando se zangava…

– Não consegues imaginar como estava furiosa!

– Não tenho de imaginar, querida, vi-o quando apareceste em minha casa. Bom, estavas furiosa até começares a chorar. Todo o fim de semana a chorar. Achei que ia precisar de um colete salva-vidas.

– Por favor, Cory, não tentes fazer-me rir. Esse homem partiu-me o coração. O que fez foi imperdoável.

– Porquê? Porque se comportou como muitos homens se comportariam na sua situação? Quando descobri que o Felix estava a enganar-me, apetecia-me mais estar com ele do que nunca.

– Mas não estavas apaixonado pelo Felix e eu não enganei o Scott!

– Mas parecia…

– Eu sei. Eu sei – concedeu Sarah, com um gemido.

– Acho que devias ligar ao Scott e explicar porque estavas nesse hotel com o teu amigo advogado. Ao fim e ao cabo, tu própria me disseste que essas fotografias eram bastante incriminatórias.

– E depois? O Scott pede-me desculpas e não aconteceu nada? Não, nem pensar, Cory.

– Ah, desculpa, já me esquecia de que és escorpião. Os escorpiões não perdoam nem esquecem. Na verdade, paraste para pensar em quem enviou essas fotografias ao Scott?

Sarah suspirou.

– Passei toda a manhã a pensar nisso.

– Achas que pode ter sido alguém do teu emprego?

– Não sei, não consigo pensar em ninguém.

– Evidentemente, tem de ser alguém que te odeia. Ou talvez seja mais provável que se trate de alguém que odeia o Scott.

– Talvez seja a mesma pessoa que contou ao Phil esses rumores sobre o Scott e a Cleo – disse Sarah.

– Sim, deve ser isso – respondeu Cory, animado. – Desde o começo, disse-te que era uma armadilha. Caso contrário, como é que essa pessoa, homem ou mulher, podia estar presente no momento e no lugar adequado para tirar as fotografias? Demasiada coincidência. Acho que foi alguém com quem trabalhas, Sarah, alguém que vos viu a sair juntos para almoçar e vos seguiu.

– Mas… Quem?

– Não sei. A única coisa que sei é que, se permitires que isto arruíne o teu casamento, permitiste que essa pessoa que conseguisse o que queria.

– Foi o Scott que destruiu o nosso casamento – declarou Sarah. – A questão é que o Scott não me ama e não confia em mim. Recusou-se a ouvir-me. Para ele, fui apenas um enfeite e uma mulher com quem podia ir para a cama das poucas vezes que estava em casa. Coisa que mal aconteceu durante os últimos seis meses. E eu que achava que tinha vindo na sexta-feira para celebrar o aniversário do nosso casamento comigo! Que iludida!

– Estou a ver que continuas zangada com ele.

– Claro. Enfim, tenho de ir. O pessoal da limpeza já deve ter-se ido embora e quero fazer tudo e ir-me embora antes de o Brutus voltar para casa.

– Agora, também lhe chamas Brutus – comentou Cory, ironicamente.

– Sim, acho que a alcunha lhe fica bem.

– Suponho que saibas que o ódio é a outra face do amor, não é?

– Sim, claro que sei. Bom, Cory, vou indo. Até esta noite.

– Levo comida chinesa para o jantar – replicou Cory. – E uma garrafa de um bom vinho.

– Estupendo. Obrigada.

Os olhos encheram-se de lágrimas. Cory era um grande amigo. E muito terno. Não sabia o que teria sido dela no fim de semana se não fosse por Cory.

Sarah não tinha muitos amigos. Ao entrar na universidade, perdera o contacto com as amigas da escola. O mesmo acontecera quando a pobre mãe morrera no fim do seu primeiro ano na universidade. Incapaz de estudar, tirara um ano sabático para viajar por todo o mundo. Ao regressar a Sidney dois anos depois, também perdera o contacto com os antigos colegas de curso. Uma depressão durante o seu primeiro ano sabático impedira-a de manter o contacto com os amigos. Mal recordava a sua viagem pela Europa. Era tudo impreciso.

Começara a sentir-se melhor ao chegar à Ásia, talvez pela simpatia e amabilidade do povo. As crianças de lá eram adoráveis. Viajar pela Índia, pela Tailândia e pelo Vietname fora a cura para a sua depressão e também diminuíra a sua hostilidade para com os homens.

Ao voltar a Sidney, reatara os seus estudos e até se atrevera a pensar na possibilidade de dar uma oportunidade ao sexo oposto, embora ainda sem intenção de ir para a cama com um homem sem mais nem menos. Por sorte, durante o primeiro semestre na faculdade ao regressar a Sidney, conhecera Cory.

Sarah sorriu ao recordar que, ao princípio, pensara na possibilidade de Cory ser o homem da sua vida. Cory não só era divertido, como também era extremamente bonito: Loiro, olhos azuis e musculado. E embora não a tivesse enlouquecido sensualmente, nesses tempos, não sabia o que era estar louca por um homem e parecera-lhe atraente. Depois de saírem juntos e de irem a festas durante algum tempo, Cory confessara-lhe que era homossexual. Aparentemente, nem sequer Cory o reconhecera até há pouco tempo, por medo de que os pais o rejeitassem. Mas os pais, felizmente, tinham-no aceitado como algo natural.

Sarah resignara-a a permanecer virgem durante o resto da sua vida. Porque não estava disposta a ir para a cama com um homem que não amasse e em quem não confiasse. O homem com quem fizesse amor tinha de ser como Cory, mas heterossexual: Atraente, inteligente e carinhoso. Nem sequer Phil, que era extraordinariamente bonito e extremamente inteligente, a atraíra. Além disso, com trinta e cinco anos, parecera-lhe demasiado velho.

Contudo, quando Scott McAllister aparecera na sua vida, todas as suas ideias sobre o amor mudaram. Para começar, Scott parecia mais velho do que Phil, embora fossem da mesma idade. Scott não era bonito no sentido clássico da palavra e também não tinha estudos universitários. Na verdade, só tinha estudos elementares, já que passara a adolescência a acompanhar o pai nas suas viagens de uma mina para outra.

Apesar de ser obviamente inteligente e de ter obtido o sucesso sozinho, Scott tinha mais dinheiro do que maneiras e não desperdiçava as palavras nem o tempo. Com um corpo plenamente em forma, Scott McAllister era um homem muito viril e pouco subtil.

Ainda recordava o dia em que o conhecera. O olhar cinzento gélido de Scott percorrera-a dos pés à cabeça com um desejo evidente. O seu corpo parecia ter ardido. E, a partir desse momento, entregara-se a ele. Cinco minutos depois de a conhecer, Scott convidara-a para jantar e ela dissera que sim. Depois de sair três vezes com ele, sucumbira.

É claro, Scott ficara perplexo ao descobrir que era virgem. Mas não o desagradara. De facto, confessara que era a primeira vez que ia para a cama com uma virgem.

Sarah não demorara a tornar-se viciada nas carícias apaixonadas e ternas de Scott. Adorara sentir-se segura entre esses braços fortes, amada. Sentir-se amada era tão importante como o prazer do sexo com Scott.

Mas, na sexta-feira anterior, tudo mudara.

– Não penses mais nessa noite se não queres enlouquecer, Sarah – repreendeu-se.

Abanando a cabeça, Sarah foi buscar a mala e as chaves do carro. Dez minutos depois, no carro, a caminho da ponte do porto, fez mentalmente uma lista do que tinha de levar da casa: Roupa, cosméticos, artigos de higiene pessoal… Ia levar o que precisaria com urgência e deixaria para mais tarde o resto dos seus pertences.

Mas… E se só dispusesse desse dia? E se Scott mudasse a fechadura da porta? Podia ser um comportamento próprio de Scott, um homem que não suportava que o enganassem e muito menos que o traíssem. Por muito que lhe custasse admiti-lo, naquelas fotografias, Phil e ela pareciam amantes.

Sarah seguiu pela saída em direção a McMahon’s Point. A sua resolução estava a dissipar-se ao ver o edifício alto em que se encontrava o apartamento que fora o seu lar durante o último ano. Um lar feliz, apesar das ausências constantes de Scott. Compreendia as dificuldades que Scott enfrentava naqueles últimos meses. A indústria mineira passava por dificuldades e o preço dos metais estava mais barato do que nunca. No entanto, incomodava-a que estivesse sempre a viajar, apesar de os seus regressos serem sempre extraordinários. A sexta-feira anterior fora excecional e, no sábado de manhã, acordara com um sorriso enorme no rosto.

É claro, ignorara o motivo verdadeiro do apetite sexual insaciável de Scott na noite de sexta-feira. Também se alegrara por ter adotado um papel mais ativo na relação sexual. Contente e satisfeita, vestira-se e fora procurar o marido no sábado de manhã, pensando que tinham o fim de semana todo pela frente…

Sarah deixou escapar um gemido ao recordar o confronto que tivera lugar ao encontrar Scott.

– Descarado! – exclamou, zangada, enquanto descia a rampa da cave em que era o estacionamento do edifício.

Apesar de ter dito a Cory que não duvidava que Scott estivesse no escritório, sentiu um grande alívio ao ver que o carro dele não estava no estacionamento. Estacionou o seu, vermelho, e dirigiu-se para os elevadores para subir para o apartamento luxuoso que Scott comprara uma semana antes do seu casamento. Claramente, com intenção de a impressionar. E conseguira.

Não era nas águas-furtadas, mas o apartamento por baixo das águas-furtadas, enorme e com terraços à volta que gozavam de umas vistas fantásticas. As janelas da sala de estar principal davam para a ponte do porto e, a certa distância, via-se a Casa da Ópera. O quarto principal gozava da mesa vista.

O apartamento contava com dois quartos de convidados, para além do principal, cada um com uma casa de banho privada. Também tinha duas salas de estar, uma sala com cinema, outra casa de banho, um ginásio e uma cozinha suficientemente grande para permitir que os empregados da empresa de cateringue, que ela costumava contratar quando dava festas em casa, se mexessem à vontade. Ultimamente, dava festas uma vez por mês, no mínimo.

Quando Sarah entrou no apartamento, parou no vestíbulo amplo de chão de mármore e recordou como se sentira impressionada com aquela casa da primeira vez que entrara. Apesar de provir de uma família de classe média, o tamanho e o luxo dos espaços daquela propriedade tinham-na espantado.

Sarah dirigiu-se por um corredor alcatifado para ir ao quarto principal. Ao entrar no que fora a divisão de que mais gostava na casa, evitou olhar para a cama. Não queria recordar o sábado de manhã, com os lençóis manchados de óleo e o lenço azul na cabeceira. No entanto, não pôde evitar recordar, com uns arrepios de prazer, o momento em que Scott lhe atara os pulsos com o lenço e como, depois de lhe cobrir o corpo com óleo, demonstrara o seu conhecimento sobre os sonhos eróticos de algumas mulheres.

«Para de pensar na sexta-feira passada!», ordenou-se. «Agarra nas tuas coisas e vai-te embora!»

Sarah apressou os passos na alcatifa espessa e creme e entrou no closet, de onde tirou as duas malas grandes que tinham levado ao Havai na sua viagem de lua de mel.

No Havai, tinham sido felizes, muito felizes. Talvez tivesse sido apenas uma miragem, uma ilusão. Talvez os rumores sobre Scott e Cleo fossem verdadeiros.

Não, não podia ser. Recusava-se a acreditar. Não acreditara quando lhe tinham contado e não ia acreditar agora.

«Mas, se não acreditavas, porque foste a correr para a casa de banho do hotel e vomitaste depois de o investigador privado te ter dito que não tinha descoberto nenhuma prova de que o Scott e a Cleo estavam a ter relações?»

A verdade era que acreditara nos rumores. Costumava acreditar que a maioria dos maridos enganava as esposas e que estas costumavam perdoar. Não sabia o que teria feito se o investigador privado lhe tivesse apresentado provas de que Scott e Cleo tinham relações. Tê-lo-ia enfrentado? Tê-lo-ia deixado? Ia deixar Scott agora?

Evidentemente, o marido achava que lhe fora infiel e, quase com toda a certeza, quereria o divórcio. Scott via tudo a preto e branco, o que era uma das suas virtudes e um dos seus defeitos. Embora admirasse a sua retidão, honestidade e integridade, para ele, não havia ambiguidades. Scott não perdoava facilmente se achava que o tinham traído e estava convencido de que o enganara.

Sarah decidiu abandonar aqueles pensamentos inquietantes e, ao virar-se para tirar os vestidos dos cabides, viu-se refletida no espelho da parede do fundo do closet. Que horror! Tinha um aspeto terrível! O seu cabelo estava um desastre e, de repente, sentiu a necessidade urgente de o lavar e de usar o suavizante magnífico que tinha. Além disso, não havia perigo de Scott aparecer em casa e de a surpreender nua no duche.

No entanto, despachou-se, queria sair dali o mais depressa possível.

Capítulo 3

Quando Scott viu o carro de Sarah no estacionamento da sua casa, a frustração que sentira ao não a encontrar em casa de Cory aumentou. Sarah não faltara ao trabalho por motivos de saúde, mas para ir buscar a roupa e tudo o que precisasse enquanto ele, supostamente, estava no escritório. Conhecia muitos homens que tinham passado exatamente por isso: Ao voltar a casa, tinham descoberto que as esposas a tinham esvaziado.

Subiu no elevador e entrou na casa, furioso, mas, imediatamente, reparou que não faltava nada. Os quadros continuavam a enfeitar as paredes e outros artigos de decoração estavam no seu lugar.

No entanto, ao gritar o nome dela, não obteve resposta.

E se lhe devolvera o carro que lhe oferecera e se fora embora de táxi para quem sabe onde?

A ideia de Sarah se ter ido embora para sempre, sem lhe dar a oportunidade de descobrir a verdade, fê-lo sentir-se doente.

Foi então que, vagamente, ouviu o barulho do duche ao longe. Dirigiu-se imediatamente para o quarto e, uma vez lá, viu que a porta da casa de banho estava fechada. Sarah estava a tomar um duche.

Para além de alívio, embargaram-no muitas outras emoções ao mesmo tempo que se questionava: Sarah desejava uma reconciliação? Esperava que a perdoasse?

Ao desviar o olhar, viu que a porta do closet estava aberta. Aproximou-se e fechou as mãos em dois punhos ao ver duas malas no chão. Aparentemente, Sarah não procurava a reconciliação. Muito bem, a única coisa que ele queria e exigia era uma explicação.

Durante o fim de semana, reconhecera que, ultimamente, ignorara Sarah. Ausentara-se com frequência e não lhe prestara atenção suficiente. O comportamento de Sarah na sexta-feira à noite fora prova disso. Parecera outra mulher: Rendida, lasciva e atrevida. O tipo de mulher que qualquer homem desejaria e que um marido não conseguiria esquecer.

Scott deixou escapar um gemido face à possibilidade de Sarah ter estado a pensar noutro enquanto fazia amor com ele na sexta-feira. Podia ter estado a pensar no homem com quem se encontrara à tarde e com quem, possivelmente, se encontrava cada vez que ele ia de viagem de negócios.

Com esses pensamentos sombrios, Scott despojou-se do casaco e da gravata, desabotoou o botão superior da camisa, tirou os sapatos e deitou-se na cama. Sentia nós no estômago enquanto esperava que aquela mulher infiel saísse da casa de banho. No entanto, mentalmente, a sua atitude era dura e fria.

Sarah limpou-se rapidamente e vestiu o robe de seda cor-de-rosa que pendia do cabide da porta da casa de banho. Não era uma roupa excessivamente atrevida, mas bonita e ao estilo de um quimono. Secou o cabelo com o seu secador, muito melhor e mais eficaz do que o de Cory. E com melhores resultados, pensou, enquanto passava os dedos pelos seus caracóis compridos e sedosos, antes de abrir a porta.

Assustou-se ao ver Scott deitado na cama. Tinha as mãos atrás da cabeça e as pernas cruzadas à altura dos tornozelos. Parecia relaxado, mas o seu olhar cinzento era gélido.

– Estou a ver que não tencionas ficar – murmurou ele, num tom tão frio como os seus olhos.

Sarah não sabia o que dizer. O medo secara-lhe a garganta e o coração acelerava. Scott nunca a assustara… até àquele momento.

– Não – respondeu ela, num tom que parecia um grasnido. – Só vim… buscar a minha roupa.

Scott descruzou as pernas e sentou-se bruscamente.

– Não tens de ter medo, Sarah. Nunca te magoaria. Achava que sabias.

– Na sexta-feira à noite, magoaste-me – acusou ela.

– Vá lá, sabes que isso não é verdade – defendeu-se Scott, levantando-se. – Divertiste-te como nunca. Portanto, por favor, não acrescentes a hipocrisia ao adultério.

Sarah levantou a mão para lhe dar uma bofetada, mas Scott agarrou-a antes de conseguir bater-lhe.

– Vá lá, Sarah, vamos comportar-nos como adultos, pode ser?

Momentaneamente, Sarah achou que Scott ia apertá-la nos seus braços. Quando a soltou, não sabia se se sentia aliviada ou dececionada.

– Sugiro que vistas mais alguma coisa para irmos para um sítio menos… perigoso. Custa-me concentrar-me quando estás quase nua. Neste momento, e apesar de tudo, só consigo pensar em como te desejo.

A confissão de Scott deixou-a perplexa, mas o pior era que também o desejava. Não compreendia porque queria abraçar-se a ele e beijar esses lábios duros e furiosos.

Scott observou-a fixamente e, de repente, pôs-lhe as mãos nos ombros e puxou-a.

Sarah sabia que devia tê-lo impedido, mas não o fez. Limitou-se a gemer enquanto ele a beijava brutalmente, com os seus lábios e as suas ancas a trair o seu desejo.

Uma loucura. Aquilo era uma loucura, sobretudo, sabendo que Scott ainda achava que fora infiel. Contudo, nesse momento, não se importava. A única coisa que contava era viver o momento. E, nesse momento, estava ainda mais excitada do que na sexta-feira à noite.

Sarah respondeu com frenesim, dizendo sem palavras que ainda lhe pertencia, apesar do que ele achava.

Quando Scott parou de a beijar, Sarah, deixou escapar um gemido de protesto e observou-o com os olhos toldados.

– Oh, Sarah… – resmungou Scott.

E beijou-a novamente, fazendo-a perder a razão com a fúria da sua paixão. Com os lábios colados aos seus, Scott tirou-lhe o robe, enquanto ela tremia violentamente, e não de frio.

Scott agarrou-lhe o cabelo, levantou-o e puxou-lhe a cabeça para trás. Depois, ficou a olhar para ela.

– Não penses que isto significa que te perdoo – avisou ele.

– Não fiz nada que requeira o teu perdão – conseguiu responder Sarah.

Porém, ele desatou a rir-se e, depois, beijou-a mais uma vez. Beijou-a e tocou nela até sossegar qualquer possível protesto ou explicação. E, quando pegou nela ao colo e a deixou deitada de costas em cima da colcha prateada, ela ficou ali, sem se mexer, tremendo de desejo enquanto ele se despia. Depois, Scott pôs-se em cima dela, penetrou-a e ela, entre gemidos, abriu as pernas para depois lhe abraçar a cintura com elas.

Sarah mexeu-se ao ritmo marcado por Scott, gritou o nome dele e, assim, chegou ao clímax. E gritou de prazer enquanto o seu corpo se sacudia espasmodicamente.

No entanto, quando o prazer do êxtase começou a evaporar-se, recuperou a sensatez e percebeu o que acabara de fazer.

– Oh, meu Deus! – exclamou Sarah, num tom fraco.

Como pudera fazer aquilo? E porque desfrutara tanto? Pelo menos, na sexta-feira à noite, não soubera da existência daquelas fotografias nem do que Scott pensava.

O rosto de Scott mostrou uma confusão momentânea antes de os seus olhos se tornarem frios e distantes mais uma vez. Então, afastou-se bruscamente e, sem olhar para ela, levantou-se e vestiu-se. Depois, agarrou no robe dela e, com uma expressão brincalhona, atirou-lho.

– Vou à cozinha fazer café. Veste-te e vem ter comigo. Temos de falar.

Sarah vestiu-se enquanto pensava em como fazê-lo compreender que não conseguia viver com um marido que não acreditaria no que ia dizer-lhe. Não queria o perdão de Scott, queria que Scott confiasse nela!

Encontrou o marido nu da cintura para cima a mexer-se na cozinha. Que homem! Que músculos, que costas, que braços, que peito! Quando o conhecera, a sua altura e envergadura tinham-na intimidado, mas só até ao momento em que Scott lhe demonstrara como podia ser terno e carinhoso. Depois, sentira-se completamente segura nos braços dele. Mas já não. Já não lhe inspirava confiança ou segurança. Agora, quando olhava para ele, sentia um receio perigosamente excitante. Scott era perigosamente excitante. Questionou-se se fora isso que a mãe sentira pelo mulherengo do marido.

Sarah abanou a cabeça como se, assim, quisesse livrar-se desses pensamentos.

– Porque não estás no escritório? – perguntou ela, bruscamente, enquanto se sentava num dos bancos da bancada do pequeno-almoço.

Scott virou-se com duas chávenas de café fumegante e pousou-as na bancada.

– Não conseguia trabalhar, portanto, fui procurar-te – respondeu Scott. – Como não te encontrei em casa do Cory, vim cá.

Sarah recusou-se a sentir-se lisonjeada.

– Podias ter-me ligado.

– Achas que não tentei? Tiveste o telemóvel desligado durante o fim de semana todo. E, hoje, quando te liguei outra vez, estava ocupado.

Sarah baixou o olhar e fixou-o na chávena de café.

– Deve ter sido quando estava a falar com o Cory.

– Não com o Philip Leighton?

Sarah, esbugalhando os olhos, levantou o rosto e olhou para Scott fixamente.

– Não te faças de inocente comigo, Sarah. Sei quem é o homem das fotografias.

A confusão que ela sentira transformou-se em raiva.

– Fizeste com que investigassem essas fotografias, não foi?

– Esperavas outra coisa? – perguntou Scott. – Recusaste-te a contar-me, a dar-me uma explicação.

– Podia ter-te contado tudo se me tivesses mostrado as fotografias assim que chegaste a casa. Mas não o fizeste. Primeiro, saciaste-te comigo.

– Não pensaste que talvez me tivesse distraído com a paixão das tuas boas-vindas? – inquiriu Scott, com uma raiva fria a aparecer nos seus olhos. – E as tuas mentiras.

– As minhas mentiras? Que mentiras? – perguntou Sarah, sem compreender.

– Na sexta-feira, disseste-me que, à tarde, tinhas ido comprar-me um presente especial para celebrar o nosso aniversário – explicou ele, com dureza. – Mas eu sabia que, na verdade, à tarde estavas no bar de um hotel com outro homem.

Sarah corou de raiva.

– Comprei-te um presente – insistiu ela. – Na loja do hotel onde não fiz nada de que possa envergonhar-me. Posso mostrar-to, se quiseres.

– Já é um pouco tarde para isso, não achas? A menos que esteja completamente enganado, só resta o divórcio. A única coisa que posso dizer é que sinto um grande alívio por termos decidido esperar alguns anos para ter filhos. Fico contente por existir a pílula!

O coração de Sarah quase parou quando Scott mencionou a pílula, não recordava quando fora a última vez que a tomara. Na semana anterior? Há um mês?

Empalidecendo visivelmente, Sarah deixou escapar um gemido.

– O que se passa? – inquiriu Scott, furioso. – O que se passa?

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