Kitabı oku: «Octavia: Tragedia em 5 Actos»
Vittorio Alfieri
Octavia: Tragedia em 5 Actos

Publicado pela Editora Good Press, 2022
EAN 4064066406790
Índice de conteúdo
PERSONAGENS
OCTAVIA
ACTO PRIMEIRO
SCENA I. NÉRO, SENECA.
SCENA II. NÉRO
SCENA III. NÉRO E POPPÉA.
ACTO SEGUNDO
SCENA I. POPPÉA, TIGELLINO.
SCENA II. TIGELLINO
SCENA III. NÉRO, TIGELLINO.
SCENA IV. NÉRO, TIGELLINO E SENECA.
SCENA V.
SCENA VI. NÉRO, OCTAVIA.
SCENA VII.
ACTO TERCEIRO
SCENA I. OCTAVIA, SENECA.
SCENA II. NÉRO, OCTAVIA E SENECA.
SCENA III. TIGELLINO, OCTAVIA, NÉRO E SENECA.
SCENA IV. NÉRO, OCTAVIA E SENECA.
SCENA V. NÉRO E OCTAVIA.
SCENA VI. POPPÉA, NÉRO E OCTAVIA.
SCENA VII. NÉRO E POPPÉA.
ACTO QUARTO
SCENA I. POPPÉA E SENECA.
SCENA II. NÉRO, POPPÉA E SENECA.
SCENA III. NÉRO, POPPEA.
SCENA IV. TIGELLINO, NÉRO E POPPEA.
ACTO QUINTO
SCENA I.
SCENA II. OCTAVIA, SENECA.
SCENA III. TIGELLINO, OCTAVIA E SENECA.
SCENA IV. OCTAVIA E SENECA.
SCENA V. NÉRO, POPPÉA, TIGELLINO, OCTAVIA E SENECA.
SCENA VI.
PERSONAGENS
Índice de conteúdo
Octavia Sra. A. Ristori. Poppéa Sra. Matilde Pompili Trivelli. Néro Sr. Jacomo Glech. Seneca Sr. Alessandro Grisanti. Tigellino Sr. Ludovico Mancini. Soldados e povo romano.
A acção passa-se no palacio de Néro em Roma.
OCTAVIA
Índice de conteúdo
ACTO PRIMEIRO
Índice de conteúdo
SCENA I.
NÉRO, SENECA.
Índice de conteúdo
SENECA.
Senhor do mundo inteiro, o que te falta?
NÉRO.
Tranquillidade.
SENECA.
Te-la-hias, se aos outros não a tirasses.
NÉRO.
Doce e calma seria a minha vida, se odiosos laços não me prendessem a Octavia.
SENECA.
E terias por ventura de Julio Cesar sido successor, terias augmentado a gloria e o poder herdado, se Octavia te não desse a mão de esposo? Ella foi quem te abrio caminho para o throno; e entretanto hoje morre á mingoa, em cruel e injusto degredo, essa mesma Octavia, que longe de ti, sabendo que abres os braços á sua orgulhosa rival, misera, ainda te ama!
NÉRO.
A principio talvez fosse ella instrumento de minha grandeza; mais tarde, porém, tornou-se a causa de todas as minhas desgraças, e ainda o é hoje, posto que repudiada. E este povo, a quem desprezo, ousa murmurar! atreve-se a queixar-se de seu senhor nos mesmos lugares onde reino e domino? De hoje em diante não se dirá mais em voz alta o nome de Octavia, nem se quer o murmuraráõ baixinho labios tremulos, que o não quero eu, Néro!
SENECA.
Senhor, nem sempre julgaste indignos de ti os meus conselhos. Bem sabes como, com a arma poderosa da razão, moderei o ardor de tua impetuosa mocidade. Eu predisse que, repudiando Octavia e, mais que tudo, condemnando-a a cruel desterro, chamarias sobre ti a censura, as accusações e as injurias. O coração do povo, dizia, eu, inclina-se para Octavia; Roma inteira manifestou sua dôr ao saber que havias marcado para sua residencia os campos de Plauto e a habitação de Burrho, eu dizia...
NÉRO.
Basta. Disseste tudo isso, é certo; e entretanto fizeste o que eu quiz! Durante algum tempo, talvez, me ensinasses a governar, mas, a não errar, jámais o fizeste; nem o pódes tu ensinar, nem póde o homem adquirir esta sciencia. Já basta que Roma me tenha ensinado a ser prudente por algum tempo. Enganei-me, julgando que devia desterrar esta mulher, que, pelo contrario, eu não devera affastar de mim.
SENECA.
Estás por ventura, arrependido? É verdade o que acabo de ouvir? Volta á Roma Octavia?
NÉRO.
Sim.
SENECA.
Finalmente tiveste della compaixão?...
NÉRO.
Compaixão?... É verdade, tive.
SENECA.
E virá ella de novo partilhar com vosco o leito e o throno?...
NÉRO.
Dentro em pouco voltará ella ao meu palacio; e então saberás para que volta. Oh! Seneca, tu, sabio entre os sabios; tu, que já foste meu ministro e meu guia em circumstancias mais criticas e mais melindrosas; não te mostrarás hoje contrario ao que foste outr'ora.
SENECA.
Tens por costume pedir inutilmente conselhos quando já tomaste crueis resoluções. Não conheço quaes sejão teus pensamentos; mas tremo por Octavia ouvindo as tuas palavras.
NÉRO.
Dize-me: tremeste por ventura naquelle dia em que meu irmão cahia morto, victima de um crime necessario? E no dia em que proferiste a sentença de minha orgulhosa mãi, tua cruel inimiga, tremeste por ventura?
SENECA.
Que escuto?... Como ousas recordar estas scenas infames, e execrandas? Não, eu não tingi minhas mãos nesse sangue que era tambem teu, tu, sim; o bebeste! Calei-me, é certo; calei-me obrigado. Foi criminoso meu silencio, nem poderei jámais expiar um tal crime. Louco! Acreditei que Néro ficasse farto de sangue depois de ter derramado o de sua propria mãi! Hoje conheço que alli apenas começavão as atrocidades. Quando commettes um novo crime, não sei porque, cobres-me de dadivas odiosas, de favores que me pezão na consciencia. Tu me obrigas a aceital-as e o povo, que isto presencêa, diz que essas dadivas são o preço do sangue derramado. Ah! Eu t'os entrego, toma-os e deixa-me que conserve a estima de mim proprio.
NÉRO.
Eu t'a deixo; conserva-a, se é que ainda possues. Prégas moral e virtude como homem de experiencia, mas bem sabes que não convem sempre seguir seus dictames. Se querias conservar intacta a reputação, se querias conservar o coração immaculado, porque trocaste o obscuro lar paterno pelo esplendor da côrte? Bem o vês; eu, que não sou stoico, ensino te as regras do stoicismo, e entretanto tudo quanto sei a ti o devo. Se, pois, demorando-te por tua propria vontade nesta côrte, arriscaste a primitiva candura, se perdeste o nome de homem honrado, nome este que nunca mais se recupera, auxilia-me agora; sei que o pódes. Já desculpaste meus erros passados, continua. Dá mais branda côr aos meus actos, louva-os. A tua opinião é aqui respeitada, o povo te julga menos culpado do que os outros; acredita que tens sobre mim grande influencia. Estás, emfim, tão intimamente ligado á minha côrte, que partilhas das censuras que me são dirigidas.
SENECA.
Agrada-te, bem o sei, que outrem pareça mais culpado do que tu; o crime repartido pesa-te menos na consciencia. E eu innocente, como o sabes, carrego com o castigo dos teus crimes; sobre mim recahem as consequencias do modo porque reinas; sou, emfim, odiado por todos. Qual será a nova infamia cuja execução me reservas, para augmentar ainda...
NÉRO.
Cumpre que destruas no coração do povo o amor que elle consagra a Octavia.
SENECA.
Não se destróem facilmente as affeições de um povo, não são como as tuas, senhor; o povo não sabe fingir.
NÉRO.
Quando é preciso, o sabio muda de parecer e de linguagem; e tu és sabio. Vai, aproveitar-me-hei de teus conselhos no dia em que possa dizer que o imperio é só meu. Por emquanto sou eu senhor; o teu dever é executar as minhas ordens; agora sou eu o mestre e tu o discipulo; mostra-te, pois, docil. Não te ameaço com a morte, bem sei que ella não te assusta; mas o nome de que ainda gozas, a consideração que te rodêa, tudo isso depende de mim. Posso destruir tudo. Cala-te, pois, e faze o que mando; vai.