Kitabı oku: «O culto do chá»

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Wenceslau de Moraes

O culto do chá


Publicado pela Editora Good Press, 2022

goodpress@okpublishing.info

EAN 4064066411855

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Capa

Página do título

Texto

(ILLUSTRAÇÕES DE YOSHIAKI)








KOBE Typographia do "Kobe Herald"
Gravuras de Gotô Seikôdô
1905



A

Vicente Almeida d'Eça,

Sebastiäo Peres Rodrigues,

Bento Carqueja,






isto é, á Trindade benevolente, que ainda ha pouco, de täo longe, me enviou dentro das folhas de um livro—as Cartas do Japäo,—o perfume ineffavel da sua amizade, offereço este outro livro, exotico pela forma, exotico pelo texto, mas näo pelo sentimento de profunda gratidäo, que inspirou esta primeira pagina. Kobe, Junho de 1905.




Wenceslau de Moraes.























Falla-se do Japäo; nem, francamente, devera presumir-se que eu ia referir-me a um paiz qualquer occidental, onde a nossa raça branca floresce.


É no Oriente, e em especial no Extremo-Oriente, que as coisas communs da creaçäo ou os usos e costumes triviaes da vida säo susceptiveis de merecer um tal requinte de solemnidade sentimental e de praxes de rito, que constituam um verdadeiro culto. No espirito do europeu, despoetizado pela chateza dos ideas da epoca, atribulado pelas multiplices exigencias da vida, pervertido pela febre do negocio, näo medram de ha muito os cultos. Especializando a observaçäo ao chá, havemos de convir que este artigo de commercio, que de täo longe nos vem, propositadamente adulterado conforme o nosso gosto, no fim de contas se resume n'uma detestavel infusäo que entrou em moda no sport social, simples pretexto para repastos pelintras, para reuniöes banaes, para palestras väs.


A Asia é outra coisa: a muitos propositos immersa ainda em barbarismo, se assim se quer dizer; com mil defeitos e mil erros, que a sabia Europa aponta a dedo e algumas vezes corrige, quando pode, com a logica dos seus conhoës de tiro rapido; o que ella retem ainda, indiscutivelmente, esta Asia, é o caracter ancestral, nada vulgar, nada rasteiro, palpitante de orgulhos de raça, aprazendo-se em sonhos e em chimeras, acariciando a lenda, divinizando as coisas, prodigalizando os cultos; o que é, em todo o caso, uma maneira amavel, de ir comprehendendo a vida.

*

Oh, fé dos velhos tempos!... Oh, santos patriarchas de täo varios paizes e täo differentes seitas, tenazes campeöes, que fostes incutindo nos simples a crença, a esperança, o amor,—balsamos consoladores das duras miserias d'este mundo,—como eu vos amo, a todos!...

Meus piedosos pensamentos elevam-se n'este momento a Darumá. Segundo a tradiçäo da gente japoneza, Darumá, o grande apostolo indiano do buddhismo, veio á China ahi pelo começo do seculo VI da nossa era christä, e em terras chinezas prégou em honra da verdade, illuminando o espirito dos povos.


Consta que, por voluntaria desistencia das ephemeras alegrias terreaes, Darumá votou-se a passar a vida de joelhos sobre o solo pedregoso, absorto em contemplaçöes mysticas, sem mesmo permittir-se o simples regalo de dormir. Tantos annos permaneceu de tal maneira, que as pernas se lhe gastaram, claro está; e é assim, sem pernas, só com a cabeça e com o tronco, envolto n'um manto carmezim, que ainda hoje é figurado. A imagem tronou-se querida e popular entre esta boa gente japoneza; é mesmo um brinquedo corriqueiro entre as mäositas das creanças,—os santos e os meninos vivem sempre em boa companhia;—lembrando o tal brinquedo o nosso frade de sabugo, pela teima em voltar, por mais voltas que lhe dêem, á sua postura habitual. Deve ainda saber-se que Darumá tem dado assumpto, desde remotos tempos até hoje, a pintores da mais alta valia; Hokusai foi um d'elles, pintando um famoso Darumá sobre uma folha de papel de cerca de duzentos metros quadrados de grandeza, empregando oitenta litros de tinta no desenho e servindo-se de cinco vassouras á laia de pinceis; estendida a tela sobre o campo, no telhado de um templo a turba admirava a obra e applaudia o mestre. Mas voltêmos ao que aqui mais nos interessa, respeitante ao venerando vulto que invoquei, ajoelhado sobre as pedras. Consta mais que, em certa noite, as palpebras se lhe cerraram de fadiga, e o bom Darumá deixou-se adormecer, para só acordar pela manhä. Entäo, pedindo a alguem uma tesoira ou instrumento parecido, cortou a si proprio as palpebras indignas e arremeçou-as ao solo, n'um gesto de despeito... As palpebras, por milagre, erraizaram, dando nascença o a um gracioso arbusto nunca visto, que medrou mui de prompto e cujas folhas, tratadas de infusäo pela agua quente, fôram um remedio precioso contra o somno e contra o cançaço das vigilias. Estava conhecido o chá; tem pois na China a sua origem, e é coisa santa, como se acava de provar. Crê quem quer; mas devo advertir que este livro foi escripto para os crentes.

*

Da China, veio o chá para as terras de Nippon, mas näo se sabe quando.


Velhas chronicas mencionam (no dizer dos entendidos n'este caso melindroso), que em 729 da era Christä, durante uma festa religiosa de espavento, o imperador Shomu offerecia chá a bonzos de alta gerarchia; mas fica-se ignorando se já antes seria conhecido... Parece que um bom abbade buddista, Dengyo Daishi, foi o primeiro que obteve a planta em solo japonez, em 805; o chá era entäo já uma beberagem favorita entre os bonzos chinezes, que d'ella se serviam durante as vigilias prolongadas das suas praticas nocturnas. Mais recentemente, ainda outro, bonzo, Eisei, tendo ido á China, de lá voltou, trazendo as sementes preciosas, e no monte Sefuri, em Chikuzen, cuidou da sua sementeira. Pouco depois, ainda mais outro bonzo (sempre os bonzos!) de nome Mioyé, colhendo de Eisei os varios segredos de cultura, novas sementes adquiriu, e em Toga-no-o em Uji, logares visinhos de Kyoto, attentamente se entreve em cultivar o chá; em Uji, de preferencia, fôram os resultados excellentes. Dois seculos depois, cerca de 1400, o shogun (generalissimo) Ashikawa Yoshimitsu imprimiu vigoroso impulso ás plantacôes de Uji, as quaes tanto fôram prosperando, mercê da riqueza do torräo, que de entäo até hoje o chá d'aquelle sitio tem sido celebrado como o melhor de todo o imperio; d'elle exclusivamente se serve o Imperador.

*

O Japäo é a terra das camelias: camelia japonica, lá diz o latinorio dos botanicos.






Quando, por fins de novembro, começam os frios e as geadas e pouco tarda que as neves alvejem nos dorsos das montanhas, quando cessam as ultimas florescencias dos jardins, é entäo que comecam ostentando-se as bellas flores d'esta esplendida familia das camelias. Véem primeiro as sazankas, umas brancas, cutras roseas, de mimosissimas petalas frisadas; seguem-se as camelias simples, sanguineas, surdindo da rama espessa de arvores gigantes, espalhadas pelos campos; e após véem as flores cuidadas, de luxo, variando em innumeras formas, variando em innumeros tons, desde o branco de leite ate ao roseo quasi negro. Entäo igualmente desabrocha a pequenina flôr do chá, que tambem é uma camelia, subtilmente perfumada, composta de cinco petalasinhas alvas contornando e protegendo o feixe aureo dos estames.

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Türler ve etiketler

Yaş sınırı:
0+
Litres'teki yayın tarihi:
15 ocak 2025
Hacim:
50 s. 43 illüstrasyon
ISBN:
4064066411855
Yayıncı:
Telif hakkı:
Bookwire
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