Kitabı oku: «A princeza na berlinda»

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Urbano de Castro

A princeza na berlinda

Rattazzi a vol d'oiseau, com a biographia de sua Alteza


Publicado pela Editora Good Press, 2022

goodpress@okpublishing.info

EAN 4064066406448

Índice de conteúdo

RATTAZZI A VOL D'OISEAU

URBANO DE CASTRO CHA-RI-VA-RI

A PRINCEZA

NA BERLINDA

RATTAZZI A VOL D'OISEAU

BIOGRAPHIA


RATTAZZI A VOL D'OISEAU

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URBANO DE CASTRO
CHA-RI-VA-RI

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A PRINCEZA

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NA BERLINDA

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RATTAZZI A VOL D'OISEAU

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COM A BIOGRAPHIA DE SUA ALTEZA


(segunda edição)









LISBOA

TYPOGRAPHIA PORTUGUEZA

7, Rua da Paz, 7

1880



A PRINCEZA NA BERLINDA

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Não será talvez máo começar por fazer uma declaração:—nunca passei pelos beiços os guardanapos da princeza... Parece-me conveniente dizer isto. A minha terra, que era pequena no tempo de Garret, não me consta que tenha crescido, depois da sua morte... Tem até diminuido um pouco... talvez!



Foi pelos jantares que a princesa conseguiu tornar-se conhecida em Lisboa. Quando aqui chegou, vendo que ninguem a procurava, que a litteratura não corria pressurosa ao Bragança, cumulando-a de elogios banaes e de bilhetes de visita baratos, sentio dentro da sua alma a mordedura cruel do amor proprio offendido. E amor proprio de mulher, amor proprio de princeza! Calculem que dentada! Esperou, um, dois, tres dias... uma semana, outra... a litteratura não apparecia!—Pois ha de apparecer! exclamou ella—E convidou-a para jantar. E a litteratura appareceu. Os livros da princeza, que até então ninguem conhecia em Lisboa, e que ella mandara adiante para os livreiros, como batedores da sua fama, começaram por essa epoca a ter uma tal ou qual extracção. Não é difficil advinhar quem os comprava—eram os convivas dos seus jantares—Comprehende-se. Realmente seria pouca amabilidade comer o foie gras de Rattazzi, e não dizer ao menos, no fim, que era admiravel o seu livro Si j'etais reine; beber o champagne da princeza, e não lhe segredar que nunca mulher nenhuma escrevera um volume como Nice la Belle. E a proposito dos livros citavam-se os trechos das paginas abertas, abril-os seria muito, e bebia-se mais um copo. A princeza, que é inquestionavelmente uma mulher d'espirito, percebeu, o que de resto não era muito difficil, a manobra fraudulenta, como diz o sr. Duc nos livros de mortalhas, dos litteratos de Lisboa...


Callou-se porém muito bem callada e continuou a dar-lhes jantares hebdomadarios. A concorrencia cada vez era maior. Houve sujeito que se fez litterato, só para jantar com a princeza. Cá fóra, no Martinho e na Havanesa, esses jantares eram digeridos e commentados com a face vermelha e a palavra quente... Contavam-se anecdotas, que é deveras pena não terem chegado aos ouvidos da princeza, porque, algumas d'ellas não são em nada inferiores a muitas que lêmos no seu livro...


E aqui está como madame Rattazzi conseguiu durante um mez ser uma notabilidade em Lisboa. Sua altesa, porém, em vez de contentar-se com esta gloria, embora de 2.ª ordem, lembrou-se um dia de querer uma gloria de 1.ª sorte, e escreveu uma comedia que, depois de muito applaudida em sua casa pelos seus commensaes, foi representada no theatro dos Recreios, a quem ella, com carradas de rasão chama um calvario, visto que lá teve... a cruz da pateada...


Tambem que diabo de publico este de Lisboa... atrever-se a patear uma princeza... Se sua alteza tem a mania dos cumulos,—e porque não a terá?—sim, porque não terá sua alteza a mania dos cumulos, se a tem, é impossivel que pelo seu preclaro espirito não tivesse passado este—o cumulo da selvageria:—Patear uma princeza...


Ah! decididamente sua alteza não estava em sorte... Pas de chance! No hotel os convivas faziam muito mais despeza de iguarias do que de elogios; nos Recreios, o publico muita mais despeza de botas do que de luvas... Pas de chance!




Foi então, naturalmente, que o seu espirito se orientou na direcção a dar ao Portugal à vol d'oiseau.


—Ah! os senhores julgam que não é mais do que comerem-me os meus jantares, do que patearem-me as minhas peças, esperem ahi que já os ensino! Até aqui tenho-os recebido como convivas, agora vou passar a tratal-os como assumptos! Os senhores pensam, quando estão á minha mesa, que são meus commensaes?—pois enganam-se, são paginas para o meu livro! Não sou eu quem os obsequeio aos senhores, os senhores é que me obsequeiam. Escusam de dizer «muito obrigado!» eu é que tenho que dizer-lhes «merci»!


E escreveu Le Portugal à vol d'oiseau.




Lisboa já sabe pouco mais ou menos o que o livro é. Os jornaes tem dado excellentes amostras d'aquella famosa peça...


Porque não havemos nós de dar tambem algumas? Estes dois perfis da nossa nobreza, por exemplo...


Venha primeiro o conde de ***


«—O conde *** um dos meus valsistas, e um valsista encantador, entre parenthesis, não é menos notavel. De muito antiga e nobre familia, é verdadeiramente um dos typos mais salientes de Lisboa. Orça pelos cincoenta, mas não obstante apparenta um grande ar de mocidade. Baixinho, apurado, e elegante, ha em toda a sua pessoa uma excessiva vivacidade. Esta vivacidade será natural ou o resultado d'um estudo paciente para parecer ainda mais novo?


Talvez que sim a avaliar a sua petulancia pelo mais. Os bigodes do conde de *** são mais negros do que o ebano.


Mas isto não é nada comparado ao craneo do encantador conde; o proprietario d'este craneo conserva n'elle alguns cabellos, raros, semeados aqui e ali, tratados com zelosos cuidados, e que puchados artisticamente para a testa, ahi occupam o maximo espaço possivel para assim substituirem os ausentes. Para suprir os defuntos põe no cucuruto uma especie de pequeno crescente—não, eu nunca ousaria dizer chinó fallando de tão perfeito cavalheiro—que se confunde graciosamente com os cabellos: depois cobre tudo isto com uma espessa camada de pez e summo de alcaçuz de que faz uma pomada a fogo lento; por fim o seu creado de quarto, confidente d'esta excentricidade, traça no meio d'esta pasta de raisiné breton, uma risca d'uma delicadeza, d'uma puresa, d'uma nitidez a causar inveja a uma rapariga de quinze annos. Quando a cataplasma está secca, o conde póde apparecer no meio dos seus concidadãos. Todos conhecem o mysterio d'aquella cabeça e ha delirios de alegria quando o excellente homem é obrigado, em pleno sol ou em pleno baile, a andar de chapeu na mão, porque o calor tendo acção dissolvente sobre aquella untura, resulta d'ahi começar ella a mover-se, a palpitar, a derreter-se, acabando por escorrer pelo pescoço e pelo nariz do seu proprietario.


Não obstante o conde de *** é um grande conquistador, um namorador que não perde occasião de deitar a sua olhadella, sendo porém capaz de praticar heroismos, como o demonstram varias circumstancias da sua vida.


Conta-se este facto digno dos melhores tempos da monarchia. O conde era camarista da infanta D. Izabel, que morreu ha annos, em avançada edade, no seu palacio de Bemfica nos arrebaldes de Lisboa. Sendo os principes da familia real depositados na egreja de S. Vicente, situada n'um dos extremos da cidade opposto a Bemfica, o cortejo funebre teve de percorrer duas leguas, a passo, em pleno mez de julho.


O conde devia seguir a cavallo, uniformisado e de cabeça descoberta, o corpo da sua real ama, debaixo d'um sol torrido, o que elle fez magnanimamente, sem trepidar, entregando aos abrasadores raios de Phebo a sua untura quotidiana—facil presa—sem temer a troça dos graciosos que, no dia seguinte, alludindo á liquefação do cosmetico, diziam por toda a parte que ninguem figurara no cortejo com o rosto mais tristemente cheio de luto do que o infeliz conde de ***.»

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Yaş sınırı:
0+
Litres'teki yayın tarihi:
15 ocak 2025
Hacim:
29 s. 1 illüstrasyon
ISBN:
4064066406448
Yayıncı:
Telif hakkı:
Bookwire
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